24.8.10

Amamentar não é um ato de amor - parte 2.



Na semana da amamentação, que aconteceu no início de agosto, o texto "Amamentar não é um ato de amor", voltou a ser tema de algumas discussões na rede.

Agradeço a todas a mães, como a Pérola - do Mamãe Antenada, a sensibilidade com que colocaram novamente em debate a ligação entre amamentar e amar.

Amamentar é um ato de amor? Claro que é. Assim como muitos outros. Ninar, acalentar, consolar, dar um banho gostoso, fazer shantala, preparar uma comidinha caseira, tocar, proteger...todos são atos de amor. Mas nenhum deles tem hoje a mesma dimensão que a amamentação ocupa na mente e no coração das mães da nossa sociedade.

Por isso mesmo, a Vera Pileggi Vinha, minha mãe, quando estava nos últimos anos de uma vida dedicada ao estímulo ao aleitamento, foi contra usar este apelo como tema das campanhas pró-amamentação.

Por quê? Porque ela identificou que este apelo tinha dois efeitos devastadores: enchia de ansiedade as mulheres inexperientes de uma sociedade cada vez mais distante da naturalidade de se dar o peito. E torturava as mães que, por algum motivo, não conseguiam amamentar.

Sua última cruzada foi colocar-se na contramão deste tipo de apelo e afirmar que amor pode ser dado de inúmeras formas. Pais, avós, mães adotivas transbordam amor, sem que jorre sequer uma gota de leite de seus peitos. Garantir uma maternidade mais "amorosa" para quem é bem sucedida em amamentar era, no ponto de vista dela, injusto e cruel com as demais.

Seu objetivo era acalmar as mães e mostrar aos especialistas e comunicadores que não se aleita com tranquilidade quando se carrega no peito o peso de amar a mais ou a menos seu filhote.

Amamentar é optar pelo melhor alimento, dizia ela. Amar é outra história. E misturar as coisas é complicar o que a natureza fez simples.

Concluo com 2 exemplos que vivenciei nos últimos anos:

A primeira mãe, psicóloga, sem parentes na cidade, chegou na minha casa arrasada. Seu bico rachou de uma maneira tão dolorida que tanto o pediatra como as conselheiras do Projeto Casulo, de São José dos Campos (excelente grupo de estímulo ao aleitamento) recomendaram que ela parasse de amamentar por uns dias, até o bico cicatrizar. Quando ela voltou a amamentar, cerca de 2 semanas depois, o bebê passou a recusar seu peito. Quando ela me procurou, estava ferida na alma. Se sentia rejeitada, impedida de dar-lhe amor, culpando-se por não ter conseguido aguentar a dor e manter o bebê no peito naquelas duas semanas. Cada tentativa de dar o peito virava um embate, com o bebê e a mãe nervosos, irritados e ambos chorando muito. Torturada, a mãe questionava o desenvolvimento afetivo, a questão da oralidade, da troca amorosa etc. A situação emocional evoluiu a um ponto que o ginecologista prescreveu-lhe antidepressivos. E o bebê acabou completamente desmamado aos 2 meses.

A segunda mãe, empregada doméstica, tem a sorte de carregar o DNA baiano de ir levando a vida da forma com que ela se apresenta. Seu bebê convulsionou no berçário e acabou ficando internado em observação também por 2 semanas, sendo alimentado com mamadeira. Mesmo assim, essa mãe conseguiu amamentar seu filho até 1 ano. Fiquei curiosa e quis saber como ela fez para introduzir o aleitamento, sozinha em casa, 15 dias depois do parto. "Ué, se ele não mamasse ia morrer de fome. No começo ele não queria. Mas eu insisti, insisti, até ele pegar. Chorava, eu punha no peito...não tinha dinheiro pra comprar leite, não! Uma hora ele entendeu e pegou." E ri, tranquila.

E vocês, queridos leitores e fãs do aleitamento, também entenderam?

Sugestão de leitura:

Debate sobre a amamentação no grupo Cria


"Manifestamos pelo direito de amamentar a cria, sem ser pressionada por profissionais da saúde mal formados ou parentes bem intencionados, a substituir por mamadeira, o alimento que só o seu peito pode dar." Assine!
www.grupocria.com.br

23 comentários:

Kah disse...

Meio que fugindo do assunto (mas não muito), eu fico me perguntando onde a amamentação se perdeu...
Minha avó conta que os filhos mamaram até os 6 anos e todo mundo achava normal. Então a amamentação virou complicada de uns anos para cá, mas por que, hein?

Adorei seu texto! Explica muita coisa de forma gostosa.
Beijão!

Paloma, a mãe disse...

Maravilhoso o texto, Taís, e a luta da sua mãe. Eu passei por inúmeras dificuldades na minha primeira experiência e sofri horrores, me senti fracassada, frustrada e tive início de depressão. Agora, com uma filha de 1 mês, estou dando a volta por cima e escrevi um texto sobre isso hoje: http://fotocecilia.blogspot.com/2010/08/amamentacao-relato-e-dicas.html
Beijos

A Mamãe do viajante disse...

Achei interessante a sua forma de escrever sobre um assunto tão polemico para algumas pessoas. Eu ainda amamento e meu filho tem 13 meses, mas não me sinto a super mãe por isso, nunca! Ser uma boa mãe é muito mais do que amamentar.
Beijos, Aninha.
http://oviajantedefraldinhas.blogspot.com/

PaulaZZT disse...

Querida, vc sabe como ninguém usar um título polêmico para chamar atenção para um assunto lindo e empolgante (pelo menos para mim, rsrs).
Realmente, na ânsia de ajudar a estimular a amamentação, podemos estar mais atrapalhando que ajudando....
Bjoks minha querida musa!
Paula

Taís Vinha disse...

Oi Paula, então vou fazer um título "Musa, tô fora!" hahahahahha. Muita responsabilidade! Como diz o Ferreira Gular "Não quero ter razão, só quero ser feliz!" Vamos arrumar juntas outra musa pra chamar de nossa: 1) Rita Lee (essa é minha musa desde os 7 anos). 2) Madonna (não é muito minha musa, mas ela dá pro Jesus Luz, o que é algo bem inspirador! rs!) 3) Vc indica.

Bjs!

Taís Vinha disse...

Oi meninas! Quando eu me lembro da minha infância, vivia rodeada por mulheres amamentando. Tinha muitas tias e todas davam o peito para seus bebês, na nossa frente, como sendo a coisa mais natural do mundo. Elas espirravam leita na nossa cara, colocavam em xícaras para provarmos, convivíamos com todo o processo. Amamentar era inquestionável.

Acho que na vida moderna, este contato acabou. As avós de hoje são da geração mamadeira (introduzida fortemente nos anos 70). Neto gordinho mama no leite em pó. O leite em pó é "seguro" - 100% de certeza que o bebê vai ganhar peso. Leite materno é "duvidoso", as avós, tias e palpiteiras de plantão, na angústia de ver o bebê ganhar peso rapidamente e de aplacar as angústias e dúvidas da mãe, logo recomendam o Nan.

Canso de ouvir amigas dizendo: "minha mãe falou: dá logo mamadeira, minha filha! Eu criei vocês na mamadeira e vcs cresceram todos bem!". Portanto, a referência moderna deixou de ser o peito e passou a ser a mamadeira.

As mães de hoje vivem um momento de retomada. Muitas, se posicionam como guerreiras que amamentam contra tudo e contra todos. E buscam a internet e os grupos de aleitamento para construir novas referências. Mas não podemos negar que isso exige uma força de vontade grande, vide o relato no blog da Paloma. Muitas acabam sucumbindo, não por amar menos seus bebês e sim por fraqueza diante de uma situação inédita nas suas vidas, cansaço extremo e desespero. Daí vem o palpite, que gera a insegurança e lá vai o maridão na farmácia comprar o Nan.

Fora tudo isso, antes as mães criavam seus bebês em família. Avós, tias e vizinhas se revezavam nos cuidados do bichinho pra mãe descansar. Até o cuidado com a casa e com os outros filhos era compartilhado. Hoje vemos o relato de muitas mães que viveram completamente sozinhas a chegada dos filhos. Tendo que arrumar tempo para cuidar de tudo, menos de si próprias! Como se estabelece um aleitamento tranquilo dessa forma?

Tudo isso faz o quadro de incertezas que envolve a amamentação hoje. Mas há uma nova geração de mães surgindo, retomando as bases. São guerreiras! E a humanidade avança.

Bjs e obrigada por comentarem.

Caliê disse...

Tais
Importante tirar um pouquinho do nosso ombro o fardo que carregamos pq tudo é culpa da mãe. Por outro lado, temos sim nossa parcela, nós podemos mudar o mundo na maneira como criamos nossos filhos. Com certeza nossas filhas irão amamentar de uma forma muito mais tranqüila que a nossa porque nós teremos vivencia para ensinar. Minha mãe falou que amamentou até 1 mês e tudo bem, inclusive ela me falava sempre “falta uma mamadeira antes de dormir para esse menino não acordar a noite toda...rssrss”.

Bj

Caliê

Tais vinha disse...

Caliê, mas veja como mãe é demais...a sua queria que vc dormisse a noite toda, porque toda mãe sabe da importância que é o sono na vida da puérpera. Ao sugerir a mamadeira para sua cria, ela estava protegendo a cria dela!

Sim, claro que podemos mudar o mundo. Concordo tanto com isso que é um dos motivos de termos feito o manifesto pela valorização da maternidade. Mães no poder. Cada uma na sua casa. Na sua sacola de compras reciclável. Questionando, se rebelando, criando filhos do bem.

Bjs!

Maria Tereza disse...

Vou dar meu pitaco...
A amamentação é sim importantíssima. Porém, acho que existam tópicos maiores que não estão citados em geral. Hoje em dia as crianças tem cadavez menos a presença da mãe. A maioria já fica no berçario/escolhinha em período integral. Muitas convivem com as mães 2 horas por dia. A criação dos nossos filhos está sendo tercerizada. E cadê o carinho?! Ser mãe não é apenas na hora de dar o peito e sim por toda vida e principalmente nos primeiros 5 anos de vida da criança.
E adorei seu texto. Concordo plenamente que amamentação não é um ato de amor. Nossa, se eu tivesse escutado isto antes, talvez tivesse conseguido vencer as dificuldades e amamentado minha filha. No entanto dei lhe as mamadeiras com todo o carinho do mundo. Nunca, nenhum terceiro o fez por mim. Esta função era minha do pai e as vezes da avó.
bjo

Nine disse...

Mais um texto genial! Parabéns! Nine

Silvia disse...

Na minha cabeça, quando estava grávida, eu pensava assim: o que foi feito pela natureza só pode ser o melhor. Parto normal e amamentação, num primeiro momento. Depois veio a alimentação.

Eu vejo muitos relatos por aí e vejo que fui abençoada. Eu nunca pensei que a amamentação pudesse dar errado, afinal meu corpo tinha sido feito para isso. Fora bico um pouco rachado no início e uma quase-mastite com a mais velha (prontamente resolvida com a orientação da obstetra de fazer a ordenha manual quando o seio começasse a encher demais), eu nunca tive dificuldade nenhuma com amamentação. As duas saíram da barriga praticamente pro peito (não consegui escapar das mãos dos neonatologistas nenhuma das vezes), com pega perfeita. Vejo tantas mães sofrendo com problemas de pega, e imagino que não deve ser fácil. Mas só posso imaginar, porque comigo deu certo. Não sei se seria o caso de fazer uma análise: a dificuldade de amamentar pode estar ligada ao alto índice de cesáreas? Quem teve dificuldade de amamentar teve o trabalho de parto impedido ou interrompido precocemente? Eu às vezes acho que há essa relação. Porque só o trabalho de parto faz com que a gente libere os hormônios necessários para o instinto da amamentação fluir.

O que tua mãe falava sobre isso?

Bom, eu também não tinha ninguém correndo atrás de mim com mamadeira na mão, nem pediatra sugerindo que Nan fosse melhor que peito, nem querendo introduzir papinha com 3/4 meses. Como eu disse, fui abençoada, porque à minha volta todo mundo apoiava a amamentação. E eu tenho uma profissão que me permite trabalhar em casa. Muitas mulheres precisam abrir mão da amamentação exclusiva precocemente porque acaba a licença-maternidade. Tem muita luta ainda pela frente, para que nossas filhas e noras não precisem bater de frente com o mundo como nós.

Outro fator: depois do parto, as duas também ficaram comigo em regime de alojamento conjunto, o que impede as enfermeiras de acharem que é melhor dar um complementinho pra mãe poder descansar... Aliás, pra falar a verdade, acho que com a mais velha a médica sugeriu que, durante a noite, eu a mandasse para o berçário para poder descansar, mas eu delicadamente recusei a oferta generosa. ;-)

Enfim, há muitos fatores envolvidos. No meu caso, as coisas aconteceram sempre da maneira mais positiva, e não houve percalço nenhum durante o processo de amamentação. As duas pararam perto dos dois anos. A mais velha parou porque a barriga da caçula atrapalhava um pouco, e meus seios ficaram sensíveis, lá pelos 5 meses de gravidez. A mais nova parou porque eu achei que era hora, mas ainda dei uma folga para ela voltar e sair do processo tanto quanto quis até parar de vez. Aliás, pra mais velha também dei essa folga, só que ela mesma não quis voltar. Pediu uma vez, quando viu que eu me mostrei disponível, só encostou e largou. Acho que ela só queria saber que eu estava disponível, não queria mais o alimento em si.

Renata Rainho disse...

eu mamei até os cinco anos...

Mariana - viciados em colo disse...

Adorei o texto e, inspirada na primeira parte dele e num comentário, escrevi http://viciadosemcolo.blogspot.com/2010/08/motivos-para-amamentar.html
sobre isso...
Abraços...

ah, posso linkar seu texto lá no blog?

Ana Maria disse...

Taís muito legal seu texto... fui lendo e lembrando das minhas duas experiências: na primeira, mãe de primeira viagem, pressão de todos os lados para amamentar e uma frustação grande de não ter conseguido... o Joaquim era faminto, ele chorava muito e por pressão tb, até do pediatra, entrei com mamadeira e só consegui amamentar por 45 dias... o Pedro nasceu na terceira hemorragia e apesar do susto, eu tinha certeza que conseguiria e não me esqueço a fala do meu marido que dizia que tinha esquecido de comprar mamadeira e "Nan"... eu falava, fique tranquilo, eu vou conseguir amamentar e ele rebatia: "vc disse a mesma coisa com o Joaquim"... Bem, no final eu amamentei o Pedro até 1 ano e 3 meses e deu tudo certo... acho que a amamentação é muito importante, deve ser tentada, mas como vc diz, não se deve confundir amor com alimento... o carinho, os momentos que estamos com eles é o mais importante! Não somos menos se não conseguimos amamentar e nossos filhos tb não são menos amados se a amamentação não foi como planejado... Mas como é bom quando conseguimos amamentar, para nós e para eles! Um abraço, Ana Maria

Anônimo disse...

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taís Vinha disse...

Silvia, muito legal seu comentário/post!

Sobre cesárea, minha mãe era radicalmente contra, a não ser nos casos de garantir a vida da mãe ou do bebê. Mas nunca ouvi nada sobre uma ligação entre cesárea e desmame precoce.

Ela sempre questionou muito os procedimentos de bercário, de dar glicose ou mamadeira para acalmar os RN. Tb era 100% pró alojamento conjunto.

E ela era a favor de dar o peito como chupeta. Isto é, nenê chorou, dá uma bicadinha no peito pra ele se acalmar. Funciona que é uma maravilha. Sobre isso, minha prima que mora na Bélgica ouviu de um pediatra: as mães africanas fazem muito isso. As da nossa sociedade se recusam. É uma questão muito cultural.

Vc foi muito sortuda. Teve um ambiente seguro e favorável ao seu redor. Apoio é o segredo de tudo. E falta a tantas mães.

Bjs!

taís Vinha disse...

Renata! Adorei a velhaca no mamá da mãe! hahahahah 5 anos que delícia.

Mariana, adorei seu texto. Comentei e recomendei.

Ana Maria, muitas mães conseguiram refazer a rota no segundo filho. Acho que é uma questão de maior experiência e maturidade. Que sorte a sua ter conseguido também. Sua e do Pedroca. Alguém me disse que primeiros filhos deveriam ser proibidos, os pobres pilotos de teste.

Bjs!

Cris disse...

Cada vez que leio um texto ou assisto algo relacionado a amamentação, sinto meu coração doer. Quando meu filho nasceu, meu leite não desceu, nem o colostro. Era espremida a todo momento por enfermeiras e pediatras, mas nem uma gota brotava. Brotavan outras gotas, mas nos meus olhos, pq só faltava morrer de dor. Um dia depois de ter alta, meu filho foi internado com hipoglicemia e alto nível de icterícia. A primeira, por falta de alimento, pois no hospital a pediatra proibiu o complemento que ele recebia para que ele estimulase meu peito sugando, para ver se o leite descia. Não desceu nem meia gota e meu filho foi parar na UTI. Depois, ficou 10 dias internado se recuperando da icterícia, e nesses 10 dias, apesar de tomar até uma medicação para o leite descer, nada aconteceu. Ele toma leite num copinho de café, que acabava derramando mais do que entrando na barriguinha dele. Passei meu primeiro dia das mães no hospital, sem conseguir amamentar meu filho e me sentindo a pior das criaturas. Chorava muito, pq ele não queria saber do meu peito de jeito nehum. Me empurrava e beliscava, sempre aos prantos. Chorava com meu peito na boca, que eu segurava pra ver se ele chupava e nada. Entrei em depressão. Me sentia a pior mãe do mundo, por estar privando meu bebê de ser alimentado com o que havia de melhor no mundo para ele. Sempre pensava que ele iria adoecer por minha culpa, pois não tinha ingerido as vitameinas e proteções presentes no leite materno. Quase enlouqueci. Fui bater no psiquiatra. Fiz terapia muito tempo, mas, ainda hoje, a culpa me acompanha. Sempre penso "e se eu tivesse insistido mais?" ou "alguma coisa de errado eu devo ter feito". Graças a Deus, meu filho é super saudável. Mesmo tendo tomado Nam desde que nasceu, tem uma saúde de ferro. E o principal, me ama, mesmo eu não tendo conseguido oferecer o que havia de melhor. Essa lavagem cerebral que fazem nas mães é uma faca de dois gumes. E quase ninguém chaga pra vc e diz: olha, fica calma que as coisas se ajeitam e, se o leite não vier de forma nenhuma, seu filho não vai morrer nem te amar menos por causa disso. Como dá pra ver, pior que um bico rachado é um bico seco.

MRM disse...

Oi Tais,

Estou conhecendo hoje seu blog e estou lendo quase todos os posts...
Sou mãe no Chile e amamentei minha filha até os 29 meses (um bebe para mim ainda).
O inicio não foi fácil, o tema da "pega" me custou muito mas apoiada na técnica citada por você: "é o que tem" depois de dias de choro meu e dela ela aceitou o peito.
Lutamos muito e acordei para dar o peito a ela de 3 em 3 horas (ela era um reloginho) até ela fazer 18 meses; eu já estava morrendo...
Comecei a dar comida aos 8 meses e foi outra luta porque ela preferia o peito a comida.
Onde moro (Chile) o pudor do catolicismo é muito forte (não tenho nada contra a religião) e amamentar um bebe com mais de seis meses em público aqui é considerado ofensivo. Eu como boa brasileira, pudor quase não tenho e tirava o peito para amamentar minha filha onde quer que fosse; sempre recebendo aqueles olhares de discriminação. Mas o importante para mim era minha filha, o resto que saia se estão incomodados.
Depois que minha filha fez um ano e meio tentei tirar-la do peito algumas vezes mas o sentimento de culpa e o choro dela sempre venciam.
No final tive que ir a uma viagem onde não poderia leva-la e fui obrigada pela situação a tirar-la do peito (com apenas 29 meses). Eu quase morri, chorei muito; muito mesmo por três dias pelo menos. Ela em compensação tirou de letra. Expliquei para ela que o "petito" da mamãe estava machucado, coloquei um band-aid em cada peito e ela pedia o peito eu mostrava o band-aid e aceitava a mamadeira. Depois de uma semana de band-aid no peito expliquei para ela que o "petito" tinha sarado mas que agora ela era mocinha e não precisava mais do peito. Ela disse que sim e eu morri de tanto chorar...
Amamentar foi uma das experiencias mais lindas que tive. Para mim é triste ver que nem todas pensam assim e nem todas podem ter essa experiência.

Roupas de Bebe disse...

Achei maravilhoso a imagem que mostra sobre as mensagens e apelo da mídia, tentando vender as mamadeiras, papinha de supermercado e creches. E depois tentam fazer-nos acreditar que a mãe é insubstituível. Ora, estão tentando suplantar o papel e a atividade da mãe, do exercício da maternidade! O que é, afinal, ser mãe? Não é, na verdade, alimentar, cuidar e amar? Espero que todas as mamães, futuras mamães e pretendentes à mamãe reflitam ainda hoje sobre esta realidade, e a importância que esta função terá na vida de seus filhos para o resto de duas vidas.

Abraços
Ana Paula
Roupas de Bebe

Rose Bahiana disse...

Queria conversar com você.Sou jornalista e estou fazendo umcaderno especial para O Globo sobre mães e bebês. Meu nome é Rosane de Souza (mas todos me conhecem por Rose).Quero escrever uma matéria sobre não Amamentar também é um ato de amor. Há mulheres que não podem e se sentem culpadas (as que tem HIV, por exemplo). Meu email, s epuder passar seu telefone:rozie@terra.com.br

Luciano Reis disse...

O ponto de vista aqui apresentado foi formidável e verdadeiro. Sempre imaginei que a responsabilidade(leia-se obrigação) de amamentar pudesse ter um efeito negativo sobre algumas mulheres. É bastante comum vê-las quase sempre ansiosas pela experiência, mas este outro lado apresentado brilhantemente há de se ser considerado. Parabéns.

Ana Luiza disse...

Fui aluna da Vera Vinha. E me emocionei ao relembrar o quanto ela me marcou ensinando-me a ensinar as maes como amamentar, ja que voce mesma lembrou - perdemos a naturalidade ao lidar com o nascimento e o aleitamento. Adorei a forma responsavel com a qual tratou o assunto, sem romantismo ingenuo ou culpabilizacao desnecessaria.