25.6.13

O gigante adormece na escola.




O gigante adormece na escola. 

A reportagem mostra o prédio da escola onde um aluno entrou armado. E depois o da delegacia para onde ele foi levado. Não consegui distinguir qual era um e qual era outro.

São nestes prédios cinzentos e cheios de grades, com mais cara de presídio do que centros do saber, que educamos nossa garotada para a vida em sociedade.

E o que acontece com as paredes não difere muito do que acontece em sala de aula.

Se perguntam, querem tumultuar.

Se questionam, estão desautorizando o professor.

Se não querem ficar na sala, são vagabundos.

Se não conseguem ver sentido na lição, são desinteressados.

Se erram, são sem noção.

Se não aprendem, tem déficit de atenção. 

A indisciplina é tratada como violência. 

A rebeldia como caso de polícia. 

A criatividade como afronta.

A opinião dos alunos sobre esta instituição, ironicamente criada para eles, pouco ou nada conta. 

Quando querem falar, são ridicularizados, calados ou ignorados. 

Quando gritam, são contidos com sanções e advertências. 

Não há espaço para manifestações. Para se dizer o que pensa. Para participar das decisões. 

Controlam por onde eles circulam, quantas vezes vão ao banheiro, o que pregam nas paredes. 

Não é permitido que se apropriem de um espaço que, por direito, é deles. 

Em compensação, o fracasso - esse sim - é deles. Só deles. E de suas famílias, desestruturadas, omissas e ausentes. 

Num País onde submissão é ensinada com tanta eficiência em escolas públicas e privadas, não me surpreendo que o gigante tenha demorado tanto para acordar. 

Me surpreendo que um dia ele tenha acordado.