12.5.14

Músico de rua.




Músico de rua.


É do tipo de mãe que procura apoiar o filho em todas as suas iniciativas. 

Aos cinco ou seis anos, o menino inventou de tocar um instrumento na rua, como os músicos que via nas idas ao centro da cidade. E levaria seu chapéu de mágico para colher as moedas que por acaso alguém lhe desse. 

A mãe comprou a ideia na hora. Achava positivo ele viver essa experiência. Foram até a praça central e escolheram um cantinho movimentado para o garoto tocar. Puseram o chapéu para os trocados e combinaram da mãe ficar meio afastada, num ponto onde ele pudesse vê-la. 

O menino começou a tocar sua concertina e logo chamou a atenção dos transeuntes. Uns achavam fofo aquele menino tão pequeno e tão concentrado em tocar seu instrumento. Outros sorrindo lhe davam moedas ou guloseimas. Alguns paravam pra ouvir. 

Ficaram ali uma meia hora. O menino encarnado no papel de músico e a mãe orgulhosa espiando de longe.

Até que um guarda se aproximou e perguntou se ela era a mãe do menino. Custou para ela entender a pergunta. Moravam há alguns meses nesse novo país e ela ainda não dominava a língua.

Quando finalmente entendeu e respondeu que sim, o policial pediu que ela o acompanhasse até a delegacia. Explorar menor é um crime que eles levavam muito à sério, ainda mais se feito por estrangeiros. Esse povo imigra pra cá e acha que pode fazer o que quer.

Ela sorriu e tentou explicar que era casada com um local e que o menino estava apenas brincando. Um jogo simbólico…Symbolic game, undestand? No exploration!

Mas diante do chapéu com algumas moedas, não houve argumento que o convencesse. Levou mãe e filho pra delegacia, onde ninguém conseguia entendê-la. Teve que ligar para o marido e pedir socorro. Óbvio que o esposo quase teve uma síncope. Onde já se viu levar o filho pra tocar na praça…isso lá é brincadeira? Viver uma experiência?! Eu que estou vivendo a experiência de sair do trabalho no meio do dia pra tirar minha mulher da cadeia!

Saiu de lá fichada. Com todos lhe apontando os dedos e lhe dando pitos. Para o delegado, outra dessa e seria deportada. Para o marido, a esposa era mais louca do que jamais supôs. Para o guarda, mais uma prova de que o país deveria fechar as fronteiras.

Só o menino saiu sorridente. Tinha vivido sua mais completa aventura. Músico de rua e fora da lei, todos no mesmo dia. Sua mãe era o máximo!





3 comentários:

francisco lacaz ruiz disse...

Vc inventou esta história, Tais? Ou é adaptada de um caso real?

Ceila Santos disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkk! ué faltou dizer que essa mãe anda frequentando blog e facebook...

Marina Fiuza disse...

AMEI! A-MEI! <3