26.6.11

Pais x Professores - quem perde são nossos filhos.



Pais x Professores - quem perde são nossos filhos.

Até há pouco tempo, filhos eram criados meio que em comunidade. Era a bronca do pai, o olho da vizinha quando a mãe estava fora, o colo dos avós, os conselhos das tias, as iniciações com os primos, as brigas e brincadeiras na rua, os puxões de orelha da professora e do inspetor de alunos.

Além do convívio próximo com todas estas pessoas, havia também uma espécie de código de conduta que todos conheciam e faziam valer. Tinha que respeitar os mais velhos; apanhou na rua apanhava em casa; quem não obedecia ficava de castigo; o irmão mais velho resolvia as brigas; e o pai nunca podia saber de nada ou ele matava um.

Não preciso dizer que hoje tudo mudou e não foram só os códigos que ficaram confusos. Vivemos num certo estado de solidão familiar, isolados por muros, ruas onde não se brinca e o concreto dos apartamentos. A extraordinárias  tarefa de se criar uma criança, acabou ficando restrita a 2 agentes: família e escola.

Família, leia-se pai e mãe. Às vezes só pai, muitas vezes só mãe e com frequência representados, grande parte do dia, por empregada, televisão ou videogame.

Escola, leia-se escola mesmo. A instituição educativa onde nossos filhos hoje entram usando fraldas e só saem quando já usam camisinha. Alguns chegando a passar quase mais tempo na escola do que em casa.

Agora vem a dúvida: se somos só nós, pais e educadores diante desse mundo caótico, arregaçando as mangas para criar gente do bem, por que nos entendemos tão pouco?

Recentemente, fui convidada para conversar com um grupo de professores de um curso de pós-graduação que estuda as relações com a família. A ideia era transmitir a eles meu ponto de vista de mãe. A visão do lado de cá.

A conversa foi muito boa e profícua em todos os sentidos. Estava diante de um grupo de educadores desarmados, abertos para escutar, a fim de entender porque esta troca não acontece com mais frequência no dia-a-dia da escola. Profissionais preocupados com o imenso abismo que se abriu entre escola e família e que nos impede de escutar, falar a mesma língua e entender.

Um ponto curioso da nossa conversa, foi quando listei o que os pais acham que os educadores pensam deles. Apresentei uma lista que incluía itens como: não nos escutam, vivem na defensiva, transferem para nós responsabilidades que não são nossas, acham que não estamos presentes e que não impomos limites, acham que não estamos nem aí e etc. Nesta hora, um professor pede a palavra e diz, sorrindo, que eles haviam elaborado a mesma lista na semana anterior, só que com o que os professores acham que a família pensa deles. E a lista era praticamente a mesma!

Curioso e triste. Porque como principais referências na formação dos nossos filhos, deveríamos ser mais cúmplices um do outro. Mais abertos para ouvir, para dialogar, para trocar e confiar.

Não a confiança cega de outrora, quando professores podiam até bater para impor respeito e os pais chamavam de burro o filho que tirava notas baixas. Essa, graças aos novos tempos, não volta mais.

Falo de uma confiança culta e sadia. Confiança de quem se conhece e se cobra, porém sabendo das qualidades, das dificuldades e dos limites de cada um.

Confiança de quem assume que ninguém é dono da verdade. E que estamos todos tentando sobreviver neste mundo em rápida transformação, sem as referências do passado e sem ideia alguma de como será o futuro.

Assim como nós pais às vezes nos perdemos (a Supernanny que o diga), nem sempre a escola tem a solução pronta e certa para os problemas. O importante é estarmos abertos para discuti-los, haver transparência, honestidade e a certeza que juntos, somos muito melhores que separados.

Precisamos reconstruir as pontes que caíram no furacão das mudanças e nos colocaram em lados opostos. Porque no meio, estão nossos filhos.

Sair da defensiva e dialogar, pode ser um começo.

14.6.11

Patroa na cozinha.



No aniversário da empregada, a patroa resolve fazer ela mesma o bolo. Escolheu uma receita de bolo de chocolate do NY Times Cookbook. Os 13 anos de parceria, mereciam um bolo com estilo.

Bolo no forno, resolve dar uma saidinha e bota o marido para pilotar o fogão.

O marido, com sua técnica altamente avançada de aceleração de cozimento, aumenta o fogo ao máximo e muda a assadeira para a prateleira de baixo.

Quando a esposa chega em casa, sente o cheiro que bolo queimado no ar.

Tira correndo a assadeira do forno. A empregada estava para ir embora. Na pressa, resolve desenformá-lo quente mesmo.

O bolo despedaça. Ela devolve todos os pedaços para dentro da assadeira e resolve servir em copinhos. A amiga, que estava de passagem e ficou para o parabéns, é solidária: "Vai dar certo. É tipo petit gateau".

Parabéns cantado, bolo servido e a amiga pergunta o que são os pedacinhos crocantes bem durinhos do bolo.

A anfitriã diz que deve ser o açúcar que cristalizou. Demerara.

A amiga acha curioso, nunca tinha feito bolo com demerara. Acha engraçado como o açúcar endureceu ao invés de derreter. Sugere que as crianças não tentem morder para não quebrar o dente.

Todos comem com apetite, o bolo ficou gostoso. Mas a competição é para quem cospe o maior pedaço de crocante duro.

Quando o bolo chega ao final, a mãe olha para o escorredor de louça e berra: "Que açúcar demerara que nada. A gente tá comendo a tampinha do liquidificador que ficou dentro do copo e eu não vi. Bati tudo junto." E cai na gargalhada.

Todos fazem careta e colocam a mão no estômago. 

A amiga não acredita: "Mas como você não ouviu?"

"Ouvi uma barulheira, mas achei que tivesse gelo no leite."

Quieta no seu canto, a aniversariante sorri. Bolo queimado, despedaçado e com fragmentos de acrílico. Ela não vê a hora de pegar sua bolsa e entrar no Feicebus.

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10.6.11

Serviço Nacional de Desinformação - SND





Serviço Nacional de Desinformação - SND

Consuma refrigerante para produzir lixo e ajudar as famílias de baixa renda que vivem de catar sucata.




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Comer margarina é fundamental para a saúde do seu coração.




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A melhor coisa que você pode fazer para garantir que seu filho está se alimentando bem é dar a ele suplemento alimentar industrializado.




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Insetos não são bem vindos. Uma casa cheia de veneno é bem melhor.




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Brincar ao ar livre é perigosíssimo se a pele de seu filho não estiver protegida de uma camada de veneno.




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Quem é jovem, esperto e sabe se virar na vida, come comida congelada de microondas.




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Sujeira é ruim. Germes e bactérias uma ameaça! Para sobreviver use sempre sabonete bactericida.




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Um engradado de cerveja é a coisa mais importante da vida do homem.




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Não basta você se preocupar com pneuzinhos, cabelo crespo ou rugas. Preocupe-se também com o escurecimento das suas axilas.




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A vida é curta. Quem não consome não a vive na sua plenitude. Consuma e use seu cartão de crédito para que as coisas aconteçam.




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1.6.11

Deputado Carlinhos Almeida, o senhor me deve uma explicação.


Deputado Carlinhos Almeida, o senhor me deve uma explicação.


Sou mãe. Não sou jornalista, analista político, nem tenho treinamento que me permita entender os meandres da política.

Portanto, só com sua explicação talvez eu consiga entender o motivo do senhor ter votado a favor do novo Código Florestal.

Fui sua eleitora nas últimas eleições. Meu voto ajudou-o a se eleger deputado. Portanto, me sinto responsável por seu voto. E muito envergonhada da minha escolha.

O novo Código foi regidigido sob intensa polêmica. Muitas vezes, representantes do seu partido foram à mídia para protestar contra seus abusos. Dizem até que nossa Presidente, que carrega no peito a mesma legenda que o senhor, achou tudo uma vergonha. Aparentemente, muita gente do seu partido não concorda com ela. Foi expressiva a votação do PT a favor da bancada ruralista.

Então, dá para alguém me explicar o que houve? 

Quebrando muito a cabeça, só consigo encontrar três supostas explicações:

1) Vendo que era caso perdido, vocês manobraram para jogar a decisão para o Senado. Neste caso, deputado, o senhor poderia ter sido coerente com sua presidente e seus eleitores. Seu voto não teria mudado o resultado da votação. 

2) A Presidente não está tão envergonhada assim. E foi tudo um teatrão para que a expressiva parcela de eleitores preocupados com os abusos do novo código não fiquem contra ela, nem contra o governo. Desse jeito ela sai enfraquecida, mas não queimada.

3) O senhor, infelizmente, não defende as idéias que eu pensei que defendesse. E apóia a bancada ruralista. O capital sem ética. Os assassinatos corriqueiros de ambientalistas. As siderúrgicas que queimam árvores milenares. O perdão para quem desmatou. A redução das áreas de preservação. Apóia, um Brasil que abre mão de seu maior patrimônio em troca do lucro imediato para somente alguns.

Sinto muito, deputado, pelo seu voto. E pelo meu. Sinto mais ainda pelo Brasil e pelo Congresso que o representa. 

Se podemos tirar algo de verdadeiro nisso tudo, é só a vergonha.