12.12.08

Não é fácil ser verde.


1. Ela vai ao banheiro. Enquanto resolve seus assuntos internos, decide se livrar do chiclete. Lembra-se de enrolá-lo num pedaço de papel higiênico, para não grudar na lixeira. É uma mulher educada. Lembra-se de outra coisa...(mulher no banheiro pensa em tudo)...o pedaço de papel que enrolou o chiclete pode ser usado para se limpar. Assim economiza papel. É uma ação pequena, mas é de papelzinho em papelzinho que se salva uma árvore. Termina seus afazeres e volta ao trabalho. Poucos minutos depois sente que algo a incomoda nas partes íntimas. Muda de posição, mas não melhora. Resolve voltar ao banheiro e descobre que o chiclete estava todo grudado na periquita. O calor do corpo tinha ajudado a formar uma bolota melequenta, toda grudenta, que não saiu com nada. Tirou o que deu naquelas condições. O restante, aguentou bravamente, se sacudindo de vez em quando, até chegar em casa. Lá precisou de gelo, tesoura, espelho e muita paciência para conseguir se livrar (não 100%) do danado. Moral da história, quem quer salvar as árvores e preservar as periquitas, cospe o chiclete.

2. A outra encara um lojão do centro da cidade para comprar mosquiteiros. Os pernilongos estavam tirando seu sono, mais do que a crise. Paga e pede para a mocinha não colocar na sacola plástica. É uma consumidora tentando ser consciente. Evita venenos contra insetos e sacolas plásticas. A mocinha continua a enfiar os mosquiteiros na sacola sem escutá-la. A consumidora insiste "não-que-ro-sa-co-li-nha". A vendedora responde sem olhá-la "sem sacola a senhora não sai da loja." "Mas eu tenho a nota!" "Mas o fiscal não vai deixar sair sem a sacola." A consumidora insiste, não quer a sacola e pronto. Vem a supervisora que a olha com cara de "me aparece cada uma por aqui". Vem o colaborador Anderson que colabora e decide acompanhá-la até a calçada. "Precisa disso? Eu paguei e tenho nota!". "É que o fiscal vai encrencar". Resignada, ela aceita sair escoltada da loja. Seu crime foi recusar a sacolinha. Tempos difíceis estes que vivemos.

3. Consumidora consciente recém convertida, esta outra se extasiou com os coletores menstruais. Descobriu-os em um blog verde, achou-os tudo de bom. Práticos, confortáveis e ecológicos. Um descartável a menos no planeta e na sua vida. Pesquisando na net achou uma farmácia nos EUA que vendia com desconto e entregava no Brasil. Não precisava de mais nada para ser feliz. Fez o pedido e contou os dias para a entrega. Os americanos são suuuuuper eficientes: em menos de 10 dias, recebia seu tão esperado coletor menstrual. Não via a hora de usá-lo. Tinha certeza que se adaptaria e que dali para a frente seria uma nova mulher. Mais consciente, mais atual, mais poptchura (pelo menos da cintura para dentro). Agora a contagem regressiva era para a menstruação. Tinha pelo menos 15 dias de espera pela frente. Enquanto isso, mostrava para as amigas, vizinhas e ginecologista. O dia foi chegando. A ansiedade era tamanha que nem TPM teve neste mês. 5, 4, 3, 2, 1, é hoje, talvez amanhã, ué não veio ainda, esquisito. No quinto dia desconfiou. Foi a uma farmácia e fez o teste. Positivo. Estava grávida. Teria que esperar pelo menos mais 9 meses para usar seu coletor. Hoje pesquisa fraldas reutilizáveis. E a Dona Vida chora de rir.

9 comentários:

telma disse...

como vê, tentar ser ecologicamente correta pode ser altamente perigoso... Acabei de ser convencida a ser incorreta. Um viva aos papéis higiênicos aos montes! Um viva aos absorventes acompanhados de fraldas descartáveis! Um viva as sacolinhas tão práticas para colocarem os lixos!

Ombudsmãe disse...

Cruzes, Teté! O objetivo do texto não era este! Que fique registrado que eu não compactuo com tais idéias. Bjs

Silvia disse...

Taís, eu já telefonei, já mandei email, mas não consigo contato: você me pegou, e tô aqui me roendo, querendo saber se o texto é ficção ou não-ficção! Tô aqui pensando: quatro??? Será que rola uma menininha?

Vai escrever bem assim lá na pqp, pra deixar a gente com dúvidas sobre a realidade da prosa.

Silvia disse...

E esqueci: pô, Telma, tá bom que a consumidora consciente da Taís exagerou com o papo do chiclete pra limpar a perereca (limpar a perereca com água é mais ecológico, afinal gasta-se muita água - e outros recursos - para produzir o papel higiênico, e a gente não corre riscos de ficar com nada grudado, hahaha), mas esse lance de não deixarem usar a própria sacola retornável é comum, e o ó do borogodó. Nunca aconteceu comigo, mas já ouvi mais gente reclamar da mesma frescura.

Quanto à gravida... Bom, vai usar o coletor mais pra frente. As fraldas ela encontra (lindas!) no www.babyslings.com.br

Taís Vinha disse...

Silvia, adorei a dica das fraldas. Vc já usou? Tenho dúvidas sobre a higienização, pois com este monte de camadas, será que limpa tudo? Aquela antiga, de algodão que a gente dobra e cola com fita crepe, pelo menos é certeza que lava e sai tudo. Vou mandar um email para o fabricante. Bom, tenho tempo...

Vanessa disse...

Olhe, caí aqui por conta da coletiva de consumo consciente e simplesmente adorei este blog. Eu já passei tantas vezes por isso. já me fecharam tanto a cara por não querer colocar minhas compras nas sacolas do supermercado. E o o curioso que é o empacotador qdo avisado que eu tenho minha própria sacola, simplesmente cruza os braços , recusando-se a me ajudar a ensacar . Aiaiaiai

Virei mais vezes aqui, um abraço

Morrocoy disse...

Olá Taís!
Me acabo de tanto rir com sua maneira de escrever! E não é que é difícil mesmo ser verde? Eu também já passei por essa de ter de sair da loja com sacolinha (foi numa muito conhecida loja nacional de roupa íntima da qual não vou dizer o nome mas fica mais do que entendido). Reclamei com a moça do caixa, mesmo sabendo que não é com ela. Enfim! São essas atitudes que fazem a gente pensar duas vezes antes de voltar na loja.

Taís Vinha disse...

Pois é, garotas, estamos numa fase de transição e precisamos ter paciência e determinação. Meu marido, por exemplo, leva a sacola retornável e enfia toda compra lá dentro, devidamente embaladas em sacos plásticos! Ele diz que é o hábito, mas acho que é uma certa timidez em dizer que não quer a sacolinha. Enquanto isso, vamos dando risada. E tentando ser verdinhas. Um beijo!

Ana Cláudia Bessa disse...

Taís, adorei!

Eu queria ter este senso de humor para escrever!

Olha, eu nunca grudei chiclete na perereca mas já fui PROIBIDA de sair do mercado sem as sacolas plásticas!
É patético!

Qunto ao coletor menstrual, eu estou doida para comprar o meu e ainda estou nadúvida se vocês está grávida ou não...rs...