29.6.12

Pais serão ouvidos em Audiência Pública sobre a publicidade infantil.



Coletivo de pais será ouvido em Audiência Pública sobre regulamentação de publicidade infantil


Texto de Natalie Catuogno, publicado originalmente no blog Infância Livre de Consumismo.
Pais e mães que defendem a regulamentação da publicidade infantil serão ouvidos pela primeira vez na Câmara no dia 3 de julho. A audiência da qual o grupo participará é parte dos trabalhos da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Casa, que está analisando o PL 9521/01, que trata justamente de regulamentar a propaganda dirigida às crianças.
O coletivo Infância Livre de Consumismo (ILC), que reúne os pais pró-regulamentação, requereu a participação quando ficou sabendo da audiência, e o pedido foi acolhido pelos membros da comissão. “Os pais nunca tinham sido ouvidos pelos parlamentares que discutem os rumos desse projeto. Entendemos a importância dessa ausculta, pois é uma forma democrática de a sociedade participar. É fundamental nossa participação nesse momento da elaboração do documento”, explica Mariana Machado de Sá, uma das fundadoras do grupo.
Também participarão desse debate o Instituto Alana, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), a Associação Nacional de Defesa da Cidadania e do Consumidor (ANADEC), a Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (ANCED), a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão além de organizações que representam o mercado.
Coletivo ILC
Em três meses de atividades, o ILC já tem mais de cinco mil seguidores no Facebook e ganhou apoios importantes, como o do Instituto Alana, da Aliança pela Infância e do Idec, e de teóricos da comunicação como Telma Vinha, Edgard Rebouças, Laurindo Leal Filho e Venício Lima.
O objetivo do grupo é socializar informações sobre os danos provocados pela publicidade dirigida às crianças e os impactos na vida das famílias, da sociedade e no meio ambiente. Além disso, gera aprendizado sobre as possibilidades de regulamentação da propaganda dirigida à infância.
Contato: Natalie Catuogno 11 8523-3091
Este é um momento importante. Histórico: é a primeira vez que os pais sentarão na mesa e serão ouvidos. É uma audiência PÚBLICA e todos serão bem vindos. Nossa representante está muito preparada para mostrar o lado dos pais: as dificuldades, os dilemas, as realidade.
Quem puder compareça: Câmara de Deputados, 03/07/12, 14h.

25.6.12

Meu filho vai viajar com a escola.




Meu filho vai viajar com a escola.

Seu filhote vai fazer um passeio com a escola? Então leia e descubra em qual perfil de mãe você se encaixa:

Mãe Tchauzinho - aquela que aguarda na escola até a partida do ônibus para poder se despedir, abanar a mão e mandar beijinho. É comum vê-la enxugando uma lágrima enquanto o ônibus some no horizonte.

Mãe Defensora Pública – sabe quanto custam os ingressos de todas as atrações, o preço do transporte e da alimentação. Faz as contas e descobre que a escola cobra bem mais do que precisava pelo passeio. Contata as demais mães e organiza um movimento para reduzir os preços.

Mãe Elma Chips– manda o lanche que a escola pediu e um extra pra garotada comer no busão. É a mais odiada pelo pessoal da limpeza.

Mãe Mochileira – apesar dos avisos da escola para não mandar mochila no dia do passeio, obriga a filha a levar uma mochilinha com pelo menos uma muda de roupa. Ignora os protestos da menina e ainda dá um jeito de enfiar toalha, capa de chuva, escova de dentes e um par de galochas na bagagem.

Mãe Pé da Letra – vê a filha da Mãe Mochileira embarcando com bagagem de mão e quer saber por que o filho dela não foi autorizado a também levar uma troca de roupa. A explicação da professora não convence e ela lamenta ser a certinha que sempre segue as regras.

Mãe Não Vi o Bilhete – manda o filho para a escola sem nada do que foi pedido para o passeio. Depois corre feito uma louca para trazer tudo antes que o ônibus parta. Seus filhos costumam roer unhas.

Mãe Manual – faz uma lista de recomendações, imprime e entrega para o filho, auxiliar, professora e motorista. Ao término do passeio descobre que usaram as folhas no campeonato de aviãozinho de papel.

Mãe Que Excursão? – as amigas precisam sempre lembra-la que vai ter passeio e que aquele é o último dia para entregar a autorização e pagar. É comum ela ser vista na secretaria implorando por uma prorrogação no prazo.

Mãe Inquisidora – descobre que um adulto foi estúpido com algumas crianças durante o passeio. Organiza um movimento para pedir a cabeça, os olhos e o fígado do rapaz no STM, o Supremo Tribunal Maternal.

Mãe Fome Zero – a escola pede um lanche reforçado e a mãe manda um suprimento da Organização Mundial da Saúde capaz de alimentar todo um acampamento de refugiados de guerra, por cerca de 10 dias.

Mãe Globonews – é ávida por notícias sobre o passeio. Entra no site, liga no acampamento, manda torpedos para os professores e, de hora em hora, consulta a secretaria da escola para saber se o busão já retornou e se está tudo bem.

Mãe Batedor – não autoriza os filhos a viajarem no ônibus com a escola. Prefere leva-los de carro, dirigindo atrás do busão. Os filhos fingem que estão dormindo quando os colegas que estão no ônibus acenam e fazem caretas para eles

Mãe que não dá nenhum trabalho para a escola no dia do passeio – é o pai.

Foto: Scott Sommerdorf, The Salt Lake Tribune

18.6.12

"Mãe, briguei na escola"



O menino chega em casa suado e agitado. Mal entra e dispara com os olhos marejados: "Mãe, briguei na escola." Não consegue continuar. As comportas se abrem e ele solta o choro contido. As lágrimas escorrem pelas bochechas sujas.

A mãe olha para ele com atenção. "O que aconteceu?"

"Eu estava em cima da árvore. Um menino me provocou, disse que eu subia na árvore feito um elefante e eu respondi que ele nem conseguia subir. Eu desci da árvore e ele me deu um chute no peito, com a chuteira de trava." 

O choro volta forte. Ele ergue a camiseta para mostrar as marcas que haviam ficado na pele.

"Nossa! E o que você fez? Chamou um adulto?", pergunta a mãe, condoída.

"Não. Dei um murro na cara dele e saiu sangue do nariz dele...mas, mãe, eu me defendi, foi ele que veio para cima de mim!"

A mãe não sabe o que dizer. É contra a violência, mas o menino bateu nele e pelas marcas, bateu forte. Como ensinar a não violência e ao mesmo tempo motivá-lo a se defender? 

"Filho, não tinha um adulto para você chamar?"

"Nem deu tempo, quando ele veio me bater eu tive que me defender, mãe. Dei o soco e ele parou. Ele ficou o mó assustado quando viu o sangue."

"Ele chorou?"

"Até eu chorei, mãe."

"Algum adulto apareceu para apartar a briga?"

"Apareceu, mas bem na hora me chamaram para eu ir embora. Acho que vão mandar a gente pra coordenação amanhã."

Confusa, a mãe resolve fazer o que todas as mães da humanidade faziam até serem inventados os livros de auto-ajuda - seguir os instintos. E nesses assuntos de chute na cria os instintos são praticamente inconfessáveis. Ela abraça o menino enquanto diz: "Filho, que chato! Vem cá vem, eu não queria que você brigasse, mas você fez bem em se defender. Não podia deixar ele continuar batendo em você."

O menino relaxa e diz valente: "Não, mesmo! Esse aí não vai mais vai me bater."

A mãe engata um discurso padrão sobre ele não aceitar mais provocações, evitar briga, não deixar as coisas chegarem a este ponto, mas no fundo, estava satisfeita, bem satisfeita, por ele ter se virado. Agora era aguardar. Um nariz sangrando por um murro era prenúncio de B.O. Se a escola não a chamasse, provavelmente os pais do menino a procurariam.
Mãe de agressor é a criatura mais crucificada da sociedade e dificilmente ela sairia dessa sem um puxão de orelha.

Enxuga os olhos do filho e toma uma decisão. Por hora, não procuraria a escola e nem ninguém. A briga foi deles e eles aparentemente resolveram. Não da melhor maneira, mas da maneira que conseguiram. Aguardaria os próximos capítulos.

No dia seguinte, ela espera ansiosa a volta do menino, que chega excitado: "Mãe, a Kátia (coordenadora) chamou nós dois. Eu falei pra ela: 'eu só fiz legítima defesa...ele me bateu, eu me defendi. Foi legítima defesa!' Ela viu que eu estava certo e deu advertência só para o outro menino. Ele nem abriu a boca. Ficou olhando para baixo, emburrado."

A mãe se perguntou onde o menino aprendeu a falar assim. Ficou imaginando a cara da coordenadora, diante do encontro de Dom Casmurro com o Law and Order.

Resolveu relaxar. Se alguém viesse conversar já saberia o que dizer. Foi legítima defesa. E mantenha seu filho longe do meu. 

Caso encerrado.

5.6.12

Educar não tira férias



Educar não tira férias

Na praia, a menina de 5 anos pede um queijinho. A mãe compra e antes de entregar dá uma mordidinha.

Ao ver o queijinho mordido, a menina reclama e começa a choradeira.

Mãe e tia tentam, mas nada resolve: o queijinho ainda não mordido da tia não serve, um novo queijinho nem pensar, deixa pra lá e come seu queijinho – surto! O projetinho de gente queria o queijinho dela, mas sem a mordida.

Os berros vão ficando mais insistentes e como não havia solução, a família opta por ignorar. A mãe termina de comer o queijinho, os irmãos correm para o mar e a tia abre uma revista.

Ao ver que a gritaria não estava funcionando, a menina resolve mudar de tática. Pega um palito de queijinho e espeta com força as costas da mãe.

A mãe fica muito brava, mas consegue se controlar e dá o recado: “Estou vendo que você está nervosa e muito brava com o que aconteceu com seu queijinho, mas você não pode machucar ninguém por isso. Se acontecer de novo, nós vamos embora da praia.”

A menina senta emburrada na areia. Mas assim que a mãe dá as costas, ela levanta e a espeta novamente.

A mãe dá a ordem: “Pegue seus brinquedos que estamos indo para casa.” A menina pergunta pelos irmãos. A mãe explica que eles vão continuar na praia com a tia. Quem vai embora é ela e a mamãe. Diante dessa tremenda injustiça, a menina decide berrar ainda mais alto e se joga na areia.

“Eu avisei você. Não podemos agredir as pessoas nem quando estamos com muita raiva. Você me agrediu. Vamos para a casa e fim”.

A casa ficava a pelo menos um quilômetro e elas estavam a pé. Arrastar uma menina pesadinha e ainda por cima jogando o corpo toda hora na areia não é fácil. Uma cena e tanto para os demais banhistas, mas a mãe ignora os olhares e só para quando chegam na casa.

Ao ouvir a história perguntei: “Que malinha! Jura que você saiu da praia? Mas o dia não estava lindo?”

A resposta foi uma das lições mais bonitas sobre a arte de criar uma criança: “Claro que preferia ter ficado na praia. Mas antes de ser uma mulher de férias, eu sou mãe. E ser pai ou mãe significa educar. Disso, não temos como tirar férias. E nada é mais importante. Eu podia ter dado uma palmada e resolvido de forma muito mais imediata. Mas como vou ensiná-la a não agredir, agredindo-a? Me sacrifiquei, mas ensinei algo valioso a minha filha. Não poderia perder esta oportunidade de educá-la nem por um dia maravilhoso de sol.”

Pensei nas inúmeras vezes que surtei, para conseguir ver meu programa ou ter um pouco de sossego e engoli seco. Nessa noite, fui dormir pensativa. 

Imagem do site: www.photographytips.com