15.6.09

Bizarrices escolares


Cantinho do Amor - A primeira impressão é que deve ser um cantinho onde as garotas penduram fotos e suspiram ao som do Jonas Brothers, mas não...é muito mais criativo. A professora que o implementou, usa este termo para disfarçar o cantinho do castigo (que hoje em dia os pais não toleram). E, quando manda uma criança para lá, ela diz: "Vá para o Cantinho do Amor, porque..." e as crianças são obrigadas a completar em coro: "...quem ama, educa!" Detalhe bizarro master plus: as crianças estão no 6º e 7º ano! Até o Içami Tiba morreria de vergonha!

Grades coloridas: uma escola pública resolveu atacar o problema da indisciplina enchendo a escola de grades. Eram portas e janelas engradadas para todos lado. (Estamos falando de crianças e jovens em formação, mas tem muita gente que acredita que transformar a escola em um presídio é a melhor solução para a violência). O corpo de bombeiros, na vistoria de rotina, mandou tirar tudo. Se houvesse um incêndio, morreriam todos queimados por causa das grades. O diretor desabafa visivelmente contrariado: "Que absurdo...e agora, como vamos contê-los (as crianças e não a boiada)? E olha que as grades eram bonitinhas, bem coloridas..."

Vistoria nas mochilas: Uma escola da elite paulistana resolveu também adotar a técnica presídio. Revista aleatória nas mochilas. Utilizando a consultoria de um escritório de advocacia (o próximo deve ser a Secretaria de Segurança Pública) eles acharam uma brecha na lei que proíbe este tipo de invasão de privacidade, alegando que a revista é para garantir a segurança dos alunos contra a entrada de drogas e objetos que possam ser utilizados como armas. Na verdade, estão querendo coibir a crescente onda de furtos dentro da escola. Ao invés de fazer um trabalho sério de educação moral com as crianças e com os educadores, o que daria muito mais trabalho, mas seria muito mais eficiente no longo prazo e na formação verdadeira destes indivíduos, a escola optou pelo caminho mais fácil - a humilhação/opressão. E está ensinando aos furtadores de plantão que se o objeto puder ser escondido na meia, eles podem ficar tranquilos.

Hematoma gigante: Durante a aula, um professor chama uma aluna gordinha, vestida de roxo, de "hematoma gigante". No dia seguinte, a aluna faz alguma coisa errada e é chamada na diretoria. Ela toma uma bronca e sai de lá visivelmente contrariada. No caminho, quem encontra? O tal professor que a havia humilhado e que, não satisfeito, faz um comentário duvidoso qualquer e conclui chamando-a "carinhosamente" de gordinha. A menina não se aperta: dá-lhe uma joelhada no saco e o professor fica rolando no corredor. PALMAS PARA A GAROTA!!!!!! Essa seria a minha reação. A da escola foi fazer "tsc, tsc e usar o fato como exemplo de como os alunos não respeitam mais os mestres."

Nota de rodapé de monitor: todos estes casos são verídicos e me foram trazidos por pessoas incomodadas com o profundo desrespeito que os alunos sofrem em instituições públicas e privadas. Primeiro damos risadas irônicas do absurdo a que chegamos. Depois lamentamos e muito. As bizarrices são tantas que, qualquer dia, junto tudo em um livro: "O guia prático para transformar alunos em coisas".

15 comentários:

Pérola disse...

Adoro seus posts!
A Escola, enquanto istituição está à beira do colapso...Tanto a privada à la "Gossip Girl" quanto à Pública à la "Ao Mestre com carinho"...
O que pretendemos socialmente quando mantemos as crianças e adolescentes nesses modelos sejam estes intelectuais, morais, éticos, etc...
O que queremos?

Beijos,

Renata Rainho disse...

Realmente o pessoal se perde muito ultimamente mas antigamente também acontecia coisas que hoje vejo o quanto eram estranhas.

Nasci em 1976.

Aos 8 anos a professora puxava muito minha orelha, segundo ela eu não era caprichosa com as letras.

Aos 9 a Aids virou "moda" era tema de vários programas de tv, revistas e etc. Minha querida professora resolveu falar perante todos os alunos que eu era aidética por ser tão magra. Generosamente passei uns 10 dias sozinha no recreio todos tinham medo de pegar a doença. Isto foi em 1985, com a criação do orkut entro eu na comunidade do colégio, um encontro daqui outro de lá e um solta a pérola: vc é aquela aluna que tinha aids... 20 anos depois nem os colegas de classe esqueceram a tal doença que a professora gentil me deu!

Meu sobrinho na década de 90 foi advertido verbalmente por beijar no rosto um coleguinha de classe.
Quando minha irmã foi ao colégio reclamar vários casais qadolescentes se beijavam na boca nos corredores do colégio. Vai entender...

Anônimo disse...

Querida
Infelizmente esses são uns poucos das violências cotidianas que os alunos também são vítimas diariamente. Banheiros trancados e os alunos tendo que pedir a chave na diretoria para utilizá-los sob o olhar desconfiado da secretária, alunos sendo colocado para fora da sala logo no início para conter a classe, cópias e cópias em lousa para ocupá-los, mentir dizendo que alarmes são filmadoras para controlar as crianças, etc, etc. Você deveria sentar e bater papo conosco para compartilharmos... é uma pior que a outra. De fato, seria hilariante se não fosse verdade... é desesperador ter uma escola como a nossa diante de nossa sociedade contemporânea cada vez mais complexa e necessitando de pessoas mais éticas, inteligentes, autônomas...
Adorei a bunda!!!!

Taís Vinha disse...

Oi Perola, vc tem razão. O que queremos? O lado bom é que toda crise leva a mudanças. Outro li um texto muito bom sobre o livro "Sociedade Desescolarizada", de Ivan Illich, um autor que discute a opressão social via escolarização. Papo cabeça total, mas muito bom para questionarmos os modelos vigentes (a gente só evolui questionando, certo? Viva os adolescentes!)

Renada darling, hoje vc tiraria uns cobres dessa profa. maldita na justiça. Que absurdo! E eu que estudei educa. infantil, num colégio de freira e teve um surto de piolho. Vc acredita que elas alinharam a gente e começaram a olhar as cabeças, os piolhentos iam pra um lado. Os limpinhos do outro. Eu me lembro, pequenininha, de ficar na fila, coçando a cabeça e rezando pra não ter piolho. Claro que acabei no lado dos piolhentos e nunca mais me esqueci do vexame! Os adultos acham que criança não sente, mas eles tem os mesmos sentimentos que nós.
Mas o passado deveria servir para melhorar o presente. Ouvi outro dia que um dos setores que mais evoluíram nas últimas décadas, foi o da educação. Mas é o setor com mais resistência à mudanças. Se o castigo não pode mais ser usado, deve ter um motivo e a profa. do Cantinho do Amor deveria canalizar sua criatividade e inteligência para entender este motivo, ao invés de inventar subterfúgios ridículos para punir seus alunos. Imagina se esta resistência à evolução acontecesse na medicina. Ainda estaríamos sendo submetidos à cirurgias sem anestesia (é frescura), trancafiando os doentes mentais, abusando dos eletrochoques, fazendo lobotomia nos rebeldes, obrigando nossos filhos a tomarem óleo de rincino todas as manhãs, tirando as amídalas na primeira dor de garganta. Como vc disse...vai entender. Bjs!

Anônimo disse...

Só pode ser um pesadelo!!!!
Que cultura é essa?
Cantinho do amor? Nunca havia ouvido!
Essa foi demais!
Sinto vergonha, quando nossa categoria, que deveria entender “de gente”, realiza atitudes como essas.
Temos muito que caminhar...precisamos de educadores conscientes!
Um beijo!

Lúcia in the sky disse...

kkkkkkkkkk, tem que rir para não chorar!! A idéia do livro é ótima!! Bjins

Silvia disse...

Taís, eu comecei a ler meu antigo "A Casa da Madrinha" pras meninas (mais pra Gio, porque a Ca fica é pulando de um lado pro outro enquanto leio) e lembrei tanto do Ombudsmãe!

Muitas referências ao pensamento tapado e às mentes fechadas, ao uso da educação como ferramenta para emburrecer, uma coisa. Sei lá se o intuito da autora era mesmo falar sobre educação ou estava indo mais fundo em alguma questão política (eu não sou muito ligada no assunto), mas como leitura também é interpretação, eu saí logo imaginando as escolas mesmo.

Delícia de livro.

Tem receita hoje lá no Faça, com link pra cá.

Taís Vinha disse...

Oi Silvia,

Não conheço este livro. Vou conferir se tem na estante virtual.

Peguei a receita no Faça e vou testar. Parece ótima. Vou colocar o link aqui para outras risoteiras e biscoiteiras interessadas. Bjs!

http://www.verbeat.org/blogs/facaasuaparte/2009/06/cozinha_sustentavel.html

Silvia disse...

O livro é da Lygia Bojunga (que, na minha época, ainda era Nunes).

Taís Vinha disse...

Eu já achei na Estante Virtual. 3 reais a edição dos anos 80. 4,80 a edição de 1999. Li a resenha e fiquei bem interessada. Vou comprar. Livros são minha perdição. Mas ultimamente só usado (por princípios e por nível sócio-econômico, hahahahah).

Bjs!

hegli disse...

Então vamos lá aumentar a lista de bizarrices, vou fazer a minha contribuição, pois mesmo que alguém do colégio leia (recomendei o seu blog para todos) já sabem minha opinião a respeito do assunto.
No colégio do Lucas, o Fundamental I tem um “troço pedagógico” que se chama projeto Sinal Verde. Consiste em ter um “fiscal” que pontua os alunos que não cumprirem determinadas regras como correr, atrasar-se ou não usar corretamente o uniforme.
Os pontos são somados por sala e quem tiver menos pontos tem um intervalo de 40 minutos no final do mês e um prêmio material simbólico.
Agora pergunto, isso é pedagógico? Se por acaso um colega chega atrasado porque os pais são desorganizados, levará pontos e fará a sala dele toda perder um prêmio. Qual a carga de responsabilidade (desnecessária) estão colocando em crianças de 6 a 10 anos? Ensinar pelo medo e ameaça funciona?
Enfim, meu filho já levou vários pontos por correr e continua correndo na imensa e linda alameda que fica no pátio central do colégio. Uma vez foi “atropelado” por outro que corria e quando chegou em casa ferido o dialogo foi o seguinte:
- Machucou? Quem te socorreu filho?
- Foi a tia do Sinal Verde.
- Tia do Sinal Verde? Quem é essa tia? (eu já sabia)
- É a tia que marca os pontos.
- Ela marca pontos por que?
- Se a gente corre ou chega atrasado ela marca pontos pra gente não ganhar o premio.
- Ahhhh! E vc já levou algum ponto?
- Vários, mas agora nós (ele e os amigos) bolamos um plano, ficamos de olho, quando a tia tá no pátio de cima corremos no de baixo e quando ela ta no de baixo ficamos no de cima.

Pensei, que bela pedagogia essa... bom, pelo menos fez as crianças se unirem e aprenderem a se virar pra brincar.
bjus
Hegli

Taís Vinha disse...

Hegli, vc vai ganhar o troféu bizarrice. É de se perguntar: que pedagogia é essa? Sabe que na escola da filha da minha prima, na Bélgica, a profa instituiu o mesmo sistema? Colocou um placar na porta da sala, com bolas verdes, amarelas e vermelhas. Quem fazia tudo certinho era verde, amarelo era o médio certinho e vermelho era quem pisava feio na bola segundo os critérios da mestra. Minha prima surtou com aquilo, principalmente quando soube que a menina dela só tinha bola verde. hahahahahahahahahhaa. Foi na escola, conversou com diretora e quem fosse de direito até tirarem o negócio da parede. Bjs!

Silvia disse...

Menina, um amigo meu encheu a boca pra dizer que, desde a educação infantil, lá nos EUA, as filhas tem uma avaliação pregada na parede da sala de aula comparando as crianças. Tipo estrelinhas, criando crianças beeeeem competitivas. Fiquei horrorizada, imaginando como eu ficaria desesperada se minhas filhas fossem obrigadas a estudar numa escola assim, onde a cooperação e o coleguismo não existem, onde um quer mesmo é passar por cima do outro pra ganhar mais estrelas.

Só hibernando mesmo. ;-)

Taís Vinha disse...

Silvia, tomara que a Regina leia seu comentário, porque ela mora nos EUA e me contou cada bizarrice que explica porque depois que eles crescem eles entram de metralhadora na mão na escola. Tem até o aluno do mês, que nem no McDonalds, onde o mais enquadradinho é condecorado, num estádio, onde os outros alunos assistem e aplaudem. Essa avaliação por estrelinhas é de doer, não? Imagine o coitado que fica com poucas estrelas, tendo que aguentar as pimpolhas estreladas (vc viu que separei bem os sexos, porque é sempre assim). Soube de uma outra, que promovia passeios das meninas pequenas ao trabalho dos pais. Para inserir as meninas no mercado de trabalho. E OS MENINOS NÃO IAM!!! Só as garotas tinham este privilégio de interagir com os papis. Um projeto declaradamento sexista, ao contrário.

E eu tenho mais uma coleção de bizarrices brasucas, mesmo. O povo me manda cada uma...Qualquer dia, publico a parte 2. Quem sabe abre o olho de alguém além das risoteiras inconformadas. Bjs!

Paula ZZT disse...

AFFFF... sem palavras...