19.4.10

Respeito é bom e preserva os dentes.


Respeito é bom e preserva os dentes.

Cena lamentável: filho sendo estúpido com sua mãe. Filho adulto de mãe madura.

Já presenciei mais de uma vez. E muitas vezes as malcriações partiram de adultos que enchem a boca para falar da falta de limite que os pais de hoje dão para seus filhos. Ironias da vida. Na frente dos próprios pais, tais pessoas se portam como as crianças birrentas que tanto criticam.

Conversei com duas pessoas sobre o assunto. A especialista e a mulher do povo.

Da especialista em educação veio a valiosa dica: "é um comportamento que vem da infância. E que se não for bem trabalhado lá, se perpetua e acaba virando uma dinâmica no trato entre os membros da família. Os pais não podem ser condescendentes com estupidez quando os filhos são pequenos, pois eles crescerão agindo dessa forma."

Da mulher do povo veio: "Você viu o jeito que eles falaram com a mãe?! A mulher é idosa, mal anda e aquele bando de cavalos falando aquele monte de palavrão pra ela? Pois eu já avisei meu filho: "Tá vendo aquele tijolo? Fala um dia assim comigo que dou-lhe uma tijolada na boca e você nunca mais vai esquecer que isso não é jeito de se tratar uma mãe."

Daqui pra frente, tenho tentado mostrar aos meus hominhos (tentado...é bom frisar...) que protestar é direito legítimo de todo ser humano, mas existem maneiras de fazê-lo. A chapa começou a esquentar, me levanto e digo: "Você não vai falar assim comigo, pois isso não é jeito de tratar ninguém." Quando estão mais calmos, retomamos o assunto. Acho que estou dando dois recados. Primeiro, que devemos tratar a todos, inclusive aos pais, com respeito. Segundo, que não devemos aceitar jamais que nos tratem com estupidez. É respeito próprio.

Assim, espero não ter nunca que usar o tijolo que mantenho sempre à mão, no quintal. E salve a sabedoria popular.

19 comentários:

Carolina Pombo disse...

Taís,
sou de uma família de quatro filhas de um casal que passou a maior parte dos anos se depreciando. Principalmente o meu pai nunca teve pudores em ser estúpido com minha mãe na nossa frente. Isso foi péssimo para nós, porque aprendemos que mandá-la calar a boca (e suas variantes) eram aceitáveis. Foi na adolescência que minha mãe mais penou para reconquistar o respeito roubado. Sem meu pai por perto, e com a maturidade, percebemos o quanto era inadequada aquela forma de falar. Hoje, mesmo quando estou sem paciência, sou muito compreensiva com minha mãe e a valorizo demais pelos anos que aturou tanta má falação.

Por isso, acho que o exemplo que o casal dá para os filhos é fundamental, e sem ele não adianta nem ameaçar com um tijolo...

Um beijo

Lia disse...

Alguém uma vez me disse: "Nunca se envolva com um homem que trata mal a mãe. Ele vai te tratar mal da mesma forma."
A mais pura verdade.

Tais Vinha disse...

Carolina, vc tem toda razão! O exemplo do casal é fortíssimo. E muitas mulheres se submentem a uma vida de desrespeito absoluto sem reagir. E, sejamos francas, muitos maridos também. Já vi muita esposa acabando com o marido na frente dos filhos.

Dizer não para este tipo de tratamento, não só evita a continuação de um ciclo horrível de maus tratos orais, como ensina os nossos filhos a terem amor próprio. A não aceitar que alguém faça o mesmo com eles. A desenvolver relações baseadas no respeito mútuo tanto em casa, como no trabalho e na vida.

Obrigada por seu comentário sincero!

Bjs!

Tais Vinha disse...

Lia, concordo! Homem que abusa da mãe, vai abusar da esposa. Sem dúvida. Conheço uns exemplos clássicos. Mulher também, não somos santas.

Bjs!

Vanessa disse...

Ah, tijolo neles! O meu pequenininho já entendeu que sendo mal criado com a mãe perde pontos com o pai e vice versa. Assim, um ajuda o outro a garantir a paz em casa nesta fase. E que Deus nos ajude na caminhada.

Tais Vinha disse...

Ô Vanessa, essa sintonia pai e mãe é ótima. Mas o pequenininho tem que entender que perde ponto com a vítima da agressão também! E perde a razão e não consegue atingir seus objetivos se não "pleiteá-los" de forma mais educada. Bjs!

Luciana Betenson disse...

Hahahahahaaa! O pior é que eu sou mulher do povo... :-)

Paloma disse...

o título do post lembrou uma frase que meu pai dizia à exaustão quando éramos pouco educados. Concordo com a história dos limites. Tem que dar desde cedo, e isso serve pra tudo e todos. bjo
Paloma e Isa

anitaqueque disse...

Esse mundo tá perdido..
Quando minha mãe dizia isso há 30 anos atrás, eu achava engraçado.Hoje acho triste, pois se ela se escandalizava com as bobagens que eu aprontava na época, imagina agora!
Eu saía de casa com a saia no joelho, mas arrumava um jeito, no caminho da escola, de enrolar a dita cuja na cintura até ficar do comprimento que eu queria...Também era a guria da turma do fundão, conversava horrores(até hoje...), matava aula de inglês e quando meu pai era chamado na escola, lá vinha castigo, uns tapas, nada disso me traumatizou, pelo contrário, é o que me fortalece hoje na educação dos meus pirralhos.
Falta pulso dos pais, falta a presença constante na escola, falta vontade de estar junto dos filhos e não viver de terceirizar:a educação(escola e babás), o apoio e carinho(pseudo-amiguinhos)e o amor(qualquer um que se habilite).
Esteja junto do seu filho, escolha a via do carinho e da atenção, pode ser a mais difícil, concordo, mas será a mais gratificante, tenho certeza!

Neural disse...

Minha mãe dizia "fala assim comigo de novo e seus dentes vão parar na nuca"

Hegli disse...

Ai Taís, nem te conto menina... passei por isso com meu filho ontem.
Ele voltou do final de semana com o pai, namorada do pai e avós todo esquisito, pois lá faz o que quer, como sempre. Quando voltou foi o de praxe, meio sem referência, meio “bocudo” (pois lá eles são assim). Mas dessa vez foi grosseiro e irônico comigo várias vezes. Não “voltava” ao normal.
Eu alertei nas primeiras e quando vi que ele não ia parar não tive dúvida, falei com voz firme e pausadamente: ME RES-PEI-TE! E nem quero falar com vc agora pq estou chateada demais pra isso. Amanhã converso com vc!
No café da manhã eu falei que ontem não estava reconhecendo o garoto educado ele é, que tinha ficado chateada por ele ter sido rude e malcriado. Ele fez cara de choro e me pediu desculpas mais de uma vez. Eu perguntei se aquilo era jeito de tratar as pessoas, se ele gostaria que eu fizesse isso com ele... depois disse que desculparia dessa vez, desde que isso não se repetisse.
Foi bom ter deixado para hj, pq se eu pegasse ele ontem um tijolo ia ser pouco,rs.

tais Vinha disse...

Anita, você era do peru, hein?! Adorei o truque da saia. Eu também apanhei na infância, mas hoje abomino a prática. Acho humilhante e um exemplo péssimo de solução de conflito. Apesar que, há formas de se humilhar ainda mais verbalmente, portanto, há que se controlar sempre. Bom tema esse para um texto.

Bjs!

Tais Vinha disse...

Neural! Você por aqui...que ótimo! Adorei a sutileza da mama! A minha jogava tamancos Dr. Scholl, lembra? De madeira. Estou chegando à conclusão que a humanidade toda sobrevive às mães. E é isso que nos fortalece. Bjs!

Tais Vinha disse...

Hegli, estas "paradinhas" isto é, afastamento do clima de guerra, são providenciais. Foi por isso que frisei no texto que tento aplicar a regra: "reivindique com respeito". Tento. Por que tem horas que a gente perde a compostura, fica tensa e parte pra tijolada. Depois me arrependo quase sempre.

Daí identificar o ponto que não dá mais pra prosseguir sem agredir e interromper, é o melhor. Você deu um exemplo ótimo: "vou parar por aqui porque estou no meu limite. Preciso me acalmar pra gente continuar." E depois retoma o assunto quando ambos esfriaram a cabeça.

O duro é estar sempre atenta a isso. Filhos conseguem nos pegar tão desarmados!

Bjs!

Hegli disse...

Pois é Taís, vc disse bem,nem sempre dá pra parar e respirar.
Se ele tivesse feito isso na minha TPM por exemplo, que quase sempre me deixa em estado de alerta (maluca mesmo), ia ter duas opções: ou eu ia cair no choro ou eu ia meter tijolada, e sem dó nem arrependimento...hahaha.
Bju

Mariana disse...

Amei! Já estou te seguindo e te linkei no meu blog, ok?

Bjs!

Alê disse...

Faço minhas as palavras da colega Carolina Pombo... Minha história foi igual... Adorei este lugar, mas quando clico pra seguir está dando erro...

Letícia Volponi disse...

Gostei demais do post e confesso que é isso o que tentamos fazer em casa com a pequena. Nem sempre é sucesso absoluto, mas acho que nada vence a nossa persistência.

Paula disse...

Eu percebo que a dita falta de tempo aumenta a falta de educação. Pq quando prestamos atenção somos muito mais delicados. E com pais, para piorar, tem a questão da intimidade, que acha-se que devem aguentar... Eu fico pensando se isso é reflexo da educação recebida... Se é algo que vai se "aprendendo" sozinho....

Mudando de assunto, eu criei um blog rsrsrs. Só tem um post... Criei sábadão a noite, rsrsrs: http://tentativaerroexperiencia.blogspot.com/

Bjoks
paula