29.6.09

Moralidade infantil não é coisa de ET.


O assunto "educação moral" parece algo extremamente careta. Ainda mais para quem estudou na época da ditadura e teve aulas de "educação moral e cívica". Ou para quem acha que educação moral tem a ver com religião ou com as Senhoras de Santana.

Não é nada disso. A educação moral é uma área fascinante da educação, uma luz no fim do tunel nestes tempos de tecnologia avançada e comportamento social pré-histórico.

Os estudos sobre a moralidade infantil permitem ao educador trabalhar de maneira muito positiva os conflitos, as transgressões, as relações humanas, a ética, o consumismo, a violência e todas as demais questões da moral humana que, obviamente, estão presentes e efervescentes dentro dos muros da escola.

E o mais interessante é que tais questões não são trabalhadas em forma de aula ou sermão. A educação moral é quase uma postura, uma ferramenta que o educador utiliza na condução de todas as demais atividades. Ela muda a maneira com que se fala com a criança, com que se elabora as normas, com que se resolve os conflitos, com que se pensa a disciplina.

Um educador para a moralidade não vê o aluno como um contraventor, mas sim como alguém que ainda está aprendendo, desenvolvendo sua moralidade. Para ele, conflitos são benéficos pois são oportunidades preciosas de aprendizagem. É uma forma completamente distinta do tradicional "eu mando, você obedece." É um conhecimento transformador na sua essência.

Que fique claro: não se trata de fazer o papel dos pais. Muito pelo contrário. Trata-se da escola assumir sua função de parceira na formação de seres humanos autônomos. Ignorar tal responsabilidade é manter nossas escolas na eterna barbárie, onde alunos são tratados mais como prisioneiros que precisam de constante supervisão, vigilância e punições, do que como cidadãos éticos e capazes de se guiarem por conta própria no futuro.

Trouxe este assunto ao Ombudsmãe, pois esta semana, estarei participando do I Congresso de Pesquisas em Psicologia e Educação Moral que acontece na Unicamp. Saber que existem estudiosos de grosso calibre desenvolvendo esta área do conhecimento é, no mínimo, um alento para todas nós, mães questionadoras, eternas ETs das reuniões de pais e mestres.

Ficarei fora do ar até a semana que vem. Depois disso, me aguentem. Bjs!

25.6.09

Caligrafia e regras na escola.


A nova profa. de português do meu filho, que está no 6º ano, insituiu exercícios semanais de caligrafia. Todos os alunos têm que fazer.

Quem me conhece deve saber o quanto fiquei contrariada com a novidade. Acho exercícios generalizados de caligrafia, em qualquer idade, uma perda de tempo e de neurônio infantil. Mas esse não é o assunto de hoje.

Meu filho, percebendo meu bufar, resolveu que tinha carta branca para não fazer o exercício. Hoje ele deve mais de 20 páginas de caligrafia à professora.

Me vi diante de um dilema: obrigo o moleque, que tem quase 11 anos, a fazer os exercícios (terá que ser sob tortura) ou apoio a rebeldia (num claro desrespeito ao professor)?

Nem um, nem outro. Um pequeno caso lido no livro que mencionei no texto sobre bilhetes escolares, me deu a luz. Achei interessante compartilhá-lo com vocês:

Numa escola de freiras, muito rígida, o uso de adornos, como jóias e bijuterias, era proibido. Uma determinada aluna ia pra escola limpinha, mas levava os enfeites na mochila. Lá dentro, os colocava. A escola enviou vários bilhete aos pais, até que um dia o pai foi chamado para conversar com os educadores. Diante do exposto, ele se colocou da seguinte forma: "na minha casa, eu e minha esposa impomos as normas que achamos necessárias e nos esforçamos para que elas sejam cumpridas. Esta regra da bijuteria, que eu particularmente acho desnecessária, é uma regra que vocês impuseram, portanto, são vocês que devem encontrar os meios, dentro da escola, de fazê-la ser respeitada. Essa tarefa não cabe a mim."

Resolvi fazer o mesmo que o pai. Vou deixar a cargo da professora fazer cumprir a tal tarefa. Se ela instituiu a caligrafia, que ela encontre os meios necessários para que os alunos a executem. Ficarei quietinha no meu canto esperando a chegada do bilhete. Ou da nota. E quando meu filho malandrinho chegar bronqueado, desesperado por ter que preencher de uma só vez a totalidade do caderno, o acolherei, direi o quanto concordo com ele que aquilo é mesmo uma tortura, mas que na vida de vez em quando a gente tem que fazer coisas muito chatas. E deixarei que ele e a professora se entendam. Para meu filho, o episódio será um ensinamento bem maior do que as lições de caligrafia: se ele se safar, estará aprendendo que nem sempre temos que fazer tudo do jeito que nos mandam fazer. Se ele dançar, aprenderá que toda escolha tem uma consequência.

E se não acontecer absolutamente nada, vou à escola pedir o reembolso do caderno de caligrafia que me mandaram comprar.

23.6.09

Meu blog não é brincadeira.


Estou há 5 anos fora do mercado publicitário. Sabia que muita coisa iria mudar. Mas, cada vez que recebo um email de "agência de propaganda" solicitando publicidade no Ombudsmãe, não deixo de me surpreender com a crescente falta de noção dos profissionais que atuam hoje no mercado.

Só isso explica receber por email, textos contando sobre um produto ou campanha publicitária e "sugerir" que eu fique "à vontade para citá-lo no meu blog."

Relôôôôô 1! O blog é meu e os caras sugerem que eu fique à vontade para escrever nele?!

Relôôôôô 2! O que é que Maria leva? Eles querem que eu ajude a criar buchicho. Mas ninguém fala em dinheiro, em brindezinhos, em gratificações. Na cara dura os meus colegas esperam que eu dedique meu tempo, meus neurônios e a ponta dos meus dedos para ajudá-los a vender um produto, DE GRAÇA! É trabalho gratuito! Com tanta ONG precisando de voluntário, eles esperam que eu abrace a causa de fazer o trampo deles. Sei...

Relôôôô 3! Tem uns que chegam ao descalabro de enviar as normas do que eu posso ou não fazer com a marca. Os "polices da marca" em publicitarês. Teve uma que me fez chorar de rir ao dizer que eu não poderia usar o artigo "o" ou "a" antes do nome do produto. Uhu!!!! Eles querem usar a força dos blogs, que é a de um bate papo entre amigos numa cibercozinha, mas temos que nos lembrar durante a conversa que não podemos usar o artigo, viu?

Relôôôô 4! Basta uma lida rápida no Ombudsmãe para saber que ele reúne mulheres inteligentes, pró-ativas, realmente interessadas na transformação individual e da sociedade. Vocês acham que eu seria ingênua a ponto de indicar bilubiluzinhos em sites de anunciantes a este poderosíssimo segmento? Eu não faria isso nem que me pagassem. Seria um insulto a inteligência de quem acessa este blog. A gente só quer saber do que pode dar certo, não temos tempo a perder.

Relôôôôô 5! Agências e anunciantes relutam em aceitar, mas a propaganda morreu. Ninguém mais acredita em slogans. Quem quiser ser citado por nós deve saber que a gente quer ações e não discurso. E isso vale para tudo: vida própria, casamento, escola dos filhos, governantes e empresas que buscam nosso consumo. É uma questão de coerência. Dentro deste raciocínio, esqueçam o joguinho de palavras e apresentem uma ação concreta para um mundo melhor: mais limpo, mais justo, mais humano, mais sustentável, mais ético etc. Assim será bem mais fácil para vocês conquistarem o tão desejado espaço em nossas sacolas retornáveis.

Darei dois exemplos: o sabão em pó Ypê Premium retirou o fosfato da sua fórmula, tornando-o menos poluente do que o seu poderoso concorrente (aquele que diz na propaganda para proporcionarmos uma infância sadia aos nossos bambinos, mas continua poluindo a água que eles vão beber). O Ype aparece aqui. O outro, não. Outro exemplo é o Café do Ponto que lançou uma linha "Safra Social" que investe nos pequenos cafeicultores e promove o comércio justo. Ponto pro Café do Ponto. Perceberam a diferença entre discurso e prática?

O mercado publicitário é tão rico. Investe tanto em pesquisa, em mapear tendências. Por que será que está demorando tanto a entender o que nós, mulheres risoteiras, já entendemos faz tempo?

18.6.09

"Mãe, a professora mandou um bilhete."


"Uma professora uma vez enviou um bilhete para uma mãe informando-a que seu filho não queria fazer os exercícios, não ficava na fila e tagarelava durante as aula. Terminava solicitando que a mãe tomasse as devidas providências.

No dia seguinte, a mãe enviou um bilhete para a professora informando-a que, em casa, o aluno dela não queria escovar os dentes, comer verduras e arrumar os brinquedos. Terminava solicitando que a professora tomasse as devidas providências."


Ouvi esta anedota de uma grande educadora, que trabalha com a formação de professores. Ela queria ilustrar como, muitas vezes, os professores fazem uso indevido dos bilhetes aos pais, solicitando providências para problemas que são, claramente, da responsabilidade do professor.

A educadora defendia que o bilhete, corriqueiro para a maioria dos professores, para os pais é motivo de grande angústia. Muitos pais, sem saber como lidar, acabam aplicando castigos, sanções e até batendo na criança. Outros saem em busca de terapeutas e psicopedagogas tentando entender o que há de errado com seu filho.

Não há nada de errado. O que houve foi o uso indevido de uma ferramenta de comunicação entre a escola e família, que deveria ser usada com o máximo de critério.

Os problemas de comportamento em sala de aula existem e sempre existirão. Uma sala de aula é composta por seres humanos, não robozinhos. E para aprender a lidar com esses maravilhosos e imprevisíveis seres humanos, os professores fazem faculdade, treinamento, cursos de reciclagem, pós-graduação, lêem livros, assinam revistas educacionais, participam reuniões pedagógicas etc. Com isso, espera-se destes profissionais a competência, o treinamento e a boa vontade necessários para lidar com os desafios diários da profissão que eles escolheram. O andamento da sala de aula é da responsabilidade deles. Não dos pais.

Os pais devem ser envolvidos quando estes profissionais detectam em alguma criança um comportamento ou um distúrbio que precise realmente de um trabalho conjunto entre a família e a escola. Mas isso não pode e jamais deveria ser comunicado via bilhete. Deve-se marcar uma reunião onde pais e educadores conversam olho no olho, "mas, não com a intenção de dizer-lhes o quanto a criança é terrível, ou para pedir-lhes que resolvam o problema, ou para indiretamente passar a mensagem do quanto o filho deles não é bem vindo na escola, ou ainda, dizer-lhes como poderão lidar com o comportamento dele...os pais beneficiariam-se mais sabendo que existe alguém que compreende o que eles estão passando. Se o professor der o apoio e fortalecer os pais, descobrirá que o comportamento da criança começará a melhorar..."

Tirei o texto acima do livro "O educador e a moralidade infantil: uma visão construtivista" de Telma Pileggi Vinha. A autora continua: "Quando os pais quiserem conselhos, eles mesmos os solicitarão, e quando o professor os der, é importante, inicialmente, reconhecer que ninguém realmente tem as respostas, e o que se pode fazer é, somente, concordar em experimentar diferentes estratégias e procedimentos mais coerentes com o desenvolvimento da criança...e que caminhem no atendimento às necessidades especiais que ela tem...Se o professor puder dar apoio e conquistar os pais, irá perceber que pode contar com eles...esse auxílio será valoroso para ocorrer efetivamente as mudanças de comportamento esperadas."

Portanto, da próxima vez que vier algum bilhete que não seja sobre o ingrediente da aula culinária daquela semana, não perca o sono. Nem puna o seu filho. Pergunte a ele o que houve e, se for o caso, marque uma reunião com a professora. Mas não assuma para si a responsabilidade que é dela. Isso não é omissão. É estabelecer limite. Você não vai pedir ajuda da professora quando seu filho der piti no supermercado. Que ela também não faça o mesmo.

15.6.09

Bizarrices escolares


Cantinho do Amor - A primeira impressão é que deve ser um cantinho onde as garotas penduram fotos e suspiram ao som do Jonas Brothers, mas não...é muito mais criativo. A professora que o implementou, usa este termo para disfarçar o cantinho do castigo (que hoje em dia os pais não toleram). E, quando manda uma criança para lá, ela diz: "Vá para o Cantinho do Amor, porque..." e as crianças são obrigadas a completar em coro: "...quem ama, educa!" Detalhe bizarro master plus: as crianças estão no 6º e 7º ano! Até o Içami Tiba morreria de vergonha!

Grades coloridas: uma escola pública resolveu atacar o problema da indisciplina enchendo a escola de grades. Eram portas e janelas engradadas para todos lado. (Estamos falando de crianças e jovens em formação, mas tem muita gente que acredita que transformar a escola em um presídio é a melhor solução para a violência). O corpo de bombeiros, na vistoria de rotina, mandou tirar tudo. Se houvesse um incêndio, morreriam todos queimados por causa das grades. O diretor desabafa visivelmente contrariado: "Que absurdo...e agora, como vamos contê-los (as crianças e não a boiada)? E olha que as grades eram bonitinhas, bem coloridas..."

Vistoria nas mochilas: Uma escola da elite paulistana resolveu também adotar a técnica presídio. Revista aleatória nas mochilas. Utilizando a consultoria de um escritório de advocacia (o próximo deve ser a Secretaria de Segurança Pública) eles acharam uma brecha na lei que proíbe este tipo de invasão de privacidade, alegando que a revista é para garantir a segurança dos alunos contra a entrada de drogas e objetos que possam ser utilizados como armas. Na verdade, estão querendo coibir a crescente onda de furtos dentro da escola. Ao invés de fazer um trabalho sério de educação moral com as crianças e com os educadores, o que daria muito mais trabalho, mas seria muito mais eficiente no longo prazo e na formação verdadeira destes indivíduos, a escola optou pelo caminho mais fácil - a humilhação/opressão. E está ensinando aos furtadores de plantão que se o objeto puder ser escondido na meia, eles podem ficar tranquilos.

Hematoma gigante: Durante a aula, um professor chama uma aluna gordinha, vestida de roxo, de "hematoma gigante". No dia seguinte, a aluna faz alguma coisa errada e é chamada na diretoria. Ela toma uma bronca e sai de lá visivelmente contrariada. No caminho, quem encontra? O tal professor que a havia humilhado e que, não satisfeito, faz um comentário duvidoso qualquer e conclui chamando-a "carinhosamente" de gordinha. A menina não se aperta: dá-lhe uma joelhada no saco e o professor fica rolando no corredor. PALMAS PARA A GAROTA!!!!!! Essa seria a minha reação. A da escola foi fazer "tsc, tsc e usar o fato como exemplo de como os alunos não respeitam mais os mestres."

Nota de rodapé de monitor: todos estes casos são verídicos e me foram trazidos por pessoas incomodadas com o profundo desrespeito que os alunos sofrem em instituições públicas e privadas. Primeiro damos risadas irônicas do absurdo a que chegamos. Depois lamentamos e muito. As bizarrices são tantas que, qualquer dia, junto tudo em um livro: "O guia prático para transformar alunos em coisas".

10.6.09

Quando os filhos crescem?


Criamos os filhos para o mundo. Será?

Esta semana dois episódios me fizeram questionar esta minha convicção.

No primeiro, encontrei meu caçula, de 5 anos, sozinho na cozinha fazendo um bolo. Olhei para a tigela de massa, achando que seria mais uma das melecas que ele adora fazer, misturando qualquer ingrediente que encontra. Me surpreendi ao ver uma massa que bem poderia ser um bolo. Perguntei o que ele tinha colocado ali e ele disse: "farinha, leite e três ovos." Surpresa, sugeri que também colocasse açúcar e ele disse: "Eu sei... ainda falta açúcar e chocolate. Vai ser um bolo de chocolate." Respondi enternecida: "Ah, filho...o chocolate em pó acabou." E ele disse que iria pedir para a vizinha. Saiu correndo e voltou vitorioso com uma xícara de Nescau que imediatamente foi despejada na massa. Uma colher de sopa de fermento depois e a massa foi para o forno, para virar um delicioso bolo que foi servido a todos, inclusive à vizinha.

No dia seguinte, chego em casa e encontro 3 crianças, o meu filho de 8 anos, seu amigo também de 8 anos e o meu caçula, novamente na cozinha, sozinhos, entretidíssimos em esquentar no microondas uma sobra de macarrão com brócolis do dia anterior. Me deram oi e continuaram a tarefa, como se eu nem estivesse ali. Enquanto um deles punha o macarrão em cumbucas, outro ralava o parmesão e outro pilotava o micro, com a maior naturalidade. Tudo pronto, levaram as cumbucas para a mesa, pegaram talheres e jantaram.

Fiquei observando de longe, mas confesso, com sentimentos bem ambíguos. Uma parte de mim orgulhosa pela autonomia e o desempenho dos meninos. A outra parte, com o coração espremido, por eles terem feito tudo isso sem chamar "Mãe!" nem uma vez. Podiam ao menos ter tido a consideração de me perguntar onde estava o ralador!

A verdade é que meus bebês estão crescendo. E mesmo jurando o contrário, acho que nunca estarei pronta de verdade para isso. Mesmo que o tal crescimento aconteça diariamente, bem debaixo do meu nariz e os sinais surjam a todo instante, na forma de um bolo ou de uma cumbuca de macarrão aquecida no microondas.

Ninguém falou que era fácil ser mãe. Mas precisava ser tão difícil?

8.6.09

Qual o propósito das festas juninas nas escolas?


Festa junina em escola tem o objetivo de manter viva uma importante tradição da nossa cultura ou é só um meio de angariar fundos? Tenho esta dúvida todas as vezes que vou a uma quermesse e vejo pais constantemente assediados por crianças desesperadas por fichas para jogar nas barracas, filas para comprar comidas e tudo girando em torno de dinheiro.

Não questiono a festa em si. Adoro a música, o quentão, os quitutes, o colorido das fitas, a molecada jogando estralinho, as conversas ao pé da fogueira (que nem brilham mais). Mas nas festas que tenho frequentado, a confraternização tem sido claramente ofuscada pelo comércio e me pergunto se isso é adequado no ambiente escolar.

As alternativas existem. Há alguns anos, fui a uma festa em uma escola de São Paulo que era organizada com a participação dos pais. Cada um levava um prato de comida e bebida. Tinha a equipe do quentão e do vinho quente, a equipe da fogueira, a equipe da limpeza. Era tudo de graça. E não havia música sintetizada nos altos falantes: contrataram uma bandinha típica com sanfoneiro, violeiro, percussionista e cantor, que tocava forró e músicas juninas.

As brincadeiras com prendas (também arrecadadas pelos pais) eram gratuitas e foram só no início da noite. No restante, a criançada se entreteve com brincadeiras e danças típicas: pés de lata, corrida de saco, ovo na colher, rodas e quadrilhas que não eram ensaiadas e todos, adultos e crianças, eram convidados a dançar.

Entendo que há escolas que, pelo tamanho, não conseguiriam organizar uma festa tão "caseira". Por isso, o ideal seria pais e educadores se reunirem para debater o assunto e buscar novos formatos de comemorações menos focadas na dinheirama e na jogatina infantil. E com mais foco na tradição junina, no encontro, na confraternização. Sem esquecer é claro, do comprometimento da festa com o meio ambiente. Não dá para valorizar a tradição do campo enchendo a cidade de lixo.

3.6.09

Coca-Cola não sabe o que é ser mãe.


No mês passado foi a Claro. Este mês, quem leva o troféu "Chispa da minha sacola retornável" é a Coca-Cola, com seu desaforado slogan: “Quer saber, mãe, tudo o que você faz tem um sabor único. Porque você é essa Coca-Cola toda!”.

Relôôôôu Coca-Cola e seus publicitários: EU NÃO SOU UMA COCA-COLA! Nem quero ser. Imagina...tanto esforço, tanta dedicação, para ser considerada alguém melada e cheia de gases.

A Coca-Cola pode ser poderosa, absoluta, ícone dos prazeres do consumo, mas transformá-la em adjetivo/sinônimo de MÃE é forçar a barra. E achar que nos sentiríamos lisongeadas com tal comparação, é arrogante, prepotente e míope. Desculpem, mas vocês teriam que colocar muito xarope de coca nesta fórmula para conseguir chegar próximos aos nossos pés.

Chega de levar desaforo pra casa. Mesmo que ele venha embalado em uma simpática garrafinha retornável. Fico com meu suquinho de frutas, porque o feirante só me chama de linda. Isso sim é conhecer bem o público.

2.6.09

A escola dos meninos felizes.


Duas mães, com filhos na mesma classe, conversam ao telefone:

"O que você está achando da professora?"

"Gosto dela. É doce e trata as crianças de maneira muito acolhedora."

"Pois é, acho que este é o problema, ela é terna demais."

"E isso é problema? Nossas crianças parecem estar aprendendo bastante com ela. No vídeo que mostraram na reunião de pais, seu menino apresentou uma solução para um cálculo que até agora estou tentando acompanhar. Eu jamais teria resolvido aquele problema daquele jeito. É avançado demais para mim."

As duas começam a rir. A mãe insatisfeita com a professora insiste:

"Do aprendizado não posso me queixar. Mas parece que para ele é tudo fácil. Ele faz tudo rapidamente, se livra das tarefas, não se dedica, parece que não tá nem aí. Acho que falta pulso por parte da professora."

"Escuta, mas se o importante é o aprendizado e ele está aprendendo, o que está pegando?"

"Eu queria vê-lo sofrer mais com os estudos."

"Você já procurou terapia?"

"Para ele? Você acha que é o caso?"

"Não, flor. Para você."

A conversa, que acabou em risos, me fez ver como é difícil para nós, pais e mães, rompermos com os modelos que tivemos no passado. A gente vem de uma realidade em que estudar é chato. Tem que sofrer, decorar, ter branco em dia de prova, chorar diante de tarefas imensas e cópias sem fim, porque foi assim que aprendemos. Qualquer modelo que fuja desse padrão gera insegurança. É natural. Mas, se queremos mais para a educação dos nossos filhos precisamos, antes de tudo, trabalhar nossos medos. As escolas poderiam ajudar neste processo "ensinando" aos pais novos conceitos educacionais. Ao invés de reuniões em que se discute a necessidade de usar tênis e chegar no horário (facilmente comunicados através de bilhetes), que tal breves aulas sobre propostas educacionais, indicações de leitura e de textos bacanas?

Outro dia participei de uma reunião em que se discutiu como é o processo de construção da escrita e por que aquela escola não adotava o método "Eva viu a uva". No final, uma das mães comentou aliviada que gostaria de ter tido aquela reunião antes, pois já havia criticado muito sua filha e agora via que os "risquinhos" que ela produzia (ao invés de letras) eram perfeitamente normais naquela fase da vidinha dela. Entende o peso que saiu dos ombros daquela mãe? E da sua filhota, por tabela?

O conhecimento transforma e isso vale também para os pais.

Para encerrar este assunto com alegria, publico um link para um livro chamado "A escola dos meninos felizes." Clique aqui para abri-lo. Demora um pouco para carregar, mas vale a pena. Em tempos de auto-estima educacional tão em baixa, este livro ao menos nos faz sonhar.
(Dedico este link à Clarice e seu inspirado comentário no texto sobre "Escolas fortes". Obrigada!)