12.4.12

Levante a mão quem não é consumista.



Levante a mão quem não é consumista.

Hoje é dia de blogagem coletiva materna sobre a Infância Livre de Consumismo.

Escolhi não falar sobre a influência da publicidade na formação dos pequenos. Na página do ILC no Feicebuque e nos textos já publicados há informações preciosas sobre esse tema.
Para mim, o que mais preocupa nessa louca relação consumo x criança x família é que nós, pais de hoje, somos consumistas.

Somos talvez a primeira geração de pais formados desde muito pequenos para consumir. Me lembro que a geração que veio antes da minha, tinha uma relação completamente diferente com as coisas. O papel de presente era guardado para embrulhar novos pacotes. Nenhum pote de vidro ia para o lixo. Os livros eram encapados com carinho para serem usados novamente no ano seguinte. Comida era caseira. Fomos aprendendo aos poucos a usar caldo Knorr, o Arisco e outros aditivos industriais. Refrigerante era só no domingo e olhe lá, mas para comprar tinha que levar o casco. Água vinha do filtro de barro.

Eu não estou de saudosismo, mesmo porque resgatei na minha vida quase todas essas práticas. Estou querendo mostrar que algo aconteceu de uma geração para outra para que as coisas mudassem. Somos a geração do consumo, do descarte, do desperdício. Nossos filhos consomem mais açúcar numa festinha de aniversário do que todo um império da antiguidade podia consumir em meses. Tem mais sal num saquinho de salgadinho do que provavelmente no salário de um soldado romano. Nossos banheiros  guardam mais produtos de beleza higiene pessoal do que um harém das mil e uma noites. Muitos com a validade vencida sem terem sido usados.

Não somos culpados. Ninguém nunca pensou nas consequências que esse comportamento traria para o planeta, para nós mesmos e para a formação das futuras gerações. Ao contrário. Comprar sempre foi motivo de orgulho, status, poder. Um prazer estimulado incessantemente nas telas das TVs, nas fotos inebriantes das revistas, nos prédios opulentos dos centros de compra, nos estacionamentos das empresas. Comprar, para muitos de nós, é razão de viver.

Reverter essa situação levará muito tempo. Mas é imperativo. Não voltaremos nunca ao que faziam nossos antepassados. Mas temos que formar uma nova geração de seres humanos conscientes de seu papel enquanto consumidores no bem estar de si próprios e na preservação do planeta. Temos que desassociar consumo de modo de vida. De fonte de felicidade. De oba oba inconsequente.

Achar que os pais sozinhos dão conta de mudar esse processo é não ter noção da dimensão do problema e de como ele está enfronhado na nossa vida. É se aproveitar de quem também é vítima.

Nós, pais, precisamos de menos dedos apontados e de mais parcerias. 

Família, escola, governo, meios de comunicação, fabricantes, igreja, celebridades , comércio, publicitários etc. Todos precisam atuar para que novos modelos sejam apresentados à sociedade e padrões de consumo distintos do nosso se formem. 

Se cada um assumir sua real responsabilidade no processo, já é um excelente começo.


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Conheça outros pais preocupados com o consumo infantil. Participe da página do ILC no Feicebuque. Clique aqui e curta essa causa.

Conheça também o blogue Infância Livre de Consumismo.



5.4.12

Precisamos de uniformes inteligentes ou de gestores inteligentes?



Precisamos de uniformes inteligentes ou de gestores inteligentes?

Você é gestor na área de educação e precisa lidar com o número elevado de alunos que cabulam as aulas. Você:

1)      Coloca Michel Teló cantando “É a nossa alegria” nos alto-falantes da escola como forma de atrair a meninada.

2)      Ignora. Aluno cabula aula desde que inventaram a escola e não é você que vai dar jeito nisso.

3)      Manda bilhete para os pais resolverem.

4)      Procura saber o motivo do desinteresse dos estudantes pela escola e coloca em prática um plano para mudar as coisas, envolvendo equipe, pais e alunos.

5)      Articula com a Prefeitura o fechamento da lanhouse que fica perto da escola, porque é para lá  que a turminha vai.

Em São José dos Campos, SP, fecharam a lanhouse. Em Vitória da Conquista, BA, investiram R$ 1,2 milhão na compra de uniformes com um chipe embutido, que avisa aos pais que o filho não passou pelo sensor que fica na porta da escola. É a forma moderna da escola mandar bilhete e transferir o problema para os pais.

Está na hora do Brasil entender que nenhuma solução imediatista vai dar jeito na educação. Alunos cabulam aula porque o lado de fora é muito mais legal que o de dentro.

Ciente do problema, só há um jeito de resolvê-lo: o lado de dentro tem que mudar.

Uia?! Como assim mudar?

Ambiente mais acolhedor, prédios com menos cara de prisão (quem não ia querer fugir?), aulas mais significativas, respeito mútuo, professores continuamente preparados e valorizados, interesse, motivação, esporte, a família verdadeiramente envolvida (e não coagida a agir), autonomia (para alunos e educadores) etc, etc, etc.

O problema é que fazer tudo isso é um grande desafio. Fechar contrato com o fabricante do tal do chipe é bem mais fácil e se faz com uma caneta.

A realidade tem mostrado que não existe e nunca existirá fórmula mágica para a educação. Cada escola precisa encontrar seu caminho, de acordo com a realidade da comunidade na qual está inserida.

É um exercício de transformação que, como nos seres humanos, passa primeiro pelo autoconhecimento.

Parece budismo. Mas é a Dona Vida. Essa sim pode ser chamada de inteligente.

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P.S: Senhores de Vitória da Conquista, não quero estragar prazeres, mas quanto tempo vocês acham que os alunos vão levar para descobrir que é só enfiar a camiseta na mochila do colega para burlar o sistema. Como diria meu adolescente: “Dêr!”