9.10.08

O mico nosso de cada dia, dai-nos hoje.





Gente, não é possível! Como diz a minha irmã, na outra vida devo ter colado Buballoo de banana nos pentelhos do Cristo. Um dia depois da "agradável" experiência na compra dos tenis dos meninos, pago um mico do tamanho de um gorila num supermicado, ops, supermercado atacadista de São José dos Campos, o Tenda.

Eu já tinha ido a este lugar há uns 5 meses e tido uma péssima experiência. Jurei não mais voltar, mas seduzida pelo preço da cesta básica, 10 reais abaixo da concorrência, achei que valeria a pena tentar novamente. Como ia levar 2 cestas, já imaginava a festa com champanhe e caviar que eu faria com os 20 reais economizados.

Entrei na loja e a Maria Bethânia cantava "Sonho meu". Era um aviso. Deveria ter desistido aí. Mas fui em frente. Uma hora e meia depois, 80 kilômetros de corredores percorridos e em cima da hora para pegar os meninos na escola, a mocinha do caixa me informa que minha compra tinha dado 350 reais e pergunta "A senhora vai pagar como?"

"Crédito, no Mastercard"

"Senhora..." diz a mocinha "não aceitamos cartão de crédito".

Esqueci que o preço da economia de 20 reais era um retorno à pré-história.

"Posso pagar com Visa Electron?"

"Pode."

A mocinha passa o cartão e dispara: "Senhora, cartão recusado. Vou passar novamente."

De repente, ela diz: "Senhora, caiu o sistema."

Aguardo uns instantes e entra uma voz no auto-falante: "Atenção, senhores clientes, estamos temporariamente não aceitando cartões de débito".

Eu só queria sair daquele lugar e pegar os meninos. Pergunto sem querer arrumar confusão: "Posso pagar com cheque?"

"Pode, mas tem que fazer cadastro"

Caminho mais 50 metros até o balcão de cadastro e sou atendida por outra mocinha.

"Cic, RG, comprovante de renda e de débito".

Estava só com a carteira. "Escuta, só estou com o cic e o RG aqui. Mas se quiser, dou o telefone do meu trabalho e da minha residência para você comprovar tudo."

Senti um certo triunfo no olhar da mocinha enquanto dizia: "Senhora, sem os comprovantes eu não tenho como cadastrar seu cheque."

"Escuta, eu já registrei a compra. Tem um carrinho lotado ali, no corredor, que é meu. Eu só quero pagar por ele e ir embora. Com cadastro ou sem. Eu quero dar dinheiro a vocês, você compreende isso?"

"Eu entendo, senhora (Porque mocinhas falam "senhora" o tempo todo?). Mas sem os comprovantes não dá para aceitar seu cheque."

"Então você avisa a moça do caixa que é para devolver minha compra."

"Espera um minutinho, a senhora tem cartão de crédito?"

"Tenho."

Ela faz um telefonema, demora alguns minutos e retorna vitoriosa: "Senhora, consegui resolver seu problema. Nós vamos aceitar seu cartão de crédito, parcelando sua compra 2 vezes, com uma pequena taxa de juros".

Acho que o Bubaloo não era de banana. Era de melancia.

"COMO ASSIM PAGAR JUROS? TÁ MALUCA? QUERO PAGAR TUDO DE UMA VEZ E SEM JUROS ALGUM."

"Senhora (grrrrrr!) só dá para fazer nestas condições".

Mais uma vez (na outra vez que fui lá, também abandonei o carrinho) larguei as compras para trás, junto com as 2 horas perdidas, a sola do sapato, o saco, a paciência e fui pegar os meninos na escola.

Cheguei à conclusão que fazer compras é algo que varia entre o insano e o psicótico e que consumidores compulsivos são na verdade masoquistas. Não há felicidade alguma no comércio. Morte ao Tenda, às lojas de tênis e que levem junto com eles, todas as mocinhas que falam "senhora".

Já disse e repito: na próxima vida, quero ser índia.

10 comentários:

Anônimo disse...

Nunca vi uma imagem que represente tão bem a nossa sensação ao terminar uma compra. Melhor que ser índia e ter que casar com um caçador destemido da tribo é ser rica mesmo, fazer compras sem pensar, se possível que elas apareçam na dispensa...Sonhar não custa nada, nem paga mico!
Beijos Dri

Ombudsmãe disse...

Flor, tô com tanta repulsa do comércio que troco qualquer despensa cheia por uma oca, um pajézão e uma vida sem dinheiro de plástico, sistemas e mocinhas. Rico tem que aguentar outro mico: lidar com "funçonáros". Outra coisa que adoraria estar fora. Mas isso é tema pra outro texto. Bjs, querida!

Anônimo disse...

Acho melhor vc trocar a TENDA PELO BARRACO mesmo...ainda bem que estava com a carteira... mas é inacreditável que voce não ande por aí com o comprovante de renda!!!?? hahahah
robertson

Taís disse...

Devia ter perguntado se o Papanicolau não servia. A cara da mocinha já valeria o mico. Bjs.

Anônimo disse...

Acho que na Daslu as clientes não sofrem tanto...
Tenda é um FDP de hipermercado?
Ninguém merece. O pior é que uma atrás da outra. Ninguém está isento. Acho que é um plano alienígena para ver o qto conseguimos resistir sem surtar...
Eu estou quase surtando...

Skay disse...

Putz, quasse me vi ali... tive um "pobrema" com a mocinha tb!
Agora seire do comercio... e farei o possivel para ser chamado pelo nome e não de mocinho.. se vai chigar que seja com clase...

aquele ¨$%$#¨%$@¨*&( do Diego!

axo masi moderno ser chigado pelo nome... a gente se f%$# e nem recebe o crédito!
kkkkkkkkkkkk


adorei isso aki!
*=

Ana Cláudia Bessa disse...

Pissionanti...
é patético, não é?

Agora me diz, ando está, nisso tudo o que você falou, a dedicação das empresas em encantar os clientes?

Sempre falo que isso é pura teoria de palestrante...

Ombudsmãe disse...

Vc tem toda razão! Tudo o que se prega nas palestras, raramente é colocado em prática. Todos os dias, nós consumidores, somos testados ao limite. Vamos voltar ao escambo! Revolução, já! hahaha

Renata Rainho disse...

uma lugar que não aceita cartão é patético... Eles não têm caixas eletrônicos lá dentro?

Ombudsmãe disse...

Oi Renata, lá dentro não. Tem no shopping anexo. Eu estava achando tudo um desaforo tão grande que na hora nem me ocorreu...