Mamãe controladora - da série "Histórias Deliciosas de Mãe"


Mamãe controladora - da série "Histórias Deliciosas de Mãe" 

Era daquelas mães precavidas, que sempre tem antitérmico e agulha na bolsa. Tinha uma  necessidade patológica (como ela mesmo descreve) de ter as coisas sob controle. Acordava com tudo programado, das atividades dos filhos ao cardápio do almoço, lanche e jantar. Detestava quando algo saia fora do esperado.

O filho queria muito um cachorro e perguntou se não podia ficar com a pudou da tia. A tia já havia concordado. Por não ter criança na casa, a cachorrinha era muito solitária. E a bichinha adorava o menino.

A mãe negou. Preferia um cachorro grande. Optou por um rótivailer. Pesquisou criadores e foi atrás do mais gabaritado e caro. A cadela veio de longe e chegou chipada, com todas as certificações possíveis e um pedigree cuja linhagem faria inveja à familia real britânica.

A paixão foi imediata e o menino não falou mais da pudou. O tempo foi passando e a bolinha gorducha crescendo. Mas crescendo pouco. Muito pouco.

Não levou muito tempo para a mãe, sempre atenta, perceber que algo estava errado. A cadela era estranha. Tinha pernas curtas e uma cara diferente dos demais da sua raça. Levou ao veterinário que logo deu o diagnóstico:

- Sua rótivailer é anã. Não vai crescer além disso.

A mãe sai do veterinário direto para o analista. Entra na sala aos prontos e conta a tragédia que tinha acontecido na sua vida. Escuta um barulho esquisito. Era o analista, que não se conteve e caiu na gargalhada. Logo ela, que tinha tomado todas as precauções e pagado caríssimo para que tudo saísse como ela queria.

E agora, o que fazer? Estavam todos apaixonados pela bichinha. O canil daria outra, mas exigiam a defeituosa de volta. Iriam sacrificá-la.

- Sacrificar a Tuca, nem pensar!

O jogou a tolha na lona e deixou pra lá. Hoje conta a história sorrindo. Ponto pra Dona Vida.


Comentários

Adriana disse…
Olá Tais,

Que "coincidência"! Ontém mesmo estava lendo uma matéria da Vida Simples (matéria de capa, aliás) que fala exatamente sobre isso: o controle que acha que tem sobre a vida.

Bjs

Adriana
PaulaZZT disse…
que saudade de ti, TaVi :-)
Adorei a história...
A vida dá rasteira mesmo né? É aquela história, ou a gente aprende pelo amor, ou aprender pela dor ;-)

Animais em casa, assim como filho, a gente pode até planejar, mas no fundo nào escolhe... a personalidade, as caracteristicas físicas e psiquicas vêm como vêm.
Bjoks
Paula
angela disse…
Ai ai.. eu acho que fui uma boa mãe, os meninos também, só reclamam de coisas que , céus, era tudo o que eu queria na vida, como , por exemplo, liberdade:-))
Mas eu tinha minhas manias de proteção. Tinha medo que um morteiro da mão de algum bebado caisse na cabeça deles no reveillon.. eles iam de capacete:-)) ridículo? pode ser. Mas tranquilizava meu coração, o que se fazer com o medo?
Os jornais anunciavam meninos queimados por causa disso, cabebelos em chama,deformações..
tinha medo que eles se perdessem na praia de copacabana. Mesmo de olho o tempo todo, então, escrevia no bumbum deles o telefone de casa e avisava que estava lá, embaixo do calção.. Não entendo porque não há pulseirinhas coloridas nos postos.
Tinha medo que eles caíssem em águas e se afogassem como tantas histórias reais, uma delas eu presenciei.. Entraram pra natação bebês, mas, enquanto não sabiam nadar, mesmo no inverno, se houvesse piscina , eles andavam de bóia de braço..
Maluquice? pode ser. Mas eles se divertiram muito sem uma chata do lado dizendo "não vá lá!" e eu tive alguma hora de descanso nos fins de semana.
Tais Vinha disse…
Angela, hahahaha! Adorei a história do capacete!

Eu tb escrevia o fone no bracinho na praia. Mas isso depois que perdi um. Pânico! E tb coloquei na natação. Acho que temos muito em comum.

Paula, saudade...mas mãe sempre quer controlar né? E sofre porque não temos controle algum de nada, flor...essa que é a verdade.

Adriana, vou conferir a revista. Boa dica! Esse assunto dá pano pra manga.

Bjs
Priscila disse…
Que lindo texto.
Abraço.
Anônimo disse…
Acho que poucas escapam de pelo menos um começo de controle, 3 filhos planejados, só tratar com homeopatia, vida calma... Logo no primeiro fomos obrigados a deixar a homeopatia para bem mais tarde... Desisti dos demais planejamentos. Ou quase, estamos aprendendo!!!
ótima como sempre Tais, saudades de todos.
beijos Dri
Silvia disse…
:-)

Adote um vira-lata! Surpresa garantida!
Tuka Siqueira disse…
Por mais que a gente se planeje, nunca teremos controle total. É preciso dar espaço para os imprevistos da vida. Eu que o diga!

Abraços
Hegli disse…
Muito boa essa história Taís!!!
Ri bastante com ela e com o comentário da Angela...kkkkk.

Principalmente porque tenho uma cunhada que é exatamente assim, com essa "mania de proteção" excessiva, está sempre desesperada em evitar fatalidades, chega a ser cômico.

A minha neura, meu controle sempre foi com a alimentação, aquela coisa sagrada de comer comida balanceada e fruta faça chuva ou faça sol.

Eu deixava minha mãe irritadíssima com isso, ligando para ela do trabalho todo dia para saber se ele tinha variado no cardápio, de carne p frango, de frango p peixe, de peixe p ovos. Cada refeição uma salada, verdura e legumes refogados no óleo de canola... Céus, eu controlava tuuuudo.rs... perguntava quantos pedaços de maçã ele tinha comido após o almoço, mandava tudo (alimentos) para ela com instruções... até os 7 anos quando deixei de trabalhar fora e eu mesma tomar conta disso.

Enfim... cada mãe com sua mania, quem nao tiver uma que atire a primeira pedra não é? kkkkkkkkk
Anne disse…
Ponto para ela!
A gente é mesmo muit tapada em achar que controla...
tive uma experiência parecida com uma gatinha que virou macho aos 3 meses de vida.
Era Meg virou Mel.
bjos
tais Vinha disse…
hahahaahahahahahaahahahahah! E eu tenho uma amiga que tem uma tartaruga fêmea chamada Godofredo! hahahahahahaha
Anônimo disse…
oi Taís,
...seu blog é fascinante!Descobri por acaso há alguns dias, e estou em imersão total tentando ler todos os post!!!Gostei especialmente dos que falam sobre filhos e educação. Moro em BH e estou precisando de dicas sobre escolas construtivista ( vc conhece alguma por aqui?!), e sobre a escola logosófica, o que vc acha sobre a filosofia de trabalho deles?...
abraços Fernanda
d