10.6.09

Quando os filhos crescem?


Criamos os filhos para o mundo. Será?

Esta semana dois episódios me fizeram questionar esta minha convicção.

No primeiro, encontrei meu caçula, de 5 anos, sozinho na cozinha fazendo um bolo. Olhei para a tigela de massa, achando que seria mais uma das melecas que ele adora fazer, misturando qualquer ingrediente que encontra. Me surpreendi ao ver uma massa que bem poderia ser um bolo. Perguntei o que ele tinha colocado ali e ele disse: "farinha, leite e três ovos." Surpresa, sugeri que também colocasse açúcar e ele disse: "Eu sei... ainda falta açúcar e chocolate. Vai ser um bolo de chocolate." Respondi enternecida: "Ah, filho...o chocolate em pó acabou." E ele disse que iria pedir para a vizinha. Saiu correndo e voltou vitorioso com uma xícara de Nescau que imediatamente foi despejada na massa. Uma colher de sopa de fermento depois e a massa foi para o forno, para virar um delicioso bolo que foi servido a todos, inclusive à vizinha.

No dia seguinte, chego em casa e encontro 3 crianças, o meu filho de 8 anos, seu amigo também de 8 anos e o meu caçula, novamente na cozinha, sozinhos, entretidíssimos em esquentar no microondas uma sobra de macarrão com brócolis do dia anterior. Me deram oi e continuaram a tarefa, como se eu nem estivesse ali. Enquanto um deles punha o macarrão em cumbucas, outro ralava o parmesão e outro pilotava o micro, com a maior naturalidade. Tudo pronto, levaram as cumbucas para a mesa, pegaram talheres e jantaram.

Fiquei observando de longe, mas confesso, com sentimentos bem ambíguos. Uma parte de mim orgulhosa pela autonomia e o desempenho dos meninos. A outra parte, com o coração espremido, por eles terem feito tudo isso sem chamar "Mãe!" nem uma vez. Podiam ao menos ter tido a consideração de me perguntar onde estava o ralador!

A verdade é que meus bebês estão crescendo. E mesmo jurando o contrário, acho que nunca estarei pronta de verdade para isso. Mesmo que o tal crescimento aconteça diariamente, bem debaixo do meu nariz e os sinais surjam a todo instante, na forma de um bolo ou de uma cumbuca de macarrão aquecida no microondas.

Ninguém falou que era fácil ser mãe. Mas precisava ser tão difícil?

13 comentários:

Pérola disse...

Muito bom!
Beijos solidários!

Clarice disse...

Essas coisas acontecem aos poucos para que a gente não leve um baque muito forte no dia em que eles levarem todas as roupas embora e virarem visita de final de semana.
Essa independência e criatividade que você assiste todos os dias só aparecem em casas em que as mães são inteligentes o suficiente para deixarem isso acontecer. Tão lindo e bom isso. Parabéns!
Essa divisão entre alegria e uma certa dor não tem cura, minha bela, isso eu garanto.
Beijos.

hegli disse...

Sim, é verdade, tenho sentido o mesmo com meu filhote... está com 8e já sabe o que quer vestir, comer, ver, ler, e tb o que não quer. Sabe argumentar... isso me mata!
Tb quer me ajudar na cozinha e faz um bolo de milho melhor que o meu.
É incrivel como o tempo é implacavel com as mães, como nosso filhotes crescem rapido. Cade nossos bebes...? hahaha
Bjs
Hegli

Dany Tavares disse...

Há quase 20 anos atrás, quando eu estava para me casar, eu assisti o filme 'O Pai da Noiva', com o Steve Martin, e mesmo antes de ter filhos, fiquei super comovida como uma cena que nunca mais esqueci. Talvez pensando no meu pai, que estava sofrendo aquela perda, talvez pensando na filha que um dia eu iria ter...
No filme, a filha mais velha - já morando sozinha - vem visitar os pais para contar que vai se casar. Depois de dar a notícia, eles focam o pai olhando para . Só que o que ele 'vê' é a filha com uns 8 anos, com a sua voz infantil, dando a mesma notícia, e quase tem um ataque do coração. Quando li esse post da Taís me lembrei na hora dessa cena, e com minha filha já com 15 anos, confessou que meu coração ficou apertadinho...
Mas é isso aí, não é? Melhor que eles possam crescer, e que possamos estar do lado para ver tudo isso. E acredite, eles podem ter mais de 30 anos, sempre vai ter uma horinha que eles vão gritar:
- Mãe!!!

Um beijo a todas,

dany
www.mameeuquero.blogspot.com

Thaís Rosa disse...

que lindo esse post... me deu um apertinho no coração, e olha que meu filhote tem só 14 meses... e eu já sinto saudades (coisa de canceriana!)... Mas o comentário da Clarice disse tudo, incrível o que eles estão fazendo sozinhos nessa idade, todo o crédito a você (e ao papai também, né, que também deve ter seus momentos de crise... rá!)
bjs

pimenta disse...

Tá vendo?O melhor é que nos é que criamos os "monstrinhos",no melhor estilo Frankstein.Um pouco de explicações,um pouco de exemplo,uma orientação aqui,uma tolhida ali,e pronto!Já estão eles decidindo as coisas da vida,sem nem te consultar.
Ainda bem,que se sintam seguros,pois as vezes acho que a derradeira lição que damos a eles é a da saudade.
bjos

Renata Rainho disse...

Ai que delícia.;...

Susana disse...

Só uma perguntinha: eles lavaram a louça depois? Lá em casa essa independência às vezes acontece, mas geralmente o rastro fica pra "mantenedora" resolver. Adorei o blog.

Taís Vinha disse...

Risoteiras queridas, obrigada pelo tricozinho!

Clarice, nem imagino quando vai chegar o dia que eles vão levar as cuecas pra outra gaveta. Minha esperança é ser uma mama italiana, que os filhos encostam aqui até uns 40 anos! hahahahahahaha. Outro dia vi uma matéria sobre uma mãe que tinha um filho de 50 anos (!) que finalmente ia se casar e sair de casa. Ela chorava, sofria, se descabelava na dor. Foi tão engraçado!!!!! E o filho, coitado, dividido entre a noiva e a mãe. Fala sério, como tem mãe maluca no mundo?! Adorei a figura.

Hegli, seu filho está argumentando? Será que ele puxou pra quem? hahahahahahahahah Definitivamente, o bolo deles é melhor que o nosso. Que o meu, pelo menos, com certeza!

Dany eu vi este filme. É muito bom. Achei lindo vc dizer que eles sempre, mesmo adultos, chamarão "mãe!". Isso acotnece quando eles sabem que a mãe escuta.

Thaís, solte seu filhote na cozinha, deixe-o brincar com "tapuérs" e colheres de pau, uma massinha de farinha de vez em quando, uma escola que estimule experiências culinárias e logo logo seu pituco também vai fazer bolos e quitutes sem dar aviso prévio. Não tem muito segredo. Acho que eles aprendem mais vendo a gente fazer que com a gente ensinando.

Pimentita, Frankestein é ótimo. Criamos monstrinhos mesmo! Depois, ficamos surpresos quando eles surgem dizendo pra gente coisas em pé de igualdade. E, o pior, cheios de razão!

Suzana, você me salvou!!!!! Eles não limparam NADA!!!!!! Oba! Pelo menos eu servi pra alguma coisa! 100% pra mantedora limpar a sujeira deles. E acho que vai ser assim pra sempre, né? Eles saindo por aí, se aventurando fora do ninho e a gente atrás, tentando botar ordem na bagunça.

Bjs!

hegli disse...

Ai Taís, vc é demais mulher... hahaha.
O pior é que vc tem razão...

E o bolo dele, batido com batedor manual é mil vezes mais fofo que o meu. (e eu acabei de me lembrar que não te mandei a receita do risoto).
Mando amanhã.
Bjus

micheliny verunschk disse...

oi, tudo bem? Acho seu blog muito bacana e hoje coloquei um link do seu blog no meu. Passa lá para uma visitinha, depois.

abs!

Luciana B. disse...

Taís, fiquei passada com este post... Eu sou uma mãe super controladora e esta cena tão linda da sua casa jamais teria acontecido na minha... meus filhos não pegam nada na cozinha sem me perguntar se pode... Não ousariam fazer um bolo sem antes me pedirem permissão... ai será que eu sou louca?? Te juro que com esta história sua prometo me esforçar para deixar mais livre a criatividade dos meus filhotes!

Tais Vinha disse...

Luciana, pois vc acredita que eu também me acho super ultra controladora. Tô até tomando um floral pra "deixar fluir".

Mas sabe, a autonomia, por mais assustadora, é estratégica para o nosso bem estar. Eu tenho 3 filhos. Se eles dependessem de mim ou de minha autorização para tudo, eu surtaria. Mesmo nostálgica prefiro que eles ganhem asas e se virem. Senão eu passaria o dia todo atrás de cuidar deles e eu não consigo viver assim. Vou escrever mais sobre isso. Bjs!