Postagens

Esse não é o meu filho.

Imagem
Esse não é o meu filho.

O menino de 7 anos entrega pra mãe o bilhete da professora. Os olhinhos repletos de medo e lágrimas.

A mãe, empregada doméstica que estudou só até o ginásio, pára de fazer a sopa para ler: "Mãe, seu filho é desatento, apático, desmotivado e irmão de autista. Favor encaminá-lo a um especialista."

A mãe senta-se na mesinha da cozinha. Agora é ela quem está engasgada e com vontade de chorar. Olha para o menino assustado. Chama-o para perto de si.

"Amanhã, vou na escola falar com sua professora. Vou dizer para ela que vamos rasgar esse bilhete porque ela errou de criança. Eu não conheço este menino que ela escreveu aqui. Este não é o meu filho. A única coisa que ela acertou foi sobre seu irmão. Mas sobre você...tá tudo errado. Vou falar para ela prestar mais atenção e ver que você não é nada disso."

O menino dá uma risada gostosa: "Jura, mãe? Você vai falar pra ela que não sou eu?! Rá, rá...nós vamos mostrar pra ela, né, mãe!"

"C…

Amamentar não é um ato de amor - parte 2.

Imagem
Na semana da amamentação, que aconteceu no início de agosto, o texto "Amamentar não é um ato de amor", voltou a ser tema de algumas discussões na rede.

Agradeço a todas a mães, como a Pérola - do Mamãe Antenada, a sensibilidade com que colocaram novamente em debate a ligação entre amamentar e amar.

Amamentar é um ato de amor? Claro que é. Assim como muitos outros. Ninar, acalentar, consolar, dar um banho gostoso, fazer shantala, preparar uma comidinha caseira, tocar, proteger...todos são atos de amor. Mas nenhum deles tem hoje a mesma dimensão que a amamentação ocupa na mente e no coração das mães da nossa sociedade.

Por isso mesmo, a Vera Pileggi Vinha, minha mãe, quando estava nos últimos anos de uma vida dedicada ao estímulo ao aleitamento, foi contra usar este apelo como tema das campanhas pró-amamentação.

Por quê? Porque ela identificou que este apelo tinha dois efeitos devastadores: enchia de ansiedade as mulheres inexperientes de uma sociedade cada vez mais distante da n…

Escola emburrece.

Imagem
Escola emburrece.

O uso das marcas da Coca-Cola, McDonald's e Objetivo nas apostilas de uma escola cara de São Paulo, acendeu recentemente o discurso sobre o estímulo ao consumismo na sala de aula.

Segundo a matéria da Folha Online, os educadores envolvidos foram logo sacando o argumento padrão nº 1 contra pais que questionam: "não se pode criar um filho numa redoma". Como se estudar numa escola cara, recheada de tênis de marcas, aipodes, aifones, aimeubolso e aiminhasantapaciência, fosse mantê-los numa bolha anticonsumo. Querer que, ao menos no material didático, marcas não fiquem desfilando na frente das crianças é ser superprotetor? Me poupem.

Mas vamos voltar para o conteúdo da apostila. Vou ser sincera: não me preocupei tanto com o apelo consumista que, obviamente, está presente de forma vergonhosa na atividade. O que me chocou foi a pobreza do exercício! Os pais pagam mil reais por mês e a escola tem a cara de pau de dar um exercício daquele nível gráfico e intelectua…

Meu pai quer plantar árvores.

Imagem
Meu pai quer plantar árvores.

Meu pai tem 74 anos e aposentou-se recentemente. Poderia, com louvor, calçar o chinelo e esperar na sombra o bondão passar.

Mas quem o conhece sabe que isso dificilmente aconteceria. Este homem que passou a vida toda na urbanidade, resolveu plantar árvores. Não uma ou duas. Hectares de árvores.

No momento, procura terras para começar sua plantação de Guanandi. Uma árvore de lei, considerada em extinção, protegida desde os primórdios pela Coroa portuguesa e que leva uns 18 anos pra dar algum retorno ao plantador.

"Pai, tem certeza? É nisso mesmo que você quer se meter?"

"Filha, certeza absoluta." Ele responde com o entusiasmo de um surfista que descobriu uma praia deserta de ondas perfeitas. "Eu me vejo caminhando por entre as alamedas de árvores. Quero encher pastos e pastos com Guanandi. E vou colocar um pouco de Acácias também, pra ter flores, abelhas e produzir mel."

Quando escuto o carinho com que meu pai fala de suas árvore…

Desinibidos e desavisados - a exposição adolescente na rede.

Desinibidos e desavisados - a exposição adolescente na rede.

A avó me conta, com um riso meio constrangido, que o neto está fazendo sexo virtual. A namorada pede que ele tire a roupa diante da uébicam e diz que está toda "molhadinha".

O neto tem 14 anos e a namorada 13. E os pais não sabem direito o que fazer, além de instalar filtros no computador.

Não ia publicar este texto. Achei invasivo demais. Incômodo. De uma intimidade que não me pertence. Até que li, domingo passado, a matéria do Estadão sobre a preocupante onda de exposição adolescente na internet. E depois saiu matéria no Fantástico.



É um assunto que ainda vai dar muito o que falar. Porque é grave e o fenômeno só cresce.

Entendo a curiosidade dos adolescentes. Já fui uma e também tive vontade de tirar fotos nuas. Necessidade de me sentir sexy. Mas era num tempo em que nossas fotos, no máximo acabavam numa caixa de sapato no guarda roupa. Há uma cena hilária no filme "Doidas Demais", em que a Goldie Hawn e …

O que vai no seu pão?

Imagem
O que vai no seu pão?

Chico é o que o povo dos Pampas chama de "mal domado". Uma pessoa que segue a vida orgulhosamente desencaixada dos padrões sociais vigentes e esperados. Tive a sorte de ser sua vizinha e a felicidade de, aos poucos, ir virando sua amiga.

Um dia, comentei com ele minha frustração por minha máquina de pão estar quebrada e ele exclamou com aquele ar de superioridade de quem nunca comprou na Polishop: "Mas ninguém precisa de uma máquina para fazer pão!".

"Isso porque você nunca experimentou os tijolinhos que faço a mão", respondi resignada.

"Eu te ensino. Não tem segredo". E um sábado à tarde, Chico aparece em casa, com um saquinho de fermento, um pouco de linhaça e toda a paciência de quem está determinado a transformar uma oleira em padeira.

A primeira lição: "Pão é basicamente farinha, água e fermento. Os outros ingredientes você coloca se quiser."

A lição foi ótima e rendeu dois lindos pães de trigo integral com centeio…

Solo fértil.

Imagem
O apoio dado ao Manifesto pelas Mães superou de longe nossas expectativas. Já contamos com mais de 500 assinaturas e a campanha está só no começo.

Quando retornarmos das férias – leia-se: a molecada voltar pra escola e a gente reconquistar aquelas preciosas horas de teclado e introspecção, faremos um novo e bem mais amplo esforço de divulgação.

Mas antes de tudo, queremos agradecer às mães e pais queridos, sinceros e parceiros que, logo de cara, abraçaram a causa. Seus comentários nos emocionaram e deram força pra que a gente retorne em agosto com todo o pique.

No site do Grupo Cria, estamos lincando todos os blogs que estão ajudando a divulgar o Manifesto. Mas como a internet é uma colcha de retalhos - com muito fuxico e tricô - alguns blogs podem ter escapado da nossa atenção. Se isso aconteceu com o seu, nos mande um email e o incluiremos na lista.

Boas férias, luz e curtam muuuuuito seus filhotes em casa. Sejamos mães, com orgulho!

Até agosto!

Você não é incompetente. Você é mãe.

Imagem
Quatro amigas blogueiras e eu resolvemos nos reunir num sonho meio quixotesco. Valorizar a maternidade.

Começamos com a publicação de um Manifesto pelas Mães, que reune tudo o pensamos e também o que aprendemos nestes anos de muita troca com as mães incríveis que frequentam a blogosfera.

Acreditamos que estamos diante de um novo momento. De uma nova geração de mulheres, mais feministas do que nunca, mais cientes do que jamais foram de seu papel e do seu enorme valor.

O Manifesto é apenas um começo de um trabalho que pretendemos desenvolver de reconhecimento da importância da mãe e da família para a construção de uma sociedade mais justa, mais humana, mais responsável.

Ele foi redigido com o cuidado intenso de valorizar a maternidade nos seus diferentes formatos. Nenhum é melhor que o outro. Todas somos mães, fazemos o nosso melhor e queremos ser valorizadas!

Essas imagens são parte da campanha de lançamento do Manifesto pelas Mães. Clique sobre elas para ampliá-las.

Clique aqui s…

A professora me chamou.

Imagem
Tenho um filho "bom". Todas nós temos. Mas o meu é muuuuito bom. Daí eu ter estranhado quando a professora dele me chamou pra uma conversa.

Fui meio ressabiada. O que meu filho meigo, responsável, inteligente e lindo de morrer poderia estar fazendo de errado?

A professora começou a reunião cautelosa. Nada mais natural quando se está diante de uma mãe palpiteira e metida a publicar na internet suas verdades sobre educação. Mas eu não estava ali como blogueira e sim como mãe. Achei melhor ficar quieta e ouvi-la.

E escutá-la não foi fácil. Meu filho bom, aparentemente, estava com problemas. E eu não estava percebendo.

Podia ter invertido o jogo. E faria isso facilmente. Botar a culpa nela, na escola, na preparação das aulas, no excesso de videogame e de açúcar na dieta infantil. Podia ter achado tudo um exagero.

Mas na minha frente estava uma pessoa genuinamente preocupada com meu pequeno. Apenas com ele. E não com a disciplina da sala. Nem com a performance da sua didátic…

A dieta do Papai do Céu para uma vida longa e feliz.

Imagem
A dieta do Papai do Céu para uma vida longa e feliz.
Recebi uma matéria sobre o risco dos protetores solares. Agora estão redimindo o sol!

Calma, antes que você saia por aí botando a criançada para virar camarãozinho, leia a matéria e tire suas próprias conclusões. Sugiro até que discuta com um dermatologista da sua confiança.

Clique aqui para ler

Para quem não lê inglês, o resumo é que alguns protetores tem substâncias que penetram na pele, entram na corrente sanguínea e podem provocar alterações hormonais ou fazer com que um tumor se desenvolva mais rapidamente. Alguns dizem que os benefícios superam os riscos. Outros acham que o consumidor deveria ser informado para exercer seu direito de escolha.

A matéria conclui dizendo que é preciso haver cautela na exposição solar e, quem quer opções seguras, deve ficar na sombra, usar camisa de manga longa e chapéu.

Já redimiram a manteiga, o abacate, o café. O chocolate, vilão das espinhas, virou elixir da longa vida. O ovo, pobrezinho, já…

Duas mães.

Imagem
Duas mães.

O filho pequeno se queixou que havia uma regra na classe que o aborrecia muito. Não podia mais trocar lanche com o colega. E morria de vontade de fazê-lo. A mãe explica que se ele era contra uma regra, deveria manifestar sua opinião e tentar mudá-la.

Depois de discutirem estratégias, resolvem escrever um bilhete a ser encaminhado à professora. O pequeno dita, a mãe escreve. Ambos assinam.

O bilhete, chega às mãos da professora, que resolve lê-lo em voz alta para a turma. Percebe que a insatisfação com a tal da regra era generalizada. Faz uma votação e os baixinhos derrubam a proibição por unanimidade. A troca de lanche estava liberada, dentro de novas regras combinadas ali mesmo.

O menino volta para casa exultante. Tinha se manifestado e conseguido uma vitória significativa contra algo que discordava. Mãe e filho comemoram a conquista.




Na outra casa, a menina conta, feliz da vida, que agora podia trocar o lanche. A mãe se aborrece. É daquelas que fazem questão de uma alimentaçã…

A culpa é da mãe.

Imagem
A culpa é da mãe.

Quando eles são bebês e choram pedindo colo, a culpa é sua porque acostumou mal.

Quando eles comem errado, a culpa é sua por não ensinar a comer direito.

Quando saem mulambos, a culpa é sua porque não vê como as crianças estão vestidas.

Se saem arrumadinhos demais, a culpa é sua por não deixá-los a vontade.

Se vão mal na escola, a culpa é sua por não acompanhar.

Se xingam, você não bota limite.

Se sentem sono, faltou disciplina.

Se apareceu cárie, você deixou comer porcaria.

Se resfriou, é porque você deixa andar descalço.

Se dão piti, falta pulso.

Se a doença rescindiu, você não cuidou direito.

Se pegou o carro escondido é falta de impôr respeito.

Se engravidou a namorada, é porque você não colocou juizo no feijão.

Aí um dia, por incrível que pareça, eles sobrevivem a nós e crescem. Viram gente grande. Lindos, donos dos próprios narizes, funcionários de bancos, pais e mães de família, autores de novela.

E quando você acha que, finalmente, a vida começa a lhe fazer justiça e a rec…