11.11.13

A namorada da filha do Sílvio.




A namorada da filha do Sílvio.

O garoto se aproxima da mãe com cara de aflito.

"Mãe, segunda-feira vai ter balada teen no Puxadinho. O Thiago me convidou. Eu posso?"

Pela expressão do garoto, a mãe percebe que ele queria muito ir e temia mais ainda que os pais não permitissem.

"Balada teeen numa segunda-feira?"

"Estamos nas férias, lembra? Deixa mãe, todos os meus amigos vão. E eu nem vou ter que pagar os 25 reais da entrada porque o bar é da namorada da tia do Thiago. Ela coloca nosso nome na lista."

O menino continua explicando. Não ia ter álcool, maior de 18 anos não entra etc, etc, etc. Mas a mãe, a partir daí, só vê os lábios dele se movendo e não presta atenção em mais nada. Estava focada na descoberta da namorada, com A no final, da filha do Sílvio, amigo da família e avô do Thiago.

Antes que transparecesse o que ia na mente, trata de encerrar o assunto com a resposta padrão para todas as situações saia justa da maternidade compartilhada: "Vou falar com seu pai."

Demora pouco para se dar conta do que havia acontecido. E acha graça de de si mesma. Se considerava toda aberta para a pluralidade da vida e do amor. Tinha ajudado a apedrejar Feliciano. Mas quem era verdadeiramente desligado dessas questões era o filho e não ela. Aos 14 anos, o garoto demonstrou absoluta naturalidade diante das opções da tia do amigo. A única preocupação dele era se ia ou não à balada. Naquela hora, sente vontade de ser igual ao menino.

Mais tarde, ela conversa com o marido.

"Vai ter uma balada teen, segunda-feira, no Puxadinho e nosso filho quer ir. Foi o Thiago quem convidou. O bar é da namorada da tia dele e ela coloca os nomes dos dois na lista. Acho que podíamos deixar. O esquema parece tranquilo, não servem ácoo..."

O marido a interrompe.

"O quê? A filha do Sílvio é sapata?!"

A mãe dá um sorriso e desiste de ir adiante com o assunto. Sabia por experiência própria que, a partir dali, não seria mais ouvida. Se afasta devagarinho para avisar o filho que ele iria à balada.

Enquanto caminha pela sala, escuta o marido murmurando do sofá:

"A filha do Sílvio?! Não acredito!"


4 comentários:

Anônimo disse...

Que ótimo!

Morgana França disse...

hahahaha, eu ri durante a postagem! principalmente com o final! hahahahahahahahah
consigo ver essa cena dentre diveeeeeeeeeeersas pessoas que eu conheço e a reação de cada um ao ouvir esse tipo de notícia.
Felizmente, no meu caso, não serei eu a assustada com a filha do Sílvio. Eu seria a filha do Sílvio na história. hahaha
Muito bom, muito bom!

Paula Zandonadi Zanirato Tristão disse...

que boa a gargalhada que dei :-) Mas é bom a gente ver como esses preconceitos existem dentro da gente, sem a gente nem perceber.. :-) E ir tomando conta. Melhor ainda é ver que já surge naturalmente para alguns das geraçoes mais novas :-)

Coletivo Cidadãos disse...

Ótimo!! Ri muito no final. Muito real!