Postagens

Mostrando postagens com o rótulo filhos

Mulher de fé

Imagem
Sebastiana era vidente. Não que gostasse. Sebastiana odiava aquelas imagens que apareciam na sua cabeça dizendo o que ia acontecer com a gente que conhecia. Era casa pegando fogo, era vaca seca no pasto, era parente de bucho virado. Visão boa nunca vinha. Sebastiana era mulher de muita fé. E todas as noites antes de dormir, pedia ao Menino Jesus para ter uma noite só de sono, sem vistorias. Às vezes ele ouvia e ela dormia aquele sono largado de neném depois de mamar nas tetas da mãe. Mas era achar que já estava curada daquela maldição pra coisa voltar piorada.  Um dia, Sebastiana nem precisou fechar os olhos para começar a suar frio e ter pavor. Estava na beira do fogão fritando torresmo, quando viu como numa fotografia, a filhinha bebê atropelada no meio da pista que passava na entrada do rancho. Caiu de joelhos ali mesmo e enquanto a gordura da pele do porco chiava, implorou pra Nossa Senhora, Mãe de todas as mães que, se tivesse que levar sua menininha, que não fo...

Ditadores e merenda, história antiga.

Imagem
Ditadores e merenda, história antiga. Durante a ditadura militar, no governo João Figueiredo, houve muita propaganda sobre os fantásticos benefícios da soja, grão estranho à população, cujo plantio estava sendo introduzido em nossos campos. Me lembro que minha mãe comprou o discurso e eis que, um belo dia, ela aparece em casa com uma saca de 60 quilos de soja. Tuba, nossa cozinheira*, reinava absoluta no fogão e decidiu que aquele grão desbotado seria preparado de duas maneiras: em forma de salada ou cozida como feijão. Minha mãe bem que tentou introduzir outras variações, mas, basicamente, na nossa mesa, o cardápio era inovado com um rodízio diário de soja em salada ou soja em feijão. Estudávamos na escola pública e, um dia, recebemos a notícia que o Governo Federal iria introduzir leite de soja na merenda escolar, fabricado por uma máquina que se tornou conhecida na época como “vaca mecânica”. Nosso paladar infantil entrou em colapso. Não conseguíamos lidar c...

O naná esquecido

Imagem
O naná esquecido Quando pequeno, o irmão tinha um “naná”. Um cobertor de berço que ele carregava pra todo o canto desde que nasceu. Tinha um tom encardido e um cheirinho azedo, mistura de sujeira, xixi, suor, suco de fruta, biscoito e outros nojinhos que compunham o aroma que o menino adorava sentir enquanto chupava o dedo e alisava as bordas puídas. Lavar o naná era proibido. Nas poucas vezes que o fizeram escondido, o resultado era um furioso ataque de indignação diante da traição revelada através do perfume do sabão Minerva. O jeito era dar banhos de sol e torcer para que o calor escaldante do interior paulista desse uma amortecida nos germes.  Eram os anos 70 e, um dia, o pai anuncia uma ida pra longínqua cidade de Caraguatatuba. “Vamos ao mar!” Mil preparativos para enfiar a família de cinco filhos na Caravan. Malas, despesa de supermercado pra vinte dias, boias, pranchas de isopor e 7 horas de estrada. Chegam exaustos e na hora de dormir, bat...

A xota na TV

Imagem
A xota na TV Lado A O menino assiste TV. De repente, sua série preferida é interrompida por uma xoxota gigante, 42 polegadas, em close ginecológico. Ele pula do sofá e sai gritando pela casa: “Tem uma xoxota na TV! Tem uma xoxota na TV! Mãe, mano…quem tá vendo pornô?” A mãe e o irmão mais velho chegam rapidamente. O irmão é o primeiro a falar: “Nossa, é mesmo! Tem uma xoxota na TV! Você tava vendo pornô, Fulaninho?” “Eu não! Tava vendo uma série. De repente essa xoxota aí apareceu na frente da TV”. A mãe faz expressão de brava: “Se não foi o Fulaninho, foi você, Beltrano. Você tava vendo pornô?” “Não, né. Tava estudando pro vestibular. Nossa, como será que isso aconteceu? Será que foi o vizinho?” O pequeno olha pra tela intrigado: “Olha, ela está deitada em cima de uma toalha cor de rosa. Epa, pera aí…Mãe! Você está enrolada na mesma toalha! ESSA XOXOTA É SUA!!!!!” “Que absurdo! Claro que não! Como minha xoxota ia aparecer na TV?! Você...

Dois pais

Imagem
Dois pais.  A filha de um deles tinha cinco anos e desenhava na mesa da copa. No calor tórrido do noroeste paulista, ela usava uma calcinha de crochê vermelho. O filho do outro já era adulto e consertava o fogão da residência. Tinha tocado a campainha e perguntado se tinha fogão pra arrumar. Na boa fé das gentes do interior, ele foi colocado pra dentro e levado pra cozinha. A menina não suspeitou quando o rapaz se aproximou por trás e pediu pra ver seus desenhos. Ficou feliz quando ele começou a elogiá-los. Só achou estranho quando, em meio aos elogios, sentiu os dedos dele entrarem por dentro da sua calcinha.  Ele era tão simpático, mas aquilo era entranho. E, ao mesmo tempo que uma voz lhe dizia: “Isso não é nada, é só carinho", a outra incomodava: “O papai te faz carinho assim? Seus tios te fazem carinho assim?" A menina resolveu afastar-se. Correu para o quarto da mãe, encolheu-se num canto e botou na boca o dedão que há anos não chupava. Qu...

Tijolo nos dentes

Imagem
Tijolo nos dentes O menino se aproxima: “Mãe, você sabia que o Mc Pedrinho, Mc Brinquedo e o Mc Pikachu estão sendo processados?” A mãe franze a testa. Não tem a menor ideia de quem são Pedro, Brinquedo e Pikachu. Mas cumpre à risca seu papel de mãe interessada. “Jura?! E por quê?” “Porque eles tem doze anos e trabalham. Dão show às três horas da madrugada, acredita? E cantam umas músicas muito nada a ver.” “Como assim nada a ver?” “Ah, mãe…coisa de sexo…posso cantar? Você não me dá bronca?” “Pode.” O menino respira fundo e canta meio titubeante, sem fazer contato visual, “Roça, roça o peru nela que ela gosta…” “Que horror! E onde você escutou isso?” “Mãe, todo mundo escuta. O Fulano, meu amigo, canta o tempo todo. Na frente da mãe dele e até da professora!” A mãe arregala os olhos: “Da professora?!” “É, ela deu a maior bronca. Mas é ele, né, mãe. Eu não faço nem morto, porque sei que você me quebra!” A mãe franze a testa, de novo. Ia ...

Piolhinha

Imagem
Piolhinha A classe dos pequenos padecia com uma infestação de piolhos.  Todos os esforços que estavam sendo feitos para resolver o problema pareciam ser em vão. A escola mandava bilhete, os pais tratavam, os piolhentos eram afastados alguns dias e devolvidos sem sequer uma lêndea, mas logo os bichinhos voltavam a atacar sem piedade o couro cabeludo da meninadinha. A mãe não aguentava mais. Sua filha parecia que tinha néctar para atrair piolho. Era mandar pra escola que voltava coçando a cabeça.  Resolve tomar uma atitude. Ela era muito boa nisso. Encontra a professora na porta da sala e, num momento privado, dispara: - Escuta, não é possível isso que está acontecendo! Com certeza tem um foco, alguma criança que a mãe não está tratando. Quem é? A professora olha para um lado, olha pro outro e solta num cochicho:  - A Fulaninha. Você sabe, a mãe dela é supernatural. Tipo super mesmo…não gosta de produtos químicos e se recusa a passar qu...

O diploma de datilografia

Imagem
O diploma de datilografia. Abriu uma pasta com documentos antigos e se deparou com um diploma meio amarelado, de papel encorpado e pequenas trincas nas bordas. No cabeçalho, em letras pomposas, estava escrito “Diploma de Datilografia”. Pegou uma xícara de chá, sentou-se e deixou que viessem as recordações. Estava na sexta série quando a mãe a matriculou no curso de datilografia da Dona Cidinha. Lembrou-se da sala cheia de máquinas Remington, das pilhas de papel jornal que eram aos poucos preenchidas com linhas infinitas de A [espaço] Ç [espaço] S [espaço] L [espaço] D [espaço], dos dedinhos magros que voltavam para casa doloridos e sujos de tinta. Na família era regra que os filhos fizessem o curso de datilografia quando chegassem ao ginásio. Exigência dos pais para que eles se preparassem para o futuro.  Ironia.  O futuro virou presente, o mundo deu mais voltas que as bobinas de fitas preta e vermelha das máquinas de escrever e o curso tão impo...

Barrado no shopping

Imagem
Barrado no shopping Ontem, meu filho foi barrado na entrada de pedestres do Shopping Vale Sul, em São José dos Campos. Ele estava sozinho. Assim mesmo, o vigia colocou as mãos em seus ombros e disse que ele não ia entrar porque ali não podia “rolezinho”. Meu filho, indignado, respondeu que aquele era um espaço público/privado e que ele tinha direito de ir e vir. Pediu então que o vigia chamasse o jurídico do Shopping para resolver a questão. Na mesma hora, o guarda pediu desculpas e o liberou. E eu, pra variar, fiquei com a pulga. Meu filho foi barrado porque é adolescente, andava a pé e usava touca.  Depois foi liberado, certamente, porque o vigia identificou no modo dele falar que ele não pertencia à categoria “moleque da perifa”. Me pergunto o que teria acontecido se ao invés de cobrar seus direitos ele tivesse dito: “Qual foi, guardinha?!”, ou “Libera ae, tiozinho!”.  Gestores do Vale Sul, por favor me respondam: onde, na Constituiçã...

Sherekas na praia.

Imagem
Sherekas na praia. Três mães tomam caipirinha na areia enquanto os filhos estão no mar pegando jacaré.  - Gente, a Fulana veio me pedir um conselho. O Beltraninho quer ver mulher pelada e pediu que ela compre uma Playboy pra ele. Ela não sabe se compra ou não. - Quantos anos o Beltraninho está? - Dez. - E o que você disse pra ela? - Disse pra comprar logo a revista pro menino, oras! - Ah, me desculpe, mas eu discordo. - Como assim? - Flor, deixa eu te dizer, mãe é mãe. Tem um código. E nesse código está escrito que não fornecemos álcool, cigarro, maconha e mulher pelada. - É verdade. Ele que se vire. Dez anos já consegue espiar num buraco de fechadura, roubar revista da portaria do prédio… - ...Google, flor. Vai dizer que ele ainda não aprendeu a digitar “mulher pelada” no Google? (Risos) - Aliás, outro dia uma amiga minha foi fazer uma busca no Google, botou a letra "S" e o Google completou "Shereka". (Risos) Foi o filho dela...

Músico de rua.

Imagem
Músico de rua. É do tipo de mãe que procura apoiar o filho em todas as suas iniciativas.  Aos cinco ou seis anos, o menino inventou de tocar um instrumento na rua, como os músicos que via nas idas ao centro da cidade. E levaria seu chapéu de mágico para colher as moedas que por acaso alguém lhe desse.  A mãe comprou a ideia na hora. Achava positivo ele viver essa experiência. Foram até a praça central e escolheram um cantinho movimentado para o garoto tocar. Puseram o chapéu para os trocados e combinaram da mãe ficar meio afastada, num ponto onde ele pudesse vê-la.  O menino começou a tocar sua concertina e logo chamou a atenção dos transeuntes. Uns achavam fofo aquele menino tão pequeno e tão concentrado em tocar seu instrumento. Outros sorrindo lhe davam moedas ou guloseimas. Alguns paravam pra ouvir.  Ficaram ali uma meia hora. O menino encarnado no papel de músico e a mãe orgulhosa espiando de longe. Até que um guarda se aproximou e...

Miley Cirus, coma feijão.

Imagem
Miley Cirus, coma feijão. Família reunida em volta da mesa para o almoço de domingo. A pequena, de sete anos, começa a cantarolar uma música enquanto se move sensualmente na cadeira e lambe a colher de um jeito suspeito. Um segundo de constrangimento e a mãe entra em cena do jeito mais natural que consegue:  "Filha, que é isso?"  O primo, da mesma idade, responde por ela:  "Tá imitando aquela cantora que canta PELADA aquela música da bola."  "Ãhn?! Que música, que bola?"  As crianças descem da mesa e voltam correndo com um tablet.  "Olha, mãe, o vídeo da Miley Cirus...tá vendo..."  A família se reveza para assistir ao clipe que mostra a ex-personagem da Disney, Hanna Montana, balançando nua numa bola de demolição enquanto lambe um martelo de forma bem sugestiva. Tentando se recompor do susto por "aquilo" estar no tablet dos titicos, a cunhada comenta:  "Nossa, mas por que ela lambe ...

Quem escolhe a escola são os pais.

Imagem
Quem escolhe a escola são os pais. O menino chega em casa afoito:  - Mãe, no ano que vem, quero mudar de escola. Você me coloca no Octógono? - Ué, mas você adora sua escola! É por causa dos seus amigos, não? Alguns vão para lá no ano que vem e você não quer se separar deles.  - É, mãe. Todos os meus amigos vão estudar no Octógono e eu não quero ficar sozinho.  A mãe nega e a batalha começa. O menino pede, implora, tenta negociar, chora e faz malcriação. A mãe argumenta que ele fará novos amigos. Mas nada adianta e a insistência quase a leva à insanidade.  Ela se afasta aborrecida e quando a coisa esfria, chama o garoto pra uma conversa.  - Eu sei que você quer muito ir pro Octógono. É uma boa escola, alguns de seus amigos estão indo e você gosta demais deles. Também estou sabendo que um de seus melhores amigos vai pra lá e isso deve doer muito. Em você e nele. Mas, seu pai e eu levamos muito tempo escolhendo a escola que achamos ...

O lanche no lixo

Imagem
O lanche no lixo O menino começou a devolver a merenda sem comê-la. A mãe estranhou. Normalmente ele era morto de fome, mas o lanche, preparado com tanto carinho, estava voltando intacto. As desculpas habituais "eu tava sem fome", "quis jogar bola no recreio" não colaram. Uma observação atenta e ela percebeu que o adolescente estava com vergonha de levar lanche de casa. Abrir a mochila e enfrentar o olhar da galera diante de um sanduba no pão integral ou de uma fruta, para ele era a morte. Queria comer os salgados da cantina, como os demais colegas.  A mãe, do tipo natureba econômica, argumentou que o lanche que ela fazia era muito mais saudável que o da cantina e, além disso, ela e o marido suavam para pagar a escola particular. Lanche da cantinha era um luxo para os dias em que o despertador falhava e não dava tempo de preparar nada. Um empaca daqui, o outro dali e, passados seis meses de lanches devolvidos, a mãe desiste.  "Olha, ...

A namorada da filha do Sílvio.

Imagem
A namorada da filha do Sílvio. O garoto se aproxima da mãe com cara de aflito. "Mãe, segunda-feira vai ter balada teen no Puxadinho. O Thiago me convidou. Eu posso?" Pela expressão do garoto, a mãe percebe que ele queria muito ir e temia mais ainda que os pais não permitissem. "Balada teeen numa segunda-feira?" "Estamos nas férias, lembra? Deixa mãe, todos os meus amigos vão. E eu nem vou ter que pagar os 25 reais da entrada porque o bar é da namorada da tia do Thiago. Ela coloca nosso nome na lista." O menino continua explicando. Não ia ter álcool, maior de 18 anos não entra etc, etc, etc. Mas a mãe, a partir daí, só vê os lábios dele se movendo e não presta atenção em mais nada. Estava focada na descoberta da namorada, com A no final, da filha do Sílvio, amigo da família e avô do Thiago. Antes que transparecesse o que ia na mente, trata de encerrar o assunto com a resposta padrão para todas as situações saia justa da maternida...

"Filho, se vira."

Imagem
"Filho, se vira."  O menino sai da escola bravo e muito agitado.  "Mãe, me tira dessa escola! Me tira dessa escola, já!"  "Nossa! O que aconteceu?!"  "Eu não aguento mais uns meninos da minha classe. O Fulano e o Beltrano ficam me zoando! Mãe, me põe noutra escola, hoje!"  O mãe fechou os olhos por alguns segundos. Sempre havia sido muito solidária com as queixas do menino, conhecia seus problemas de relacionamento, mas dessa vez não sabia como reagir. Respirou fundo, seguiu sua intuição e a fala veio como se estivesse tomada por outro ser.  "Filho, senta aqui e preste muita atenção no que vou dizer. Eu e seu pai já fizemos tudo o que podíamos pra te ajudar com os amigos da escola. Já conversamos com professora, com coordenadora, te trocamos de escola o ano passado, tornamos a falar com professoras e coordenadoras dessa nova escola, juntamos a turma pra um cinema, convidamos amigos pra brincar em casa. Voc...

Meu filho, seu aluno. Seu filho, meu aluno.

Imagem
Meu filho, seu aluno. Seu filho, meu aluno. Minha irmã, educadora que atua na formação de professores, me conta que sua filhota, de 5 anos, lhe pediu que arrumasse emprego na escola onde ela estuda. Ela repete a justificativa da menina: "Assim, você vai ser minha professora. E eu vou ser sua aluna querida. Vou ser sua ajudante, vou pegar coisas pra você no armário, vou tirar xerox, apagar a lousa, sentar no seu colinho na hora da roda, passear no recreio de mãos dadas com você...nós vamos poder ficar juntinhas o tempo todo!" O lado educadora da minha mana explica: "Identifiquei nessa fala dela algo muito significativo...ela começa a perceber que há um espaço onde ela deixa de ser filha e passa a ser aluna. Olha que legal!" "Legal? Eu achei que ela estava era com saudade de você", comentei. Minha irmã sorri: "Numa análise superficial parece isso mesmo. Mas na verdade ela está é relutante em perder o status de filha. Filhos ocupam uma ...

Mercado Negro

Imagem
Mercado Negro O menino, de dez anos, sai da escola excitado. "Mãe, hoje vendi quatro cartelas de chiclete pros meus amigos! Comprei por um real na padoca e vendi por dois reais. Lucrei quatro reais, mãe!" "Ué, mas não tem uma regra que não pode vender coisas na sua escola?" "Mercado negro, mãe. Mercado negro!" Sem saber como reagir, a mãe decide dar corda para entender melhor a situação. "E ninguém dedurou você?" "Só vendo pros bico fechados. Os X9 da sala estão fora do negócio! Sabe a Fulana e o Sicrano, aqueles que contam tudo pra professora?..." "Sei..." "...então, combinamos de ninguém deixar eles saberem." "Caraca! To impressionada com essa história! Então, deu tudo certo?" "Deu...só tive problema com a Beltrana." A mãe logo pensa que filha de peixe, peixinho é. A mãe da menina, sua amiga, é uma grande ativista anticonsumismo infantil, batalhadora da alimentação...

O pote do palavrão.

Imagem
O pote do palavrão.  A situação na casa estava preocupante. A criançada falava palavrão o tempo todo. E não havia pito ou conversa que desse jeito naquela tropinha boca suja.  Preocupada com o rumo das coisas, a mãe propôs um jogo.  Toda vez que alguém falasse um palavrão, seu nome seria anotado num papelzinho e depositado num pote estrategicamente colocado sobre a estante, ao alcance de todos.  Ao final de sete dias, os nomes seriam contados. E os participantes teriam que pagar um real para cada vez que seu nome fosse para o pote. Resumindo: haveria uma multa de um real por nome feio falado naquela semana. As crianças adoraram a proposta, mas questionaram para quem iria o dinheiro. Houve um debate e ficou combinado que a grana seria gasta em um passeio em família, a ser escolhido por quem menos pontuou, ou seja, o mais boca limpa da casa.  Foi uma semana engraçada. Em meio às atividades, de repente, alguém dizia: "Opa! Falou palav...

O papa no inferno e uma mãe no paraíso.

Imagem
O papa no inferno e uma mãe no paraíso. Aos pais que pediram a censura da Divina Comédia, Quando a professora dos nossos filhos solicitou a leitura da Divina Comédia, do Dante Alighieri, festejei. Não sei se pelo livro em si, um clássico, escrito por um dos maiores autores da humanidade, ou pelo fato de nossos filhos estudarem numa instituição pública e a professora não subestimá-los, indicando um livro que, definitivamente, é para os fortes.  Como muita coisa na vida, minha excitação não contagiou meu filho. O fato do livro ter sido escrito há mais de 700 anos foi motivo para desmotivá-lo. Sem nem virar a capa, achou-o velho e chato. E congelou nisso. Tentei de todas as formas encorajá-lo, mas tudo o que eu dizia parecia dar a ele ainda mais argumentos para rejeitar a leitura.  Na semana passada, como um milagre, tudo mudou. Meu filho voltou para casa empolgadíssimo, contando que vocês se reuniram com a professora para exigir que ela mudass...