15.8.11

Novos pais.



Um belo dia, ela dispara: "Quer saber de uma coisa, para mim deu. Não faço mais nada para evitar filhos."

O marido achou prudente não dar trela. Nem precisava. Ela estava a mil:

"Já cumpri com minha responsabilidade no setor reprodutivo desta família. Já usei diafragma, pílula, diu de cobre, diu com hormônio, camisinha, tabelinha...já engravidei, pari, engordei, amamentei, fiz parto normal, fiz cesárea, fiz simpatia...chega. Daqui para frente é com você."

O marido deve ter ponderado muito antes de responder: "Ãhn?"

"É...agora é com você. Se quiser usar camisinha, gozar fora, vasectomizar...é com você. Eu não vou mais me preocupar com isso. E se eu engravidar de novo, vamos ter mais um filho."

"Ô loco."

"Então se vira. O setor reprodutivo dessa casa agora está sob nova direção."

O marido é categórico: "Vasectomia nem pensar. Mas fica tranquila que vou fazer tudo direitinho".

E fez. Alguns meses depois ela estava grávida. Mal tiveram tempo de absorver o choque e um sangramento encerrou a questão.

Dessa vez, como todo homem diante de sangue, ele abalou. Jurou que ia operar o dito cujo. Foi ao urologista e voltou com uma guia não preenchida. O plano de saúde exigia que ele esperasse 6 meses, antes de autorizar a cirurgia. A esposa achou estranho, mas como a gerência não era mais dela, deixou que ele resolvesse. O tempo passou, a memória da hemorragia foi se apagando e as coisas ficaram na mesma, tal como ele e a operadora de seguro saúde queriam. 

Semana passada, sentados no café da manhã, ela solta um muxoxo: "Tô me sentindo meio estranha, com umas pontadas, o seio sensível...será que engravidei?"

O marido demonstra total apoio: "Engravidou de quem? Meu não é." 

A fiel companheira de 15 anos não se abala: "Seu ou não, você vai registrar e criar do mesmo jeito...então para de frescura e passa a manteiga."

E o café da manhã, que poderia ter amargado, se manteve doce. Assim como o casamento. 

E viva a nova paternidade.