28.9.10

Mamãe Wilma Flintstone




Mamãe Wilma Flintstone

"Ô mãe, de novo parar pra perguntar?! Não conhece GPS, não?"

"Mãe, sabia que tem uma placa escrito "Sem Parar" no pedágio? Por que você não vai nela?"

"Mãe, por que nosso telefone tem fio?"

"Ô Mãe, qué isso?!!! Cartão de orelhão?! Que mico! Me dá logo um celular!"

"Mãe, o que aconteceu com o microondas que a gente tinha na cozinha? Vai me dizer que agora vou ter que esquentar água no fogão?"

"Mãe, ficar olhando pra janela é um saco. Quando vamos ter um carro com TV no banco de trás?"

"Mãe, meu amigo tem I-Phone, Wii, Play 3, MP11 e eu aqui com esse Play 2 quebrado. Tá certo isso?"

"Mãe, vamos a pé? Tá maluca?! Sabia que a gente tem um carro parado na garagem!"

"Mãe, me pede qualquer coisa...menos pra jogar lixo na composteira que eu morro de nojo!"

"Mãe, por favor, por favor, por favor...manda uma bolachinha na minha lancheira! Não precisa ser recheada, mas tem que ser comprada."

"Mãe, eu sou o único do planeta que viu Avatar sem ser 3D!"

17.9.10

Meu filho vai pra guerra.


Meu filho vai pra guerra.

Houve um tempo em que os filhos eram tirados novinhos da proteção dos pais e criados para virar guerreiros.

Crescidos e bem treinados eram enviados para as guerras sem fim, de uma antiguidade onde tudo se resolvia a golpe de espadas.

Muitos não retornavam. Os que conseguiam, traziam nas bolsas os prêmios da vitória. E no corpo as marcas das luta: cicatrizes, mãos amputadas, pernas mancas.

Hoje em dia, para a alívio das mães, nossos filhos não são mais confiscados no berço em defesa da pátria. Mas nem por isso deixarão de guerrear. E com nosso apoio e estímulo.

Preparamos nossos filhos desde a mais tenra idade para a batalha da vida moderna. Queremos que eles sejam bilingues, que estudem nas melhores escolas, que façam esportes, informática, música, artes, kumon, simulados etc. Para quê? Para terem mais chances de vencer uma outra guerra. A guerra do mercado. Onde só sobrevivem os mais preparados. E dá-lhes preparação. Não queremos criar perdedores!

Daí, um dia, eles partem pra luta. Enfrentam competição desumana, superiores autoritários, convivem com o facão do RH dia e noite nos seus pescoços, comem mal, dormem pouco, sofrem com as explosões na bolsa de valores e com os tiroteios da vida corporativa, não tem tempo para ver os amigos.

Os anos passam e quem vence exibe o carrão lustroso, a parafernália raitéc, o quiosque do churrasco, a cozinha de aço inox, o armário repleto de roupas que não dá pra se usar numa vida. Trazem nas carteiras os cartões de crédito que financiam os prêmios da vitória. E no corpo, as marcas da luta: sobrepeso, estresse, pressão alta, diabetes, insônia, inapetência sexual, tabagismo, alcoolismo, dependência química, solidão, consumo compulsivo, filhos carentes...só para citar alguns dos males dos guerreiros e guerreiras de hoje.

Como as mães de antigamente, os receberemos sempre de braços abertos, cheias de alegria e festa. E no fundo do peito a agonia de quem sabe que o preço da luta é alto demais.

Me pergunto se as mães da antiguidade de vez em quando também questionavam: "Filho meu, essa guerra à qual você tanto se dedica, é mesmo em benefício de quem?"

11.9.10

O consumismo infantil na (dis)versão da Veja.



O consumismo infantil na (dis)versão da Veja.

Parei de assinar a Veja quando me dei conta que me aborrecia muito com o "jornalismo" tendencioso de tal revista. Pagar para ser irritada semanalmente pela Abril, chama-se masoquismo e esta prática ainda não faz parte do meu repertório de esquisitices.

De lá pra cá, só leio a Veja nos consultórios odontológicos e no banheiro de algum parente. Não compro nem na banca, pois a irritação geralmente já vem com a capa.

Nessas lidas eventuais, a Veja nunca decepciona. Sempre defende abertamente seu peixe. Foi assim quando detonaram o construtivismo. Alguém me diga se uma empresa que VENDE um sistema de ensino apostilado (o Sistema Ser de Ensino) tem a isenção necessária para criticar outra proposta educacional? Ainda mais uma proposta educacional que não convive bem com apostilas.

Agora eles publicam uma matéria sobre o consumismo infantil. Dizendo que é tudo balela, é claro. Opa! Folheiem a Veja e me digam: quem mantém a revista? Os anunciantes. Os publicitários. E os otários (nós que lemos). Alguém acha que a Veja iria fazer uma matéria isenta sobre este tema? Claro que não!

O texto detona abertamente os movimentos em favor de um maior controle da publicidade para crianças. E para isso coloca as opiniões de vários "especialistas": anunciantes, publicitários, um governante, pais e crianças escolhidas a dedo para confirmar a opinião da Veja sobre o assunto. Mas em nenhum momento, coloca a opinião do especialista do outro lado! Cadê o Alana? Cadê os pesquisadores das universidades, cadê os educadores e os pais que borbulham na internet preocupadíssimos com esse assunto. Não aparece ninguém. É a modalidade "jornalismo de um lado só".

A única pesquisa citada é a do grupo Turner, que também é um conglomerado de mídia que vive de anúncios. Uia!

Mas o que mais irrita são os clichês, que abundam no texto. A tal da frase: "não se pode criar os filhos numa redoma" é repetida por todos os entrevistados. É muita pretensão dessa turma achar que controlar a lixarada que eles despejam diariamente sobre nossas crianças é querer criá-los numa bolha. Relô senhores e senhora Veja! Redoma é onde as crianças estão hoje. Uma redoma onde eles ficam presos e são submetidos diariamente ao bombardeio de mensagens de consumo. Compre, tenha, peça, implore, faça regime, transe, seja descolado, compre mais um pouco...afastá-los o mínimo que seja disso é botar na redoma?! Ou deixar entrar ar fresco na mente?

Outro clichezão irritante é dizer que o melhor controle é o dos pais. Então, senhores, proponho que vocês criem um fundo para a manutenção de um dos pais na residência. Pois com os pais lá fora, jambrando pra pagar o cartão de crédito, quem controla o que as crianças assistem é o Sílvio Santos, o Cartoon Network e sabe-se lá quem.

Na minha opinião de mãe irritadinha, na mão dessa turma é que não dá pros nossos filhos ficarem. É tudo lobo mau disfarçado de quebradores de redoma.

Veja, por enquanto, continuaremos a nos ver só no dentista.



Clique aqui para ler a carta enviada pelo Alana à Veja em protesto pelo teor da matéria.


Foto: richard.heeks

3.9.10

Salvem a natureza contanto que ela não cubra minha vista.




Salvem a natureza contanto que ela não cubra minha vista.


Queridos vizinhos do condomínio de cima,

Recentemente ficamos sabendo que vocês tem autorização da Prefeitura para arrancar todos os Sansões do Campos que ficam do lado de cá do muro que nos separa.

Estamos tristes. Muito tristes.

Ficamos menos humanos, sempre que uma árvore cai. E são centenas de árvores que dessa vez cairão, mesmo que disfarçadas sob o nome de "cerca viva".

Não sabemos quem plantou os Sansões que hoje atrapalham a vista das suas varandas e "suja" com folhas sua trilha de caminhada.

Mas sabemos que do lado de cá, um morador generoso capinou com enxada e suor uma longa trilha sob a sombra deliciosa dos Sansões que vocês querem arrancar. (Curiosa é a vida...o que para uns é um incômodo, para outros é benção). Coloquei a foto aqui para vocês verem e os convido a caminhar por ela antes que desapareça ao ronco da motosserra.

Ficamos sabendo também que vocês não planejam apenas cortar os Sansões. O plano é exterminá-los com veneno. Um veneno de última geração, garantem vocês. Mas, cá entre nós, isso existe? Lembrando que, além de estarmos em área de manancial, por ali circulam bicho do mato e bicho homem. Se a saúde dos sapos, tatus e gambás não importa, considerem pelo menos a dos nossos meninos.

Uma boa poda lhes devolveria a vista. Preservaria nossa trilha. E os espinhos do Sansão continuariam a oferecer excelente proteção contra invasores. Não queremos muito de vocês. Apenas que considerem a opinião de quem vive do outro lado do seu muro. Preservem os Sansões. E a nossa amizade.

Assim quando seus filhos olharem pela varanda, vocês poderão explicar que aquilo que eles aprendem na escola sobre preservar a natureza, começa no nosso quintal.

E que a linda vista não foi recuperada às custas do total desprezo para com sentimentos dos seus vizinhos. Garanto que, dessa forma, ela será ainda mais encantadora.