24.9.09

Sacolinhas plásticas na publicidade.

Há um fenômeno curioso que acontece entre os publicitários brasileiros. Eles ADORAM o primeiro mundo. Os carros do primeiro mundo. Os prêmios do primeiro mundo. Os hotéis de luxo do primeiro mundo. As lojas que, mesmo em terras paulistanas, imitam as do primeiro mundo. Adoram também os vinhos, as canetas, as charmosas cidades, o visual urbano descolado, os filmes, as louras esguias, os restaurantes, o uísque.

Porém, quando o assunto é fazer o Brasil virar primeiro mundo, eles boicotam descaradamente. Se tem uma coisa que publicitário brasileiro odeia é trabalhar num país de primeiro mundo.

Só isso explica o lóbi feio, muito feio, vergonhoso, que eles fizeram para que a propaganda de cigarro não fosse proibida por aqui. Coisa que, há tempos, já era proibida no primeiro mundo.

Propaganda de bebida alcoólica também já foi banida em muito países. Mas por aqui, os cidadãos publicitários fizeram campanha, foram pra Brasília, apertaram mão de parlamentar e etc. Conseguiram manter a milionária publicidade de cerveja ativa. Não sei se teriam tido o mesmo sucesso se vivessem no primeiro mundo.

Espernearam também quando retiraram os outidóres da cidade de São Paulo. "Vamos passar fome!" E nas férias foram para Londres, onde tiraram fotos em frente a fachadas centenárias, bem preservadas e sem poluição visual.

A última tentativa deslavada para continuarmos no vigésimo primeiro mundo foi um comercial bonitinho e totalmente ordinário da W para o "uso consciente" da sacolinha plástica.

Ordinário porque é pago pela indústria do plástico, que deve estar começando a se preocupar com o número cada vez maior de malucos beleza divulgando idéias de primeiro mundo sobre os horrores da poluição pelo uso indiscriminado do plástico.

Ordinário porque está sendo veiculado em um país que recicla menos de 5% do seu lixo (de acordo com as fontes mais otimistas). Ordinário porque coloca no consumidor - nascido, criado e educado em um país com educação de nonagésimo quinto mundo - a responsabilidade pelo uso e "destino correto" das sacolinhas, como se na imensa maioria das nossas cidades, houvesse algum.

Ordinário porque por baixo da roupinha de propaganda educativa, há um comercial muito bem feito de estímulo ao uso da sacolinha plástica.

Ordinário porque jamais seria veiculado em um país de primeiro mundo, sob o risco de consumidores realmente educados e conscientes banirem de vez a sacolinha plástica de suas vidas. No primeiro mundo as pessoas não engolem qualquer besteira, não. Deve ser muito difícil fazer propaganda por lá.



14 comentários:

Hegli disse...

Nossa, tô chocada...
Preciso ler mais vezes, com mais calma e tentar ver o vídeo novamente.
Lamentável!!!
Bj

Paloma, a mãe disse...

Sabe o que eu acho pior - e muito mais nefasto - que tudo isso? Publicidade voltada pra criança. Já escrevi muito sobre isso lá no blog. Não tolero isso, acho o fim. Por isso, pelo menos por enquanto, milha filha não vê TV, só DVDs selecionados. E não estimulamos o consumismo, principalmente de produtos licenciados.
Esta é a primeira na minha lista a ser banida. Depois cigarro, depois cerveja.

Taís Vinha disse...

Paloma, esta vai ser outra briga que nossa sociedade terá que travar contra o mercado publicitário, os anunciantes e veículos de comunicação. Eu tenho uma opinião ambígua sobre o assunto. É uma longa explicação e acho que vai virar texto. Só para não ficar no ar: da mesma forma que cria uma geração de consumistas mirins, também está formando uma geração de futuros adultos absolutamente imunes a todos os apelos publicitários. Esse fenômeno já foi detectado nos EUA e por lá, os anunciantes estão gastando muito dinheiro e neurônios tentando descobrir novas formas de atingir esta moçada que cresceu exposta a uma overdose de publicidade e criou imunidade. Mas o assunto é polêmico e de novo veremos nossos publicitários fazendo lóbi na sua terra pra evitar o necessário controle da sociedade sobre a publicidade infantil. Bjs!

Carol_Rodarte disse...

É, realmente vi essa propaganbda e achei ridicula! nao existe meio de usar conscientemente a sacolinha, ela simplesmente nao deveria ser usada!
Me lembro da epoca de criança, q compra levavamos em sacos de papel (tipo papelao fino) e q cabiam varios produtos dentro. Hj existem pessoas que tem a coragem de colocar cada produto numa sacolinha! na minha casa ja estamos no processo de abandono as sacolinhas, ja temos sacolas de pano pra fazer compra e q tb levamos a feira.

Muito bom o post.

bjinhus

Leonardo Xavier disse...

Eu acho que é meio inviável banir completamente o uso de embalagens plásticas, você pode até banir as sacolinhas plásticas (e até que tá super na moda as ecobags), mas existem inúmeras outras embalagens que usam plástico. E apesar de muitas embalagens poderem ser substituídas por vidro, esse recipientes de vidro acabam não sendo retornados ou mesmo reciclados.
Isso sem contar a falta de praticidade, vamos supor que vossa senhoria esqueça a ecobag em casa? Compra outra? Deixa pra fazer compras depois ?

Anônimo disse...

Tais, acertou a bola esquerda dos publicitários? Bom como estive há pouco na Espanha que diz de que recicla tudo e paga-se uma super multa caso o morador não separe o seu lixo em casa, pude ver que funciona reciclar, mas o cidadão tem que estar envolvido, culturalmente... Em outro pais como o nosso temos que investir mais em esclarecimento, acho que estamos chegando lá, eu mesma estou quase, toda a mudança requer um tempo de adaptação, caso você esqueça a sua ecobag em casa pode comprar outra e aproveitar para deixar uma de reserva no carro e evitar futuros esquecimentos, assim quando a compra for maior terá duas sacolas olha que chique!
beijos Taís, como sempre imperdivel!
Dri

Taís Vinha disse...

Oi Carol, uma boa opção para as sacolinhas são as caixas de papelão. Na minha cidade muitos supermercados as estão disponibilizando, inclusive os de bairro. Além de eco mais corretas, são muuuuito mais práticas para colocar e tirar as compras do carro. Mas ao mesmo tempo, tem o Extra, por exemplo, que "esconde" as caixas de papelão sob os balcões ou as empilha lá no fim da fileira de caixas (loooonge) e coloca umas 50 sacolinhas já abertas, prontinhas para o uso, sobre o balcão do caixa. Assim, torna 10 vezes mais fácil empacotar na sacolinha. Mas quando as pessoas começarem a insistir na caixa de papelão isso muda. Daí a "necessidade" de comerciais como esse. É o medo da indústria de que haja uma rejeição em massa às sacolinhas. Estamos longe disso, mas ninguém mais subestima o poder que as redes de informação tem de mudar o comportamento das pessoas. Nem mesmo a indústria do plástico. Bjs!

Taís Vinha disse...

Leonardo, aquele que discorda do mundo. Não discuto a necessidade do plástico na vida humana. Os descartáveis hospitalares, por exemplo, são imprescindíveis. As sacolinhas para colocar o lixo na rua, por hora, imprescindíveis também (já houve tempo que isso não era necessário). E a lista aqui seria grande. Reconheço. Mas o que discutimos neste blog não é banir o plástico e sim, reduzir o seu uso e, quando necessário, usá-lo com consciência. Não temos necessidade de produzir tanto lixo (plástico ou outro). É possível viver com muito menos e descartando muito menos. Se estiver interessado em ler mais sobre o assunto, publiquei um texto em que discutimos justamente a "ilusão da reciclagem."

http://ombudsmae.blogspot.com/2009/03/ilusao-da-reciclagem.html

Quanto à esquecer a sacola retornável, vossa senhoria aqui é mestra nisso. E você não sabe os malabarismos que já fiz pra sair com as compras sem a sacolinha plástica. No super é fácil: caixa de papelão. Nas compras de objetos pequenos, levo na mão mesmo, ou enfio na bolsa. Já fiz como a Dri sugere e comprei uma sacola retornável na hora (hj tenho várias). Mas estou melhorando minha performance com a prática. Vc devia tentar também. É divertido e um ótimo treino para um dia participar do se vira nos 30.

Ah, e quanto ao vidro, a diferença é que além de ser 100% reciclável, quando descartado na natureza ele vira areia. Não sobra nenhum resíduo tóxico. Para mim, o maior problema do vidro e, confesso saber muito pouco, é quanto ao processo produtivo. Vidro precisa de areia e as cavas de areia são grandes problemas ambientais. Daí a necessidade de reciclá-lo ao máximo.

Falei de mais. Até!

Taís Vinha disse...

Dri querida, sim, é necessário educação para que o cidadão se envolva culturalmente. Mas não é só educação. Tem que haver uma ação simultânea do poder público e da mídia, para que as coisas aconteçam. Foi assim com o cinto de segurança. Há até pouco tempo, ninguém usava. Bastaram 6 meses de campanhas educativas e a aplicação de multas para que todos passassem a usá-lo. Hoje ninguém discute mais o uso do cinto. Para mim, este é um dos exemplos de que, com boa vontade política e dos meios de comunicação, dá para avançarmos a passos largos. Bjs!

Hegli disse...

Taís, é isso mesmo que vc disse, “é necessário educação para que o cidadão se envolva culturalmente. Mas não é só educação. Tem que haver uma ação simultânea do poder público e da mídia, para que as coisas aconteçam”. E não há tempo a perder, uma pena que as pessoas que trabalham nesses setores não se dão conta disso... e quando tentam o fazem de forma equivocada, sem o foco da ética que seria o necessário... fica muito social ou muito comercial...
Enfim, a propaganda é medíocre e ponto! Hahaha
Bjus

Renata Rainho disse...

Eu também sou das que quando esquece coloca na caixa de papelão ou dentro da bolsa.

Sobre os supermercados é engraçado como muda de lugar pra lugar, o Extra aqui do bairro que trabalha nem deixa sacola em cima do balcão e se quiser vc pode levar as coisas sem sacola nenhuma, tirar do carrinho e colocar no carro ou o entregador leva em casa assim do carrinho mesmo direto.

Já o Carrefour se vc comenta da caixa de papelão eles fazem mó cara feia e ficar sem empacotar nem pensar, eles tem um empacotador em cada caixa - é profissão!!!

Ah no Extra Pamplona quando vc apresenta a sacola os caixas sempre elogiam e falam: parabéns pela atitude.

Assumo que eu me acho tão importante...

Sobre propaganda em si eu também acho que tem que ter.

Abraços, Renata

Marcia disse...

Oi Taís, adoro tuas postagens!!
E acho pertinente muito do que disse aqui, eu também utilizo sacola de pano, também tenho várias de todos os tamanhos, mas confesso que uso sim as sacolas plásticas, porque é onde acondiciono o lixo da minha casa. Não vejo outra maneira de jogar o lixo a não ser em sacolas plásticas, e ao invés de comprar uma sacola especificamente para este fim, uso as do mercado que são gratuitas. Quando vejo que meu estoque está chegando ao fim abandono um pouco as sacolas de pano....
Bjs, tudo de bom.

Leonardo Xavier disse...

O meu ponto é o seguinte, partindo do pressuposto que a maioria das vezes essas sacolas plásticas do supermercado acabam tendo outros destinos, tomando o exemplo da Marcia de colocar o lixo a ser coletado em sacolas. E somando-se o fato que o volume das sacolas plásticas em comparação ao volume de lixo plástico gerado pelas embalagens dos produtos consumidos é bem menor. Sem contar que estas últimas embalagens provavelmente não terão uma outra aplicação prática, uma vez que o produto tenha sido consumido. Então não seria melhor que os consumidores brigasse pela adoção de produtos em embalagens retornáveis? O que é diferente das recicláveis, que demandam muito mais energia para se tornarem produtos novamente. Esse é o meu ponto. Será que a questão da sacolinhas plásticas não funciona para sociedade do mesmo modo que a questão de dar esmolas para um mendigo ? Algo que simplesmente serve para enganar ou tornar mais leve nossa consciência ?

Blogger disse...

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