23.6.10

A professora me chamou.


Tenho um filho "bom". Todas nós temos. Mas o meu é muuuuito bom. Daí eu ter estranhado quando a professora dele me chamou pra uma conversa.

Fui meio ressabiada. O que meu filho meigo, responsável, inteligente e lindo de morrer poderia estar fazendo de errado?

A professora começou a reunião cautelosa. Nada mais natural quando se está diante de uma mãe palpiteira e metida a publicar na internet suas verdades sobre educação. Mas eu não estava ali como blogueira e sim como mãe. Achei melhor ficar quieta e ouvi-la.

E escutá-la não foi fácil. Meu filho bom, aparentemente, estava com problemas. E eu não estava percebendo.

Podia ter invertido o jogo. E faria isso facilmente. Botar a culpa nela, na escola, na preparação das aulas, no excesso de videogame e de açúcar na dieta infantil. Podia ter achado tudo um exagero.

Mas na minha frente estava uma pessoa genuinamente preocupada com meu pequeno. Apenas com ele. E não com a disciplina da sala. Nem com a performance da sua didática. O problema do meu filho era sutil e podia facilmente ser carregado na mochila para os anos seguintes. Mas ela teve olhos para enxergá-lo. E o cuidado de me chamar para que eu visse também.

Guardei a luva de box na bolsa e saí de lá comprometida a rever algumas coisas em casa. Ficar mais próxima, atenta. O básico. O feijão com arroz que, quando se é filho do meio, nem sempre se tem. Mas sempre se sente.

Hoje acho que a conversa com a professora foi uma das coisas mais significativas que me aconteceram no semestre. Não foi fácil. Mas foi necessária. Uma hora de conversa franca foi suficiente para estabelecer entre nós uma relação de confiança que durará para sempre.

Sou imensamente grata por ela ter me chamado.

30 comentários:

Andréa disse...

Caramba, Taís, que duro né?

Mas, ao mesmo tempo, que bom que houve uma pessoa que se mostrou preocupada, e atenta com seu filho; que foi sensível com a situação, a ponto de lhe chamar pra alertar de uma coisa que passaria desapercebida por muito tempo - e o tempo, neste caso, é fundamental, né?

Seria bom se todas nós, mães, pudéssemos contar com professores sensíveis e preocupados como essa. Mas, infelizmente, essa não é a realidade de nosso país...

Beijão.

Tais Vinha disse...

Oi Andréa! Duro?! Vc não tem idéia...mas ela soube conduzir com leveza. Profissa a profa...

Vc disse bem. Se os professores soubessem do impacto que essas conversar têm na vida das famílias, usariam-nas com muito mais critério.

Bjs!

Carolina Pombo disse...

Taís, é muito bom conhecer mães que conseguem ouvir conselhos e até levar puxões de orelha de professores, psicólogos e demais profissionais que estão aí para nos ajudar. É difícil para a mãe, mas também é difícil para a professora ter que assumir esse papel e não ser ouvida ou valorizada. Sua atitude foi admirável. É tão difícil deixar qualquer pessoa entrar nesse mundinho protegido e secreto da nossa relação com o filho/a, né? É difícil pra mim e pra muita gente.

Aproveito para convidá-la especialmente a participar da promoção de comemoração de nove meses do meu blog! Passa lá:

http://enquanto-esperamos.blogspot.com/2010/06/noves-meses-enquanto-esperamos.html

Beijos!

Hegli disse...

Nossa Tais, que depoimento...
Fui lendo e veio aquele monte de sentimentos típicos de mãe dentro de mim...
Ontem o Lucas ficou de "castigo" e na escola duas vezes. No ultimo não fez a aula de informática. Não veio bilhete, nem a professora me chamou, ele mesmo me contou tudo, envergonhado.
Perguntei se ele queria que eu mandasse uma bilhete, falasse com a prô(não concordo com castigos que vexatórios e que o façam perder conteúdo) e para meu espanto ele disse que a professora se excedeu um pouco gritando, mas tinha razão, ele tinha aprontado.
É triste ver nosso filho "bom" admitir que está sendo mau.
Não sei se posso me consolar por ele pelo menos ter sido honesto...
Mães me ajudem!

Carol Garcia disse...

que sorte a sua poder contar com uma professora assim, artigo raro hoje em dia.
mas o importante é dar atenção e resolver o problema o quanto antes, pro seu filhote não sofrer.
bjinhos
carol
http://viajandonamaternidade.blogspot.com

Carol Garcia disse...

que sorte a sua poder contar com uma professora assim, artigo raro hoje em dia.
mas o importante é dar atenção e resolver o problema o quanto antes, pro seu filhote não sofrer.
bjinhos
carol
http://viajandonamaternidade.blogspot.com

Vanessa disse...

Ah, Taís eu acho que ser mãe é isso mesmo, ir tomando as pancadas junto com o filho e ajudando ele a crescer. :-) Parabéns pelo filho e pela mãe. Ah, e palmas para a professora.


bjs

Paloma, a mãe disse...

Taís, que bom que ela te chamou e que o seu filho tem uma professora atenta e esnsível, que não coloca panos quentes, mas quer, sim, solucionar os problemas.
Deve ter sido duro para vc, mas tenho certeza de que vc está melhor agora, sabendo qual o problema e tentando conduzir isso da melhor forma possível, juntamente com a professora.
Beijos

Silvia disse...

Taís, já ouvi dizer que filho do meio sempre se ferra, espremido entre o primogênito e o caçulinha fofo. kkkkkk Vai ver tem um fundo de verdade.

Mas saber aceitar o olhar de terceiros com relação aos problemas dos filhos não é fácil, viu? Não é pra qualquer uma. A gente tende a "dar uma de mãe" e defender a cria com unhas e dentes. Tem mesmo que se policiar para aceitar as críticas construtivas como forma de melhorar a vida dos nossos filhos.

E ajuda a gente a lembrar que ninguém é 100% mocinho nem 100% bandido. Pode ser que cada um tenha uma inclinação maior pra um lado ou pra outro, mas às vezes acaba descambando pro outro lado.

Eu gostaria de saber se uma de minhas filhas estivesse sendo "má" em algum aspecto. Porque acho que, pior do que ter que ouvir umas verdades, é não saber nunca delas e viver num mundo de fantasia.

Giovana disse...

Parabéns!

Não são todas as mães que conseguem ouvir (desarmadas) o que a professora tem a dizer.

Beijokas! Essa fase vai passar!

Gi & Lucca

Pimenta disse...

Então, isso se chama bom professor.
São raros,então, aproveite essa parceria no desenvolvimento do seu filho.
bjo

PaulaZZT disse...

Ai, ai... por isso é musa!!
E que professora tb. Outra musa!
Bjoks
paula

Mariana disse...

Oi, querida! Indiquei você para participar de uma brincadeirinha lá no meu blog. Fique à vontade para participar ou não, tá?

http://marianamaedeprimeiraviagem.blogspot.com/2010/06/9-coisas-sobre-mim.html

Bjs,
Mariana

tais vinha disse...

Oi queridas, obrigada pela força. Na hora que escrevi este texto, as coisas não estavam claras na minha cabeça. Hj acho que escrevi porque estamos muito na retaguarda com os educadores. E essa retaguarda pode estar impedindo uma relação que é muito benéfica para nossos filhos. Tem muito professor bom por aí. Precisamos saber identificá-los e acreditar no bom trabalho que eles procuram fazer. Fácil não é. Como disse a Sílvia, ouvir um terceiro falar do filho da gente é duro. Mas se enxergarmos a verdadeira intenção e percebermos que é para o bem deles, só nos resta agradecer. Essa profa foi muito verdadeira comigo e eu seria uma tapada se me colocasse na defensiva. Em nenhum momento ela o colocou como um "estorvo" (muitas fazem isso!). Pelo contrário. Foi de uma delicadeza muito grande e me mostrou preocupação com ele. Só com ele. Não tive como não ouvi-la.

P.S: Hegli, eu mandaria um bilhete pra saber o que houve. Esse negócio de castigo é complicado. Perder conteúdo mais ainda. Manda o bilhete e mostre que vc tá interessada no que está acontecendo.

Mariana, obrigada!
Bjs!

Raquel Marques disse...

Adorei!
Já vi mães em outros blogs negarem os fatos de seus filhos.
O acolher o desejável e o indesejável e trabalhar para que todos sejam mais felizes é o verdadeiro amor.
Parabéns!

Silvia disse...

Taís, eu acho que, pra coisa dar certo, o jeito como a pessoa vem falar com a gente conta demais. Você mesma falou que a professora mostrou logo de cara que não estava preocupada em reclamar dele, mas em ajudá-lo. Faz toda a diferença.

Tais vinha disse...

Sil, dacór! Essa É a diferença. O jeito de falar e o bom uso da ferramenta "conversa". Esse recurso não pode ser fútil. Não pode ser usado pra transferir aos pais a tarefa da profa. Não pode ser usado pra esparramar estresse. Tem que ter critério, profissionalismo e ser muito bem pontuado: o problema é esse e estamos aqui pra ajudá-los. Acolhimento. Acho que já falamos disso aqui. Bjs!

Hegli disse...

Obrigada Taís............. muito obrigada!
As vezes somos tão certas do que queremos, outras vezes ficamos sem rumo...
Sei que tinha que ter mandado o bilhete mesmo a revelia do filho... e é o que farei.
Bjus

Tati Schiavini disse...

É... eu, como educadora, sei quão difícil é estabelecer essa relação de confiança com uma mãe. Parabéns pela atitude, e parabéns a professora também! Beijo.

renata vicentini disse...

Aí Taís,
estamso no mesmo barco e, só de ler o seu depoimento, meus olhos se encheram de lágrimas....tenho um menino de quase 4 anos e estou grávida de 5 meses, a espera de outro menino. Esta semana tam[em estive na escola pra conversar com a coordenadora sobre algumas atitudes do meu filho. Como é difícil a gente escutar tudo....a sensação de fracasso é enorme. Eu mesma parei de trabalhar pra cuidar dele e, de repente, me senti uma inútil. adorei o seu texto, pareciao meu reflexo. Que a gente esteja sempre de ouvidos e coração abertos pra fazer com que nossas crianças cresçam e se tornem pessoas melhores,afinal, esse parece ser o nosso maior desafio.
Bjs e força sempre

Juliana Dalzoto disse...

Uauuu
Simplesmente adorei o que vc escreveu! Uma verdadeira mãe, estava lendo e pensando. Porque não é fácil (eu imagino, pq o meu só tem 3 aninhos e ainda não vai na escola) ser chamada pela profe e ainda mais quando pensamos não haver problema algum.

O que vc fez é exatamente o que eu faria e escreveria tb, estava me vendo ali, porque ser mãe é ser completamente transparente, é pensar nos filhos em primeiro lugar!

E parabéns pela coragem de dividir aqui no blog esse momento tão importante na sua vida :)

Beijos

Juliana Dalzoto disse...

Uauuu
Simplesmente adorei o que vc escreveu! Uma verdadeira mãe, estava lendo e pensando. Porque não é fácil (eu imagino, pq o meu só tem 3 aninhos e ainda não vai na escola) ser chamada pela profe e ainda mais quando pensamos não haver problema algum.

O que vc fez é exatamente o que eu faria e escreveria tb, estava me vendo ali, porque ser mãe é ser completamente transparente, é pensar nos filhos em primeiro lugar!

E parabéns pela coragem de dividir aqui no blog esse momento tão importante na sua vida :)

Beijos

Juliana Dalzoto disse...

Uauuu
Simplesmente adorei o que vc escreveu! Uma verdadeira mãe, estava lendo e pensando. Porque não é fácil (eu imagino, pq o meu só tem 3 aninhos e ainda não vai na escola) ser chamada pela profe e ainda mais quando pensamos não haver problema algum.

O que vc fez é exatamente o que eu faria e escreveria tb, estava me vendo ali, porque ser mãe é ser completamente transparente, é pensar nos filhos em primeiro lugar!

E parabéns pela coragem de dividir aqui no blog esse momento tão importante na sua vida :)

Beijos

Tais vinha disse...

Ói Juliana, obrigada pela força. Mas nem sempre fui assim parceira da profa. Já fui bem mala com elas, rs! Mas essa profa soube se colocar (e me colocar) e fez toda a diferença. Boa sorte com seu filhote. 3 anos é uma idade deliciosa! Bjs!

Juliana Ramos disse...

Sei que estou atrasada no comentário, mas estou conhecendo o seu blog hoje, e lendo o post fiquei com nó na garganta e estômago embrulhado. É muito difícil quando a gente acha que está indo tudo bem e estamos enganadas. Tenho 3 filhos tbém e o "sanduiche" sempre se prejudica. Será que é culpa nossa ou é coisa da cabeça deles?

Tais Vinha disse...

Oi Juliana, bem vinda! Você descreveu muito bem. É difícil mesmo de repente descobrir que não é bem assim... O sanduíche nasceu na dividida. Eu vejo claramente como ele precisa disputar para conseguir competir com os demais. E o pior é que ele tem uma personalidade terna. Fica ainda mais difícil. Vc tb tem 3 meninos? Bjs!

Juliana Ramos disse...

Não. Tenho 2 meninos (10 e 8) e uma menina (4).
O meu sanduiche é terrível! Meigo, carinhoso, mas bota fogo em todo mundo e disputa o tempo INTEIRO.
Bjinhos

Mamãe caprichosa disse...

Parabéns....num mundo onde as pessoas acham que o problemas são ou "outros", vc encarou a verdade e fez o que "eu" tb faria no seu lugar....agradecer a professora!!!
Como mãe, acredito que todos devem colaborar na educação....por mais atentas que estejamos, precisamos de ajuda e de outras imterpretções quando o assunto são nossos filhos!!!
Pq será que certas mamães só conseguem repetir o mantra desatualizado..."O meu filho não"...." Nunca que ele faria isso"???
Coitadas delas e dos filhos delas, é claro...
Abs
Carla

Mamãe caprichosa disse...

Parabéns....num mundo onde as pessoas acham que o problemas são ou "outros", vc encarou a verdade e fez o que "eu" tb faria no seu lugar....agradecer a professora!!!
Como mãe, acredito que todos devem colaborar na educação....por mais atentas que estejamos, precisamos de ajuda e de outras imterpretções quando o assunto são nossos filhos!!!
Pq será que certas mamães só conseguem repetir o mantra desatualizado..."O meu filho não"...." Nunca que ele faria isso"???
Coitadas delas e dos filhos delas, é claro...
Abs
Carla

Anônimo disse...

Perche non:)