14.10.09

Vamos falar de caligrafia.



Já escrevei que sou contra os exercícios sistematizados de caligrafia. Já fui bem mais, de ir à escola questionar o procedimento e etc. Hoje convivo melhor com eles. E até entendo - pero no mucho - onde se quer chegar.

Mas, caligrafia ainda é algo polêmico. Tem mãe que se aborrece com os bilhetes da professora pedindo mais capricho na letra. Tem outras que acham que a escola não ensina a ter a letra bonita, como antigamente, e que deveriam dar mais exercícios de caligrafia.

Para chegarmos a uma conclusão, precisamos compreender a função da escrita.

Por que escrevemos? Para nos comunicar. A principal função da escrita é passar uma informação a outro. Ou para nós mesmos. E, como todo tipo de comunicação, quanto mais clara, mais fácil é compreender a mensagem. Por exemplo, é muito chato escutar uma rádio com chiados. Ou ver TV com fantasmas. Com a escrita, funciona da mesma forma.

Porém, poucos se dão conta que a "clareza" na comunicação escrita não é obtida apenas com a letra bonitinha. Para um texto transmitir com eficiência a mensagem do autor, é preciso ser legível, ter boa ortografia, gramática, coerência (começo, meio e fim) etc.

Na minha experiência como professora universitária de redação publicitária, cansei de pegar textos escritos com "letrinha de professora" que eram impossíveis de serem lidos, pois não uniam lé com cré. E já peguei "garranchos" capazes de entregar preciosidades de criatividade e raciocínio. Qual dos dois "ruídos" é mais fácil de ser ajustado: a letra ruim ou a pobreza de raciocínio? O primeiro, obviamente. Letra ruim dá-se um jeito. Ainda mais em tempos que se tecla mais do que se escreve a mão. Já o raciocínio ruim é uma falha de formação dificílima de ser corrigida na idade adulta. E que compromete gravemente o desempenho desta pessoa em inúmeras áreas.

Vamos agora retornar à infância e à sala de aula. O que é mais fácil de ser ensinado: como desenhar uma letra bonita ou como pensar? Tará! Você acaba de descobrir porque perde-se TANTO tempo fazendo crianças preencherem linhas e linhas infinitas de caligrafia. Porque ensinar a pensar dá trabalho! E exige muito mais do professor. Tem que se estimular a leitura, tem que analisar coerência do texto, tem que investir em idas e vindas de contação de histórias, tem que ouvir, tem que refazer, tem que corrigir, tem que estimular. Muito mais fácil mandar copiar "preciso ter a letra caprichada" 150 vezes no caderno de caligrafia. Muito mais fácil pegar um caderno e corrigir com uma única anotação: "Que texto legal. Mas precisa melhorar a letra.". Muito mais fácil exigir capricho do que exigir interpretação, coerência e raciocínio.

Então devemos desencanar de cobrar letra legível? Não. Mas temos que manter o foco: a escrita serve para comunicar. A letra do seu filho está comunicando? Os outros leitores estão conseguindo entender o que ele quer transmitir? Sim, então desencane. Faça como eu e arrume outra neura. Não, ninguém entende o que ele escreve, aí sim é hora de investir no ajuste fino da letra. Como?

Nunca, jamais, em hipótese alguma dizendo que a letra é feia. Letra feia não é crime. E a feiura é subjetiva. Pergunte à mamãe coruja. Se a letra de uma criança precisa ficar mais legível, pais e professores devem dizer isso a ela, sem grandes dramas. "Fulano, não estou conseguindo ler o que você escreve. Precisamos fazer uns exercícios para tornar sua letra mais fácil de entender." Ponto final. Dá-se os exercícios de caligrafia- para a criança que precisa deles - e, somado a isso, estimula-se esta criança a desenvolver atividades que precisam ser lidas por outras pessoas, como anotações de receitas culinárias, a escrita dos bilhetes na agenda, dos textos coletivos, o preenchimento de um cheque, uma matéria num jornalzinho de classe ou mural.

Outra coisa que ajuda (e muito!), são os exercícios de coordenação motora. E estes devem começar bem antes do aprendizado da escrita: amassar argila, fazer uma bijuteria, recortar, colar, costurar, descascar uma fruta, abrir uma lata, brincar de se pendurar, escovar os dentes, mexer um brigadeiro na panela, etc.

O mundo que vivemos não pede mais calígrafos. Pede seres pensantes, autônomos e criativos. E não é desenhando milhas e milhas de letras e fazendo quilômetros de cópias que se chega lá.

19 comentários:

Ana Paula disse...

Adorei!!!

Ainda não cheguei nessa parte com meu filho, mas penso exatamente como você!!!



Aliás, adoro o blog!

Renata disse...

Sabe, Taís, na época em que trabalhava numa grande corporação, aliás a maior do mundo em seu segmento, trabalhava em equipe e, como líder, treinava pessoas. E uma das coisas que mais me assustava era ver jovens estudantes ou recém saídos de faculdades de direito que não sabiam ler nem escrever. Ler e escrever nesse sentido mesmo que vc coloca nesse post. Eu pensava: COmo eles conseguirampassar por um curso de di-rei-to se não conseguem compreender o que está escrito e concatenar ideias pra escrvr uma resposta. E será que eles nunca fizeram exercício de reading and comprehension? Porque nos CV de todos constava entre os idiomas inglês fluente. E se em português eles não entendem o que tá escrito e não conseguem elaborar uma resposta, imagina em inglês.
Posso dizer, com essa experiência, que o problema é geral. São muito poucos os que PENSAM.
Excelente post, mais um!
Beijo!
Renata

dannah5 disse...

Acho que isso tem muito tambem de nao se estimular a criatividade, eu vejo que a tv tomou grande parte do espaço que os livros tinham e hj em dia eh facil para as pessoas simplesmente "morgarem" na frente de um aparelho e nao terem o trabalho de ler um livro e criar suas proprias impressoes. Nao sou contra TV, so acho que ela limita quem nao procura outros veiculos de descoberta. Aquele texto entre os muros da escola eh muito verdadeiro, eu sei que no atual estado em que nos encontramos tempo eh dinheiro, mas sabe eu abro mao de ter dinheiro para ter mais tempo com minhas filhas para participar da vida delas e ajuda-las em todo esse processo, pq realmente a escola nao educa, e eu nao quero terceiriza-las, elas sao minha responsabilidade. Contudo tbm sei que essa nao eh uma opçao plausivel para todas as mulheres, faço isso pq meu marido tbm acha que eh mais importante nesse momento minha participaçao na casa, mas no futuro verei uma maneira de conciliar.
Eu acho a caligrafia importante pq sem uma boa caligrafia as vezes fica dificil compreender e comunicar corretamente, mas concordo plenamente com vc q sem um bom texto ela eh inutil!
No fundo os dois sao ruins para a comunicaçao mas com certeza nao saber se expressar eh muito pior.
Hj em dia com tantos e tantos blogs eu vejo que quando nao temos nossa propria "voz" na linguagem, eh dificil criar uma identidade. Mesmo q nao sejam textos intelectuais, nossa personalidade deve ser transmitida de alguma forma e isso nao se aprende sem o exercicio da escrita, dos livros, da redação.

Beijocas

Neural disse...

Sabe que, descordenado que sou, sempre detestei escrever à mão. Quando repeti a terceira série, disseram que uma das razões era letra feia.

Na sexta série uma professora me liberou de escrever a lição à maquina, eu adorava. Depois esse privilégio foi cancelado mas consegui que aceitassem que os deveres fossem escritos em letra de forma.

Pra mim, que tenho uma relação muito próxima com a linguagem, escrever a mão trava o raciocínio, pq preciso me preocupar em escrever algo legível. Com um teclado o pensamento flui melhor.

E o velho bukowski, quando ganhou seu primeiro computador, dobrou sua produção literária...

bjs
Renato
http://diariogravido.com.br

Ana Maria disse...

Taís adorei seu texto...acho legal a pessoa ter uma letra bonita mas tb penso que o importante é ser legível...e mais importante é saber escrever um texto, interpretar... e vejo que as escolas estão perdidas neste aspecto e incluo a dos meus filhos nessa... pensam mais na "letra bonita" do que na coerência do texto...depois chega na universidade (sou professora universitária)é um verdadeiro caus... a moçada não sabe lê ou só querem as coisas "mastigadinhas"... tem momentos que penso que eu tô errada ou que vivo em um mundo a parte... e aí leio um "post" seu... e me encontro... rs... Bjs e continue escrevendo... vc é muito lúcida nos seus post! Um abraço!

Ana Maria disse...

Taís adorei seu texto...acho legal a pessoa ter uma letra bonita mas tb penso que o importante é ser legível...e mais importante é saber escrever um texto, interpretar... e vejo que as escolas estão perdidas neste aspecto e incluo a dos meus filhos nessa... pensam mais na "letra bonita" do que na coerência do texto...depois chega na universidade (sou professora universitária)é um verdadeiro caus... a moçada não sabe lê ou só querem as coisas "mastigadinhas"... tem momentos que penso que eu tô errada ou que vivo em um mundo a parte... e aí leio um "post" seu... e me encontro... rs... Bjs e continue escrevendo... vc é muito lúcida nos seus post! Um abraço!

Paloma disse...

Concordo com tudo isso. Até porque, a minha letra feia não inviabilizou minha vida como jornalista. Agora, confesso: às vezes, até eu mesma tenho dificuldades pra entender meus garranchos. bjo
Paloma e Isa

Cynthia Santos disse...

Concordo em gênero, número e grau!
Você me lembrou da minha primeira série, tínhamos cadernos de caligrafia onde passaávamos horas escrevendo a mesma coisa pra ter a letra bonita... graças a Deus depois fui pra outro colégio, onde os alunos eram estimulados a desenvolver textos e contar histórias oralmente... a maioria da turma detestava, e eu adorava!!

Letícia Volponi disse...

Perfeito. Concordo com absolutamente tudo. Temos um problema muito mais sério de formação, conhecido por analfabetismo funcional que é a falta de capacidade de se comunicar por escrito e pouca gente dá atenção ao assunto, mas todo mundo reclama quando recebe um papelzinho com garranchos, mesmo que tenha compreendido a mensagem...

Anônimo disse...

ÉEEEEEE fogo na roupa esse assunto!
Sempre estudei em escola que prezava muito a disciplina, deveres e caligrafia. Cá estou camelando para aprender a pensar depois de adulta! Quando fui matricular meu filho numa escola diferente (ainda bem que temos mais opções hoje não?), uma amiga minha comentou: bem que eu queria colocar o meu filho na mesma escola que você, mas lá eles dão muita liberdade para as crianças... Isso também dá mais trabalho para os pais, mas é uma delícia aprender com eles.
Adorei, como sempre, beijos e parabéns!Dri

{ b r u n a } disse...

Oi Taís, concordo que mais do que caligrafia bonita nós precisamos de seres pensantes e atuantes. Também sou conta letras iguais, no entanto, o exercício da caligrafia é muito importante para o desenvolvimento psicomotor, não só para o desenvolvimento da coordenação motora fina, como da orientação espacial.
Talvez mais do que exigir letras de professora, as escolas devessem se preocupar em tornar o ato de escrever numa atividade prazerosa. Que criança se sente motivada a escrever depois de repetir 300 vezes a mesma frase num caderno de caligrafia?
Um abraço,

Taís Vinha disse...

Renata, saudade...lindas suas fotos da feira do alimento vivo. A pentax tá arrepiando! Esse fenômeno que vc identificou na multinacional é assustador. As pessoas estão perdendo a capacidade de ler, interpretar e redigir a mensagem escrita. Há um psicólogo que chama este sinoma de "William Moreira" em homenagem aos dois âncoras da Globo. Ele identificou que há uma geração que só entende a mensagem oral. Se vc der exatamente o mesmo texto para a pessoa ler, ela não compreende. Mas se for lido para ela, compreende sem problemas. Se quiser saber mais, leia aqui: (é bem interessante!)

http://www.humanitates.ucb.br/3/william.htm

Renato, hj eu escrevo a mão só para mim mesma. E mesmo assim de forma enigmática, que só eu entendo. Como redatora, acho o teclado e os editores de texto uma benção. Seu comentário me fez lembrar do meu irmão, que sempre escreveu em hieróglifos e, numa casa com 4 irmãs, foi sempre muito criticado por isso. Ele tinha o raciocínio tão rápido, que a escrita não acompanhava seu pensamento e muitas vezes faltavam palavras nas frases. Nunca foi tratado como anormal, aprendeu que deveria revisar seus textos cuidadosamente em algumas situações (como redação do vestibular) e hoje é um dos caras mais criativos e produtivos que conheço. Desses que chupam cana, assobiam e dançam lambada.

Tem um outro sujeito que também tinha uma letra esquisita, um tal de Leonardo da Vinci. Vc já deve ter ouvido falar nele... Bom, esse escrevia de trás pra frente. Imagine este guri num banco de escola hoje!

Volto daqui a pouco para responder os outros comentários. Essa discussão está muito legal. obrigada por participarem.

Bjs!

Vanessa disse...

Engraçado, minha letra sempre foi um terror. Fiz o curso normal no maior sacrifício. Era a primeira da turma , mas a letra, quanta diferença. Só consegui uma letra melhor quando peguei uma turminha de alfabetização e me forcei a escrever redondinho para os miudos entenderem. Fiz tanto exercício de caligrafia aos 18 anos que não é que ficou bonita?

Lembranças a parte, vc tem razão quando diz que não precisamos mais de calígrafos. O que precisamos é de seres pensantes, críticos com capacidade de ler e entender o mundo. É claro que estes seres precisam também comunicar-se por escrito e , eventualmente precisarão escrever a mão livre. Escrever com uma letra legível é importante, mas não é necessário colocar a letra numa forminha e deixar todo mundo escrevendo igual. Viva a diferença.

Abraço

tais Vinha disse...

Oi Dannah, muito legal você compartilhar sua experiência de "mãe de casa" com a gente. Você disse bem: abrimos mão do dinheiro em troca de tempo. E hoje, na minha vida, tempo tem um valor incrívelmente superior.

TV em excesso deixa mesmo os músculos mentais mais flácidos. E que hoje em dia, as coisas vem mastigadinhas demais. Uma mãe comentou comigo que leu a apostila do filho e ficou surpresa com a facilidade das respostas. Qualquer criança, com o mínimo de esforço era capaz de resolver o exercício. Não sei se fazem isso porque subestimam a criança ou para que elas consigam fazer as tarefas sem a orientação de um adulto. Mas facilidade demais não faz bem.

Ana Maria, colega de salas de aulas, você não vive em um mundo a parte. Mas o negócio tá fogo para o professor, né? A garotada está chegando muito despreparada na universidade, não consegue ler textos "difíceis", não aguenta aula longa e se apertarmos muito, elas não acompanham. E estamos falando de uma elite que chega até o terceiro grau. Em termos de país é realmente uma situação alarmante.

taís Vinha disse...

Oi Paloma, eu só escrevo a mão pra mim mesma e põe garrancho nisso. Mas acho que o tempo tem deixado minha letra mais legal. Quando criança eu a-d-o-r-a-v-a a letra corrida, segura e garranchuda dos adultos. Hoje tenho a minha! E "se" acho!

Letícia, o analfabetismo funcional é uma lástima! E combatê-lo deveria ser parte do PAC do governo. Como vamos progredir com pessoas que não conseguem entender um memorando, um manual, um bilhete de amor que seja?! Enquanto isso, temos letra de príncipe! Foi o que uma européia disse quando viu a letra manuscrita de algumas de nossas crianças.

Drica, vc aprendendo a pensar? Então pára que já tá bom. Mais esperteza e vc vira uma Einstein! hahahahaha. Engraçado esse comentário da "liberdade demais". Mas sabe que não acho que dá mais trabalho aos pais? Criancas autônomas, são muito mais fáceis para os pais. Elas se vestem sozinhas, se cuidam, resolvem conflitos, argumentam, sabem o que precisa ser feito, têm mais discernimento. Pode dar mais trabalho no início, mas depois a engrenagem anda que é uma beleza! É uma concepção errônea achar que o excesso de disciplina e autoritarismo facilita as coisas. Na verdade cria seres obedientes e passivos. Quem precisa disso?

Oi Bruna, pois é...fui a uma palestra de uma psicomotricista (eta palavra difícil!) e entendi melhor onde se quer chegar com os exercícios de caligrafia. Mas vc disse bem: eles precisam ser tão chatinhos e repetitivos? Tão sem "pensativo"? O que critico é o desequilíbrio. Perde-se muito mais tempo ensinando criança a caprichar na letra do que a usá-las com inteligência. E com o apoio de muitas mães. Na primeira vez que fui à escola dos meus filhos reclamar dos exercícios de caligrafia, a coordenadora me disse que era a primeira vez que uma mãe questionava o procedimento. Geralmente, as mães vão lá pra reclamar que a escola dá pouca caligrafia. E há inúmeros outros exercícios que estimulam a motricidade, sem estacionar o pensamento.

Vanessa, concordo, mas ainda acho que hoje em dia dá pra se safar de escrever a mão em 99% das vezes. O computador ajuda até quem não tem boa ortografia. É só passar um corretor e pronto. Mas não há ajuda pra quem não consegue raciocinar. E se as mães se preocupassem com isso, mais do que com a belezura do caderno, talvez forçássemos as escolas a se preocuparem mais em exercícios de reflexão, interpretação e raciocínio. Eu sei de escolas que separam os cadernos caprichados para mostrar aos pais visitantes. Pode? Ao invés de mostrar um texto bem elaborado, uma solução criativa para um problema eles "vendem" capricho! Por que? Porque é isso com que se importa grande parte dos pais. Temos que mudar isso se queremos escolas melhores para nossos pimpolhos.

Bjs!

Hegli disse...

Oi Taís, belíssimo texto e ótimos comentários. Vou até aproveitar e fazer um gancho do último: “Ao invés de mostrar um texto bem elaborado, uma solução criativa para um problema eles "vendem" capricho! Por que? Porque é isso com que se importa grande parte dos pais.”

Sim, sim, sim. É isso que a maioria dos pais querem, infelizmente. Converso com alguns pais e não me conformo. Cada vez mais me vejo amparada por este blog, para não me sentir um peixe fora d’água.

A escola do meu filho (que está no segundo ano) utiliza-se do sistema Anglo, ainda tem os cadernos das matérias, um livro/ caderno de caligrafia e em meios as lições de casa, toda semana tem “CÓPIA”, isso mesmo, cópia de pequenos textos e poesias. Para ajudar na letra, na escrita... blá, blá, blá.

Ele faz as lições, em geral, numa boa e rapidamente. Faz redações ótimas para a idade dele, cheia de ação e imaginação. Quando tem o componente criar, pensar, imaginar ele se delicia. Porém, nesta semana ele teve uma crise de choro em meio a uma das cópias semanais.

Quando, depois de uma hora na mesa, ouvi o funga funga do nariz fui perguntar a ele o que estava acontecendo e a resposta, e meio as lágrimas, foi a seguinte: estou perdendo meu tempo de brincaaaaar! Buááááááá! Ele havia copiado 9 linhas em uma hora. Estava entediado, angustiado e triste. Sentei ao lado dele para ele terminar e em cinco minutos copiou as outras nove linhas. Fim. Foi brincar.

Foi bom para eu tomar uma decisão. Na tarefa de casa de agora em diante, ele só fará a CÓPIA se estiver a fim. E como vc mesma disse Taís: “Perde-se muito mais tempo ensinando criança a caprichar na letra do que a usá-las com inteligência.” Eu fico com a opção pensante, rs.

Bjus

Alexsander (@stora) disse...

ótimo artigo, parabéns, vou retransmitir aos amigos.

abraços,

liliam arruda disse...

queria uma ajuda com meu filho e que ele tem dificuldades motora e chora quando nao conssegue fazer alguma tarefa q a professora pede, ele tem 6 anos e ta na 1. serie 2. ano

Tais Vinha disse...

Oi Liliam, quem diagnosticou a "diiculdade motora" do seu menino? Porque nessa idade é absolutamente normal que eles não tenham a coordenação motora desenvolvida. Daí muitas escolas trabalharem apenas as letras maiúsculas, pois a cursiva exige um amadurecimento neurológico que eles não tem.

Nessa idade também é comum espelhar (escrever invertido) e isso pode ir até os 8 anos, sem problema.

Quando seu menino faz 7 anos? Porque aos 6 anos, ele deveria estar no 1º ano, não? Pode ser esse o motivo dele estar tendo dificuldades.

Leia o texto: "criança adiantadas na escola", acho que a ajudará a compreender o problema e encontrar soluções.

Sugiro também que você avalie o que é dificuldade do garoto e excesso da escola. Talvez a tarefa seja incompatível com o que ele consiga. Ou talvez ele esteja se sentindo cobrado demais.

Nos mantenha a par do que você está descobrindo e boa sorte com ele!

Bjs!