3.2.09

Ombudsmãe volta na volta às aulas.


É hora de sacudir o sal, a areia do mar, a preguiça e voltar a teclar. Momento ansiado, sabia? Mas a escrita não perdoa as pessoas que a abandonam, mesmo que só por um mês. As idéias na cabeça e os dedos no teclado parecem não se entender.

Decido pelo óbvio. A conversa mais comum entre mães, neste mês, é a volta às aulas. Tumulto nas papelarias, listas de materiais infindáveis, preços abusivos de livros e apostilas. Todo ano a mesma coisa. Com a diferença que nos últimos anos, a consciência das pessoas aumentou. E a crise fez o "hellôô!" ecoar ainda mais alto.

Só falta as escolas escutarem. Uma mãe disse: "Se eu soubesse que a lista seria assim, não teria matriculado meu filho nesta escola". A lista de material está virando fator de escolha da escola. Não apenas pelo preço. Por uma questão também de sensação de respeito e parceria com os pais. As pessoas estão finalmente mais atentas ao consumo. Escutam por todos os lados apelos para consumirem com mais critério. Sentem que precisam se reeducar para viver com menos. E quando se trata de educação (ou reeducação), nada mais lógico do que esperar que as escolas sejam as primeiras a adotar uma postura consciente, solidária, educadora.

Para mim, a primeira mudança deveria ser nos livros didáticos, hoje feitos para serem descartados após um ano de uso. ABSURDO! Fora do Brasil existem os livros texto e os livros de exercício. Os livros textos, coloridos e bem elaborados, passam de aluno para aluno ao longo dos anos. Os livros de exercícios, impressos em preto e branco e bem mais baratos, são os únicos trocados anualmente. Faz todo sentido. Mas por aqui, eles são montados em um único volume, de forma a serem inutilizados após um ano de uso. Desperdiçando-se uma montanha de dinheiro e de papel. Livro reutilizável deveria ser lei!

Outra mãe reclama que a escola pediu 8 tubos de cola. Fala sério! Se é para usar tanta cola, porque a escola não compra logo tubões de 1kg, de uso coletivo e muito mais baratos. Ó o "Hellô" não sendo escutado. A outra reclama que a apostila produzida pela própria escola só imprime as folhas na frente. "Hellô again!" Hoje em dia qualquer copiadora que se preze imprime frente e verso. O custo de papel cai pela metade e também o desperdício.

E por aí vai. De tubinho de guache em tubinho de cola, o que se espera é parceria e respeito. Ninguém quer que falte material. Queremos é sentir que estão respeitando nosso bolso e o momento que o planeta vive. Escola tem que dar exemplo. E nada mais exemplar do que uma lista bem calculada, apenas com o necessário e até mesmo com um acordo entre pais e escola de reposição dos materiais que forem acabando ao longo do ano. Assim nada estraga, nada se perde. É uma postura mais razoável e consciente.

Em tempo, não ouvi só críticas. Algumas mães elogiaram escolas que simplificaram suas listas, optaram por comprar materiais coletivos, reduziram ou mudaram os livros didáticos, trabalham com sucata, doações de livros de literatura e rodas de leitura onde cada aluno compra apenas um livro e é feito um rodízio. Nenhuma delas comentou que a qualidade do ensino caiu. Muito pelo contrário. Elogiam a sensibilidade das escolas e a rica experiência proporcionada aos alunos em compartilhar materiais.

Amanhã, listarei algumas ações práticas que podem ser adotadas por pais e escolas para o um retorno às aulas mais sustentável e menos aborrecido.

7 comentários:

todoyda disse...

Taís, eu fiquei impressionada quando em algumas reportagens as escolas pediam papel higiênico, copos plásticos, papel absorvente entre outras coisas que não são materiais escolares, mas sim de responsabilidade da escola, do negócio, só faltaram pedir os absorventes usados pelas funcionárias da escola.
Tem que reclamar sim e divulgar uma lista de escolas que fazem o certo.
Ótimo post.
bjks
Cristiane

Vanessa disse...

Olá, estou escolhendo a primeira escola do meu filho e está pesando muito o ítem : material incluído na mensalidade.

Abraço!

Paula disse...

Taís adorei o blog e fiquei tão aliviada sabendo q não sou a única q não tem muita paciência p brincar(brincar de hominho é um saco)bom mais voltando ao assunto o que os nossos filhos irão fazer com 300 folhas de sulfite ou melhor 3900 será q é p ajudar na secretaria?rsss
beijão
Paula

Silvia disse...

Ah, lembrei de mais: cheguei a pegar as folhas sulfite de papel reciclado, mas a lista pedia sulfite branco... É um item que podemos exigir das escolas: uso de papel reciclado. É um pouco mais caro, mas não é tanto, não! Uns 2-3 reais de diferença no total. Acho que vale o investimento.

Quis comprar as camisetas de malha pet, mas a G reclamou do bordado da loja que faz. A etiqueta dizia que as camisetas eram de algodão orgânico e malha pet. Como a gente descobre se é verdade? Porque achei barato (16 reais), essas coisas ecológicas ainda estão caríssimas.

Taís Vinha disse...

Oi Cristiane... papel higiênico e copos plásticos na lista? Que abuso! Só se for em escola cooperativa de pais, mas acho que nem esse é o caso. Bom tê-la de volta, garota!

Vanessa, eu sou adepta do material incluso, pois a escola compra apenas o necessário, em embalagens grandes e com maior poder de barganha. Só precisamos ficar atentas para o valor da mensalidade não ficar muito alto (senão, não compensa). E observar se as crianças estão dispondo de material rico e diversificado para fazer as atividades. Abraço.

Paula, aquele comentário da Silvia sobre o brincar lavou a alma de muita mãe. Palmas pra ela! Pois é...com certeza uma parte do sulfite pedido vai para a secretaria. E tem escola pedindo muito mais do que 300 por aluno. As escolas precisam pensar em maneiras de reduzir o uso de papel. Ou usá-los de forma mais otimizada. É sulfite que não acaba mais. Um abraço.

Silvia, será que o sulfite branco se referia ao reciclado ou aos coloridos (amarelo, azul, verde). Esse é um bom ponto para perguntarmos. Mas recebi a informação que a demanda por papel reciclado está tão alta, que eles estão tendo que adicionar papel virgem para dar conta das entregas. E que o processo produtivo de papel novo evoluiu tanto que, ambientalmente, papel novo e reciclado tem praticamente o mesmo efeito. Não sei, mas é mais uma coisa para pesquisar. Verdade ou boato de gente de má fé?

Quanto às camisetas, realmente o preço está ótimo para algodão orgânico e malha pet. Onde é esta loja? Vou dar uma se Sherlocka.

Bjs a todas!

Silvia disse...

Taís, é a RM. Só uniformes, né? Mas queria saber como eles conseguem a matéria-prima tão barata, será que é algodão orgânico e malha pet mesmo?

Ontem vi uma dica sobre como reduzir o custo dos materiais: os pais se juntarem e comprarem no atacado. É uma boa idéia, fica pra próxima lista. ;-) Achei a dica aqui, ó:

http://www.interney.net/blogs/guindaste/2009/01/31/materialescolar/

Ana Cláudia Bessa disse...

Amigas,

Na minha escola sinto que sou uma das poucas chatas que observa isso.
A maioria dos pais e a direção da escola não estão de fato comprometido com sustentabilidade ou parceria seja pais/pais, seja escola/pais.

Infelizmente ainda somos uma grande excessão.