23.4.09

"Amamentar não é um ato de amor."


"Amamentar não é um ato de amor."


A primeira vez que ouvi minha mãe pronunciar tal frase, estranhei.

Eu havia ido buscá-la após uma entrevista para um programa da Rede Mulher e notei que ela estava aborrecida. Perguntei o que havia acontecido e ela disse:

"Eles fizeram de tudo para que eu afirmasse que amamentar é um ato de amor. Mas eu nunca direi isso. Amamentar não é um ato de amor".

"Mãe, como assim?" Por um instante, achei que minha mãe estava virando casaca e negando o trabalho de toda uma vida.

Minha mãe foi uma das grandes batalhadoras do aleitamento materno no Brasil e no mundo. Docente da Faculdade de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto, ela ajudou a formar núcleos de aleitamento por todo o país, colocou o assunto na pauta da formação de profissionais, escreveu livros, cartilhas e foi conselheira da OMS sobre o tema, para os países de língua latina.

Eu cresci com mulheres batendo à nossa porta para "desempedrar" as mamas e aprender a dar de mamar. Com alunas que a procuravam para orientar teses de mestrado. Era peito e recém-nascido para todo lado. Aquela frase, dita assim de repente, me pegou totalmente de surpresa.

"Amamentar é optar por dar o melhor alimento ao bebê. Não tem nada a ver com amar. Se fosse assim, poderíamos dizer que os pais amam menos seus filhos? Eles não amamentam. As mães adotivas também não. Ou as mulheres que fizeram plástica. Ou as mães que precisaram desmamar seus bebês para trabalhar...será que todos eles amam menos seus filhos porque não amamentam?"

"Mas é o que a gente sempre escuta...que amamentar é dar amor", argumentei.

"Pois é...mas amamentar é dar alimento. O melhor alimento. O mais completo e o que melhor nutre o bebê. Já amar é outra coisa. As pessoas que confundem as duas coisas, sem querer, estão fazendo um desserviço ao aleitamento, pois as mães ficam mais ansiosas, culpadas e cheias de temores. Todos sabem que uma mãe tranquila amamenta melhor. E como uma mãe pode amamentar tranqüila se ela acha que estará dando menos amor para seu bebê se fracassar? Olha o peso deste sentimento!

Quanto mais desmistificarmos o aleitamento, melhor. As sociedades que amamentam melhor, são aquelas que o fazem naturalmente, como parte de uma rotina. O bebê está com fome, a mãe dá o peito. Simples assim. Quase mecânico. Ninguém pensa muito nisso.

E as mulheres que por algum motivo não conseguem amamentar, precisam parar de sofrer. De sentir culpa. Existem muitas outras formas delas darem o suporte psicológico que o bebê precisa. É óbvio que o aleitamento é a melhor escolha, mas a partir do momento que esta escolha não pode ser feita, a mãe deve parar de sofrer."

Essa era a minha mãe. Cheia de idéias próprias. Cheia de amor. Uma batalhadora da maternidade sem culpa.

P.S.: Se tenho escrito muito sobre ela, me desculpem. Mas este é o mês do seu aniversário. E quem a conheceu sabe que é impossível discutir a maternidade sem mencioná-la.

69 comentários:

Anônimo disse...

LINDO!
www.amamentacaoexclusiva.blogspot.com

Renata disse...

Concordo, Tais. Apesar de achar que a nutrição fornecida pela alimentação vai além da nutrição física, acho que a coisa deve ser encarada de forma natural. É instintivo, fisiológico, romantizar não leva mesmo a nada.
parabéns a sua mãe pelo aniversário e pelo trabalho fantástico que desempenha.
Beijo
Renata

Renata disse...

No comentário acima onde escrevi alimentação leia-se amamentação..ato falho...rs
Beijo
Re

Taís Vinha disse...

Oi Renata,

Você tem razão. A amamentação nutre física e psiquicamente. Por isso é, definitivamente, a melhor escolha. Quanto a isso não há dúvidas. O que ela discutia era vincular o ato de amamentar ao ato de dar amor - algo muito mais amplo e possível de ser dado por outros agentes além da lactente.

A minha mãe faleceu há quase 5 anos, daí a minha saudade imensa. Mas o trabalho dela continua, nas mãos de outras milhares de mulheres amigas (e guerreiras) do peito.

Renata disse...

Puxa taís, mil perdões...não sabia que sua mãe havia falecido.
E, sim, amar é mais amplo, não tem como medir o amor de uma mãe pelo ato de amamentar puro e simples.
Não acompanhei na história como as mulheres de outros tmepos viveram a maternidade e a amamentação, mas sempre ouvi que nos anos 70 (década em que nasci, aliás) as mulheres saíam das maternidades com uma lata de complemento debaixo do braço. E que, como é, al;ias, ainda nos Estados Unidos, a amamentação não era tão incentivada como é hoje.
Talvez emd eterminado momento a campanha para amamentação (que é questão de saúde pública, especialmente nos países de tereceiro mundo - talvez isso até explique pq em países como os Estados Unidos o cenário não tenha mudando dos anos 70 pra cá) tenha sido tão forte que hoje vemos tantas mulheres se sentindo muito pressionadas a amamentar...e essa pressão sem dúvida é o que mais atrapalha. Parece quase como aquela coisa de pegar no ponto fraco das pessoas pra vender uma idéia, como acontece na publicidade.
Beijo e mais uma vez me desculpe.
Re

Hegli disse...

Olá, estava aflita pesquisando sobre a alfabetização e "caí" neste blog... que sorte!
Adorei o texto, muito bem abordado o assunto e essa mania de vincular sentimentos a atos que muitas vezes não são escolhidos.
Me sinto ultimamente um peixe "mãe" fora d'agua tentando combater solitariamente conceitos e desmistificando paradigmas tão arraigados em nossa (e outras) culturas...
É assustador pensar como uma frase dessa pode causar um impacto negativo pro resto da vida de uma mãe (ex. ao não pode amamentar, sentir que não está atendendo as expectativas do bebe, menos amor, mais fragilidade, culpa etc), aí vem a depressão ou outras doenças, problemas de relacionamentos em familia, enfim... uma frase muda tudo SIM.
Parabens pelo blog, pela ampla visão sobre maternidade e demais assuntos, logo se vê que sua mãe foi sua mãe e mestre!
Abraço

silkelita disse...

Hummmm! Nada como beber da fonte...para mantê-la viva.
Muito linda sua homenagem, flor!
bjo
VovóMadô

Renata disse...

Adorei ter lido seu post. Já me enchi de culpa por não ter amamentado por muito tempo as minhas duas filhas. sempre achei que eu era menos "mãe" por causa disso.

Muito bom mesmo!

Um beijo grande,

Renata.

Taís Vinha disse...

Oi Hegli, bem vinda ao mundo das mães "fora d'água". Hahahahaha. Aqui só tem mãe ET. Brincadeira...somos todas maravilhosas e poderosas. Mas questionamos (às vezes até demais) os tais conceitos aos quais você se refere. Conceitos que têm o poder de derrubar a confiança e a auto-estima de qualquer mortal. O bom de trocarmos experiência e pontos de vista é conseguir pontuar tais conceitos e encará-los de uma maneira mais saudável. Eles até podem nos vencer, mas daremos trabalho.

Bjs!

Taís Vinha disse...

Renata (vocês já repararam como tem Renata comentando neste blog?!), relaxe. A mãe mais culpada de todas sou eu. Acho que escrever é uma forma de exorcizar as culpas que me assombram. Vamos repetir o mantra: "nunca seremos menos mães". Somos 100% mães! No peito, sem o peito e a despeito de tudo.
Bjs!

Romeri disse...

Devo tanto à Vera! Quantas vezes me socorreu! Os meus peitos “empedraram”, fissuraram. Lembro que o Zizo mandou passar nitrato de prata na fissura e acho que ele não explicou direito porque passei no bico todo. Menina, comi o pão que o diabo amassou!!! Mas não deixei de amamentar.
bjs

Hegli disse...

Obrigada Taís! Vc vai cansar de me ver aqui, rs.
A proposito, o que me fez achar seu blog foi um post sobre alfabetização precoce, essa doença que se espalhou pelas escolas particulares (enquanto as publicas aprovam crianças que nao sabem ler). Optei por deixar meu filho fazer dois anos a pre escola pq achava ele muito pequeno para ter cadernos e mais cadernos. A despeito das "orientações" da coordenadora que queria reclassifica-lo para o 2 ano(antiga primeira) e coloca-lo no reforço a tarde(?), coloquei-o com 6 (quase sete pq faz aniversario em abril) no 1 ano e fiquei pasma ao ver crianças de 4 e 5 anos, com a apostila do Anglo, aflitas e frustradas. E as mães na reunião perguntando quando eles leriam livros (???!!!). Enfim, ele entrou com 7 no 2 ano que em outros tempos seria o correto, acompanha bem toda a matéria e eu ainda me questiono sobre a quantidade de caderno e tarefas... mas ler seu blog me fez ver que PODEMOS NOS INDIGNAR SIM, mesmo que de forma solitária. Abraços

pimenta disse...

Querida,uma mãe boa é uma benção inesquecível,uma referência inegável,e a marca do umbigo não é a única que fica...
Hoje em dia tudo é meio generalizado mesmo, estamos perdendo o sentido exato de muitas coisas, e os nomes das coisas vão se confundindo,pior é que poucos notam...

Taís Vinha disse...

Hegli,

Me preocupa muito essa "aceleração" a que estão submetendo as crianças. Você agiu bem em não colocá-lo tão cedo no segundo ano (e com reforço a tarde para acompanhar!!! Torturante e absurdo!). Entendo que os pais cobrem a escola. São leigos ou pelo menos tem esta desculpa. Mas dos educadores a gente deveria esperar mais ponderação. Uma saída é ir atrás de uma escola mais tranqüila, que caminhe mais no ritmo da criança. Com profissionais bem treinados e seguros. Elas são raras e preciosas, mas o esforço da busca compensa.

Tive problema parecido com meu filho do meio. Ele veio transferido de outra escola e "caiu" com 5 para 6 anos no primeiro ano (antigo pré). Logo no início percebi pelos diálogos dele que estava deslocado: "Mãe, não tem brinquedo nessa sala." "Mãe, é meio chato, a gente só fica escrevendo na folhinha." Conversei com a coordenadora que me aconselhou a voltá-lo para o infantil. Para que ele não se sentisse diminuido perante os amigos, mudamos também o período. Foi a MELHOR coisa que fizemos. Hoje ele está no terceiro ano, é um menino supertranquilo, aprende com a maior facilidade e sem sofrimento. Não tem sentido acelerar uma criança! Muitas até conseguem aprender a matéria, mas emocionalmente sempre estarão em desvantagem perante os mais velhos. Qualquer dia, escrevo um texto sobre isso. Que tal?

Mantenha-se firme, questione e ouça a escola. Todos só tem a ganhar com esta troca.

Bjs!

Renata Rainho disse...

Eu mamei até os 5 anos de idade! bj

regiane disse...

Que beleza!!! Eu sou uma destas que nao ama amamentar... amo dar o melhor alimento para a minha filha!

Hegli disse...

Oi Taís, que legal saber disso... vc teve a mesma reação que eu, optar pelo tempo do filho e não pela imposição da “sociedade moderna”. Vou aguardar a pauta “alfabetização precoce” na escola particular, pois esse é um assunto que PRECISA ser tão discutido quanto o semi-analfabetismo na rede pública.
Ao fórum da matéria em questão, não sei se alguém aqui da discussão do blog leu o livro “A máscara da maternidade” (e se leu gostou, pq ele é bem polêmico), a autora discorre sobre esses paradigmas sobre o ato de amamentar. Em certo momento do livro ela conta sobre a própria experiência em ler livros e livros e não conseguir amamentar um de seus filhos direito, quando um parente (homem) lhe diz: Ué, um livro tão grosso pra dizer – PONHA O BEBE NO PEITO.
No imaginário popular é isso, ponha o bebe no peito que a natureza se encarrega do resto. Mas e se "a natureza" não conseguir se encarregar de dar conta da amamentação, a mulher é que é uma FRACASSADA. Ou seria a "natureza"?
Há uma citação num capitulo deste livro que só fala de amamentação que diz o seguinte:
“È importante reconhecer que as primeiras experiências para alimentar o filho – no peito ou com a mamadeira – são cruciais para o desenvolvimento da auto-estima de uma mulher como mãe” (Jane Price), experiência para mim vai além do próprio ato de alimentar.
Como encarar essa etapa que pode não ser como as propagandas e os livros famosos descrevem como uma “experiência, fantástica, absoluta, natural e insubstituível”.
E quando isso não sai como nos livros? E quando não é tão fantástico, quando há dor, quando não há leite, quando tem que subtituir pela mamadeira? Sou o que como mãe? Não terei o “vinculo” de afeto que se forma neste período.
É louco como nos submetemos a isso e como nós, as mulheres (em geral), cruelmente endossamos este pensamento geração após geração em nossas famílias, com as vizinhas, amigas e até desconhecidas com comentários como:
- Não acredito que vc vai dar mamadeira pra voltar a trabalhar! (sub-liminarmente: sua egoísta, vc não ama seu filho mais que seu trabalho?)
Pronto, a *mulher* vestiu a “máscara da maternidade” e a *mãe* em questão já teve sua auto-estima abalada.
Enfim, poderia falar disso aqui por horas... mas para concluir, amamentei meu filho até os 6 meses e fui trabalhar sem culpa, hahaha.
Bjus a tod@s
Hegli

Cynthia disse...

Maravilhoso!
Já sofri essa pressão, me achei um monstro porque achava que fazia as coisas pro meu bebê no automático... ao mesmo tempo que amo cantar pra ele, brincar e ver o sorriso lindo dele imluminando seu rostinho!
Estou linkando vc no meu blog!

Clarice disse...

Taís, não tenho certeza, mas devo ter assistido alguma entrevista de tua mãe, pois em algum lugar eu colhi essa idéia e acomodei aquele sentimento de culpa por não ter conseguido amamentar meu filhote prematuro. Ele ganhou algumas doses a muito custo extraídas, mas não foi o que o salvou. Foi o amor. A comida ele recebeu em boa e especial dose, inclusive leite emprestado de outra mãe, que ajudou muito a superar os traumas do nascimento pélvico. Mas o que o salvou e construiu o homem que ele é hoje foram coisas além do leite do peito.

Aleitar, amamentar é dar comida da melhor qualidade e indispensável, insubstituível.Amamentar não é ato de amor. É ato de sabedoria.
Com essa preocupação estética que invade bons lares, talvez seja um ato de despreendimento.Deveria ser obrigatório por lei.

Não sabia que ela havia falecido e fico solidária a você. Escreva muito sobre ela, conte mais coisas sobre essa pessoa que merece que outros mais conheçam. Afinal, ela fez essa pessoinha especial que você é e que nós aprendemos a gostar, se não bastasse o quanto ela fez pela saúde.
Abraço.

Hegli disse...

Olá Clarice (e aos demais),

Não acredito que aleitar é dar comida da melhor qualidade e *indispensável e insubstituível*.

Muito menos que deveria ser obrigatório por lei(???!!!).

Muuuuuuita das vezes amamentar ou não pode não ser apenas por estética. Vide casos em que há dor, quando não há leite e é necessário substituir o aleitamento materno pela mamadeira. Vc está indo à contra mão do que diz a matéria, quando diz que a amamentação é *indispensável e insubstituível*, vestindo a mascara da maternidade e sendo demasiadamente cruel com aquelas mães que não podem amamentar. A amamentação é um ato necessário, mas não é indispensável. Faço minhas as palavras da própria Taís:

“...as mulheres que por algum motivo não conseguem amamentar, precisam parar de sofrer. De sentir culpa. Existem muitas outras formas delas darem o suporte psicológico que o bebê precisa. É óbvio que o aleitamento é a melhor escolha, mas a partir do momento que esta escolha não pode ser feita, a mãe deve parar de sofrer.”

Como já disse anteriormente, temos que combater as propagandas “enganosas” e livros famosos que descrevem a amamentação como uma “experiência obrigatória, absoluta, natural e insubstituível”, definitivamente, não é!!!

Cautela com estes conceitos, com as conseqüências do peso dos sentimentos por eles despertados!

Andrea Diogenes disse...

Concordo plenamente com este texto , eu amamentei minha filhota até os 4 meses e sei que o periodo foi importante pra ela, sem culpa nenhuma. abraço. Déa

Anônimo disse...

Texto muito maduro e responsável sobre aleitamento! Concordo plenamente!!!
Roselle

ana b. disse...

tais, como eu nao esbarrei em vc antes? adourei!
esse livro é da sua mãe?
eu entedi bem o pt de vista dela... é meio por aí mesmo...
bjs
a.

Clarice disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Clarice disse...

Hegli, talvez eu tenha me expressado mal, já que eu mesma fui vítima dessa culpa por não conseguir amamentar no peito. Superei, claro, que há outras culpas para a gente ir criando pelo caminho.
Fiz um pouco de ironia quanto a criar lei e a interpretação não foi essa. Fui melhor mãe que escritora, sem dúvida! :)
Minha intenção era a de fazer propaganda da introdução de leite materno na alimentação, não necessariamente pela amamentação ao peito, mas aproveitando os bancos de leite, inclusive, ou amamentação compartilhada.
Muitas vezes a praticidade dos leites industrializados, ou a obrigatoriedade de trabalhar longe dos filhos(é impressionante o desrespeito à lei que obriga a liberalização de horário para amamentação) aumentam o abandono do leite materno pelo de supermercado.
Muitas mães de baixíssima renda nem sabem a importância do aleitamento.
Também não fui radical quanto ao despreendimento pela amamentação versus estética. Eu senti dores terríveis para consegui extrair 5 ou 10 ml de leite de mim e entendo isso muito bem.Mas já ouvi depoimentos muito egoístas a esse respeito.
De qualquer modo, não quis criar celeuma, apenas endossar a opinião do texto.
Abraço.

Graziela disse...

Tais mais uma vez, parabens pelo texto e que bela homenagem a sua mae.
Saiba palavras as dela. Concordo que amamentar nao e' um ato de amor, sofri isso na pele, pois nao tinha leite suficiente para a fome do meu filho. So que eramos sozinhos, eu e meu marido, e tinha todo os restante para dar conta tambem (casa, comida, roupa). Entao nao conseguia descansar o suficiente, relaxar e assim produzir mais leite. MEsmo assim consegui amamenta-lo ate 5 meses e meio, com complemento mas amamentei e foi otimo, apesar do meu sofrimento psicologico.
Um abraco
Gra

Hegli disse...

Ok Clarice, acho que me detive na sua frase sobre a amamentação ser *indispensável e insubstituível*. Dsculpe, não quis lhe censurar, apenas ajudar a tirar o sofrimento de muitas mães que poderiam tomar ao pé da letra, sofrendo ainda mais com uma situação que muita das vezes não são elas que escolheram. Abraços

Ana Cláudia Bessa disse...

Ih....minha amiga...eu sou ferrenha defensora da amamentação. Escrevi um texto entitulado "Quem ama, amamenta"...rs...
Mas, no meu caso, quando entendo isso como um ato de amor é justamente no sentido da mãe entender que este é o melhor que (só)ela pode fazer para alimentar seu bebê recém-nascido. A culpa é a própria mulher que se impõe, não tem nada a ver com a necessidade dela em ter que desmamar para trabalhar. Se ela tem que trabalhar, vai fazer o quê? Não dá prá ir com a criança para o trabalho.
E amamentar não é fácil, no entanto, é comprovado cientificamente que uma minoria absoluta de mães tem reais dificuldades. A grande maioria não consegue por falta de orientação adequada.
Eu não entendo, por exemplo, uma mulher antenada na internet que tenha dificuldade de amamentar que não entre na internet por curiosidade e procure por grupos de apoio à amamentação, por exemplo. Tem vários! Com orientações preciosas que resolvem , muitas vezes, com facilidade a dificuldade da mãe.
Amamentar é um ato fisiológico, necessário e de amor, porque precisa mais do que necessidade para estar disponível tanto tempo, sentir dores, deixar o peito cair, acordar no meio da madrugada, tirar leite porque o peito está lotado e dói até para andar. Mas não se pode confundir nem dizer que a mãe que não amamenta, ama menos. É difícil explicar mas no meu conceito, mãe é mãe a seu jeito. Algumas de fato, não amam e também não se pode tapar o sol com a peneira. Nem todas as mães são boas, nem todas amam. Mas isso não tem nada a ver com amamentação especificamente.

Concordo com a sua mãe que desmistificar a amamentação é a melhor forma de incentivá-la mas é preciso também que a maioria das mães que não conseguem ou conseguiram amamentar saibam que existe um caminho alternativo em que as p´roprias mães se ajudam. Muitas vezes, a publicidade nos faz acreditar que a latinha de leite substitui da mesma forma. Não substitui e é preciso tentar mais antes de ceder a isso.
Agora, tentar porque é o melhor alimento, porque estimula o desenvolvimento das mandíbulas,da fala e da respiração. A questão da interação mãe-bebê, é um plus. Mas que podemos nutrir de outras formas e não tem tempo para acabar. A amamentação tem. Basta o neném parar de sugar. Por isso, é preciso tentar.

Cacau Ferreira disse...

Olha, acho que grande parte das mães deixam de amamentar nos primeiros momentos por falta de orientação e apoio, porque no começo é difícil mesmo, mas dizer que amamentar não é um ato de amor me soa meio...maluco! Ámamentar não é o ÚNICO ator de amor, mas é sim! E talvez divulgar essa idéia vai ter um efeito reverso... as mães vão se acomodar cada vez mais com essas ideias pré-moldadas e desistirem da amamentação cada vez mais rápido.
É claro que não se pode querer amamentar por medo da culpa ou do que os outros vão dizer, é claro que não! Mas não associar uma coisa a outra acaba banalizando, já que a publicidade muitas vezes nos faz acreditar que o leite da lata e do meio é a mesma coisa...
Não é só o alimento que influencia no ato de amamentar, é o olho no olho, o toque da pele, o cheiro, a batida do seu coração que seu filho ouve e o conforta mais ainda... é um vínculo de amor absoluto e não há como negar.
Amamentar é um ato de amor absoluto, mas não é o único.

Taís Vinha disse...

Ana Cláudia, senti sua falta neste debate. Sei da sua postura pró-amamentação e achei que esta discussão estava perdendo sem sua participação.

Vou incluir a Cacau na minha resposta: se considerarmos que ato de amor pode ser qualquer coisa, por exemplo: passar com carinho as camisas deles, é claro que amamentar é um ato de amor. Mas mãe nenhuma sente culpa, ansiedade ou angústia por não passar e dobrar direitinho as camisas dos filhos (muito pelo contrário. Ficamos angustiadas de ter que fazer isso!). Com a amamentação não é assim. Muitas mães se sentem realmente inferiorizadas e incapazes por não conseguirem dar mamá. E a minha mãe, no contato diário com inúmeras mães e grupos de apoio, atribuiu este sentimento horrível ao fato delas acharem que estavam dando "menos amor" aos seus filhos por não amamentarem. Tal sentimento era tão forte que, muitas vezes, atrapalhava um processo que deveria ser o mais natural possível. O que ela procurou fazer foi desvincular uma coisa da outra. Amamentar é superior a toda e qualquer opção existente. E disso não há dúvidas. Se informe, bota o bebê pra mamar, deixa a natureza tomar seu curso que vai dar tudo certo. Mas se por alguma razão não der, fique tranqüila que você vai continuar podendo proporcionar o seu melhor ao seu bebê. De outras formas, mas ele continuará sendo muito amado. E você continuará sendo uma ótima mãe. Esse era o recado tranqüilizador da Dona Vera. E, por incrível que pareça, ela ajudou milhares de mulheres a darem mamá para seus filhotes. Sem pressão, sem culpa, apenas dando o suporte emocional que elas precisavam num momento em que sua vida está de ponta cabeça e seus hormônios idem. Mãe também precisa de amor!

Bjs!

adolfo disse...

Oiiii , meu nome è Anna e estou com meu bebê de um mês e não sai o leite dos meus seios .Apesar de ter feito uma cirurgia de redução de mama a cinco anos atraz; eu vim tentando amamenta-lo mas esta sendo em vão , pois meus peitos estão rachados e doloridos e meu bebê já mama na mamadeira desde que nsceu.
Creio que por ter feito a cirurgia , não vou conseguir mesmo.Alguns dizem que podería dar leite , outros não mas hoje cheguei a conclusão de que não vou sofrer por causa disso e assim então tirar o peito de vez. Apesar de esse ato me fazer sentir tão bem e a ele também,MAS NÃO TA SAINDO LEITE,!!!!! só umas três goticulas mirradinhas... NÃO SOU MENOS MÃE POR ISSO!!
Grande beijo e parabens pelo post!!!!

Taís Vinha disse...

Oi Anna,

Conheço mais de 10 mulheres que fizeram plástica reducional (eu sou uma delas). Apenas uma conseguiu manter o bebê exclusivamente no peito. A plástica remove parte do parênquima mamário e com isso, a produção de leite fica realmente comprometida. Eu me recusava a acreditar que não conseguiria, meu sonho era amamentar, e só me rendi ao complemento quando foi constatado que meu bebê estava subnutrido (como sofre o primeiro filho!!!). Mesmo assim, o manti no peito até 1 ano e 8 meses!!!! Complementando as mamadas com a mamadeira. Com os outros, o aleitamento foi até os 6 meses, sempre com o complemento, que só era introduzido quando se constatava que os bebês não estavam ganhando peso algum.

Minha sugestão para você é procurar um grupo de apoio à amamentação e tentar mantê-lo no peito pelo menos até 6 meses, complementando com a mamadeira ou o copinho. Esse período é importante para que seu bebê receba sua imunidade, enzimas e muitas outras coisas que o leite em lata não supre. O peito também favorece o bom desenvolvimento da arcada dentária, pois estimula um tipo de sucção totalmente diferente da mamadeira. Mas vc, mais do que ninguém saberá dizer o quanto de leite seu peito está produzindo (tem que estimular a produção de leite por um período para você saber, isto é, sempre botar o bebê no peito por cerca de 30 minutos antes de dar o complemento). Tenho uma amiga que fez plástica e mesmo estimulando muito a produção de leite, saía menos do que uma colher de sopa por mamada. Daí não tem jeito. O bebê fica irritado, mãe nervosa e o cenário do caos tá montado. Mantenha a calma e siga sua intuição. Você vai saber encontrar o melhor caminho para vocês dois.

Um beijão e mantenha contato!

adolfo disse...

Oiii Tais!!Obrigado por responder, pois estava mesmo querendo achar uma mãe que tambem como eu fez a cirurgia de redução.
Realmente fico triste de não poder amamentar meu filho com meu propio leite, mas não me arrependo de ter feito a cirurgia pois ja estava ficando corcunda com aqueles peitões enoooormes e eu magrinha.
Hoje entrego ele nas mãos de Nosso Senhor Jesus e fico tranquila , pois quem livra de todos os males melhor do que Ele?
Um grannnde beijo querida
OBS: Ja ia me esquecendo... ja fui na casa de aleitamento materno da minha cidade , ela mandou jogar agua morna no peito durante 10 m , mas nada , puxei com bomba e nada, até meu marido puxou e nada imagina!!!! EU TENTEI...

Ana Elisa Pereira de Almeida disse...

otimo,
esta sim 'e uma "senhora professora " e defende o aleitamento, quem disse que amamentar 'e facil ,'e pq nao tem peito

Paloma, a mãe disse...

Nossa, fantástico este texto. Ao contrário do que uma de suas leitoras fala, não basta procurar grupos de amamentação na internet para receber apoio. Eu procurei todos e não recebi nem uma resposta. Hoje tenho o maior bode de "Amigas do Peito" e afins. Por tudo isso, amei a frase da sua mãe. Sorte a sua de ter tido uma mãe dessas.
Como faço para comprar o livro? Ainda está à venda?
Beijos

Taís Vinha disse...

Oi Paloma, obrigada pelo carinho. Eu não sou a pessoa mais indicada para avaliar os grupos de apoio à amamentação. Sei que minha mãe ajudou a fundar o Nalma (Núcleo de Aleitamento Materno) que funciona em Ribeirão Preto e ajudou milhares de mulheres a amamentarem seus bebês. Graças à atuação do Nalma, o ambulatório do HC que tratava de mastites foi desmontado por falta de pacientes. Aqui em São José, ouvi falar muito bem do Projeto Casulo. As mães que lá foram, foram muito bem atendidas. Mas ambos são presenciais. Desconheço a atuação dos grupos virtuais. Eu entendo as opiniões contrárias de algumas leitoras, pois o assunto aleitamento é muito passional, ainda. O livro dela está a venda sim. Chama-se "O livro da amamentação" e é vendido em quase todas as livrarias virtuais. Vc também pode encomendá-lo em uma livraria da sua cidade, ou direto com a editora, a Mercado das Letras.
http://www.mercado-de-letras.com.br/

Bjs e obrigada por comentar!

ana disse...

Quisera eu ter lido esse texto logo que ele foi postado, na semana do nascimento da minha primeira filhinha. Como não te conheci antes?

Concordo com a Paloma. Não basta ir atrás de grupos de apoio, até pq alguns destes famosos grupos de apoio tem uma postura bem diferente da da sua mãe. Assim como a Paloma, tenho o maior bode de vários deles, que me ajudaram muito pouco.

Esse papo de só amamenta quem se dispõe a ficar com o peito caído, a acordar de madrugada (como se quem não amamentasse não se dispusesse a perder o corpinho de antes e nem a dar assistência ao bebê durante a noite) é um pé no saco! Mamadeira também pode ser dada com muito amor.

A propósito, minha filhota não mama mamadeira regularmente, mas já tomou uma ou outra num momento de desespero ou exaustão da mamãe, que mesmo não sendo mal-informada nem tampouco preguiçosa sempre se sentia péssima nessa horas. Nem sempre é falta de apoio, na maioria das vezes é apoio inadequado.

Por coincidência ou não, peguei uma super eca dessa "luta", dessa "batalha" em prol da amamentação exclusiva pelo mal que faz a quem não "consegue" (detesto a utilização deste verbo nste contexto).

Obrigada por compartilhar! essa mensagem deveria ser distribuída a todas as mamães que já estiveram no meu lugar. Posso postar no meu blog?

um beijinho,
Ana Maria

Anônimo disse...

Gostei...

Passei a gravidez inteira achando que amamentar fosse algo natural e sublime.

Quando minha filha nasceu amamentar passou a ser um martírio pra mim, chorava toda vez que chagava a hora e me achei um monstro por não conseguir...e não consegui, desisti!

Deixei de dar o melhor alimento pra ela, ela saiu perdendo...mas não deixei de mamr ela, bem pelo contrário...deixar de passar por tudo aquilo me fez ficar mais próxima dela.

Sandra disse...

Achei a frase de sua mãe de uma lucidez incrível. Meu filho tem quase três meses e já tentei tudo o que está a meu alcance para amamentá-lo (inclusive um médico especialista em amamentação na Capital de meu Estado). Atualmente o amamento e complemento através da técnica da translactação, que é interessante, mas é muito sacrificante. Entendo que as campanhas de amamentação são muito cruéis com as mães que não conseguem amamentar, mesmo depois de toda a orientação possível. Me sinto desassistida,desamparada. Quem acha que dar o peito é difícil não imagina o quanto difícil é querer muito amamentar, dar o peito e o filho ir perdendo peso, reclamar (chorando muito, de madrugada inclusive) da falta de leite, e a amamentação virar um momento de estresse. Tem gente que não faz ideia do que é isso, o tamanho da frustração e da culpa que a mãe sente. Estou falando de quem tentou (ou está tentando, como eu) e não tem tido sucesso. Amamentar é gostoso e prático. Afinal dar o peito é muito fácil. Pena que meu filho perde peso. Adorei o post porque de certa forma me acalentou. Estou muito triste pela falta de leite. Queria amamentar até os dois anos de meu bebê. Nunca imaginei que não fosse conseguir a amamentação exclusiva. Agora luto por conseguir manter pelo menos a amamentação mista, ou ainda ao menos que meu filho sugue um pouco mais do leite materno antes do artificial.
Perguntas: como vc conseguiu manter a mamadeira e o peito ao mesmo tempo? Nesta meia hora que vc colocava o bebê ele gritava? Vc esperava ele reclamar de fome para colocá-lo no peito? Quantas vezes por dia conseguia esta meia hora?

Sandra disse...

Achei a frase de sua mãe de uma lucidez incrível. Meu filho tem quase três meses e já tentei tudo o que está a meu alcance para amamentá-lo (inclusive um médico especialista em amamentação na Capital de meu Estado). Atualmente o amamento e complemento através da técnica da translactação, que é interessante, mas é muito sacrificante. Entendo que as campanhas de amamentação são muito cruéis com as mães que não conseguem amamentar, mesmo depois de toda a orientação possível. Me sinto desassistida,desamparada. Quem acha que dar o peito é difícil não imagina o quanto difícil é querer muito amamentar, dar o peito e o filho ir perdendo peso, reclamar (chorando muito, de madrugada inclusive) da falta de leite, e a amamentação virar um momento de estresse. Tem gente que não faz ideia do que é isso, o tamanho da frustração e da culpa que a mãe sente. Estou falando de quem tentou (ou está tentando, como eu) e não tem tido sucesso. Amamentar é gostoso e prático. Afinal dar o peito é muito fácil. Pena que meu filho perde peso. Adorei o post porque de certa forma me acalentou. Estou muito triste pela falta de leite. Queria amamentar até os dois anos de meu bebê. Nunca imaginei que não fosse conseguir a amamentação exclusiva. Agora luto por conseguir manter pelo menos a amamentação mista, ou ainda ao menos que meu filho sugue um pouco mais do leite materno antes do artificial.
Perguntas: como vc conseguiu manter a mamadeira e o peito ao mesmo tempo? Nesta meia hora que vc colocava o bebê ele gritava? Vc esperava ele reclamar de fome para colocá-lo no peito? Quantas vezes por dia conseguia esta meia hora?

Sandra disse...

Achei a frase de sua mãe de uma lucidez incrível. Meu filho tem quase três meses e já tentei tudo o que está a meu alcance para amamentá-lo (inclusive um médico especialista em amamentação na Capital de meu Estado). Atualmente o amamento e complemento através da técnica da translactação, que é interessante, mas é muito sacrificante. Entendo que as campanhas de amamentação são muito cruéis com as mães que não conseguem amamentar, mesmo depois de toda a orientação possível. Me sinto desassistida,desamparada. Quem acha que dar o peito é difícil não imagina o quanto difícil é querer muito amamentar, dar o peito e o filho ir perdendo peso, reclamar (chorando muito, de madrugada inclusive) da falta de leite, e a amamentação virar um momento de estresse. Tem gente que não faz ideia do que é isso, o tamanho da frustração e da culpa que a mãe sente. Estou falando de quem tentou (ou está tentando, como eu) e não tem tido sucesso. Amamentar é gostoso e prático. Afinal dar o peito é muito fácil. Pena que meu filho perde peso. Adorei o post porque de certa forma me acalentou. Estou muito triste pela falta de leite. Queria amamentar até os dois anos de meu bebê. Nunca imaginei que não fosse conseguir a amamentação exclusiva. Agora luto por conseguir manter pelo menos a amamentação mista, ou ainda ao menos que meu filho sugue um pouco mais do leite materno antes do artificial.
Perguntas: como vc conseguiu manter a mamadeira e o peito ao mesmo tempo? Nesta meia hora que vc colocava o bebê ele gritava? Vc esperava ele reclamar de fome para colocá-lo no peito? Quantas vezes por dia conseguia esta meia hora?

tais Vinha disse...

Oi Sandra, que bom que a dona Vera pode dar um colo pra você. Ela era muito boa nisso! Fiz o aleitamento misto com meus três meninos. O primeiro foi até 1 ano e 8 meses, quando o precisei desmamar porque estava grávida e tendo fortes contrações. Com ele nunca tive problemas. Ele adorava sugar meu peito. Com os outros, levei o aleitamento misto até uns 6 meses, quando eles mostraram absoluto desinteresse em continuar (e acho que eu também estava cansada de insistir).

Eu fazia assim: antes de dar a mamadeira, sempre oferecia o peito antes. Um dos truques é não esperar eles estarem com muita fome, então um pouco antes do horário da mamada ofereça o peito. Outro truque é oferecer sempre o peito, meio que como chupeta (nunca dei chupeta pra eles). Então, tinha cólica, punha no peito. Tinha soninho, peito. Chorava por qualquer motivo, peito. Batia a cabeça engatinhando, peito. Depois do banho, na hora do colinho, peito...

Assim o peito vinha sempre como um conforto, uma coisa gostosa, não como algo que eu tinha que insistir. Tem teóricos que não recomendam usar o peito de chupeta, mas isso é muito usado entre as mulheres tribais e indígenas. O peito é mais do que alimento, é também conforto e carinho. E é incrível como a criança se acalma quando suga um pouquinho.

Fique a vontade se tiver mais alguma dúvida. E boa sorte com seu bebê. 2010 sem angústia, ok. Vc com certeza está fazendo o seu melhor!

Bjs!

Ceila Santos disse...

Que tema importante! Muito bom ler isso e descobrir um pouco da sua mãe. Filho de peixe, peixinho é??!! Parabéns pelo post. Acho que Amamentação não é um ato de amor merece campanha, não?

Sandra disse...

Ceila, acho que uma campanha seria difícil de se conseguir. Poucas pessoas alcançam o peso do sentimento que o lema "amamentar é um ato de amor" traz, bem como de seus efeitos negativos. Um médico me disse algo que gostei: a amamentação é um círculo apenas, que está dentro de algo muito maior que é a maternidade. Mas concordo que devia haver nas campanhas uma "brecha" ao menos, para quem não consegue.

Sandra disse...

Ceila, acho que uma campanha seria difícil de se conseguir. Poucas pessoas alcançam o peso do sentimento que o lema "amamentar é um ato de amor" traz, bem como de seus efeitos negativos. Um médico me disse algo que gostei: a amamentação é um círculo apenas, que está dentro de algo muito maior que é a maternidade. Mas concordo que devia haver nas campanhas uma "brecha" ao menos, para quem não consegue.

Vanessa disse...

Taís, só li este texto hoje e por culpa da Carol do Enquanto esperamos que forneceu o link. Tão lúcida a afirmativa da sua mãe e tão acima desta loucura que se instalou nas mães ultimamente , nesta mania de perfeição absoluta. Beijos

Sandra disse...

Taís, mais uma vez estou aqui para agradecer a lucidez de sua Mãe! Onde ela estiver! Após minha narrativa tão desapontada acima, o tempo passou, fiz translactação mais um período, fui diminuindo o leite artificial, e apenas no sexto mês consegui por uns quinze dias dar apenas meu leite materno a meu filho. Aí entraram as papinhas de frutas, as de legumes...e ele mama (muito) no peito até hoje!!! Com oito meses e meio! Obrigada! Agora, me achando no time das que "conseguiram amamentar" (concordo que a expressão é horrível), tenho certeza que amamentar não é um ato de amor! Tem que separar uma coisa da outra. Dona Vera tinha razão! Bjs.

Clara Martins disse...

Taís, esse texto é um dos mais interessantes e bons que já li sobre o assunto. Apesar de ter amamentado bastante meus dois filhos, posso ver a culpa em minhas amigas que não amamentaram. Estou divulgando seu texto no meu Twitter nessa semana da amamentação 2010! Beijos

Taís Vinha disse...

Oi Clara! Esse texto já foi publicado há algum tempo, mas ainda é um dos mais acessados do blog. Acho que a mensagem da Vera permanece, viva e atual, acalentando as mães. Obrigada pela indicação no Twitter.

Bjs!

Raquel disse...

Adorei.

Yasmin disse...

Adorei o blog e todos os post's que li até agora.Vou voltar sempre..
Bjos

Giovanna disse...

Esse texto me ajudou muito!!! Estou deprimida por não conseguir amamentar!!!

bjs

Glauciana disse...

Eu entendi seu argumento, mas discordo totalmente dele. Para mim, amamentar é um ato de amor, sim. Pegar seu bebê no colo, querer aninhá-lo em seu peito, dar carinho, protegê-lo, niná-lo, dispensá-lo atenção e, por ventura, leite materno...rs, só pode ser um ato de AMOR. Se isso não for amor o que seria, então?

O ponto de equívoco, para mim, é restringir o AMAR a apenas uma ação. Então, pai, porque não amamenta seu filho não o ama, você diz. E mãe adotiva não AMA. Mas, peraí, então a única forma de amar um filho é amamentando?

Na minha visão, NÃO! Existem inúmeras formas de amar. Dar colo, dar atenção, ninar, fazer dormir, banhar, passear, brincar... todas essas são formas de amar, minha gente. Não podemos ser tão cartesianos e excludentes assim, em afirmar que a única forma de AMAR um filho é amamentando.

E é por essa não exclusão que eu acredito, claro, que amamentar é um ato de amor, sim. Não é a única forma de amar um fiho, mas é uma delas.

Beijos!

Glauciana
@redemulheremae @BlogCoisadeMae

Sandra disse...

Glauciana,
A mãe adotiva pode vir a amamentar, sim. Procure na internet ou em outra fonte sobre translactação ou relactação.

Laydy Vaz disse...

Sabias palavras... Também sou mãe e tenho tentado de muitas formas amamentar, consegui amamentar minha filha exclusivamente até os três meses, de lá pra cá tenho tentado muitas coisas pra fazer com que ela continue mamando pelo menos até os dois anos, assim como todas as mães que precisaram usar suplemento antes dos 6 meses me senti frustrada e ainda fico triste com isso, mais graças a Deus tenho lido textos como estes que estão me ajudando muito. Adoro amamentar e sei que esse alimento é muito importante pra saúde da minha pequenina por isso continuarei insistindo pra amamentar até quando ela quiser, por amor a ela, pela sua saúde.
Obrigada e Parabéns.

Mãe da Menina Manú disse...

oi Thais, ei sigo seu blog, e fiquei tão tocada com esse post desmistificando a amamentação que criei uma comunidade usando parte desse texto, tudo bem?
Meu objetivo é multiplicar essa ideia, mas jamais conseguiria expressar com tanta clareza esse tema usando minhas próprias palavras,
A comunidade esta no orkut e se chama: amamentar NÃO é um ato de amor.
abraço

Maria Salas Barreira disse...

Que texto inteligente! Tenho duas filhas e não as amamentei no peito, mas nem por isso me considero menos mãe do que as que dão leite materno. Claro que me sentia culpada, mas este texto me deixou mais aliviada. Chega de romantismo e vamos partir para o que interessa: alimentar as nossas proles!

Kelly disse...

A amamentação cria vinculos afetivos com a mãe. Lógico que isso pode ser feito com uma mamadeira, mas o contato com a pele o leite do peito quentinho, tem significado grandioso na vida da criança, por isso amamentar no peito é muito mais do que somente um ato de alimentação é vinculo é troca é afetividade.
Que as mães que nao estão amamentando possam compensar!
Abraços.

Anônimo disse...

Que pena eu não tido acesso a este texto antes. Tenho uma filha de pouco mais de um ano e no primeiro mês ela não ganhou peso devido a falta de leite, fiz de tudo até tomei remédio mas nada adiantou. Eu me senti a pior mãe do mundo por não conseguir alimentar minha filha quase entrei em depressão e chorava a cada mamadeira que preparava a ela. Cresci acreditando que amamentar é um ato de amor eu amo muito minha filha e não entendia porque aquilo estava acontecendo comigo. Hoje vejo que eu precisaria ter passado por todo aquele sofrimento.

Luciane Antoniutti disse...

Sou mãe novamente de um menino, Carlos Eduardo, que está com um mês e 8 dias, a amamentação dele é 50% no peito e 50% complementada com leite de fórmula. Desde a minha primeira gravidez da minha filha Anna Luísa, hoje com 4 anos e 5 meses, nunca produzi muito leite e além disso sempre tive dificuldades porque tenho bico plano, por isso sempre tive que amamentar com auxílio de bicos de silicone. Minha filha não sugava muito, mas consegui amamentá-la até os dois meses. Fiquei muito decepcionada e triste por não conseguir por mais tempo. Já com o meu pequeno Carlos Eduardo, tenho feito de tudo para dar por mais tempo, mesmo sabendo que o meu leite é pouco e das dificuldades com os bicos do seio, tentarei pelo menos chegar aos 4 meses. Acho importante o leite materno como alimento, mas concordo com a especialista que amamentar no seio não tem nada a ver com dar amor. Vejo mães, que moram nas ruas amamentando seus filhos, sem ao menos dar um afago em seus filhos, fazem isso como uma forma mecânica. Amor vai além do simples alimento, vai do afeto, carinho, dedicação, educação, etc que damos aos nossos filhos.
Luciane
Rio de Janeiro

Unknown disse...

2013! Encontrei hoje esse blog.Fiquei feliz porque concorcordo plenamente com o texto e como sou A. Social em um ambulatório para gestantes com gestação de alto risco, levo o tema Amamentação com frequência para as salas de espera. E é desta forma que o abordo. Pensei estar sozinha nesta linha de abordagem.
Honilda Camelo

Anônimo disse...

Esta frase sempre me incomodou... Iniciei meus estudos sobre Aleitamento Materno com livros da Vera Vinha. Ela merece todo meu respeito. Concordo plenamente essa lírica frase "Amamentar é um ato de amor", surgida na década de 90, gera ansiedade, frustração e carrega um tom de preconceito por imputar as mães que, por alguma razão, não conseguem amamentar, um "rótulo" de que ela não seria uma mãe "suficientemente boa" para seu filho, citando outra personalidade que merece todo meu respeito, Elisabeth Badinter ("O Mito do Amor Materno"). Perfeito Vera Vinha! "Amamentar é dar o alimento mais completo e o que nutre melhor o bebê".

Gisa Hangai disse...

Acho a reflexão muito válida. Não existe maternidade saudável quando ela vem recheada de culpa. Porém, não acho que todo mundo que pense que amamentar é um ato de amor pense o contrário de quem não amamentou. Cuidar de filho é um ato de amor e a alimentação está nesse meio. Cada mãe deve ter a consciência tranquila de ter feito o melhor. É preciso pensar nas particularidades da vida de cada mãe e cada bebê. Tudo que é radical deixa de ser saudável. Muito bom para nos fazer pensar! Abraços!

Patrícia De Bortoli disse...

Olá! Muito bom o seu blog, eu adorei! Achei interessante esse texto, me fez pensar um pouco sobre o assunto mas no final eu discordei... Tenho uma filha de quase 5 meses e a amamento. Antes dela nascer eu achava que amamentar era apenas alimentar,, mas depois percebi que nao é. Sinto cada mamada uma troca de amor sim. Ela adora, da risadinhas no final como que me agradecendo e enquanto ela mama eu fico paquerando ela, sentindo ela pertinho e tal, e no final saimos renovadas. Sinto nosso vinculo fortalecido. Mas isso em hipotese alguma quer dizer que quem amamenta ama mais ou que quem não amamenta não ama. Mães de filhos adotivos ou aquelas que nao puderam amamentar, amam tanto quanto, pois dar de mamar não é a única forma de dar amor! Dar colo, aconchego, cuidar, respeitar as necessidades, são outras formas de dar amor também! O problema é pressão da sociedade que coloca culpa nas mães que não conseguem amamentar e vendem a ideia "se voce ama, voce amamenta". Mas não é bem assim. Há muitas maneiras de passarmos nosso amor e confiança para nossos pequenos, e dar de mamar não é a única, mas é uma delas sim! ;)

Anônimo disse...

Concordo com a Patricia, amamentar é UM dos atos de amor que mãe pode ter com seu bebê, mas isso não quer dizer que uma mãe que não consiga amamentar ame menos. Mas é bom lembrar que existem mães que tem leite e não amamenta por uma simples questão de estética e ai podendo fazer e não o faz? Ai sim amamentar se torna um ato de amor.

Casa da Memória Raída Bonito MS disse...

Lindo. Vou pensar muito sobre tudo que li. Gratidao

Anônimo disse...

Libertador ler isso! Tenho HIV, não amamentei meu filho pra não transmitir o vírus, e venho carregando uma culpa por quatro anos por não ter amamenta- ló.

Unknown disse...

olá, conhece a pedagogia Waldorf? Vale a pena dar uma pesquisada a respeito. Sou apaixonada por ela, encantada. Muito satisfeita pela minha escola. Procure saber! Bjs

Maria Nery - Contábil disse...

Isso foi a melhor definição de todos os tempos...
Sabe!qdo eu não pude amamentar senti uma culpa tão,tão grande...
Meu filho qse q implorando por um pouco desse leite,que por motivos inexplicados não pude dar.
Tantos palpites: come doce ,toma suco,faz isso,faz aquilo...
E eu sedenta por dar o melhor alimento fazia tudo. Seguia religiosamente todas as recomendações medicas.
Enfim!!não consegui "dá leite" e qdo falo que não fiz, o primeiro olhar é de reprovação, Instantâneo sempre ! Tenho que me explicar como se fosse a pior pessoa do mundo. Até o banco de leite se negou a me passar leite,pois, dizia ser impossível uma mãe não produzir...gtê cair nesse dia...
Mas ao poucos percebi que apesar de ser a melhor opção , ele não dependia só disso,ele realmente necessitava apenas dos meus cuidados.
Hoje ele é um menino saudável ,esperto,feliz e amado(muito amado)

Obrigada por esse conforto.