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O cisco e a trave.

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O cisco e a trave.  Um israelense me contou sobre a vida dos árabes em território judeu: "A gente está se lixando para o que eles fazem entre eles. Não estamos nem aí se eles se espancam, se matam, se acabam. Se é entre eles, nossa polícia não se mete. Não perdemos tempo com esse povo. Eles não são gente, são animais." Fiquei chocada com a sinceridade do relato. E, com um ufanismo que geralmente nos acomete quando nos afastamos da pátria amada, pensei que pelo menos nesse assunto o meu País estava acima do dele. Foi Cida, empregada doméstica crescida na periferia de Osasco, que me fez ver que, enquanto eu apontava para o cisco no olho do meu amigo israelense, deixei de ver a trave enterrada até o fundo do meu. Estávamos preparando o almoço quando a cozinha foi invadida pela campanha contundente da Rádio Bandeirantes pelo fim da maioridade penal. Vinha com a chancela do próprio governador de São Paulo, defendendo a mudança na lei. Cida para de lav...

Sua vida está todinha no Feicebus.

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Sua vida está todinha no Feicebus. Se você optou por morar num condomínio, converse com sua empregada sobre o busão que a traz para o serviço. O ônibus é o centro de troca de informação sobre a vida dos patrões. A sua, a minha, a nossa vida tá todinha aberta e escancarada no Feicebus O sistema de informação é bem organizado e simples. Elas abrem a boca e começam a contar, pra todos ouvirem, inclusive motorista e cobrador, tudo o que acontece dentro das casas que trabalham. Que patrão não paga direito, a filha de quem que tá transando com quem, as neuras das patroas, o ridículo da vida privada, os pequenos delitos, as cenas que observam enquanto varrem e tiram pó. Como nas redes sociais da internet, babado que vira buzz é o sórdido. Portanto, não espere ser poupada. Tem empregada que conta até que “aquela vaca transa menstruada...e eu que tenho que lavar os lençóis”. Tem o lado bom. Elas aprendem muito sobre direitos trabalhistas, discutem salários, trocam receitas, se info...

Salvem a natureza contanto que ela não cubra minha vista.

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Salvem a natureza contanto que ela não cubra minha vista. Queridos vizinhos do condomínio de cima, Recentemente ficamos sabendo que vocês tem autorização da Prefeitura para arrancar todos os Sansões do Campos que ficam do lado de cá do muro que nos separa. Estamos tristes. Muito tristes. Ficamos menos humanos, sempre que uma árvore cai. E são centenas de árvores que dessa vez cairão, mesmo que disfarçadas sob o nome de "cerca viva". Não sabemos quem plantou os Sansões que hoje atrapalham a vista das suas varandas e "suja" com folhas sua trilha de caminhada. Mas sabemos que do lado de cá, um morador generoso capinou com enxada e suor uma longa trilha sob a sombra deliciosa dos Sansões que vocês querem arrancar. (Curiosa é a vida...o que para uns é um incômodo, para outros é benção). Coloquei a foto aqui para vocês verem e os convido a caminhar por ela antes que desapareça ao ronco da motosserra. Ficamos sabendo também que vocês não planejam apenas cortar os Sansões. ...

Está difícil dormir.

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Estou acordando devagar da minha necessária hibernação. Foi um período muito bom, mas confesso que precisei me esforçar diversas vezes pra não voltar rugindo pro teclado. Julho foi um mês bem tumultuado e muita gente veio me cutucar. Primeiro foi o Lula quando afirmou que a paixão do brasileiro é o carro e que é dever do governo facilitar esta compra. Com isso anunciou 2 bilhões de incentivos para a agonizante GM. Não vou entrar no mérito de salvamentos pirotécnicos governamentais para empresas americanas falidas, nem no absurdo que é motivar o povo a enfiar mais carros na rua em pleno aquecimento global. Entro no mérito de um presidente que de vez em quando parece esquecer que dirige uma nação e se comporta como um eterno companheiro metalúrgico. Depois veio o Serra, o governador de São Paulo, dando por certa a ampliação o porto de São Sebastião. E sabe a que preço? Vão aterrar o Mangue do Araçá para virar depósito de containers! Uma área importantíssima de preservação do nosso litora...

A ilusão da reciclagem.

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Sempre fui fã ardorosa da reciclagem. Aqui em casa separar o lixo útil é um hábito incorporado no nosso dia-a-dia. Mas esta semana, alguns fatos me fizeram rever completamente esta postura. Explico. Aqui, em São José dos Campos, há um sistema municipal de coleta de lixo reciclável. Esta coleta funciona bem. O caminhão da prefeitura passa 3 vezes por semana na minha porta e recolhe tudo o que separamos. Neste quesito, sem dúvida, estamos à frente de muitas de cidades brasileiras. Infelizmente. O problema vem depois. Esta semana, conversei com duas pessoas que visitaram o local onde é feita a separação do lixo útil e ambas me deram a mesma informação: é alta a quantidade de material reciclável que é descartada na separação e vai parar no aterro comum. Há vários motivos - a população ainda não sabe separar o lixo, o caminhão compactador danifica o lixo útil e acaba dificultando a separação, embalagens muito sujas, as luvas grossas dos selecionadores impede que pequenos pedaços de plástico...

Meu ouvido não é penico!

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Já que está na moda, eu também vou lançar uma campanha. Chama-se "Meu ouvido não é penico!" O motivo é nobre e tenho certeza que contarei com sua ilustre adesão. Não aguento mais político falando asneira em horário eleitoral. Tomam um tempo precioso da nossa novelinha nos obrigando a ouvir um monte de contos da carochinha, que sabemos, não serão colocados em prática nem se eles tivessem 20 anos de mandato. Que dirá em 4. Acompanhe o raciocínio da campanha: quando se trata de um produto, a publicidade é considerada documento e - tudo o que é prometido em anúncios - precisa ser cumprido. Se o produto não entregar o que promete na propaganda viola as leis do consumidor e pode até ser tirado do mercado, dentre outras sanções. A campanha "Meu ouvido não é penico" quer que se aplique o mesmo raciocínio da propaganda de produto na propaganda eleitoral. Prometeu, tem que cumprir. Afinal de contas eles não estão querendo nos convencer a "comprar" um político o...

Raiva no Urbanova

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O Ombudsmãe encerra o ano com raiva. Raiva que me tirou cedo da cama num dia chuvoso de férias. Ontem os ilustríssimos vereadores da minha cidade aprovaram a verticalização do meu bairro. Para quem não conhece, moro num bairro residencial às margens do Rio Paraíba. Muito verde, muitos animais silvestres, matas nativas e minas de água. Por causa disso tudo, o que antes era matagal, agora é o bairro mais valorizado da cidade. Óbvio. Natureza e qualidade de vida viraram artigos de luxo no Brasil. Um luxo que nem a Daslu entrega. Pois valorização atrai como carniça os abutres da especulação imobiliária. Abutres, porque eles chegam, se apoderam, destróem, tampam o sol, estragam o trânsito, secam olhos d’água, roubam o horizonte, o sossego e a beleza. Logo, tudo o que era mais valorizado neste bairro deixará de existir. Seremos mais um bairro como qualquer outro no cenário urbano. Isso tudo me fez pensar no quanto estamos longe, longe, longe de sermos a cidade moderna e tecnológica que tenta...