O gigante adormece na escola.

O gigante adormece na escola.
A reportagem mostra o prédio da escola onde um aluno entrou armado. E depois o da delegacia para onde ele foi levado. Não consegui distinguir qual era um e qual era outro.
E o que acontece com as paredes não difere muito do que acontece em sala de aula.
A reportagem mostra o prédio da escola onde um aluno entrou armado. E depois o da delegacia para onde ele foi levado. Não consegui distinguir qual era um e qual era outro.
São nestes prédios cinzentos e cheios de grades, com mais cara de presídio do que centros do saber, que educamos nossa garotada para a vida em sociedade.
E o que acontece com as paredes não difere muito do que acontece em sala de aula.
Se perguntam, querem tumultuar.
Se questionam, estão desautorizando o professor.
Se não querem ficar na sala, são vagabundos.
Se não conseguem ver sentido na lição, são desinteressados.
Se erram, são sem noção.
Se não aprendem, tem déficit de atenção.
A indisciplina é tratada como violência.
A rebeldia como caso de polícia.
A criatividade como afronta.
A opinião dos alunos sobre esta instituição, ironicamente criada para eles, pouco ou nada conta.
Quando querem falar, são ridicularizados, calados ou ignorados.
Quando gritam, são contidos com sanções e advertências.
Não há espaço para manifestações. Para se dizer o que pensa. Para participar das decisões.
Controlam por onde eles circulam, quantas vezes vão ao banheiro, o que pregam nas paredes.
Não é permitido que se apropriem de um espaço que, por direito, é deles.
Em compensação, o fracasso - esse sim - é deles. Só deles. E de suas famílias, desestruturadas, omissas e ausentes.
Num País onde submissão é ensinada com tanta eficiência em escolas públicas e privadas, não me surpreendo que o gigante tenha demorado tanto para acordar.
Me surpreendo que um dia ele tenha acordado.
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abraços Patricia