26.8.09

Crianças eternamente plugadas.





Li uma notícia de arrepiar. Um estudo britânico calcula que as crianças e adolescentes de hoje passam cerca de 10 horas por dia diante de algum monitor, seja tv, videogame, celular ou ipod. É a chamada "Geração Monitor". (Clique aqui para ler a matéria sobre o estudo.)

Um dia tem 24 horas. Se descontarmos as horas de sono e de escola, percebemos que estas crianças passam o restante do tempo olhando para uma telinha.

É um fenômeno, no mínimo, assustador. A tecnologia é extremamente sedutora. Nós mesmos, pais e mães, muitas vezes nos conectamos mais do que devíamos. E se, para nós, adultos, com freios e filtros desenvolvidos, é difícil resistir ao doce canto da cibersereia, imagine para as crianças.

Confesso que me sinto meio impotente diante do fenômeno. Aqui em casa tento impor limites ao uso de tais equipamentos, mas muitas vezes os limites são ultrapassados. Ou por comodismo meu e do meu marido, ou por cansaço, ou por não querer ser tão "generala" - sou eu quem geralmente os controlo e é muito chato impor a ferro e a fogo o tempo de telinha.

Um dos motivos pelos quais considero tão difícil mantê-los afastados dos monitores é que, não basta apenas controlar o tempo. Temos também que proporcionar alternativas. Quantas vezes nos predispomos a dar uma volta de bicicleta com eles? Ou jogar um jogo de tabuleiro? Fazer um picnic? Ou ao menos a receber um amigo para que eles tenham companhia? No cansaço do dia-a-dia, é muito mais fácil enfiar um filme no dvd, não?

E aqui não estou sendo neura. Em hipótese nenhuma. O recurso de ligar a tv ou permitir um jogo eletrônico numa hora em que precisamos ter um tempo pra gente é legítimo. O problema é quando este "descanso" vira a principal atração do dia.

O assunto é muito sério. Vi num programa da Oprah (olha a tv ligada!), uma família plugadíssima que aceitou o desafio de se desconectar por um tempo. O videogame foi guardado em uma caixa, a tv se limitou a 1 hora/dia. Internet, 30 minutos. Os primeiros dias foram um inferno. Como disse a mãe, "vi no meu filho de 5 anos, o comportamento de um viciado em heroína. Ele andava pela casa implorando pelo videogame, ficava raivoso, chorava. Não conseguia fazer mais nada. Foi muito dolorido vê-lo assim." Depois da abstinência, nasceu uma nova família. Passaram a conversar mais, fazer passeios juntos, ler um para o outro. Isto é, finalmente se conectaram de verdade.

Tais matérias me deram ânimo para vestir a capa da mãe chata e lutar pela liberdade dos meus filhos. Soa ufanista e é. A briga é contra gigantes. Mas mãe é um ser que não costuma se intimidar quando o assunto é defender as crias. A Nintendo que se cuide.

P.S: Os dois comerciais publicados acima, são de uma campanha espanhola para diminuir o tempo que as crianças assistem tv. É bem bonitinho e um bom gancho para uma conversa entre pais e filhos sobre o assunto.

16 comentários:

Renata Rainho disse...

em 2007 minha tv quebrou e levei 6 meses pra arrumar, sabe o que eu perdi? nada!

Vanessa disse...

Taís, passei o dia todo pensando nisso. Não tinha lido seu post ainda. Passei o dia todo pensando nisso por causa do blog Saia Justa da Georgia, carioca radicada na alemanha que consegue criar os filhos na contra mão. Escreverei sobre isto amanhã e te envio o link.

Abraço

Dri Viaro disse...

oi, vim conhecer seu blog e desejar boa noite.
bjs

aguardo sua visita :)

Paloma, a mãe disse...

Aqui a gente não assiste mais TV (aberta nem fechada), mas minha filha vê DVDs. Como ela é pequena, controlo facilmente o tempo. Acabou, acabou, não tem discussão. Difícil é ME controlar para não ficar hooooras na internet.

Silvia disse...

Dureza, fia. Aqui em casa, eu já tentei mexer nos horários, mas não consigo. Falo muito, só que falta uma coisa: amigos para brincar. Complicado é trazer amiguinhos todos os dias, né?

Às vezes elas me ouvem e desligam a TV para brincarem juntas. Maridon queria dar um videogame de aniversário para a G, mas eu não deixei. Já tem TV, já tem computador, pra que videogame??? Se já passam tempo demais na frente da telinha, imagina com mais um motivo.

Mas, se tiverem opção melhor, elas desligam a TV para brincar rapidinho. O problema é mesmo a nossa falta de tempo. Ou de organização.

Luciana B. disse...

Ai Thais, confesso que não tenho uma opinião formada (ainda) se esta 'plugação' é ruim ou apenas um modo de viver modernamente. Eu mesma, se estou em casa, fico direto no computador. Meu marido tamém gasta horas na TV e no computador... assim, é difícil cobrar dos filhos se a gente não dá o exemplo! Já tive fases de controlar o tempo que ficam nestes aparelhos. Hoje que eles têm 7 e 10 anos não faço mais isto. Eles já tem tanta aula, muitas atividades, fazem lição direito, vão bem na escola, andam de bicicleta, jogam bola - acho que podem relaxar da maneira que quiserem. Do mesmo jeito que eu faço! Para TV, computador, videogame, vale a lei do bom senso que sempre valeu para tudo. Se eles estão bem física e mentalmente, se a vida está equilibrada e fazem as demais tarefas que têm bem feitas e com prazer, não vejo porque ocntrolar!! Mães, atirem a primeira pedra quem não tiver pecados :-)

Taís Vinha disse...

Luciana, eu tb não consegui ainda formar uma opinião. É um universo muito novo. Antigamente, os pais reclamavam que os filhos ficavam muito ao telefone. Hj é o msn, sms e ipods (pelo menos a conta é mais barata, graças a Deus!). Tb concordo que é um outro estilo de vida, não necessariamente negativo. O meu temor é o excesso. 10 horas por dia, eu acho abusivo. Inclusive para adultos. Acho que nosso grande desafio é encontrar o equilíbrio. O outro lado da vida, precisa funcionar. Relacionamentos olho no olho, atividades ao ar livre, refeições em família, conversas, amigos, atividades físicas, tempo para reflexões, etc. Como vc disse, vale a lei do bom senso. Não dá pra voltar atrás. E nem é o caso. O negócio é aprender a usar. Mas qual é o jeito certo? Acho que a nossa geração ainda está descobrindo. Bjs!

Taís Vinha disse...

Nesta minha vida já topei com muito maluco beleza. Qdo. morei no Eua, minha "mãe americana" era uma ex-hippie, que tinha uma tv 14 polegadas, preto e branco e sem antena. Então, pra ver tv, só no desespero, mesmo. Foi um período ótimo! Chegávamos do trabalho e sentávamos na varanda com uma cerveja cada uma e ficávamos conversando por horas. Os vizinhos iam chegando e virava uma pequena festa. Isso em pleno território americano hight tec, everybody plugado. Mas se aqui eu deleto a TV, o marido sai de casa junto...

Bjs!

Ana Maria disse...

Oi Taís! Essa história de Tv, vídeo game, computador é um dilema mesmo... quando criança, brincávamos na rua e a volta era quando acendia a luz do poste... hoje, eles não podem brincar na rua... em casa até hoje, apesar das insistências, não colocamos tv a cabo devido a este dilema e eles acabam se contentando com a tv cultura, que adoram, ou um ou outro filme de interesse na "sessão da tarde"... nessas, ainda os meninos mais brincam entre eles (um tem 7 e o outro 9)do que ficam na Tv, computador ou vídeo game, que compraram o ano passado com a grana deles, fruto de muita economia dos dois... O que vejo que tudo depende da nossa postura, despreeendimento para criá-los um pouco mais distante desses meios... não é fácil...tem horas que nós mesmo queremos só assitir uma tv comendo pipoca ou um pouco de sossego e um dvd ou vídeo game promove isso prá nós... mas os excessos são os problemas... mas "conversas" assim a gente fica mais atenta para evitá-los! Grande abraço!

Cynthia Santos disse...

Engraçado, tenho pensado muito nisso. Olho pro meu baby de 7 meses e fico imaginando a hora que pudermos sair num sábado à tarde pra brincar o calçadão, andar de bicicleta e tomar sorvete...sou viciada em monitores, mas desde a chegada do Arthur, me vi obrigada a reduzir esse tempo em frente a eles simplesmente pra dar atenção a ele! E não tem me feito falta nenhuma - é óbvio que fico 8hs na frente do pc no trabalho, mas antes do Arthur, eram mais 5-6 horas em casa, um vício total... espero não sucumbir às tentações do cansaço, do sossego e preguiça e conseguir criar meu filho não longe, mas com hábitos saudáveis...ehehehe
Beijos!

Lala disse...

sempre leio seu blog... e adoro! Este post me lembrou uma tirinha (q nem sei onde li). O menino pergunta: "Mãe, como foi q eu nasci? Vc fez o download?"

Bjs!

Renata disse...

Viciados...Esse é o termo. Forte, mas completamente verdadeiro.

Me junto ao seu time. Já quero o uniforme.

Beijo grande,

Renata.

Dri Viaro disse...

Um final de semana abençoado pra vc!!
bjsss

Thaís Rosa disse...

Nossa Taís, esse seu post, mais uma vez, veio a calhar... estava pensando muito no assunto, desde sábado passado, quando meu filhote falou pela primeira vez "té assiti" apontando para a TV... Fiz um post sobre isso e linkei esse seu ótimo post lá!! Você já sacou que sou sua fã, né? rsrs
beijo

Hegli disse...

Taís, AMEI as propagandas. Mostrei pro meu filho e falei pra ele esconder as malinhas das cachorras aqui de casa, rs.
Na verdade eu sou meio eurotica sim e regulo o tempo da TV, video game e computador. Ou um ou outro e no maximo duas horas dia. Vi o programa da Oprah meio de relance, fazendo outras coisas de casa, mas o recado esta dado lá, eles RESGATARAM a vida em familia somente desligando a TV.
Quando estou nos meus afazeres domesticos sempre peço ao Lucas para ficar por perto, ficar no quintal ao sol e brincar com agua, brincar com as cachorras, secar a louça, separar os ingredientes para o jantar... de forma que seja uma coisa prazerosa, pq se eu deixar ele cria raízes em frente a TV no canal Cartoon. Uma luta!
Ele falou esses dias que as nossas cachorras não vão querer se mudar pq ele brinca com elas, e de fato, depois de mostrar o comercial ele passou a brincar ainda mais... VALEU!
Bjus

silkelita disse...

Nossa, pelo menos esta semana, fiquei fora dessa estatística.
bjs
VovóMadô