13.9.14

Barrado no shopping





Barrado no shopping

Ontem, meu filho foi barrado na entrada de pedestres do Shopping Vale Sul, em São José dos Campos.

Ele estava sozinho. Assim mesmo, o vigia colocou as mãos em seus ombros e disse que ele não ia entrar porque ali não podia “rolezinho”.

Meu filho, indignado, respondeu que aquele era um espaço público/privado e que ele tinha direito de ir e vir. Pediu então que o vigia chamasse o jurídico do Shopping para resolver a questão.

Na mesma hora, o guarda pediu desculpas e o liberou.

E eu, pra variar, fiquei com a pulga.

Meu filho foi barrado porque é adolescente, andava a pé e usava touca. 

Depois foi liberado, certamente, porque o vigia identificou no modo dele falar que ele não pertencia à categoria “moleque da perifa”.

Me pergunto o que teria acontecido se ao invés de cobrar seus direitos ele tivesse dito: “Qual foi, guardinha?!”, ou “Libera ae, tiozinho!”. 

Gestores do Vale Sul, por favor me respondam: onde, na Constituição Brasileira, está escrito que o direito de ir e vir vale somente para aqueles que se comportem e ajam como garotos de condomínio.

Onde está escrito que vocês podem barrar a entrada de meninos e meninas que andam a pé e tenham cara de pobre, seja lá quais critérios o sujeito precise preencher para que o guardinha o identifique como tal.

Ontem, se por acaso eu fosse mãe de um garoto menos instruído e articulado, teria ido dormir com o fato do meu filho não ter podido passear no shopping. E dele ter tido seu direito mais básico violado que é o fato sermos todos somos iguais perante a Lei.

O Shopping Vale Sul recentemente doou milhões para a Primeira Igreja Batista de São José dos Campos fundar uma escola para ensinar crianças e jovens dentro dos valores Cristãos.

Então, se me permitem, gostaria de lembrá-los que o mais fundamental valor cristão é amar ao próximo como a ti mesmo. 

Os senhores já se perguntaram o que Jesus diria de vocês segregarem meninos e meninas pelo simples fato deles andarem a pé e usarem touca?

E o vinde a mim as criancinhas? Já se perguntaram qual o efeito na cabeça desses adolescentes de terem seus direitos mais básicos tão rotineiramente violados? De serem tratados diariamente como sub-cidadãos? De aprenderem desde pequenos que vivem numa sociedade que não os quer? 

É muito lindo fazer caridade assinando cheque. Fica bem na foto e nos releases que vão para os jornais. 

Mas a verdadeira caridade é AGIR dentro dos preceitos cristãos. E essa eu ainda estou para ver quem pratique.

Ontem meu filho foi barrado no Vale Sul. E quando viram que ele não era um “qualquer” foi liberado.

Eu, sinceramente, ainda não sei qual das duas atitudes foi a pior.



5 comentários:

Francisco lacaz ruiz disse...

Eu isso aí Tais! Duas no cravo!

Anônimo disse...

Independente de valores cristãos, existem leis que devem ser cumpridas. Acredito que esse caso, em particular, deve-se ao despreparo desse funcionário, que quer mostrar sua pequena autoridade,intimidando adolescentes.Bem feito,bateu em porta errada.

Maria Tereza disse...

Como se o vigia não viesse do mesmo lugar que os adolescentes do "rolezinho". Gostaria de saber onde esta o senso crítico desta população.

Outra coisa, sempre existiu rolezinho. Só que de filho de rico bem arrumado, pode né?! Quanto ao vocabulário, só são mais articulados, mas quando querem todos sabem os mesmos palavrões.

Taís, tenho medo que, através de terceiros, nossos filhos não se tornem tão preconceituosos quanto nossa sociedade,

Beijo

Marie disse...

Aff, q post...
Eu escreveria dando todas as graças por meu filho bem amamentado, alimentado e educado esfregou na cara do tal vigia seu nível educacional, daria muitos e muitos beijos pq é o q falo ao meu filho diga sempre por favor, obrigado, com licença e SE DEFENDAAA!
Ele é tímido e volta pra casa encruado.
Se seu filho respondesse como um periférico condizia com a touca, aparência q vc mesma descreveu.
É q no Brasil a aparência conta e conta muito.
Em todos os outros lugares tbm mas em nenhum outro como aí.
Se vc fosse de Recife, eu carinhosamente lhe recomendaria observar a baderna da tarde e dos cinemas de meia entrada do shopping Tacaruna pra dps vc postar o q achou da baixaria q espantou os clientes e até as emissoras de TV foram fumar e carimbou o shopping com o título de shopping dos pobres.
Aff, q bom q seu filho tem outras estruturas e tá ótimo assim.

Marie disse...

Olha, sinceramente, o pobre ñ tem de ser excluído, mas o baderneiro sim.
Vinde a mim as crisnçinhas mas os perturbadores da ordem ñ entram nesse critério.
E quando a situaçao da patota foge do controle da segurança vem uma Mami afetada como vc ou como eu reclamar da segurança do shopping.
Amor ao próximo sim e tbm correção a turma da baderna.
Eu fui de férias e pude ver a galera plantando o terror no Tacaruna.
Lembro bem o medo q senti por mim, meu filho e minha sobrinha quando todos trotavam pela escada rolante.
Sorry, no go!