26.4.11

Seu filho acha a escola chata? Ele pode ter razão.



Seu filho acha a escola chata? Ele pode ter razão.

Uma das maiores conquistas da humanidade com a internet foi sair da era da informação hierarquizada e entrar no admirável mundo da informação cooperada.

Há bem pouco tempo, você deve se lembrar, a informação vinha de fontes quase únicas: grandes conglomerados que concentravam todo o poder de transmiti-la. E nós, o restante da humanidade, eramos passivos receptores daquilo que eles queriam que soubéssemos.

Com a internet tudo mudou. "Power to the people". Qualquer pessoa com acesso a internet e um teclado, pode ouvir e se fazer ouvir. Da mamãe aqui ao William Bonner, passando pela menina na lanrause ao árabe revoltado no norte da África, todos produzem, compartilham e contribuem. E você tem diante de si um universo rico de informação e trocas, nunca antes imaginado. Que está só começando.

Este sistema está trazendo mudanças rápidas e profundas nas instituições estabelecidas. Emissoras de TV, políticos, jornais...estão todos buscando se reinventar para sobreviver.

Só tem uma instituição que se recusa solenemente a fazer qualquer mudança. Não, não são os ditadores árabes, nem a família Castro, de Cuba. É a escola dos nossos filhos.

Todos os dias, eles abrem os portões e continuam funcionando como se nada do que está acontecendo no mundo os afetasse. Recebem meninos e meninas, nascidos e criados neste novo cenário de cooperação, e os colocam sentadinhos numa carteira para uma sessão de 3, 4, 5 horas de notícia transmitida pelo "âncora" professor (aposto que nem no confortável sofá da sua sala você aguentaria essa maratona). Como se isso não fosse tortura suficiente, dão como leitura principal, um periódico "interessantíssimo" chamado livro didático ou apostila, escolhidos pelo conglomerado educacional e enfiados goela abaixo dos alunos e bolso abaixo dos pais.

Os problemas, obviamente, surgem. Crianças desatentas, desmotivadas, pouco interessadas na aula, que não param quietas e com índices baixos de aprendizagem. Crianças que precisam de inspetor pra voltar pra classe ou de pílulas para se concentrar. Alunos que não respeitam o professor (e vice versa). Professores que precisam aprimorar cada vez mais o showzinho para prender a atenção dessa galera. E dá-lhe musiquinha, sambadinha, piadinha, rap da taboada.

"A culpa é da geração X, Y, Z, E, T C", afirmam, sem jamais olhar para o próprio umbigo.

O mundo todo está mudando. É tão obvio que o sistema educacional vigente também precisa mudar. E não é colocando computador em sala que se muda. Dar computador para os alunos achando que é a solução é o mesmo que dar caderno no tempo do pergaminho achando que ia revolucionar o ensino.

Estamos falando de um novo sistema de transmissão do conhecimento, baseado na sociedade da informação cooperada. Um sistema em que não há professor âncora, nem livro didático ou apostila a serem seguidos folha por folha. Um sistema em que todos, alunos e educadores, são agentes da informação. Assim como eu e você estamos sendo neste exato momento. Se funciona para nós e para o restante da humanidade, por que não funcionaria com nossos filhos, nascidos e criados neste novo contexto?
  
Nesta nova concepção, os alunos opinam, escolhem, decidem, buscam, produzem e, importantíssimo, compartilham conteúdos e conhecimentos. Se tornam agentes do próprio aprendizado e não meros receptores. E o professor sai do papel de autoridade mór do conhecimento e passa a ser o mediador. O condutor do que está acontecendo. Aquele que acompanha, estimula, orienta e avalia as várias etapas do processo, inclusive discutindo com a turma novas rotas quando elas forem necessárias. 

Um novo mundo está nascendo, mais horizontal, de trocas, compartilhamento e respeito mútuo. Quanto tempo mais as escolas se recusarão a viver nele?

14.4.11

Castigos escolares



Castigos escolares

Um dos meus filhos nasceu com o senso de moral de um velhinho. É uma criança que sempre nos surpreendeu com tiradas tais como "Pessoal...Fulano não é egoísta. Ele só é o mais novo da nossa classe e ainda não sabe o que é emprestar". Isso quando tinha 6 anos.

É companheiro, amigão de todos e fiel cumpridor de normas. Se não pode jogar lixo na rua, não pode. E fica apontando a lixarada na calçada, indignado.

Já quis ser escalador de árvores, recolhedor de cães abandonados e agora parou no jogador de futebol. É bom saber que ainda tem uma criança lá dentro.

Antes que vocês me achem uma coruja metida a besta, calma...a Dona Vida sempre se encarrega de quebrar nosso salto. Da mesma barriga que este brotou, veio meu outro filhote.

Não quero rotulá-lo, mas eu diria que é um pequeno que exige um esforço maior de todos nós com relação ao desenvolvimento da ética e da moral.

Desde muito pequeno, sempre deu um jeito de burlar as regras. É do tipo que pede pra ir no banco da frente e me "ensina" que é só abaixar quando o guarda aparecer. Quando brinca de jogos simbólicos, adora ser o bandido (ó Senhor!).

Houve uma época em que se divertia andando pela rua observando os pontos por onde poderia penetrar em casas fechadas.

Aos 4, quando todas as crianças normais pegam objetos sem pedir (menos o meu velhinho), a professora perguntou porque ele não havia lhe pedido emprestado o brinquedo da escola que colocou no bolso. A resposta da pulguinha topetuda: "Porque você me falou para pedir pro dono. Você, por acaso, é dona da escola? Por que eu tinha que pedir à você?"

Com 6 anos, ao pegá-lo na escola e fazer a pergunta habitual sobre o que fizeram naquele dia, escutei dos irmãos "fiz um gol", "apresentei minha maquete" e dele "fumei maconha". Quase bati o carro.

Pois é, no quesito moralidade, esse meu filhote precisa de um olhar mais atento nosso. E da escola. Que nesta semana, desempenhou com maestria seu papel de parceira na formação de pessoinhas do bem.

Depois de todo um final de semana, bem na hora de dormir, ele coloca a cabeça no travesseiro e dispara: "Mãe, eu tô tão ferrado!"

Me contive para não rir. O quanto se pode estar ferrado aos 7 anos? Mas mantive a linha. Então ele contou que na sexta-feira havia entrado na sala de aula ao lado e surrupiado uns docinhos de um projeto que os colegas estavam desenvolvendo.

Descoberto o "crime", ele assumiu na hora a autoria. Pontos para meu bebê. A professora então o chamou para uma conversa. Nada de bronca, ameaça ou castigo. Simplesmente explicou que os doces, além de não serem dele, eram importantes para o projeto da outra sala. E perguntou como poderiam fazer para resolver. Entraram em acordo que ele faria a reposição dos doces que pegou.

Não veio bilhete para os pais, ninguém nos ligou. Deixaram para ele resolver. E ele deve ter matutado o final de semana todo sobre como sair dessa. Quando viu que a segunda-feira se aproximava, pediu ajuda.

Conversamos e, no dia seguinte, lá se foi nosso aprendiz de gente do bem para a escola portando os 50 centavos necessários para fazer a reposição dos docinhos.

Tiro o chapéu para a professora. Podia ter dado uma bronca, tê-lo feito se sentir envergonhado, exposto, humilhado. Ou aplicado um castigo que iria ensiná-lo apenas a mentir na próxima. Podia ter mandado um bilhete ou uma advertência e passado a bola para nós, pais. Podia tê-lo colocado para "pensar" (como chamam castigo hoje em dia). Ou ainda, ignorado. Afinal, foram só uns docinhos sem valor.

Mas, não. Como uma verdadeira mestra, ela enxergou ali uma oportunidade do meu filho aprender, de refletir sobre as consequências dos seus atos. E deu a ele a responsabilidade e a oportunidade carinhosa de repará-lo. Quem dera todos os "castigos" fossem assim. Relacionados com o delito e com a chance do autor corrigir ou ao menos minimizar os danos causados ao outro. Ao invés da vingança, a educação.

Nesse final de semana, meu filhote cresceu alguns centímetros. Internos.

E eu senti que eu e meu marido não estamos sozinhos nessa jornada. 

13.4.11

O que podemos fazer?

Semana difícil essa. Dolorida e infelizmente gravada para sempre e de uma forma cruel na memória coletiva.

Enquanto todos correm para lá e para cá, buscando uma explicação que ao menos explique a brutalidade da tragédia (ela existe?), um grupo de mães se organizou e escreveu uma carta sobre nosso papel nessa sociedade tão complexa e tão precisada de gente do bem.

Não participei da redação da carta. Mas me identifiquei e me senti no dever de retransmiti-la. Fiquem todos a vontade para também passar adiante ou publicar.

Um beijo e paz!

P.S: caso opte por publicar no blog, linque no endereço:
http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2011/04/carta-aberta-as-maes-e-pais/




Que futuro terão nossos filhos?
            
Ana Cláudia Bessa - www.futurodopresente.com
Cristiane Iannacconi - www.ciclicca.blogspot.com
Letícia Dawahri
Renata Matteoni - www.rematteoni.wordpress.com


Aproveitamos o sentimento de indignação e tristeza que nos abalou nos últimos dias para convocá-los para uma mobilização pelo futuro das nossas crianças. A tragédia absurda ocorrida na escola em Realengo (Rio de Janeiro) é resultado de uma estrutura complexa que tem regido nossa vida em sociedade. O problema vai muito além de um sujeito qualquer decidir invadir uma escola e atirar em crianças. Armas não nascem em árvores.

A coisa está feia: choramos por essas crianças, mas não podemos nos deixar abater pelo medo, nem nos submeter aos valores deturpados que têm regido nossa sociedade propiciando esse tipo de crime. Não vamos apenas chorar e reclamar: vamos assumir nossa responsabilidade, refletir, trocar ideias e compartilhar planos de ação por um futuro melhor. Então, mães e pais, como realizar uma revolução que seja capaz de mudar esses valores sociais inadequados?

Vamos agir, fazer barulho, promover mudanças! Acreditamos na mudança a longo prazo. Precisamos começar a investir nas novas gerações: a esperança está na infância. Vamos fazer nossa parte: ensinar nossos filhos pra que façam a deles.

Se desejamos alcançar uma paz real no mundo,
temos de começar pelas crianças.   Gandhi

O que estamos fazendo com a infância de nossas crianças?

Com frequência pais e mães passam o dia longe dos filhos porque precisam trabalhar para manter a dinâmica do consumo desenfreado. Terceirizam os cuidados e a educação deles a pessoas cujos valores pessoais pensam conhecer e que não são os valores familiares. Acabamos dedicando pouco tempo de qualidade, quando eles mais precisam da convivência familiar. Assim, como é possível orientar, entender, detectar e reverter tanta influência externa a que estão expostos na nossa longa ausência? Estamos educando ou estamos nos enganando?

O que vemos hoje são crianças massacradas e hiperestimuladas a serem adultos competitivos desde a pré-escola. Estão constantemente expostos à padronização, competição, preconceito, discriminação, humilhação, bullying, violência, erotização precoce, consumo desenfreado, culto ao corpo, etc.

O estímulo ao consumo desenfreado é uma das maiores causas da insatisfação compulsiva de nossa sociedade e de tantos casos de depressão e episódios de violência. Daí o desejo de consumo ser a maior causa de crime entre jovens. O ter superou o ser. Isso porque a aparência é mais importante do que o caráter. Precisamos ensinar nossos filhos que a felicidade não está no que possuímos, mas no que somos. Afinal, somos o exemplo e eles repetem tudo o que fazemos e o modo como nos comportamos. E o que ensinamos a nossos filhos sobre o consumo? Como nos comportamos como consumidores? Onde levamos nossos filhos para passear com mais frequência? Em shoppings?

Quanto tempo nossos filhos passam na frente da TV? 10 desenhos por dia são 5 horas em frente à TV sentados, sem se movimentar, sem se exercitar, sendo bombardeados por mensagens nem sempre educativas e por publicidade mentirosa que incentiva o consumo desde cedo, inclusive de alimentos nada saudáveis. Mais tempo do que passam na escola ou mesmo conosco que somos seus pais!

Porque os brinquedos voltados para os meninos são geralmente incentivadores do comportamento violento como armas, guerras, monstros, luta? A masculinidade devia ser representada pela violência? Será que isso não contribui para a banalização da violência desde a infância? Quando o atirador entrou na escola com armas em punho, as crianças acharam que ele estava brincando.

Nós cidadãos precisamos apoiar ações em que acreditamos e cobrar do Estado sua implementação, como o controle de armas, segurança nas escolas, mudança na legislação penal, etc. Mas acima de qualquer coisa precisamos de pessoas melhores. Isso inclui educação formal e apoio emocional desde a infância. É hora de pensar nos filhos que queremos deixar para o mundo, para que eles possam começar a vida fazendo seu melhor. Criança precisa brincar para se desenvolver de forma sadia. É na brincadeira que elas se descobrem como indivíduos e aprendem a se relacionar com o mundo.

Nós pais precisamos dedicar mais tempo de convivência com nossos filhos e estar atentos aos sinais que mostram se estão indo bem ou não. Colocamos os filhos no mundo e somos responsáveis por eles! Eles precisam se sentir amados e amparados. Vamos orientá-los para que eles sejam médicos por amor não por status, que sejam políticos para melhorar a sociedade não por poder, funcionários públicos por competência e não pela estabilidade, juízes justos, advogados e jornalistas comprometidos com a verdade e a ética, enfim!

Precisamos cobrar mais responsabilidade das escolas que precisam se preocupar mais em educar de verdade e para um futuro de paz. Chega de escolas que tratam alunos como clientes.

Não temos mais tempo a perder. Ou todos nós, cedo ou tarde, faremos parte da estatística da violência. Convidamos todos a começar hoje. Sabemos que não é fácil. E alguma coisa nessa vida é? Vamos olhar com mais atenção para nossos filhos, vamos ser pais mais presentes, vamos cobrar mais da sociedade que nos ajude a preparar crianças melhores para um mundo melhor! Nossa proposta aqui é de união e ação para promover uma verdadeira mudança social. A mudança do medo para o AMOR, do individualismo para a FRATERNIDADE e para a EMPATIA, da violência para a GENTILEZA e a PAZ.



6.4.11

Bullying em escolas particulares fere o código do consumidor. E nas públicas?


O tema bullying continua dando o que falar. A Adriana encaminhou dois linques com notícias recentes.

O primeiro é sobre uma escola particular no Rio de Janeiro, condenada a indenizar em 35 mil reais a famíliade uma menina vítima de bullying. Clique aqui para ver a notícia no uol.

A sentença foi baseada no código do consumidor: pais e escolas tem uma relação de prestação de serviço. O juiz entendeu que mesmo que o ato tenha sido praticado por crianças, dentro da escola o aluno está SOB RESPONSABILIDADE dos educadores. Eles precisam garantir a integridade física e psicológica de todos.

Não sei se comemoro ou lamento. A decisão do juiz reafirma o que nós mães temos discutido e divulgado em nossos blogs: que a escola também tem que se posicionar firmemente contra esta prática e desenvolver ações cotidianas para minimizá-la.

Ao mesmo tempo lamento que um assunto que deveria ser encarado por todos os educadores com uma questão de princípios éticos e morais, esteja sendo lidado como simples questão de direito do consumidor.

Serve para quem tem filho em escola particular. Mas como ficam os alunos das escolas públicas? Qual a brecha que os juízes vão encontrar para chamar na chincha os concursados do sistema público que se omitem diante de fatos vergonhosos como este de Mata Grande, Alagoas. Clique aqui para ver a notícia. 

O vídeo que deu motivo à matéria é a versão brasileira do caso Casey Hanes. Só que dessa vez, não houve reação do alvo aos tapas à la Bolsonaro que o colega fortão deu na cara dele. Caso consiga ver o vídeo no Youtube, prepare-se para ficar chocado e muito, muito constrangido com a humilhação sofrida pelo garoto. É de chorar!

Neste caso, assim como no da garota da faculdade Barão de Mauá (o bicho tá pegando! clique aqui para ver a notícia e a foto da cara da menina após o ataque), a diretoria havia sido informada do problema e os ataques aconteceram após a procura de ambos por ajuda.

Para concluir, a cereja do bolo. A pérola de análise do UOL Jogos para o jogo Bully. Sinceramente, não sei se o mocinho que faz a narração do vídeo é muito irônico ou totalmente sem noção. É de 2009, mas parece que foi esta semana. Clique aqui para assistir e seguuuuuura peão!

Ô caminho longo o que temos pela frente!

4.4.11

O jornalismo ajuda a perpetuar omissão da escola com relação ao bullying.


O jornalismo ajuda a perpetuar omissão da escola com relação ao bullying.

O que mais me chama atenção nas recentes matérias que saíram na imprensa sobre o bullying é a ausência de qualquer menção à responsabilidade das escolas.

Entrevistam vítima, agressor, pais, especialistas e até famosos, mas ninguém fala sobre a participação dos educadores no combate a este grave problema. Clique aqui para ver as reportagens do Fantástico e do Jornal Nacional

Pior ainda. No caso do menino australiano que reagiu a um suposto bullying e virou herói, criou-se a falsa impressão de que a melhor forma de resolver o bullying é a vítima reagir com agressividade. Claro que ele tinha todo o direito de se defender. Mas achar que é assim que se combate o bullying denota não apenas uma compreensão equivocada do problema, como transfere à vitima a responsabilidade por solucioná-lo. Com o agravante de perpetuar a omissão por parte dos adultos que deveriam estar supervisionando aquelas crianças.

Casey Hanes conta que sofria bullying há cerca de 3 anos. Três anos e ninguém nunca percebeu que tinha algo errado com essa criança?! Ninguém nunca notou que ele tinha dificuldade em fazer amigos? Que vivia sozinho? Que não gostava de ir à escola? Que tiravam sarro dele? Que o agrediam? Que o excluiam dos jogos e brincadeiras? Será que nenhum professor percebeu uma provocação mais abusada ou preconceituosa (o menino é gordinho)? Pergunto o mesmo dos casos brasileiros noticiados.

Tenho certeza que algum representante da liga "bota a culpa nos pais" vai dizer que eles tinham pais omissos e blá, blá, blá. Pode até ser, vai saber... Mas toda vítima de bullying tem pais omissos? E lá isso é motivo para condenar uma criança a ser torturada diariamente dentro dos muros da escola, no período em que fica sob supervisão dos educadores? Pelo contrário. Crianças assim, precisam de ainda mais ajuda e proteção. Já basta a vida dura que levam em casa.

Recomendo também que assistam a entrevista com o autor da agressão (linque no rodapé deste texto). No final, se acaba ficando com pena. É uma criança, como os filhos de todos nós. Um garoto franzino, fragilizado, acuado pela exposição e com a condenação em massa. Já foi até jurado de morte. Os adultos que o julgam se esquecem que ele não é um bandido. É uma criança em processo de construção de sua moralidade. Precisa de ajuda, de intervenção e de orientação. Bom seria se tais limites tivessem chegado antes do caso cair na internet.

Se você é jornalista, na próxima matéria sobre o bullying, entreviste diretores, coordenadores, professores e fiscais de pátio e pergunte:

. O que sua escola tem feito para combater o bullying?
. Como vocês reagem quando um pai ou aluno reportam uma agressão?
. Como vocês agem quando percebem que uma criança não consegue se enturmar?
. Qual a intervenção nas brincadeiras de mau gosto, apelidos preconceituosos, nos desmerecimentos, exclusões e ofensas?
. O que vocês tem feito para sensibilizar a plateia (os amigos que assistem e dão risada do bullying)?
. O combate ao bullying é sistematizado nesta escola?
. Vocês consideram humilhação, provocação e ofensa "coisa de criança"?
. Vocês acham que os alvos também tem culpa no cartório?

Perguntem também aos alunos o que a escola tem feito sobre o assunto. Eles são grandes observadores dos fatos.

O bullying é um problema em todas as escolas. Agir contra ele deveria ser um trabalho sistematizado, isto é, que requer atenção e participação continuada de toda a equipe. As escolas precisam parar de fazer de conta que o problema não lhes pertence e atuar com energia, de cabeça erguida e sem medo de perder matrículas. Matrícula perde quem deixa que crianças sofram assédio físico e emocional dentro de um local onde elas deveriam se desenvolver em sua plenitude.

Casey Hanes encerra sua entrevista aconselhando as vítimas de bullying a aguentarem firme pois um dia a escola termina! Tem coisa mais triste para uma criança dizer?

Poderia ter aconselhado os alvos a contarem para um adulto, a procurarem ajuda, a não sofrerem calados. Mas, Casey está certo. Com todo mundo fazendo de conta que o problema não lhes pertence, melhor mesmo aguentar firme. E rezar para que chegue logo a formatura.