28.8.09

"Mãe, por que eu tenho que desligar?"


Para os pais interessados em uma abordagem criativa e muito inteligente do problema da "geração monitor", sugiro uma sessão em família do filme Wall-e (já saiu em DVD).

Wall-e é um filme infantil diferente. Não tem muita ação, nem diálogos. Mas é lindo, comovente e absurdamente atual. Imperdível para quem quer discutir com crianças (e adultos) questões sobre sustentabilidade, consumo excessivo e qualidade de vida.

A história se passa no futuro, com a humanidade vivendo fora da Terra porque o planeta está tomado pelo lixo. Nos transatlânticos interestelares, seres humanos obesos e quase sem musculatura, passam o tempo todo sentados diante de um monitor. Conversam muito, mas sempre com a tela. Nunca ao vivo. Ninguém olha para o lado, para fora ou para o outro. Ninguém percebe o céu, as estrelas ou mesmo a maravilhosa piscina da nave espacial. Todos vivem conectadíssimos e, ao mesmo tempo, alheios a tudo. Inclusive a si próprios.

Parece deprê, mas todos estão muito confortáveis com esta situação. Nenhum humano se dá conta de que as coisas poderiam ser diferentes.

A alimentação é um assunto a parte. Todos comem comida industrializada que são servidas por robôs e consumida, é claro, na frente do monitor.

Como vêem, é um filme feito sob encomenda para nós, mães neuras e naturebas com muito orgulho.

Boa pipoca, bom final de semana e com licença que vou entrar no módulo "ofilaine" até segunda-feira!

26.8.09

Crianças eternamente plugadas.





Li uma notícia de arrepiar. Um estudo britânico calcula que as crianças e adolescentes de hoje passam cerca de 10 horas por dia diante de algum monitor, seja tv, videogame, celular ou ipod. É a chamada "Geração Monitor". (Clique aqui para ler a matéria sobre o estudo.)

Um dia tem 24 horas. Se descontarmos as horas de sono e de escola, percebemos que estas crianças passam o restante do tempo olhando para uma telinha.

É um fenômeno, no mínimo, assustador. A tecnologia é extremamente sedutora. Nós mesmos, pais e mães, muitas vezes nos conectamos mais do que devíamos. E se, para nós, adultos, com freios e filtros desenvolvidos, é difícil resistir ao doce canto da cibersereia, imagine para as crianças.

Confesso que me sinto meio impotente diante do fenômeno. Aqui em casa tento impor limites ao uso de tais equipamentos, mas muitas vezes os limites são ultrapassados. Ou por comodismo meu e do meu marido, ou por cansaço, ou por não querer ser tão "generala" - sou eu quem geralmente os controlo e é muito chato impor a ferro e a fogo o tempo de telinha.

Um dos motivos pelos quais considero tão difícil mantê-los afastados dos monitores é que, não basta apenas controlar o tempo. Temos também que proporcionar alternativas. Quantas vezes nos predispomos a dar uma volta de bicicleta com eles? Ou jogar um jogo de tabuleiro? Fazer um picnic? Ou ao menos a receber um amigo para que eles tenham companhia? No cansaço do dia-a-dia, é muito mais fácil enfiar um filme no dvd, não?

E aqui não estou sendo neura. Em hipótese nenhuma. O recurso de ligar a tv ou permitir um jogo eletrônico numa hora em que precisamos ter um tempo pra gente é legítimo. O problema é quando este "descanso" vira a principal atração do dia.

O assunto é muito sério. Vi num programa da Oprah (olha a tv ligada!), uma família plugadíssima que aceitou o desafio de se desconectar por um tempo. O videogame foi guardado em uma caixa, a tv se limitou a 1 hora/dia. Internet, 30 minutos. Os primeiros dias foram um inferno. Como disse a mãe, "vi no meu filho de 5 anos, o comportamento de um viciado em heroína. Ele andava pela casa implorando pelo videogame, ficava raivoso, chorava. Não conseguia fazer mais nada. Foi muito dolorido vê-lo assim." Depois da abstinência, nasceu uma nova família. Passaram a conversar mais, fazer passeios juntos, ler um para o outro. Isto é, finalmente se conectaram de verdade.

Tais matérias me deram ânimo para vestir a capa da mãe chata e lutar pela liberdade dos meus filhos. Soa ufanista e é. A briga é contra gigantes. Mas mãe é um ser que não costuma se intimidar quando o assunto é defender as crias. A Nintendo que se cuide.

P.S: Os dois comerciais publicados acima, são de uma campanha espanhola para diminuir o tempo que as crianças assistem tv. É bem bonitinho e um bom gancho para uma conversa entre pais e filhos sobre o assunto.

24.8.09

Cobrando o produto que a escola me vendeu.


Uma escola particular é um negócio. A educação é o produto que eles vendem. Quando visitamos uma escola, somos informados das propostas pedagógicas ali praticadas, isto é, de como é o produto deles. Ao matricularmos nossos filhos, estamos comprando o tal produto. E esperamos que ele nos seja entregue como foi prometido, certo?

Quando uma escola "vende" uma determinada proposta pedagógica aos pais e não a entrega, se porta como um vendedor que oferece um carro com tração nas 4 rodas, mas na verdade o carro tem tração só em 3. Funciona? Pode até ser. Mas não foi isso que eu comprei.

Essa introdução é necessária, para que todos entendam que o discurso precisa condizer com a prática. Do porteiro ao diretor, toda a equipe escolar precisa estar ciente do que está sendo vendido aos pais e trabalhar sintonizada. Nas minhas inúmeras visitas a escolas ouvi discursos convincentes de coordenadoras, grandes conhecedoras de teorias educacionais. Mas, eu sempre pedia para visitar as salas de aula e ver alguns trabalhos e, em poucos minutos, era fácil de perceber que a prática não condizia com o que estavam tentando me vender.

Por exemplo, escolas que prometem não alfabetizar cedo, mas nas salas de aula só há letras e números pregados nas paredes. Escolas que se dizem "construtivistas" mas adotam apostilas. Escolas que afirmam respeitar o tempo e a individualidade de cada criança e o que se vê nas pastas são trabalhos idênticos e massificados. Escolas que vendem estímulo à sociabilização e resolvem conflitos com sanções, advertências e bilhetes aos pais.

Sempre procurei cobrar de professoras, coordenadoras e diretoras aquilo que me foi vendido. E nestas conversas já escutei justificativas de uma franqueza surpreendente, tais como: "Você não sabe como é difícil fazer as pessoas aqui dentro entenderem nossa proposta." Ou ainda: "É muito difícil contratar bons profissionais.". Um clássico: "Você é uma das poucas mães que acreditam nisso." Ou, o pior que já ouvi até hoje numa escola construtivista: "A fulana é uma boa professora, mas não acredita muito na proposta construtivista."! Seria o mesmo que comprar um pedaço de patinho vendido como se fosse filé mignon e o gerente do supermercado dizer: "Você não sabe como é difícil achar um açougueiro que entenda de corte de carne". Pera aí! Invistam em treinamento, façam um bom processo seletivo, estimulem o estágio para garimpar bons profissionais, estabeleçam parcerias com as faculdades, mantenham uma boa carteira de profissionais para as eventuais substituições (já peguei cada substituta que era caso de polícia!), acompanhem de perto o que está acontecendo nos pátios e salas de aula e sejam claros para a equipe: "Aqui, funcionamos assim e temos muita confiança no nosso trabalho. Quem não pretende trabalhar dentro desta proposta, favor procurar emprego em outro lugar. Temos um produto a zelar." Qualquer empresa que se preze, opera assim.

E, insista - do porteiro ao diretor - tem que haver coerência. Já vi faxineira dando bronca em criancinha que derrubou o suco, em uma escola que prometia "estimular a autonomia". Autonomia tem seu preço e é bom que a toda equipe esteja ciente disso, com rodinhos, vassouras e sorrisos a postos.

Encerro com um pequeno exemplo positivo, para ilustrar a diferença que faz ter uma equipe afinada. Outro dia fui buscar meu filhote na escola e como ele demorasse um pouco para sair, pedi à funcionária da portaria que o anunciasse novamente. Ela, educadamente, recusou-se a chamá-lo e explicou: "O seu filho me pediu que eu o chamasse uma vez só. Fique tranqüila que ele já vem." Logo, ele saiu. Não sei o que me surpreendeu mais. Se foi a minha pulga, na época com 5 anos, dando ordens de executivo para a portaria, ou a postura da profissional da escola em ouvi-lo, levar a sério o pedido dele e se lembrar, dentre tantas crianças, que ele preferia ser tratado daquela maneira. Aquela garota soube, naquele momento, agir de acordo com a proposta da escola de respeitar a individualidade e a autonomia de seus alunos. Ela confiou e meu filho respondeu à altura. Não foi mais preciso chamá-lo 2 vezes.

Em tempo: eu poderia ter reclamado da recusa da moça. Mas aí quem estaria sendo incoerente seria eu. Preferi aplaudi-la. E quem discordar que matricule o filho em outro lugar. A regra da coerência vale para todos, até para nós, pais.

20.8.09

O menino que perdeu seu gato.


Ao voltarmos das férias da gripe, tivemos a triste notícia do desaparecimento do Tóbi. Achei que meu caçula, em particular, ficaria bem abatido, mas ele me pareceu tranqüilo. Foi dormir e no dia seguinte disse que ia sair pra procurar o gato. Tinha nas mãos uns folhetos e cartazes que ele e os irmãos desenharam da primeira vez que o Tóbi sumiu.

Fui com ele, meio ressabiada, meio comovida. Sabia da dificuldade que seria encontrar o gato, que já estava sumido havia uns 10 dias. Imaginei também o pouco caso dos moradores do condomínio. Ao mesmo tempo, não tinha coragem de desanimá-lo. Me armei com uma fita crepe e lá fomos nós, à procura de Tóbi. Eu fiquei encarregada de pregar os cartazes nos postes. Ele de distribuir folhetinhos nas casas e falar com as pessoas. E como falou. Meu filho é uma criança "dada". Mas nunca imaginei que fosse tanto.

Abordou todas as pessoas que viu na rua, bateu nas portas, parou ciclistas e motoqueiros. Entrou na padaria do bairro, falou com todos, até com uns senhores que tomavam cachaça. De repente, eu, que moro há 7 anos neste condomínio e conheço um número restrito de moradores, me vi rodeada de pessoas amáveis e solícitas, superinteressadas em ajudar o garotinho de 6 anos a encontrar o seu bichinho. Ao contrário do que eu imaginava, as pessoas paravam o que estavam fazendo, davam atenção ao meu filho, olhavam a foto, pediam detalhes do fato. Todas o levaram muito a sério e se prontificaram a ajudar na busca.

No dia seguinte, o telefone começou a tocar. Vários gatinhos pretos com manchas brancas foram vistos. Nenhum era o nosso. Continuamos procurando. Mas, mesmo que não encontremos o Tóbi, descobri que não estamos sozinhos. Só isso já valeu a busca.

19.8.09

Filme bom em cartaz.



Ontem segui a dica da Lígia Mostazo, do blog da Lígia e fui ver um filme maravilhoso: À Deriva, do Heitor Dhalia. Adorei. É um filme de uma delicadeza extrema, que me fez refletir sobre coisas que eu guardo nas profundezas e que, de repente, ficaram "à deriva". Algo meio parecido com o que senti quando assisti "Beleza Roubada" do Bertolucci. Só que naquela época não era mãe, portanto, as sensações foram outras.

À Deriva é um filme sobre família, relacionamentos e escolhas. Me impressionou muito o papel da Debora Bloch, linda, verdadeira e de cara poderosamente limpa. É raro ver uma mãe assumindo que nem tudo são flores e que mesmo amando intensamente nossos filhos há momentos em que sucumbimos. E como...

O filme também retrata a descoberta, pelos filhos, de que os pais são absolutamente humanos. Que também erram, amam, têm desejos, ficam perdidos. E que essa descoberta, apesar de dolorida, é benéfica. Bom saber que pais não são totens.

Há muitas outras leituras e universos abordados, como o da adolescência (lindamente personificada na personagem Felipa, a filha mais velha do casal), a descoberta da sexualidade, enfim, é filme pra mais de metro e com uma fotografia que vale a pena ser vista na telona. Fica aqui a dica. Vá logo, porque pelo menos na minha cidade, filme bom fica 1 semana em cartaz (em compensação "Alfie e os Esquilos" permaneceu uns 6 irritantes meses no circuíto).

E feliz naufrágio!

17.8.09

Um jeito simples de reusar a água.


Hoje as crianças retornaram às aulas. E eu retorno oficialmente ao teclado. Meio preguiçosa, ainda sob os efeitos do recesso prolongado e com uns 200 emails não lidos (fora os já deletados). Portanto, mil perdões se volto meio sem jeito. Tô pegando no tranco.

Hoje eu vou lincar aqui uma dica superlegal da Carol Daemon, do blog A Menina do Dedo Verde, sobre reuso da água da máquina de lavar roupa.

A "lavarroupa" é uma das vilões do consumo de água. Há alguns anos eu reuso esta água através de um jeito supersimples: coloquei dois baldes de lixo, de 100 litros ao lado da máquina de lavar, e na hora de drenar a água, dreno nos baldes. A primeira água, vem bem suja e com sabão. Esta é boa para lavar quintal, calçada, garagem e descargas (locais onde não há problema ficar um pouco de "resíduo" de sabão). A segunda carga de água, do enxágue, é mais limpa, serve para limpar chão, lavar banheiro etc. A minha Brastemp, que comprei desavisada nos meus tempos pré-consciência ecológica, tem ainda uma terceira carga d'água (um abuso!). Como eu não uso mais amaciante, é uma água bem limpa, que pode ser usada para colocar roupa suja de molho e até para aguar plantas mais rústicas. (Muitas vezes eu descarto a primeira água, mais suja, e reuso apenas as duas cargas do enxágue).

Dicas:

1) CUIDADO COM CRIANÇAS PEQUENAS PERTO DOS GALÕES!!!!

2) tampe bem os galões, por causa da dengue.

3) Depois de três dias armazenada, a água pode cheirar mal (depende da quantidade de material orgânico), uma colher de cândida geralmente evita isso. Mas o ideal é usar logo a água. Programe suas lavadas de roupa para os dias que vai lavar quintal, banheiros etc. É muito fácil e logo vira rotina.

4) Se você tem empregada, explique para ela o novo sistema, mostre a diferença na conta de água e logo ela vira uma excelente "gerente de reuso da água".

Clique aqui para ler a matéria no blog da Menina do Dedo Verde.

6.8.09

Gripe suína e homeopatia



Essa dica veio de uma senhorinha, com mais de 90 anos, que viveu no Rio de Janeiro, durante a gripe espanhola.

No auge daquela terrível epidemia, seu pai preparava uma mistura de medicamentos homeopáticos e distribuía em garrafas para a população, que fazia fila na porta da casa dela em busca do composto.

O que ia na mistura: água, gelsemium e eupatorium. Conheço bem o gelsemium. É um poderoso antigripal. O Eupatorium eu conheço menos, mas sei que é usado nas infecções e é um dos componentes do eficiente composto homeopático antidengue.

A senhorinha sugere que usemos a mesma combinação contra a gripe suína. Faz todo sentido. Mas antes que eu seja processada por exercício ilegal da medicina, sugiro que você consulte seu homeopata e discuta com ele a dica. Mesmo porque, ela não se lembra da dosagem.

Sei que tal composto (ou pelo menos o Gelsemium) pode ser usado como preventivo de gripe. Portanto, se você, como eu, acredita em duendes e em homeopatia, invista na dica da senhorinha e consulte logo seu homeopata.

Em tempo: encontrei um artigo científico defendendo a combinação "gelsemium eupatorium" nas epidemias de gripe, inclusive cita a gripe espanhola (a velhinha está mais lúcida que eu imaginava). Se estiver interessado, clique aqui para lê-lo.

1.8.09

Está difícil dormir.


Estou acordando devagar da minha necessária hibernação. Foi um período muito bom, mas confesso que precisei me esforçar diversas vezes pra não voltar rugindo pro teclado. Julho foi um mês bem tumultuado e muita gente veio me cutucar.

Primeiro foi o Lula quando afirmou que a paixão do brasileiro é o carro e que é dever do governo facilitar esta compra. Com isso anunciou 2 bilhões de incentivos para a agonizante GM. Não vou entrar no mérito de salvamentos pirotécnicos governamentais para empresas americanas falidas, nem no absurdo que é motivar o povo a enfiar mais carros na rua em pleno aquecimento global. Entro no mérito de um presidente que de vez em quando parece esquecer que dirige uma nação e se comporta como um eterno companheiro metalúrgico.

Depois veio o Serra, o governador de São Paulo, dando por certa a ampliação o porto de São Sebastião. E sabe a que preço? Vão aterrar o Mangue do Araçá para virar depósito de containers! Uma área importantíssima de preservação do nosso litoral vai virar estacionamento de containers (que, provavelmente, virão carregados de lixo europeu). Estamos em 2010 e ainda se cogita em aterrar mangue! O berço da vida marinha. E o governador se orgulha em anunciar isso!

Daí veio a Monsanto, a toda poderosa dos agrotóxicos e dos trangênicos, que conseguiu uma ordem da justiça para recolher a cartilha dos orgânicos do Ministério da Agricultura. Agora, quem quiser lê-la, só baixando na internet, de sites heróis da resistência. Dá para visualizar a briga de Davi e Golias? Os pobres e pequenos agricultores orgânicos incomodando uma gigante do envenenado agrobusiness como a Monsanto? Ridículo! Fim dos tempos, como diria o maluco beleza ali da esquina.

E o cutucão final foi uma “noticinha” em jornal local sobre a devastação ilegal da Serra do Mar na região da Riviera de São Lourenço, em Bertioga, SP. A foto é aterradora. Milhares de metros quadrados de mata nativa, aqui ao lado, em pleno Parque Nacional da Serra do Mar, DEVASTADOS para virar prédio de apartamento para banhistas. Como conseguiram? Fácil: corrupção e o que era considerado mata nativa, virou mata “secundária”. Daí foi só mandar entrar o trator. O Ministério Público se mexeu, mas a área já está limpa. Ou melhor, suja, morta, irremediavelmente comprometida.

Michael Jackson tinha razão. Para hibernar hoje em dia, só se for a base de anestésico.