14.3.08

Mãe Rally Adventures X-Games Extreme



@#$%@$%%$#@@$$%%^^^&&%#$#@@@. Não é defeito. É palavrão.

Alguém tem noção da responsabilidade que é filho dos outros? Essa semana ela, a reponsabilidade, caiu como uma bigorna de desenho animado, bem no alto da minha cabeça. E abalou as estruturas deste meu jeito desligado de ser. (Não entendeu...leia o texto "Qual é mesmo o título?")

O filho de uma amiga, de 7 anos, veio brincar em casa. Eu e a mãe dele temos um combinado de eu sempre levá-lo pra casa no final do dia, quando vou pra faculdade. Eles moram em um condomínio fechado. Um grande e pesado portão de correr fecha a casa. Ajudei o garoto a abrir o portão, coloquei-o lá dentro, fechei o portão e fui pra faculdade. Eram cerca de 18h30.

Às 20h00 meu marido me liga. A mãe do menino queria saber onde ele estava.

“Como assim, onde ele está? Está em casa. Eu mesma deixei-o lá. Sentinela, pede pra ela me ligar”

Ela não ligou e imaginei que estava tudo bem. Alarme falso.

9h00 encerro a aula. Ligo pra saber o que houve e quem atende é o assustado irmão de 10 anos. A mãe tinha saído e o irmão continuava desaparecido.

Voei pra lá. Pego o menino e saio com ele de carro, batendo nas portas de todos os amigos que o irmão poderia estar. Em cada casa, pais fazem cara de “que pepinão, hein?!” e os filhos se oferecem pra ajudar na busca. Lindos e solidários (com que idade a gente perde este ímpeto, hein?). Entram no carro e vamos pra próxima casa.

Cinco casas depois e o meu Dobló parece perua escolar clandestina, cheia de meninos falando alto e gritando “Cadu!” pela janela. Atrás de mim, mais uns 3 ou 4 de bicicleta e skate.

21h30 e nada do menino. Minhas pernas começam a bambear, Encontro o guarda do condomínio. “Eu vi um menino com esta descrição subindo a rua tal, mas faz tempo”. Corremos pra lá. Nada. Reencontro o guarda. “Senhora, o menino que eu vi, estava de roupa preta...igual à deste menino que está no carro e tinha um cabelo compridinho, igual ao dele também. Pera aí, acho que foi você que eu vi.”

Começo a rosnar. Pego minha turma e dou tchau pro Guarda Belo. Vou pra portaria. “Por aqui não passa ninguém, senhora. E se precisar a gente aciona o 190. Pode ter sido sequestro.”

Oito meninos no banco de trás começam a gritar em pânico: “O Cadu foi sequestrado! O Cadu foi sequestrado”

“Calma, galera. Não aconteceu nada. Obrigada senhor, guarda. Se precisar eu aviso. Está tudo bem, viu pessoal. Nós vamos encontrá-lo. Pelo menos uma coisa a gente tem certeza, do condomínio ele não saiu.”

“Pode ter saído sim, tia. Tem um guarda que deixa todo mundo sair na boa.”

“É mas hoje não era o turno dele, né pessoal. Vamos voltar pra casa que ele pode ter chegado.”

Paro o carro e diante da casa se forma um pequeno comício infantil. Todos entram pra vasculhar o lugar e ver se o desaparecido não estava dormindo num canto qualquer.

21h50. Escuto o portão abrir. Corro. É ele. Abraço, beijo, sacudo. Saio na rua e vejo a vizinha, que me explica que o menino estava sozinho, ficou com medo e ela o mandou entrar. Ela completa indignada: “Imagina, uma mulher deixou ele aí e foi embora”.

Eu: “Mas a mulher sou eu!” Saio de fininho e com o rabo no meio das pernas.

A criançada se despede feliz. Missão cumprida. Agradeço a solidariedade da turminha. Eles dizem pro menino se preparar pro castigo e partem.

Entramos na casa e esperamos a mãe, que chega uns 15 minutos depois. Ela explica: “Eu cheguei 18h40. Vi as coisas dele aqui, ouvi a voz dele na rua. Pensei...ele está por aqui. Pedi ao irmão que o encontrasse e mandasse entrar e fui pra minha reunião. Nunca imaginei que ia acontecer tudo isso! Só me apavorei quando vi seu carro parado na porta a esta hora da noite.. Jesus, que susto!”

Oba! Encontrei uma ainda mais desencanada do que eu. Entre um e outro suspiro de alívio, acabamos dando muita risada de tudo. Mas aprendi. Filho dos outros, só devolvo com protocolo assinado e carimbado pelo chefe do setor. As pernas estão bambas até hoje.

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8 comentários:

marcia disse...

tais definitivamente vc deve ir para o livro de recordes. amiga, quando acho que já deu para acontecer tudo com vc, vc ainda vem com mais uma. to falando, reune num livro. todas nós vamos comparecer, so precisa ser num espaço bem grade. já imaginou a quantidade de personagens ao vivo e a cores p/ autografar junto? ! agora qto ao titulo do livro: confesso, sou mae e sobrevivi! que tal?

Silvia D. Schiros disse...

Taís, que crônica, minha filha! Tuas pernas ficam bambas, e os leitores agradecem, se acabando de rir.

Que bom que tudo terminou bem.

Carolina Coelho disse...

Ufa!!!!
Até eu respirei aliviada do lado de cá!!!
Ah! Obrigada pelo comentário no blog. Estou começando agora, apesar de já ter feito outras tentativas.
Gosto muito de escrever e na internet sempre tem alguém pra ler.
Vou estar sempre por aki e vou adicionar seu blog nos meus favoritos!
Bjos.

Anônimo disse...

Caraca!!!!!!!!
Essa vai pro Guiness, com certeza!
Silke

Cristiane Fetter disse...

Nossa, eu teria tido um infarto depois, porque na hora eu me controlo.
Talvez eu ficasse uns 6 meses sem deixar filho de ninguém entrar na minha casa, só para relaxar e me recuperar.
Aqui na área onde moro (Paramus/New Jersey) os pais fazem assim, eu levo meu filho a sua casa e depois venho buscar e o tempo máximo é de 3 horas.
Eu acho meio piração, mas depois dessa, risos.

Espero que não traumatize e que você tenha bastante papel em casa.

Beijocas

Cristiane Fetter disse...

Estou precisando da ajuda dos amigos, vai lá em casa que no post você vai entender.
Se quiser é só clicar AQUI.
Obrigada,
Beijocas

Cristiane Fetter disse...

Vim aqui agradecer a sua adesão a divulgação do problema do Luís Flávio, eu sabi que podia contar contigo.
Obrigada, obrigada, obrigada

Ana Cláudia Bessa disse...

Que susto, heim!

Tudo acaba bem quando termina bem...risos

Tem selinho prá você!
Beijos!

http://ofuturodopresente.blogspot.com/2008/03/prmio-my-blog-has-total-force.html