3.2.12

Filhos, festas e aparelhinhos eletrônicos.



Você está numa festa ou jantar. Ao seu lado, um adulto saca do bolso um celular e começa a interagir com a tela. Você tenta puxar conversa, mas ele responde por monossílabos, sem tirar os olhos do pequeno monitor. Isso quando lhe dá alguma resposta. Logo, você e todos ao redor desistem de fazer contato. E a festa segue sem ele.

Adultos normalmente não fazem isso em encontros sociais. É extremamente mal educado além de um despropósito em uma reunião entre familiares e amigos. Quem não quer interagir, que fique em casa.

Pois alguém me ajude a entender o motivo deste comportamento ser cada vez mais tolerado entre as crianças e adolescentes. Nos eventos deste final de ano, me surpreendi com a quantidade de crianças em atitude quase autística diante de um pequeno aparelho eletrônico. 

Meninos e meninas que não conversam com primos, mal respondem às perguntas dos avôs e não se esforçam em fazer amigos. Cheguei a testemunhar adolescentes entediados em locais com mar, gente da mesma idade e piscina, porque lá não tinha internet ou gueiminho. E o pior é que faziam todos ao redor se sentirem os mais chatos do planeta. Difícil competir com o Steve Jobs ou com o Mark Zuckerberg.

Eu sei que começar o ano com um puxão de orelha não pega nada bem, mas pai e mãe, que filhos são esses que estamos criando? A sociabilização é um aprendizado. E como todos os aprendizados tem suas etapas ao longo das diversas fases da vida. Nossos filhos, com nossa total conivência (e, convenhamos, muitas vezes para nosso sossego), estão deixando de viver fases essenciais deste aprendizado. 

Os aparelhinhos são inevitáveis? Que sejam, mas cabe a nós orientá-los para o uso social deles. Em festas nem pensar. (Em recreio de escola idem, onde já se viu criança parada e sozinha no intervalo?)

Tourear crianças em restaurante ou eventos não é fácil. Mas se o convite é para levá-las, que sejam aceitas como são: irriquietas, brincalhonas, barulhentas, crianças, ora!  Antes isso do que decorações de mesa com brilho azul no rosto.

O que mais sinto é pela perda. As crianças que vi conectadas me pareceram muito legais. Talvez se eu tivesse um outro aparelhinho conseguiria que elas me adicionassem como amiga. Na base da conversa, fracassei.

.

20 comentários:

Neda disse...

Tais, ao contrario de você este é um comportamento que vejo muito em adultos também! Chamo de forma nada carinhosa os aparelhinhos de antisociais e SEMPRE reclamo quando alguém esta nessa atitude perto de mim, sou chata e antipática a esse ponto, mas não quero que chegue o dia que meu filho encare com naturalidade o fato de as pessoas estejam lado a lado e prefiram conversar por meio de um aparelhinho eletronico.
BJS

Tais Vinha disse...

Oi Neda, acho que meus adultos ainda são da velha guarda...rs! Usam os danados, mas eventualmente ou a trabalho. Em festas e jantares, conversamos olhando nos olhos. Mas entre a criançada realmente está cada vez mais comum a ausência em vida. Bjs!

Nadja Barros disse...

Curti muito e já compartilhei! Seu texto merece ser lido e relido por mais pessoas!!!
bjs e umm excelente ano novo pra vc!
Nadja

Carol Balan disse...

Olá Tais! Fazia bastante tempo que não entrava nas atualizações da minha conta e hoje entrei e sua postagem estava no topo. Concordo plenamente com você! Acho um absurdo o quanto as pessoas estão envolvidas com tecnologia. Há alguns anos, as crianças eram crianças: brincavam, pulavam , caíam e se ralavam. Hoje elas ganham Nintendo DS e celular antes de saber ler e escrever. Tenho dois filhos pequenos e o uso de computador e jogos aqui é muito limitado. Se não tomarmos cuidado, vai chegar o dia em que as pessoas só vão interagir virtualmente!

Rose Misceno disse...

Texto maravilhoso!! Acho que pra tudo tem um limite! Usar o celular, ok, mas se fechar pro mundo e pros outros aí já é doença, vício!
Também fui pra praia na virada do ano e os filhos dos amigos queriam voltar pra casa antes dos fogos terminarem porque a conexão estava ruim ali!

Beijão.

Ivana_coisa de mãe disse...

Posso assinar embaixo? Aqui em casa minha filha mais velha tem um Nintendo DS (que foi dado por dois tios e os avós) e não leva nem pra restaurante. Ela já sabe, já se acostumou e nem pede mais. Nós precisamos educar, mostrar que o uso desses aparelhos precisa ser disciplinado. Tudo tem seu tempo. Acredito também na troca, na socialização, na brincadeira compartilhada. As crianças e jovens, a meu ver, estão perdendo tempo, deixando de captar, de viver o que realmente é interessante. E quando se tornarem adultos, restará o pouco convívio, o desconhecimento do outro, a dificuldade de lidar com as emoções humanas.
Adorei o texto.

bjos e um ótimo final de semana.

Vamp Plush Poison disse...

Eu nunca permiti que minhas filhas levassem games e celulares para escola ou para eventos sociais... eu falo que esse tipo de jogo é para quando se está sozinha e não tem mais nada de interessante para fazer. Minha filha até disse para mim que tem um amiga na escola que vive jogando joguinhos no recreio, e depois a mãe da menina fala que ela não consegue fazer amigos... claro ! Ela não conversa nem com os colegas de classe. Eu vi crianças que levaram games para um Cruzeiro !! Você está em alto mar... com milhares de outras crianças, piscina, parede de escalada, salão de jogos, clube kids e teens e permite que seu filho se sente numa cadeira (na sombra) para ficar jogando games o dia todo... Ninguém merece.

Rosa Lopes disse...

Sim, pra tudo q é novo é preciso uma adaptação ao uso, ok games não são novos. Mas a falta de controle do uso sim.
Trocar a experiência do conflito entre pessoas pelo conforto de acumular níveis nos joguinhos reverbera por todos lados negativamente na grande maioria das vezes.
Mas podemos mudar, administrar com nossas crianças. É uma escolha.
bj

Simoni disse...

Compartilhei seu texto!!!!
Concordo com tudo que disse!!!

(Mamãe) ~Pinel disse...

Concordo muito Tais!!!
Eu quase morro quando vejo meu irmãozinho enfurnado dentro de casa, mexendo no PC, ou no video game, ao invés de nadar ou de pular na cama elásticas que temos por aqui! Um verdadeiro desperdício!

A Lara, pelo que parece, gosta do ar livre, de ficar fora de casa. Às vezes eu enlouqueço, mas tenho certeza que será melhor para ela.
Até no Ipad ela já sabe mexer. Sorte que nem eu, nem minha mãe (que é dona do Ipad) deixamos!
ótimo! ótimo texto!

Ana Cláudia disse...

Taís, só vou te dizer uma coisa: eu vivo o mesmo que voc~e, vejo o mesmo que voc~e e no grupo de amigos e parentes, meus filhos são os [unicos que não tem DS. chupa essa manga comigo? Beijos!

Tais Vinha disse...

Ana, já me convidaram para muitas peraltices. Nunca para chupar manga...rs! Pois é, meu problema não é ter ou não ter. É portar sempre. Outro dia tive que delicadamente solicitar a uma adolescente que parasse com a troca de torpedos dentro do cinema, porque o abre e fecha de celular e as risadinhas estava realmente incomodando. Dentro do cinema? Tá pagando e não consegue se concentrar nem no filme? A pimpolha tava sozinha, mas as crianças que tenho visto nas festas estão sempre ao lado dos pais. E não vejo ninguém se incomodar que a festa tá rolando sem a participação do pequeno. Fiquei mordida neste final de ano com a falta de interação entre primos por conta desses aparelhos. E ninguém toma uma atitude, tipo "desliga aí e vai brincar". A impressão que dá é que contanto que a criança não atrapalhe a diversão adulta, tá tudo certo. Tô sendo cruel? Alguém podia ajudar na discussão dando a versão do outro lado. Bjs

Anônimo disse...

Simplesmente disse tudo!Exatamente o que penso:as máquinas não podem jamais, substituir o contato olho no olho, o falar e estar com um amigo, uma namorada, sei lá...
Meus filhos são os únicos E.T's da turma que não tem aipódi,nintendo, ai-isso ou ai-aquilo...Mas usam muito pro meu gosto as redes sociais, o pc em casa, etc...Brigo, esbravejo e às vezes funciona...
Excelente reflexão!

Hegli disse...

Taísssss, que saudade! rs

Olha, eu reconheço que as crianças estão assim mesmo, a maioria não SABE se divertir, se relacionar, brincar.
Mas conheço muitos adultos que também se renderam aos aparelhos e ficam como zumbis, respondendo monossilabicamente e vidrado em redes e emails.
É uma triste constatação, veja se consegue visualizar este vídeo: https://www.facebook.com/#!/photo.php?v=163797740370595, se não conseguir vou tentar te mandar de outro jeito.
Bjus
Hegli

Marcelo Braggion disse...

Gostei muito e reconheço que recentemente fui advertido de estar agindo assim, agora estou em recuperação, brincadeiras à parte, mas é sério, precisei repensar e agora quando estou com alguém só atendo se for chamada telefônica...se for outro tipo de chamada, tremo - resisto rs.

Adriana Spacca Olivares Rodopoulos disse...

Olha Tais, quando vc diz que não é nada fácil tourear crianças em festas e eventos, vc disse tudo. Acho que os pais hoje vivem uma enorme terceirização da criação dos filhos. Convocam quase um exército composto de babás, avós, monitores, professores e na falta de algum deles, aparelhinhos que dão conta de eximí-los da responsabilidade (ou prazer) de ESTAR e EDUCAR os filhotes.

Pais hoje são provedores, abriram mão de estar com seus filhos para garantir a socialização pelo consumo. E aí toda essa atitude se explica e se justifica. Dar ao filho um aparelhinho de última geração e não se importar de ver o filho exibindo o dito cujo por aí significa muito mais do que vê-lo brincando, conversando e aprendendo as regras do convívio social e familiar.

Bianca disse...

Tais, minha filha tem 13 anos, e acho que venho conseguido mantê-la na medida saudável conectada e desconectada. Mas achei bom, por prevenção, chamá-la para ler este post e debatermos o assunto. Curioso que ela comentou que outro dia um amigo desceu com o tablet, e ficou lá isolado, até levar uma "chamada" dos amigos, para só então ir brincar, desta vez de bola. Aproveitei para inserir no assunto os tais fones de ouvidos, que eles colocam e mais parecem uns autistas. Mas posso te contar uma coisa? Já CANSEI de sair com amigos do trabalho, na hora do almoço, e não conseguir bater papo, pois o celular não deixa. Desisti: já que é para ficar "sozinha", hoje levo um livro, e almoço fazendo algo útil.
Beijos

Adriana Spacca Olivares Rodopoulos disse...

Tais,

Acabei de ver uma página no Face um grupo de monitoras fadas que entretem as crianças em casamentos e eventos sociais para adultos.

A chamada é + ou - assim: cuidamos de suas crianças no seu casamento!

Não sei até que ponto isso é legal ou não...

Bjos

Tais Vinha disse...

Adriana, não entendi direito. Vc pode passar o linque? A monitoria é presencial ou online?

Bjs

Adriana Spacca Olivares Rodopoulos disse...

Presencial, tipo monitor de festa infantil, só que elas se vestem de Fadas Madrinhas (que é o nome do site) e entretem as crianças durante o casamento e outros tipos de eventos.