27.5.16

"Pai meteu bebida na filha pra f... gostoso"



"Pai meteu bebida na filha pra f... gostoso"

Se você nunca entrou num site de filmes pornô amador, entre. Eu fortemente recomendo, especialmente se você tem filhos. Estes sites hoje são os principais responsáveis pela educação sexual das nossas crianças e adolescentes. Foi conhecendo esses sites que entendi a reação dos meninos do Piauí que, ao serem pegos após o estupro de uma garota, disseram que não haviam feito “nada de mais”. Eles estão certos. Pela educação recebida através desses sites, violar uma garota não é nada de mais. Pelo contrário, é gostoso, divertido e pura safadeza pegar meninas bêbadas na balada, arregaçar novinhas, expor garotas dormindo e todo um cardápio de abuso que vai além de qualquer imaginação. E não são só as imagens que chocam pela crueza e pela realidade com que a sexualidade é mostrada, cada vez mais distorcida. Os textos que descrevem os filmes são grotescos: “Pai meteu bebida na filha pra fuder gostoso”, “Acariciando a amiga bêbada”, “Comendo uma noiada por dez reais”, e por aí, tristemente, vai.

Desculpaê se estou sendo muito explícita, mas está na hora de pararmos com o nhém nhém nhém puritano e olharmos de frente para o que está acontecendo na vida dos nossos jovens e adolescentes. Enquanto ficamos discutindo se a escola tem ou não tem que ensinar sobre sexo, eles estão aprendendo na internet, desde a mais tenra idade, um sexo irreal, violento e distorcido.

Esses meninos e meninas são vítimas. Vítimas de uma sociedade que insiste em querer censurar professor, beijo gay e que agora quer dizer o que pode ou não pode dentro de sala de aula, mas não liga a mínima pro que está rolando no celular da molecada. Uma sociedade que acha graça que suas filhas e filhos dancem “Baile de Favela” e cantem bem alto o refrão “e os menor preparado pra foder com a xota dela” e que as minas vão “voltar com a xota ardendo”, mas que se escandaliza se uma pessoa transexual quer ser chamada de Pedro ou Lúcia.

Se queremos empoderar nossas meninas e criar meninos melhores, a educação sexual se faz urgente. Uma educação sexual que os faça refletir sobre o que veem na rede e que seja um contraponto para o sexo doente e distorcido que eles assistem nesses sites. Essa realidade pede pais atentos, abertos para falar de sexo e tirar dúvidas, mas também pede especialistas. Gente qualificada para conduzir esse debate de maneira técnica, desprovida de julgamentos morais e que conduza à uma reflexão saudável. E isso só é possível através dos educadores. Aliás, para muitos, o ambiente escolar será o único local onde terão acesso a uma conversa mais esclarecedora sobre sexualidade. Proibir a educação sexual nas escolas é manter operando a máquina de formação de homens que acham que estuprar mulheres não é “nada de mais”.

Está na hora de nos despirmos de pudores, de vergonha e olharmos para o problema de frente. Sem medo. 

Entre nos sites, pesquise, reflita. Se precisar de algum endereço, peça ao seu filho.



P.S: não entrei no mérito de proibir ou não o celular e etc, pois com a mobilidade, o que seu filho não vê no celular dele, ele vê no do amigo. Esquece a história de computador na sala onde todos têm acesso. Isso virou pré-história. O jogo agora é outro.

9.5.16

O dia das mães é uma merda!



O dia das mães é uma merda!

As tias contam que sua mãe, já falecida, havia sido uma menina “terrível”. Os causos que justificam tal adjetivo são muitos. Desde pequena, a mãe nunca gostou de usar roupas. A vó teve que costurar suspensórios nas suas calçolas para ela não conseguir arrancá-las e sair peladinha por aí.

Era briguenta como o cão. Uma vez, voltando da escola, ao ser perseguida por um bando de moleques, pegou um ramo de primavera que encontrou numa pilha de podas e foi pra cima deles, botando todos pra correr. 

Contam também que ela amava plantas. A ponto de transformar qualquer lata de Parquetina, óleo, banha, sabão, em vasinho de flor. Um dia, para provocá-la, o irmão mais velho destruiu todos os vasinhos. Irada, ela atirou-lhe uma chave, que naquele tempo eram imensas, e quebrou-lhe um dente.

Adorava brincar de trapezista e uma de suas brincadeiras preferidas era rodopiar no varal, até que um dia caiu e quebrou o coccyx. A filha se lembra dela ter-lhe confessado que sonhava em um dia fugir com o circo.

Crescida, era obrigada a namorar na frente de casa, debaixo do poste de luz. Pois a menina “terrível” estourava as lâmpadas com estilingue para poder beijar no escurinho, fora da supervisão dos pais e, pior, dos irmãos.

O pai queria que ela fizesse o normal, como todas as filhas. Mas ela se recusou. Queria ser enfermeira, para desgosto dele que, naquele tempo, achava que as enfermeiras eram putas de médico. Ela não deu bola, seguiu em frente, cursou o que quis, teve uma carreira linda e virou um dos maiores orgulhos do velho.

Um dos episódios mais engraçados, que entrou pro almanaque da família, foi no Dia das Mães. Durante toda a semana, as rádios tocaram sem parar uma música que dizia “o dia das mães é sagrado, é sagrado, é sagrado”. A música era repetida insistentemente e a homenagem emocionava mamães, que faziam coro cantarolando junto. No dia sagrado, com a parentada reunida na sala e as crianças razoavelmente engomadas, a menina pequenininha, vestida só de calçola e suspensório, pediu silêncio porque ia fazer uma apresentação. Quando todos se calaram ela se posicionou teatralmente como uma rainha do rádio e cantou no ritmo da canção: “O dia das mães éuma merda, é uma merda, é uma merda!”. Comoção geral, a vó tentou agarrá-la para clássica chinelada no bumbum, mas a menina gargalhando, disparou na direção da janela feito um corisco, deu uma ponta e desapareceu por horas nas profundezas do quintal. 

Depois de adulta, a mãe contava que fez aquilo porque não aguentava mais ouvir aquela música. E sorria, feliz. 

A filha se lembrou do episódio, diante do festival de cor de rosa, laços, gatinhos, frases edificantes, vídeos, “lindo!” e “obrigada, meninas”, das redes sociais e do whatsapp no Dia das Mães. E pela forma como reagiu a ele, acredita que não era só a personalidade da mãe que era terrível. Seus genes também. 

Desligou o celular, deu uma ponta pela janela e só reapareceu horas depois. Sorrindo, feliz.