27.4.10

Toma lá da cá.


Toma lá dá cá.

A escola de inglês do meu filho resolveu "incentivar" a participação dos pais. Dão um bônus para cada tarefa que os pais vistarem.

Se a criança faz a tarefa, ganha um bônus. Se os pais vistam antes de entregar ao professor, ganha dois bônus. E no final do curso, os bônus podem ser trocados por brindes.

Soube desta novidade após efetuar a matrícula. E rosnei como sempre rosno quando discordo de algo. Acho uma aberração esse sistema "supernanístico" de premiar crianças por algo que tem que ser feito. É a fórmula ideal para se formar gente oportunista que só funciona em troca de algo.

A tarefa faz parte do processo educacional? Então tem que ser feita e pronto. Esperando-se me troca apenas um melhor aprendizado. Isso se chama responsabilidade.

Pior ainda é bonificar o aluno pela participação dos pais. Pai e mãe tem que acompanhar a vida dos filhos. É um dever assumido quando o esperma entrou no óvulo. E ninguém tem que ganhar bônus por isso.

Colocar nas costas do aluno esta participação é invasivo e expõe a criança, uma vez que dá margens a comparações. "Ah, seu pai não olhou sua tarefa? No bonus for you!".

Mandei bilhete, liguei, bati os pezinhos, mas só escuto que o sistema está dando um resultado incrível. Os pais adoram (leia-se "a senhora foi a única suitcase sem alça a reclamar") e as crianças se motivaram de uma forma sensacional.

Óbvio. Mas para mim, é um atestado de incompetência motivacional. Já que a gente não consegue motivar os alunos a se dedicarem ao aprendizado da língua, vamos motivá-los a ganhar um estojo no final do curso.

Cruzei os braços e disse que não ia assinar tarefa nenhuma. Que vistar tarefa é trabalho do professor e eu não estou aqui pra isso. Que eles deveriam recompensar o verdadeiro aprendizado da língua e não quantos vistos da mãe a criança tem no caderno.

E ontem meu filho veio me dizer que toda a classe tem mais de 16 bonus e ele tem apenas 8. Quebrou minhas pernas. Decidi me render e vistar a droga do caderno. Que mãe quer prejudicar o filho? Ainda mais com um ativismo de porta de escola de inglês.

Ok, Yázigi. Vocês venceram. Tomara que o estojo seja bom.

19.4.10

Respeito é bom e preserva os dentes.


Respeito é bom e preserva os dentes.

Cena lamentável: filho sendo estúpido com sua mãe. Filho adulto de mãe madura.

Já presenciei mais de uma vez. E muitas vezes as malcriações partiram de adultos que enchem a boca para falar da falta de limite que os pais de hoje dão para seus filhos. Ironias da vida. Na frente dos próprios pais, tais pessoas se portam como as crianças birrentas que tanto criticam.

Conversei com duas pessoas sobre o assunto. A especialista e a mulher do povo.

Da especialista em educação veio a valiosa dica: "é um comportamento que vem da infância. E que se não for bem trabalhado lá, se perpetua e acaba virando uma dinâmica no trato entre os membros da família. Os pais não podem ser condescendentes com estupidez quando os filhos são pequenos, pois eles crescerão agindo dessa forma."

Da mulher do povo veio: "Você viu o jeito que eles falaram com a mãe?! A mulher é idosa, mal anda e aquele bando de cavalos falando aquele monte de palavrão pra ela? Pois eu já avisei meu filho: "Tá vendo aquele tijolo? Fala um dia assim comigo que dou-lhe uma tijolada na boca e você nunca mais vai esquecer que isso não é jeito de se tratar uma mãe."

Daqui pra frente, tenho tentado mostrar aos meus hominhos (tentado...é bom frisar...) que protestar é direito legítimo de todo ser humano, mas existem maneiras de fazê-lo. A chapa começou a esquentar, me levanto e digo: "Você não vai falar assim comigo, pois isso não é jeito de tratar ninguém." Quando estão mais calmos, retomamos o assunto. Acho que estou dando dois recados. Primeiro, que devemos tratar a todos, inclusive aos pais, com respeito. Segundo, que não devemos aceitar jamais que nos tratem com estupidez. É respeito próprio.

Assim, espero não ter nunca que usar o tijolo que mantenho sempre à mão, no quintal. E salve a sabedoria popular.

15.4.10

Dei uma de mãe!


Dei uma de mãe!

Essa semana fiz algo inédito. Dei uma de mãe passional. E aviso: cuidado com elas!

Sou do tipo que, antes de sair fazendo justiça com as próprias mãos, tento ponderar, procurar o caminho da justiça, da coordenação, da professora, da imprensa, dos discursos inflamados, das cartas para o senado, para o conselho tutelar e o que for.

Mas dessa vez deu a louca.

Meu filho tem um colega que, repetidas vezes, o humilhou. Até agora, segui os manuais e deixei que ele resolvesse, acompanhando de longe, aconselhando e dando força para que ele fosse à luta.

Até que semana passada o tal colega se superou. Humilhou novamente meu garoto, fazendo-o de bobo. E a situação chegou a um ponto que ele não conseguiu mais resolver por conta própria. Era engolir o sapo (e esperar os próximos) ou alguém maior e mais forte dar um jeito.

Não tive dúvida. Peguei o telefone e liguei pra mãe dele. Nunca tinha feito isso. Fui educada, tinha que ver, mas contei a ela o que aconteceu e solicitei providências.

Obviamente, a mãe do outro menino exerceu o direito absoluto de ficar do lado do filho dela e de me achar ridícula. Mas resolveu a situação. De um modo que discordo, mas cada mãe é livre para resolver da forma que melhor lhe aprouver os B.O.s da prole.

Hora depois, com a cabeça mais fria, a ficha caiu e consegui refleti melhor sobre o acontecido. Tinha dado uma de galinha choca. Da mais pura estirpe. Do tipo que é apontada nas reuniões de pais e festinhas.

E me senti ótima!