30.10.08

Mais um pouco sobre limites



No texto anterior, questiono a crescente pressão da sociedade para que os pais imponham mais limites aos filhos. As intenções são boas, mas confunde-se limite com broncas, castigos e ameaças. Muitas vezes, espera-se que o adulto aja como criança, batendo de volta, dando castigos exagerados, humilhando os pequenos na frente dos outros e usando de outros artifícios severos como forma de "educar".

Esquecemos que o exemplo educa mais do que milhares de palavras. Como um pai que bate pode dizer ao filho para não bater no amiguinho? Como uma mãe que morde de volta, pode esperar que o filho deixe de morder? Como um adulto que faz gelo pode esperar que seu filho não faça birra?

Posso ser míope (aliás, sou. Fundo de garrafa.), mas vejo mais pais exagerando nos limites do que esquecendo-se deles. Me diga se não é supercomum crianças levarem broncas porque sujam o uniforme? Ou serem obrigadas a comerem tudo, independente da fome, passando por situações vexaminosas à mesa? Quem nunca viu crianças pequenas, de 2, 3 anos tendo os brinquedos queridos arrancados da mão por um adulto, ao mesmo tempo que ouvem: "É para emprestar, viu...egoísta!". Nesta idade ela não tem noção nem de quem é, como pode compreender coisas complexas como "emprestar" e "egoísmo"! Pergunto a estes pais: vocês emprestam seus carros? Seus cds queridos? Suas jóias? Já pensou se alguém os arrancasse da sua mão e dissesse: "Empresta, egoísta!". Ninguém tem este direito. Nem mesmo nossos pais.

E os milhares de "nãos"ouvidos o tempo todo? Tem criança que aprende a falar "não" antes de aprender o próprio nome. "Não põe a mão nisso, não derrube o suco, não abra este armário, não desarrume a sala, não, não e não.".

Dia após dia, sem querer, a convivência acaba repleta de atritos e conflitos desnecessários, tudo em nome do mal interpretado "limite". Claro que uma criança que cresce neste clima acaba estressada, briga, faz manha e resolve tudo da forma com que seus pais agem: com chantagem, com brigas, com palavras duras. É o que lhe está sendo ensinado. São crianças que, infelizmente, não sabem negociar. Não se respeitam, nem respeitam o próximo, porque desconhecem o significado desta palavra.

Para quem quer discutir mais, recomendo a leitura de dois textos publicados anteriormente: Filhos, o retorno e Grupo de Pais. Neste último, há uma sugestão de um livro, de leitura superfácil, que me "iniciou" no universo da educação com diálogo, negociação e respeito. Iniciou apenas, porque confesso que tenho um loooooongo caminho a percorrer na complicada arte de educar. Outras sugestões serão muito bem vindas!

P.S: Estou preparando um texto sobre o limite dentro das escolas, outra questão que angustia muito pais e professores. Até breve!

Um comentário:

Ana Carmen disse...

Taís, não vou comentar todos os posts de que gostei, são tantos! Li seu blog de uma vez, voltando no tempo. É divertido, inteligente, auto-irônico, cheio de dicas.