2.2.11

Criando filhos felizes.



Criando filhos felizes.

Todos nós queremos "apenas" que nossos filhos sejam felizes. Meta ambiciosa essa. Se desejássemos "apenas" que eles fossem astronautas da Nasa, presidentes da república ou o novo Lama que libertará o Tibet, teríamos uma chance maior do nosso desejo se realizar.

Mas somos ocidentais ambiciosos e a tal felicidade é nossa meta. Para isso preparamos nossos filhos desde muito pequeninos para conquistá-la. Como? Com uma intensa fomação material e intelectual.

Melhores escolas, estímulo à leitura, boa alimentação, exercícios físicos, brinquedos - muitos brinquedos, informática, música, inglês, Danoninho e tudo o mais que a sociedade nos oferece e anuncia como a chave para um ser humano pleno e feliz.

Não precisamos olhar além de nossos próprios muros para ver que há algo de bem errado com esta fórmula. Somos adultos com conforto material, saúde, carreira, família, carro do ano, pílulas para sorrir, trepar e dormir, aipédis, aipódes, aifones e, ai meu Deus, quem é feliz?

Estudos científicos sobre a felicidade apontam uma direção bem oposta a isso tudo. Estatísticas entre os seres humanos que se afirmam felizes indicam alguns padrões de influências positivas no estado de contentamento: gratidão, afeto familiar, espiritualização (o Google tem centenas de páginas sobre a ciência da felicidade).

Existem fatores que pioram: excesso de opções, por exemplo - você fica sempre se questionando se deveria ter feito outra escolha e se impede de curtir o que escolheu. (Pobres criancinhas de hoje! Quando só tínhamos Tubaína uma vez por mês, eramos felizes e não sabíamos.)

E há fatores que interferem pouco: conquistas materiais. A não ser que você seja um dos donos das Casas Bahia, o novo equipamento eletrônico lhe trará uma felicidade temporária. Em pouco tempo você estará desejando um novo bem para adquirir. Isso acontece inclusive com ganhadores da loteria que, cerca de um ano depois, voltam a ter o mesmo índice de contentamento com a vida que tinham antes de ficar milionários. 

Já para os orientais, felicidade não é meta. Não é conquista. Não é segredo. Felicidade é um estado de espírito que se cultiva todos os dias, assim como se come, se dorme, se respira. Por lá não se fica feliz. Se é feliz.

Portanto se realmente queremos criar filhos mais contentes com a vida, iniciemos revisando nossos próprios conceitos de felicidade. 

Diminuir nossas expectativas e esforços pode ser um começo.

30 comentários:

Fe Piovezani disse...

Maravilhoso seu post Tais. De verdade, traz muito o que pensar!
"Lá não se fica feliz. Se é feliz."
Obrigada por me fazer repensar eem alguns conceitos. Grande beijo
nandapiovezani.blogspot.com

Nine disse...

Oi Tais! Belo texto e vem bem de encontro ao que eu acredito, ainda que, agorinha mesmo, estivesse pesquisando uma máquina fotográfica, sonho de consumo que me fará feliz a cada momento de fotografar!

O problema, penso eu, não está no consumo ou na vontade de melhorar o conforto familiar, ou ainda adquirir coisas ditas supérfluas porque assim o podemos; o errado é relacionar consumo, algo material, com felicidade, que na minha opinião é algo espiritual, impalpável.

Se lembrarmos de momentos de felicidade, provavelmente eles nunca estarão relacionados ao consumo, ou à obtenção de algo material, mas sim a detalhes do dia a dia e companhia de pessoas que nos são caras, ou até mesmo a contemplação de um amanhecer, uma praia, uma montanha...

Beijos,
Nine

Hegli disse...

Bem vinnnnnnnnda! Que saudade dos seus textos!
Vc deve ter lido o que te mandei né, o artigo da Rosely Sayão né: A IMPOSIÇÃO DAS ESCOLHAS. Mandei p várias mães que acham que fui maluca de atrasar o Lucas um ano e deixar ele até os seis anos na pré escola (atual 1 ano).
Esse seu texto me traz a mesma sensação do outro, é urgente a reflexão de que tipos de adultos "estamos" ajundando a formar. E quando digo "estamos", não falo das mães "etes" do Ombusdmãe, mas da sociedade em geral. As crianças que já tem que ser os the best a qualquer custo já com 5 anos, que crescem com a sensação de impunidade e viram jovens que que a menor contrariedade não pensam duas vezes em agredir (ou até matar)os pais, os avós, os seus pares, que saem na madrugada para se divertir agredindo pessoas aleatoriamente nas ruas. Que quando adultos, passam por cima de tudo, carater, ética, moral para ser bem sucedido no emprego...
E quem ensinou tudo isso a eles??? Quando foi passada essa mensagem a eles de que tem que ser os melhores custe o que custar?
Vc tem razão colega:Pobres criancinhas de hoje! Quando só tínhamos Tubaína uma vez por mês, eramos felizes e não sabíamos.

Mariana - viciados em colo disse...

que texto! que pensamento: só quero agradecer!
compartilhando...

Tenikey disse...

ser feliz é uma busca universal, todo mundo quer, mas nem todo mundo reconhece qnd se é feliz.
beijos

Thaís Rosa disse...

hummm... tenho pensado tanto nisso, nessa relação ter/ser, que tem tanto a ver com ficar/ser feliz...
acho super importante fazermos essa reflexão, mas como evitar a super estimulação ao consumo a que nossos filhos estão expostos a todo tempo, mesmo que sejamos contra isso? Isso tem me cutucado tanto!! Afinal, tenho um filho de menos de 3 anos, ele raramente vê tv, em geral dvds de música, filminhos infantis apropriados para a idade dele ou séries do cocoricó. Entretanto, o menino atualmente está VIDRADO no ben 10 e no homem aranha, e nós nem temos tv a cabo em casa... Acontece, que ele, aos 2 anos, ganhou camisetas e cuecas do personagem, TODOS os amiguinhos da escola tem isso e mochilas, sandálias e o caralho a quatro dos ditos cujos, e o moleque tá em contato com isso na cidade, em vitrines, em lanchonetes, sei lá mais onde....... E então ele passa a querer, e o ciclo está instalado. Como sair disso sem nos isolarmos do mundo, levando uma vida urbana e ocidental???
[estou em CRISE com isso, e seu texto me fez encucar ainda mais....... ui! dói pensar, né não?]
beijo!!!

Carolina Pombo disse...

Oi Taís! Esse tema da felicidade dá panos pra manga... Não dá pra achar que consumo por si só traz felicidade, por outro lado, nem todo contentamento é bom, porque ser feliz independente da pobreza extrema, da violência em via pública, da ditadura política não é lá bom sinal...

Tem um cara da psicologia que eu admiro muito, o Winnicott, que disse uma vez que a autenticidade é a chave para uma psiquê saudável - o que eu chamaria de felicidade. Autenticidade = criatividade + integridade. Ou seja, reconhecer o outro, relacionar-se com ele, podendo ser o que se é... Enfim...

Beijos e obrigada pela reflexão!

Ah! Amanhã tem uma palestra legal na Escola Virtual para Pais! Apareça!

PaulaZZT disse...

TaVi, que saudade!! Ainda bem que voltou :-) Vc devia adicionar um botào gostei nos seus posts, a la facebook! Eu tenho pensado tando nessa felicidade... Vc parece que lê mentes, rsrsrs
Bjoks.
Bem-vinda de volta do módulo ofilaine :-)
Andei atualizando meu largado blog....
http://tentativaerroexperiencia.blogspot.com/

Carolina Pombo disse...

Oi Taís, você me inspirou! http://www.whatmommyneeds.net/2011/02/alternativas-para-criar-filhos-mais.html#more

Beijos

Neda disse...

Taís
Como sempre um texto redondinho!
Obrigada!
bjs

Silvia disse...

Talento a gente não compra, nasce com ele, né, minha gente? Texto redondinho, curto, rápido, direto ao ponto, e faz a gente pensar um monte.

Mas e quando a gente acredita que ter um monte de coisas e fazer mais atividades do que o coleguinha não vai fazer nossos filhos felizes, e oferece só o básico de que criança precisa (carinho, alimentação, estudo básico e amor), mas os coleguinhas, além disso, ainda têm tudo o que o dinheiro pode comprar e mais um pouco? E quando isso enche os olhos das crianças? E quando elas querem o celular último modelo da moda porque todos os coleguinhas têm, mas a gente sabe que não é saudável? E se eles ganham o Wii, mas agora querem o Xbox também? Se ganham um bolinho fresquinho, saudável e gostoso saído do forno, mas querem cheetos e bolacha recheada?

A gente faz o quê? Grita? Hahahahahahaha. Aaaaaaaai!

PS: Notem aí que o Faça a Sua Parte mudou de endereço, please. ;-)

Simone de Carvalho disse...

Perfeito Taís, lendo o seu texto me lembrei de dois conceitos que tentei explicar no me TCC, um deles sobre o Conceito de Felicidade. Como podemos fundamentar este conceito em fundamentos materiais? O que vemos nestes dias é uma busca desenfreada por eles, abdicando e muito a verdadeira felicidade dos nossos filhos. Felicidade é compartilhar, é estar junto, é viver. Disse tudo, um beijo

Rosa Lopes disse...

Oi Thais vejo que voltou com a corda toda, Maravilha!!!
BJ

Escola Virtual para Pais disse...

Oi, Thais,
Belas reflexões! Concordo com vc que o excesso de opções traz uma insatisfação crônica. A gente nunca tem certeza de que escolheu o melhor e, assim, fica angustiado e infeliz por não ter escolhido o que não escolheu. É muito louco!!! Acredito que o que precisamos repensar é o que em nossa prática esta incoerente com nossos discursos, pois, às vezes, defendemos uma coisa para os filhos, mas adoramos comprar muitas bolsas e sapatos carrérrimos... Eles aprendem, sobretudo, com nossas ações.
Coloquei um link para o seu post na Escola Virtual para Pais, ok?
bjks,
Marcia Taborda - www.escolavirtualparapais.com.br

Adriana D. disse...

Nossa!
Queria ter escrito esse post. Parabéns. Faz tempo que estou pensando nisso tudo. Essa cultura do ter... Essa transformação das crianças em adultinhos, tentando garantir que serão super-mega-master bons e que isso os fará felizes. Gosto desta frase, de Ortega y Gasset: "Um girino não se torna melhor sapo se forçado, prematuramente, a viver fora d'agua, assim como uma criança não desenvolve melhores qualidades humanas se são reprimidos seus impulsos naturais". Me veio tudo isso mais forte quando comecei a analisar escolas pra minha filha...
bjs e boa semana.

Hegli disse...

Nossa, que frase linda Adriana! Adorei!

Tais Vinha disse...

Meninas, que bom retornar! Os comentários estão riquíssimos e a todo vapor. Eu que baqueei (como escreve essa palavra?). Caí de cama com uma dor de ouvido de inchar a orelha e felicidade para mim seria apenas ficar sem dor. Ai, ai...

Sabe, os comentários me inspiraram a escrever uma continuação pra este texto, principalmente os que questionam a complicada e inevitável equação criança x consumo. Acho que é um assunto muito amplo pra responder em forma de comentário. Vou me cuidar e assim que melhorar escrevo.

Tb adorei o exemplo do girino! Adriana, publique em forma de texto.

Agradeço a todas que indicaram e republicaram a calorosa acolhida.

Vou deitar agora e ver se melhoro. Nunca tive otite na infância. Fui ter depois de velha! E Papai do Céu como dói!!!!!!!

Bjs! É muito bom retornar.

Dani disse...

Taís, já que cheguei por último, vou, primeiro, desejar que essa otite passe bem rápido! Melhoras urgentes pra você!
Quanto ao texto, puxa, perfeito né!
Mesmo porque, percebo que as vezes o "ter" é bem passageiro e o que vale é o "ser" feliz! Explico: Nina gosta muito mais de brincar comigo e com o Marcão de casinha, com brinquedos que eram da prima, do que brincar sozinha com a boneca que fala e que custou uma fortuna.
To aqui esperando as cenas do próximo capítulo.
Beijo e ah...melhoras de novo!
Dani

PaulaZZT disse...

Tais, estimo melhoras rápidas. Receita de algum livro da Sonia Hirsch, gotas de azeite morno... E manter aquecido, só com um tecido em cima...
No meu caso, tive várias, pq a posição do cana é + funda, então se entra muita água, nào sai e ai doi mesmo. Será que foi algo assim? Se foi uma lavagem no otorrino resolve rápido, só precisa pingar algo para amolecer a cera...
Bjoks

Marcelo Weiss disse...

Que bom ter vc de volta escrevendo! Estava com saudades de ler um bom texto. Ótimo post!

Anne disse...

taís, faz tempo que eu não apareço e tinha me esquecido de como gosto das suas reflexões!
é tudo verdade!
e olha, que houve um tempo que para ser feliz era só beber coca cola.
hoje tem que ter um fit...
duro, né?
bjo

Michelle Silva Toti disse...

Belo texto. Há tempos decidi ser feliz. Sempre digo:- Eu SOU feliz, às vezes ESTOU triste.
Tento passar isso para o meu filho. Mas me preocupo porque ele só tem 6 anos e já se imagina realizando coisas grandiosas (hoje ele disse que vai descobrir a cura de todas as doenças ). Eu sempre digo para ele lutar pelo que quer, mas que "o importante é realizar um bom trabalho, ser uma pessoa boa, e ter pessoas que amamos". As vezes repetimos isso juntos.
Parabéns!

Ivana (Coisa de mãe) disse...

Taís, lindo texto, linda reflexão. Eu sempre acreditei na simplicidade das coisas,na felicidade que está em cada um de nós e naquela que está ao nosso lado e muitas vezes não enxergamos por conta da nossa imensa capacidade de inverter os valores das coisas!

Obrigada!
Bjos,
Ivana

Mamma Mini disse...

Taís amei seu post, tomo a liberdade de passar o link do seu blog para dividir com as pessoas queridas. Muito muito verdadeiro e atual. Vc tem toda razão quando diz que precisamos rever esta fórmula... eu mesma vivo me requestionando se tomei a decisão certa... um horror!
parabéns pelo texto, daquelas luzes no final do túnel que a gente ve em filme...rs
beijo!

Camila Bandeira disse...

Adorei seu post! De verdade! Tô te seguindo. Parabéns pelo blog excelente! Bjo

Luana disse...

Aqui em casa aprendemos e ensinamos que ser rico e feliz é ter uma família unida, amigos companheiros, honestidade, caráter, decência. Se possível, ter coisas. Se não, tudo bem também. Ter saúde.
Alcançar objetivos, buscar o sucesso (em todos os seus sentidos).
Estar feliz é estar com a ama cheia, aliás, transbordando.

Adorei.
Beijos

Fabi disse...

Oi Tais, boa noite. Achei seu blog e me interessei bastante.... afinal, ser mãe não é nada fácil. Minutos antes de achar esse seu blog, eu estava as brigas com minha filha de 6 anos (quase 7) tentando colocá-la na cama, fazê-la guardar os brinquedos, escovar os dentes e blá blá blá... Olha, vou te dizer que amo ser mãe, de paixão. De longe foi a melhor coisa que me aconteceu na vida, mas todos os dias me pergunto o que devo fazer pra criar minha filha pra ser uma mulher segura, madura, confiante, feliz, educada, comportada, de bem, etc e etc. Eu já me conscientizei que parte do problema sou eu, mas não sei o que fazer pra mudar isso. Seu texto mostra simplesmente temos que olhar dentro de nós mesmos. Conhecer nós mesmos antes de conhecer o outro (ou no caso, a filha). Nos aceitar e nos amar. E como é difícil nos aceitar, nos amar e nos conhecer... Será que um dia eu vou conseguir me fazer feliz??? Será que um dia vou aprender a educar minha filha da melhor forma possível???? Que dilema.
Gde bj da Fabi

Adriana disse...

Olá Tais,

Primeira vez no teu blog e acho que não será a última!

O seu post dá o que falar, não é mesmo? E eu acho que a questão da felicidade está intimamente ligada`a questão do medo. Não falo da precaução saudável que em última instância garante nossa sobrevivência e qualidade de vida, mas do medo daquilo que nem sequer existe realmente. Ser feliz para a grande maioria de nós não é seguro! Decidir ser feliz, não é apenas uma questão de escolha, mas um processo de fortalecimento interno. Um processo, onde EU aprendo a estar ao MEU lado aconteça o que acontecer. Segurança, essa é a palavra chave, segurar-se em si mesmo. Acho que temos que ensinar nossos filhos desde cedo a se segurarem em si mesmos, o resto é por conta deles!

Renata Rainho disse...

a vida de desempregada sem internet me fez dar um sumiço mas voltei.

eu sou a tia que ganha menos e assim mesmo sou afavorita das crianças, pro ódio dos parentes ricos eles contam animadamente os passeios que fazemos: uma loja de animais qu vende barata, sapos, ratos... (todos foram comunicados que não comraríamos bichos apenas veriamos os animais e o tipo de gente que compra aquilo)

último jogo no estádio do palmeiras antes da demolição - não somos palmeirenses mas era um jogo calmo e é perto de casa.

e por aí vai.

na festa de dois anos da filha de uma amiga quiseram me matar, eu comprei uma mini vassoura de R$ 1,99 e ela fe z muito mais sucesso que bonecas caríssimas. realmente as bonecas tiveram seus 5 minutos de sucesso mas a vassora durou a noite toda ;-)

bj e bons textos

Bel disse...

Adorei o post,

Esse conceito ocidental de felicidade nos leva à uma angustia constante. Agora todo mundo "merece e quer ser feliz". Faz-se de tudo pela tal felicidade, que no final das contas parece que parou no vizinho...