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Mostrando postagens de Abril, 2009

Falar com mãe é tão difícil assim?

Aparentemente, é mais fácil fazer comercial para bebedor de cerveja do que para mães. Só isso explica o comercial infeliz da Claro para o Dia das Mães, criado pela F/Nazca, a mesma agência de propaganda que faz os comerciais da Skol.

A propaganda, que vocês podem assistir abaixo, tem cara moderninha, música moderninha, mas um texto tão retrógrado e cheio de clichês sobre a maternidade que poderia ocupar o vazio deixado pela Unilever quando tirou do ar os comerciais do Omo com depoimentos de donas de casa preocupadas com o encardido do colarinho do marido.

Se alguém acha que estou exagerando, responda com sinceridade às perguntas do comercial.

"Você conhece alguma pessoa que acorda de madrugada feliz?
Eu não conheço nenhuma. Não tem nada mais desesperador que choro de criança no meio da madrugada. Já tive ímpetos de ligar pra Angelina Jolie e oferecer um de meus filhos numa dessas noites de pura "felicidade".

"Que dá duro para juntar dinheiro e não gasta com ela?"…

Mães antenadas e estressadas.

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Os comentários sobre o texto "Amamentar não é um ato de amor" me surpreenderam. Para ser sincera, esperava muitas críticas - só no google, há cerca de 40 mil entradas para "amamentar ato de amor". Mas chegaram apenas mensagens de apoio e simpatia (algumas até de alívio). Frases reais, de mulheres de carne e osso, relatando suas dúvidas, seus medos, suas inseguranças com um assunto que é quase sagrado.

Deu a impressão que o texto serviu para romper um dique de emoções conflitantes sobre a amamentação e, indo além, sobre a maternidade.

Fazemos parte de um grupo de mulheres que sabe o que é certo fazer. Sabemos que é certo amamentar, ter parto normal, dedicar tempo aos filhos, garantir uma alimentação saudável, estimular a leitura, participar da escola etc. etc. Mas entre "saber o que é certo" e "fazer o que é certo" há uma enorme distância que relutamos em enxergar. Nem tudo depende da nossa vontade e muitas vezes não temos essa vontade. Com isso n…

"Amamentar não é um ato de amor."

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"Amamentar não é um ato de amor."


A primeira vez que ouvi minha mãe pronunciar tal frase, estranhei.

Eu havia ido buscá-la após uma entrevista para um programa da Rede Mulher e notei que ela estava aborrecida. Perguntei o que havia acontecido e ela disse:

"Eles fizeram de tudo para que eu afirmasse que amamentar é um ato de amor. Mas eu nunca direi isso. Amamentar não é um ato de amor".

"Mãe, como assim?" Por um instante, achei que minha mãe estava virando casaca e negando o trabalho de toda uma vida.

Minha mãe foi uma das grandes batalhadoras do aleitamento materno no Brasil e no mundo. Docente da Faculdade de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto, ela ajudou a formar núcleos de aleitamento por todo o país, colocou o assunto na pauta da formação de profissionais, escreveu livros, cartilhas e foi conselheira da OMS sobre o tema, para os países de língua latina.

Eu cresci com mulheres batendo à nossa porta para "desempedrar" as mamas e aprender a …

Uma casa feita de histórias.

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Hoje é dia de blogar sobre quem me iniciou no mundo da leitura (veja o selinho do Monteiro Lobato, na lateral esquerda). Uma iniciativa bacanuda da Vanessa, do Fio de Ariadne.


Sou daquelas pessoas que adoram ler. Leio na cama, no banheiro, no ônibus, nas salas de espera de médico. Quando fico um tempo sentada sem minha leitura, morro de tédio, fico perdida. Não sou do tipo que se resolve apertando botãozinho no celular. Gosto de livros, jornais, revistas e, na falta deles, rótulos de remédio, embalages de sabonete, folhetos, qualquer coisa que tenha letrinhas e as letrinhas formem palavras.

Quando era pequena, minha casa tinha literatura para todo lado. No escritório do meu pai, prateleiras cheias de livros. Sobre as mesas, livros de mensagens espíritas, que eram lidos nos cultos semanais ou numa prece de emergência. Na cozinha, cadernos de receitas, copiados com a letra da minha mãe ou de minhas tias. Nas cabeceiras, romances, livros "Para gostar de ler" e aqueles pequeninhos…

Filhos felizes, saudáveis e confiantes...isso existe?

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Hoje acordei azeda. Deve ser TPM ou um spam que recebi da Livraria da Folha com o título: "Crie filhos felizes, saudáveis e confiantes."

Preciso de um café, ou melhor, o pessoal da Livraria da Folha é que precisa acordar. Criar filhos "felizes, saudáveis e confiantes" é igual prometer à uma mulher "seja uma grande profissional, esposa inesquecível, mãe zelosa e mulher gostosa". É mais fácil acreditar que viraremos astronautas ou contorcionistas de circo do que atingir tal meta.

É óbvio que todos nós, pais e mães, desejaríamos criar filhos felizes, saudáveis e confiantes, mas no dia-a-dia, no rock pauleira da vida, a gente acaba se conformando em criar filhos divertidos. Ou honestos. Ou gente boa. Ou saudáveis. Ou confiantes. Ou que, pelo menos, coloquem o prato na pia depois das refeições. Tudo junto, só mãe de primeira viagem sonha e apenas enquanto o bebê é pequeno.

Com o tempo vamos caindo na real de que nossos filhos são tão humanos quanto todos os out…

Consumismo na cozinha - reduzindo os utensílios.

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(O Ombudsmãe ficou fora do ar por motivos de força incrivelmente maior. O lado bom de sermos nossos próprios patrões e patroas é podermos priorizar. Esse é um benefício trabalhista realmente imbatível!)

Retornamos ao assunto que ficou no ar: utensílios de cozinha mais verdes e menos descartáveis.

Hoje, com o R$1,99, objeto de cozinha virou coisa descartável. Potes, bacias, colheres, tábuas, escorredores de louça - praticamente todos os apetrechos são produzidos com plástico e quando quebram podem ser facilmente substituídos.

O problema é que, com a reciclagem capengando na maioria das cidades, essa enormidade de apetrechos acaba sendo descartada no lixão. Ou, sabe-se Deus onde (vide a matéria sobre o Lixão do Pacífico). Além disso, poderíamos usar o dinheiro gasto na troca de produtos pouco duráveis com coisas mais úteis ou mais prazerosas.

A solução:

1. COMPRAR MENOS - confira as gavetas e prateleiras da sua cozinha e veja a enormidade de tranqueira que juntamos. Muitos destes objetos nã…

Pro fim de semana nascer feliz.

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Prometi publicar ontem o texto sobre cozinha e área de serviço verde. Mas mãe blogueira sofre intempérios. Meu mais velho ficou muito doente e passei o dia indo a médico, laboratório, fazendo raio x. No final do dia, cadê a energia pra escrever?

Mas reservei um episódio bem divertido para aliviar o final de semana. E como diz grande Scarlet O'hara: Amanhã, será um novo dia!

Lá vai:

Ontem a noite coloquei meu filho doente para dormir ao meu lado. Desse jeito poderia monitorar sua febre e respiração mais facilmente durante a noite. Na madrugada, coloco a mão na sua testa e está sem febre! E a respiração ótima! Aliviada, virei para o lado e dormi tranquila. Acordei mais algumas vezes e ele continuava sem febre e respirando bem.

Quase de manhã, acordo e levo um susto. O filho que estava dormindo ao meu lado, não era o doente! Hahahahah. Na madruga, o caçula se enfiou entre nós e foi a "febre" dele que passei a noite controlando!

Beijos e segunda-feira será um novo dia!

Reduzindo, um princípio de conversa.

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No texto anterior, prometi publicar dicas de redução de lixo. E, inevitavelmente, de reuso, como comentou o Jorge. Não são dicas para eco-experientes. Eu ainda não cheguei lá. Estes textos interessam a pessoas que, assim como eu, despertaram para o consumo consciente há pouco tempo. E que ainda estão tentando, experimentando, descobrindo. Ninguém muda da noite para o dia depois de uma vida de práticas eco-desastrosas. Cada um tem seu momento e seu jeito de fazer as coisas.

Mas leia avisado: uma vez "desperto", você não volta atrás. Parece papo de crente, mas de repente, você começa a ter um prazer estranho em transformar vidros de azeite em vasos de flores, usar cascas de ovo como adubo, lavar saquinhos plásticos para reutilizá-los e sair do supermercado com o carrinho muito mais vazio. É uma praga, das boas.

Vamos começar a conversa na cozinha.

Comida fresca sempre que possível: a Sílvia Schiros deu a dica master plus - feira, ou seja, comida fresca. O princípio básico da re…