22.10.10

Sutis diferenças.


Sutis diferenças.

Na casa da praia, o filho de 3 anos se aproxima meio de esgueio com o vidro de Berotec na mão. “Bebi isso.”

A mãe surta. O filho explica que achou na mala e bebeu. Ela liga pro pediatra, que manda fazê-lo vomitar e correr para o hospital. Recomenda água com sal pra provocar vômito.

A mãe prefere meter o dedo na guela e virar o moleque de ponta cabeça. O vômito vem rápido. Mais rápido ainda eles chegam ao pronto-socorro. Marido, mulher e 3 filhos.

O médico faz cara de surpreso. Já apareceram vários bebedores por ali. De Berotec era o primeiro. Tira os batimentos cardíacos, coça o queixo, observa. Como tinham feito vomitar, achava que o melhor era observar. Manda-os de volta pra casa com a missão de controlar os batimentos cardíacos do menino. Se subir até 140 ou 150 deveriam voltar ao hospital.

O marido sai do PS aliviado. “Vamos pra praia?”

A mãe olha espantada. O marido explica que observar pode ser em qualquer lugar. Na praia, pelo menos ia ser mais divertido.

No banco de trás, a mãe tira a pulsação do menino 3 vezes até chegar em Itamambuca. Os batimentos começavam a subir.

Eles se instalam num canto calmo. Os meninos correm pro mar. Ela senta tensa. O pai procura uma cerveja e aconselha: “Relaxa, ele tá bem. Olha como brinca. Não vai acontecer nada.”

A mãe levanta pra pegar os batimentos. 130, 136, 140, 148... “vão bora pro hospital.”

O marido a acalma. “Não precisa...disso aí não passa. O batimento subiu porque ele está se movimentando. E você deve estar contando errado. Fica fria. Trouxe amendoim?”

A mãe não sabe o que faz. Tira o pulso do menino de novo. 148...148...148...140...135...128...120...

Ela senta na cadeira aliviada. Dá um gole na cerveja do marido. No guarda sol ao lado uns surfistas acendem um baseado.

Tem vontade de ir lá dar uns conselhos praqueles mocinhos: "Usem sempre camisinha."

23 comentários:

Cecilia Thompson Guarnieri disse...

No aniversário do Paulinho (3 anos), aquela festa linda, brigadeiro amassado no chão e todos os brinquedos já funcionando (alguns quebrados),o irmão Flavinho (4 anos) entra correndo, "enguí uma tampinha de coca-cola". O pai e eu saímos correndo pro PS com toda a criançada atrás, emocionadíssima. Na radiografia,nada. O médico: "me mostra como vc enguliu a tampinha". E o Flavinho, pondo e tirando a mão da boca: "Enguí ... e desinguí...". Voltamos para casa (eu quase desmaiando), a festa continuou, com supervisão do Guarnieri, mas eu fui pro quarto e tomei uma aspirina. Dormi em 10 minutos. Isso aconteceu há 46 anos, mas a história corre na família até hoje.

Leonardo Xavier disse...

Eis uma verdade as mães sofrem tanto e tão antecipadamente. Elas já prevêem os resfriados que virão das brincadeiras na chuva, o acidente futuro nas brincadeiras do parquinho,etc.

Marina Queiroz disse...

Rs
Porque sosmos assim?
Sofremos por antecedência e privamos nossos moleques e a nós mesmos de um pouco de paz!
Ufaaaaa!
Que ofício ser mãe! Você não está sozinha!
Beijos

Isis Coelho disse...

Seus textos são incríveis! Adoro passar por aqui!

beijos

Isis e Amelie

Taís Vinha disse...

hahahahahahahha. Amei o Engui e densengui! Pode virar um conto do Ombudsmãe? plis!!!!!!!

Leonardo, a gente é assim mesmo. Se descabela, chora, desmaia, mas no meio disso tudo sempre toma uma atitude. De vez em quando elas são necessárias, sabia? Acabam salvando a situação. De vez em quando viram micos, como a deliciosa história do "engui a tampinha". E a vida segue...meio pentelha para os filhos e maridos que convivem conosco, mas segue....


Bjs em todos o um ótimo final de semana! Usem camisinha.

(Mamãe) ~Pinel disse...

No meu caso é um pouco diferente!
Confesso que meu namorado (pai da minha filhota) é um pouco mais 'desesperado' que eu, digamos assim!
hehehe

E, que isso! Engoliu um vidro de Berotec??? Esse é dureza hein?!

Adorei o texto! Beijo.

Roberta Lippi disse...

Demais seu texto, Taís (pra variar).
Beijos e com final de semana

Mamma Mini disse...

ótimo Thaís, me matei de rir....
sem falar que os homens tem realmente esta calma invejável de vamos pra praia que tá tudo bem... pega uma cerveja e iupi....bom adorei! beijos!

disse...

Mto bom o texto!!
Mas adorei o primeiro comentário hahaha.

Anne disse...

afff. eu fiquei tão apavorada que tive que reler o final do texto. achei que quem acendia o baseado era você! aimeudeus, que tenso, berotec! bjos
Anne
mammisuperduper.blogspot.com

Taís Vinha disse...

hahahahahahahha. Sabe que me você me deu uma idéia?! Bjs!

Mariana - viciados em colo disse...

aqui em casa é o contrário!
adorei!

Hegli disse...

Adorei!!!!
Aqui em casa rola a mesma situação da historia sempre... eu preocupadíssima e meu marido dizendo: calma, relaxa, vc é muito exagerada...
Mas me diz, como explicar para um homem a ansiedade materna ao ver um filhote doente, correndo algum risco ou sofrendo por algo ???

PaulaZZT disse...

oi, querida.
Só passando para dizer que sumi e agora voltei! :-) E como sumi, tenho muito o que ler!! Vi que escreveu sobre temas que me são caros.
Essa histórinha é d+, ri muito. Aqui em casa, eu sou neura com algumas coisas e meu marido com outras, e vai equilibrando... Quer dizer, acho que vai né? rsrsrs
Bjoks
Saudade.
Paula
PS: Será que consigo conhecer vc e a Silvia pessoalmente até o final do ano? rsrsrs

Dani disse...

Que texto incrível!
Estou rolando de tanto rir do primeiro comentário.
Ser mãe não é fácil. Mas quem disse que seria?

Bjos

PaulaZZT disse...

ah, esqueci de comentar que adorei a foto! Foi a cereja sobre o sorvete maravilhoso que foi essa história :-)

Michelle - A Crise dos 30 disse...

Puxa Taís, gosto de ler seus textos. Sou mãe e professora, vivo rodeada de crianças. Educação ocupa boa parte da minha vida e gosto muito. Além disso, sou mulher, amante e esposa. Tenho sonhos, anseios, esperança. Gosto de me ver nos seus textos. Agora mesmo vivo em dúvida: ter ou não outro filho? Estou quase nos 30 e queria "fechar" a fábrica logo......rs. Mas tenho tantos medos.
Parabéns pela qualidade dos textos.
Ah! Vc é irmã da Thelma Vinha?
abraço

Aline disse...

Adorei...
aqui em casa o mais desesperado é o meu marido, se a Lyllith tivesse tomAdo berotec era capaz dele brigar com o médico pra interná-la, só por precaução...
obrigada ela maravilhosa leiturA
aline
www.mamesmodernas.blogspot.com

Ana Cláudia disse...

Taís, já te disse que te amo? rs

Ligia Moreiras Sena disse...

Que texto in-crí-vel!
Incrível!
Parabéns. Tô fã.
Bjs
Ligia

Pimenta disse...

ahahahaha, não sei o que houve, mas tu escreves cada vez melhor...
bjo

Tais Vinha disse...

Oi Paula, vc fez falta, mulher! Não suma...

Hegli, marte e venus, alguém já disse isso, não? E quer saber, temos muito a aprender com eles...(bem se vê que sou mãe de menino, né? Defendo a categoria, rs!)

Aline, marido neura de vez em quando acontece. Tenho um tio que liga toda semana na farmácia pra ver se tem novidade, hahahahaha...

Michelle, obrigada pelo carinho. Sou sim irmã da Telma e devo a ela quase tudo que ouso palpitar.

Ligia, Pimenta e Ana Maravilha, mille bacci!

Vanessa Ribeiro disse...

Nossa, muito bom esse post. Por que será que somos todas assim hein?

Beijinhos
Vanessa