29.4.09

Falar com mãe é tão difícil assim?

Aparentemente, é mais fácil fazer comercial para bebedor de cerveja do que para mães. Só isso explica o comercial infeliz da Claro para o Dia das Mães, criado pela F/Nazca, a mesma agência de propaganda que faz os comerciais da Skol.

A propaganda, que vocês podem assistir abaixo, tem cara moderninha, música moderninha, mas um texto tão retrógrado e cheio de clichês sobre a maternidade que poderia ocupar o vazio deixado pela Unilever quando tirou do ar os comerciais do Omo com depoimentos de donas de casa preocupadas com o encardido do colarinho do marido.

Se alguém acha que estou exagerando, responda com sinceridade às perguntas do comercial.

"Você conhece alguma pessoa que acorda de madrugada feliz?
Eu não conheço nenhuma. Não tem nada mais desesperador que choro de criança no meio da madrugada. Já tive ímpetos de ligar pra Angelina Jolie e oferecer um de meus filhos numa dessas noites de pura "felicidade".

"Que dá duro para juntar dinheiro e não gasta com ela?"
RelÔOOOOO, pessoal da criação! Então as Marisas, Casa das Calcinhas, Boticários, cabeleireiras, manicures, esteticistas, Rosas Chás, Arezzos e etc, etc, etc, estão sobrevivendo à base de quê?

"Que pode estar cheia de problemas, mas pára tudo para escutar os seus?"
"Agora, não! Mamãe tá muito ocupada para comentar esta frase."

"Que trabalha o dia inteiro e quando chega em casa trabalha mais...e sorrindo?"
Essa é a minha preferida. Tenho certeza que foi um homem que escreveu, sentado num bar, bebendo cerveja.

"Bom se você conhece alguma pessoa assim, dê um Claro, que ela merece."
Se o público levar este apelo a sério, eles não vão vender nem um.


28.4.09

Mães antenadas e estressadas.



Os comentários sobre o texto "Amamentar não é um ato de amor" me surpreenderam. Para ser sincera, esperava muitas críticas - só no google, há cerca de 40 mil entradas para "amamentar ato de amor". Mas chegaram apenas mensagens de apoio e simpatia (algumas até de alívio). Frases reais, de mulheres de carne e osso, relatando suas dúvidas, seus medos, suas inseguranças com um assunto que é quase sagrado.

Deu a impressão que o texto serviu para romper um dique de emoções conflitantes sobre a amamentação e, indo além, sobre a maternidade.

Fazemos parte de um grupo de mulheres que sabe o que é certo fazer. Sabemos que é certo amamentar, ter parto normal, dedicar tempo aos filhos, garantir uma alimentação saudável, estimular a leitura, participar da escola etc. etc. Mas entre "saber o que é certo" e "fazer o que é certo" há uma enorme distância que relutamos em enxergar. Nem tudo depende da nossa vontade e muitas vezes não temos essa vontade. Com isso nos frustramos, nos sentimos péssimas e pior, arrastamos por anos uma culpa imensa, que só serve para corroer nossa auto-estima e nos encher de incertezas.

O fato é que buscamos novos modelos de maternidade que rompam com formatos pré-estabelecidos, porém, sem querer, acabamos caindo em outra forma. A forma da mãe antenada. Ou qualquer nome que vocês queiram dar. Mas no fundo, lá no nosso fundinho, sabemos que mãe totalmente antenada, só tem no formigueiro. A vida logo nos mostra que o percurso da maternidade é cheio de desvios. De emoções que muitas vezes fogem ao nosso controle. E que nada como a criançada uma horinha na frente da TV para termos um tico de sossego.

O ideal, é cada uma de nós encontrar sua própria forma (bem maleável, de preferência). Mas que a busca por essa forma não seja motivo para mais uma neura, por favor! Vamos no sapatinho que uma hora a gente encontra.

23.4.09

"Amamentar não é um ato de amor."


"Amamentar não é um ato de amor."


A primeira vez que ouvi minha mãe pronunciar tal frase, estranhei.

Eu havia ido buscá-la após uma entrevista para um programa da Rede Mulher e notei que ela estava aborrecida. Perguntei o que havia acontecido e ela disse:

"Eles fizeram de tudo para que eu afirmasse que amamentar é um ato de amor. Mas eu nunca direi isso. Amamentar não é um ato de amor".

"Mãe, como assim?" Por um instante, achei que minha mãe estava virando casaca e negando o trabalho de toda uma vida.

Minha mãe foi uma das grandes batalhadoras do aleitamento materno no Brasil e no mundo. Docente da Faculdade de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto, ela ajudou a formar núcleos de aleitamento por todo o país, colocou o assunto na pauta da formação de profissionais, escreveu livros, cartilhas e foi conselheira da OMS sobre o tema, para os países de língua latina.

Eu cresci com mulheres batendo à nossa porta para "desempedrar" as mamas e aprender a dar de mamar. Com alunas que a procuravam para orientar teses de mestrado. Era peito e recém-nascido para todo lado. Aquela frase, dita assim de repente, me pegou totalmente de surpresa.

"Amamentar é optar por dar o melhor alimento ao bebê. Não tem nada a ver com amar. Se fosse assim, poderíamos dizer que os pais amam menos seus filhos? Eles não amamentam. As mães adotivas também não. Ou as mulheres que fizeram plástica. Ou as mães que precisaram desmamar seus bebês para trabalhar...será que todos eles amam menos seus filhos porque não amamentam?"

"Mas é o que a gente sempre escuta...que amamentar é dar amor", argumentei.

"Pois é...mas amamentar é dar alimento. O melhor alimento. O mais completo e o que melhor nutre o bebê. Já amar é outra coisa. As pessoas que confundem as duas coisas, sem querer, estão fazendo um desserviço ao aleitamento, pois as mães ficam mais ansiosas, culpadas e cheias de temores. Todos sabem que uma mãe tranquila amamenta melhor. E como uma mãe pode amamentar tranqüila se ela acha que estará dando menos amor para seu bebê se fracassar? Olha o peso deste sentimento!

Quanto mais desmistificarmos o aleitamento, melhor. As sociedades que amamentam melhor, são aquelas que o fazem naturalmente, como parte de uma rotina. O bebê está com fome, a mãe dá o peito. Simples assim. Quase mecânico. Ninguém pensa muito nisso.

E as mulheres que por algum motivo não conseguem amamentar, precisam parar de sofrer. De sentir culpa. Existem muitas outras formas delas darem o suporte psicológico que o bebê precisa. É óbvio que o aleitamento é a melhor escolha, mas a partir do momento que esta escolha não pode ser feita, a mãe deve parar de sofrer."

Essa era a minha mãe. Cheia de idéias próprias. Cheia de amor. Uma batalhadora da maternidade sem culpa.

P.S.: Se tenho escrito muito sobre ela, me desculpem. Mas este é o mês do seu aniversário. E quem a conheceu sabe que é impossível discutir a maternidade sem mencioná-la.

18.4.09

Uma casa feita de histórias.



Hoje é dia de blogar sobre quem me iniciou no mundo da leitura (veja o selinho do Monteiro Lobato, na lateral esquerda). Uma iniciativa bacanuda da Vanessa, do Fio de Ariadne.


Sou daquelas pessoas que adoram ler. Leio na cama, no banheiro, no ônibus, nas salas de espera de médico. Quando fico um tempo sentada sem minha leitura, morro de tédio, fico perdida. Não sou do tipo que se resolve apertando botãozinho no celular. Gosto de livros, jornais, revistas e, na falta deles, rótulos de remédio, embalages de sabonete, folhetos, qualquer coisa que tenha letrinhas e as letrinhas formem palavras.

Quando era pequena, minha casa tinha literatura para todo lado. No escritório do meu pai, prateleiras cheias de livros. Sobre as mesas, livros de mensagens espíritas, que eram lidos nos cultos semanais ou numa prece de emergência. Na cozinha, cadernos de receitas, copiados com a letra da minha mãe ou de minhas tias. Nas cabeceiras, romances, livros "Para gostar de ler" e aqueles pequeninhos das Edições de Ouro. No tacho da sala, o jornal diário e muitas revistas.

Tudo isso, naturalmente, me levou a ler. Mas acho que o fator mais determinante, foi que tive a sorte de ter um Monteiro Lobato na minha vida. E uma Emília.

O Monteiro Lobato foi meu pai. Ele foi o incentivador oficial. Na hora de dormir, lia livros apaixonantes, como "Robson Crusoé", na versão do próprio Lobato. Eu e meus irmãos adorávamos. E comentávamos tanto que ele acabou criando uma regra que não podíamos interromper muito, para conseguir chegar ao final do livro.

Segundo as teorias do meu pai, para formar o hábito da leitura, podíamos ler qualquer coisa que gostássemos. O ato de ler era mais importante que o conteúdo. Ele pregava que uma vez desenvolvido o hábito e nos tornássemos leitores, acabaríamos mais seletivos. A própria leitura ajudaria a refinar nossas escolhas.

A Emília foi a minha mãe. Ela foi o lado lúdico que equilibrou o pai Monteirão. Era ávida leitora de gibis e comprava todos: Turma da Mônica, Disney, Bolinha e Luluzinha, Brotoeja. À noite, deitávamos com ela na cama de casal e líamos gibis até cair no sono. Dela também vieram as coleções de contos de fadas, os Disquinhos que ouvíamos na vitrola e os clássicos Disney. Adorava colecionar fascículos vendidos em banca de revista e por conta disso, tínhamos coleções de artesanato, de brinquedos de sucata, de jardinagem, Salvat Grandes Temas, Todos os Jogos e muitas, muitas outras.

Me lembro também das tardes que passávamos colando figurinhas, com cola de farinha, no álbum de história do Brasil. Ou recortando e montando os brinquedos de papel da revista Recreio.

E assim, sem nem perceber, fomos lendo e crescendo. Hoje somos pais e mães, que tentam proporcionar a seus pimpolhos o mesmo solo fértil para o desenvolvimento da leitura. Lutamos contra monstrinhos poderosos, como o videogame e a tv por assinatura. Mas com carinho, paciência e um pouco de disciplina, acho que o bichinho da leitura também irá contaminá-los. É meu sonho. E uma das maiores heranças que posso deixar para meus filhos.

15.4.09

Filhos felizes, saudáveis e confiantes...isso existe?



Hoje acordei azeda. Deve ser TPM ou um spam que recebi da Livraria da Folha com o título: "Crie filhos felizes, saudáveis e confiantes."

Preciso de um café, ou melhor, o pessoal da Livraria da Folha é que precisa acordar. Criar filhos "felizes, saudáveis e confiantes" é igual prometer à uma mulher "seja uma grande profissional, esposa inesquecível, mãe zelosa e mulher gostosa". É mais fácil acreditar que viraremos astronautas ou contorcionistas de circo do que atingir tal meta.

É óbvio que todos nós, pais e mães, desejaríamos criar filhos felizes, saudáveis e confiantes, mas no dia-a-dia, no rock pauleira da vida, a gente acaba se conformando em criar filhos divertidos. Ou honestos. Ou gente boa. Ou saudáveis. Ou confiantes. Ou que, pelo menos, coloquem o prato na pia depois das refeições. Tudo junto, só mãe de primeira viagem sonha e apenas enquanto o bebê é pequeno.

Com o tempo vamos caindo na real de que nossos filhos são tão humanos quanto todos os outros e ninguém é perfeito (a começar pela gente). Eles têm inseguranças, adoram comer tranqueiras, mentem, ficam tristes, magoados, agressivos. E quem não fica?

Esse tipo de apelo me irrita, porque serve apenas pra detonar a auto-estima dos pobres progenitores. Que andam tão perdidos, que são até capazes de comprar literatura que precisa ser vendida com tal apelo.

Livraria da Folha, minha sugestão: "Crie filhos aptos a sobreviver neste mundo tão absurdo". É mais real. É mais humano. E não azeda minhas manhãs.

14.4.09

Consumismo na cozinha - reduzindo os utensílios.




(O Ombudsmãe ficou fora do ar por motivos de força incrivelmente maior. O lado bom de sermos nossos próprios patrões e patroas é podermos priorizar. Esse é um benefício trabalhista realmente imbatível!)

Retornamos ao assunto que ficou no ar: utensílios de cozinha mais verdes e menos descartáveis.

Hoje, com o R$1,99, objeto de cozinha virou coisa descartável. Potes, bacias, colheres, tábuas, escorredores de louça - praticamente todos os apetrechos são produzidos com plástico e quando quebram podem ser facilmente substituídos.

O problema é que, com a reciclagem capengando na maioria das cidades, essa enormidade de apetrechos acaba sendo descartada no lixão. Ou, sabe-se Deus onde (vide a matéria sobre o Lixão do Pacífico). Além disso, poderíamos usar o dinheiro gasto na troca de produtos pouco duráveis com coisas mais úteis ou mais prazerosas.

A solução:

1. COMPRAR MENOS - confira as gavetas e prateleiras da sua cozinha e veja a enormidade de tranqueira que juntamos. Muitos destes objetos não são nem utilizados. Descubra o que você realmente precisa e evite comprar furadores, fatiadores, recheadores, fazedores de bolinhas, facas para isso e aquilo se as chances desses objetos acabarem esquecidos for alta.

Dica master plus: antes de comprar QUALQUER objeto novo, veja se não dá para reusar algo que você já tem. Exemplo: uma garrafinha vazia acrescida de um bico dosador vira um ótimo galeteiro para óleo e vinagre. Vidros de palmito são excelentes para armazenar mantimentos. Seja criativo e gaste menos! Reuso agora é chic!

2. OPTE POR MATERIAIS MAIS DURÁVEIS - meu critério tem sido evitar tudo o que for de plástico. Primeiro porque dura menos. Segundo porque não tenho certeza que será reciclado. Terceiro porque vidro, metal, madeira, cerâmica e fibras naturais são muito mais legais. Então lá vai:

Colheres, espátulas, conchas e escumadeiras - só de pau, bambu ou metal (de preferência inox). Duram milhares de anos, são fáceis de lavar, não deixam resíduos químicos na comida, nem nos lixões. Evito até as de metal com cabo plástico, pois essas acabam estragando.

"Tapuér" - estou aos poucos substituindo os de plástico por vidro temperado. Custam a partir de 7 reais. São mais caros, mas valem a pena. Além de serem fabricados no Brasil (o que gera empregos e evita aqueles ingredientes surpresa do plástico chinês), não soltam resíduos na comida quando aquecidos e são inócuos quando descartados. Se optar pelos de tampa plástica (mais fáceis de achar) o truque é escolher os que tem a tampa mais flexível e resistente - bem cuidadas elas duram muito. Os potes de inox ou ágata também funcionam bem e duram para sempre.

Dica master plus: Para pequenos volumes use copos de requeijão com tampa de Nutella.

Bacias, saladeiras, açucareiros, saleiros, peneiras etc - o mercado oferece inúmeras opções em inox, vidro, madeira, bambu, cerâmica, louça etc.

Dica master plus 1: Pequenas lojas de artesanato em cidades turísticas oferecem alternativas verdadeiramente sustentáveis, feitas de cabaça, taboa, junco, palha trançada etc.

Dica master plus 2: Nas lojas de umbanda você encontra gamelas de madeira e cerâmica, lindas e por bons preços.


Bacias e baldes de lavar roupa- a regra continua a mesma. Evite o plástico. Herdei da minha mãe 2 bacias de lavar roupa de alumínio que, com certeza, já têm mais de 30 anos de bons serviços prestados. Continuam perfeitas. No mercadão encontrei baldes de zinco por cerca de 20 reais. E de alumínio por 26. Custam caro, mas suas filhas e noras ainda irão herdá-los e não, o lixão. E se você pensar na quantidade de baldes e vassouras de plástico que já comprou, vai ver que a conta sai barata.

Vassouras, escovas e rodos vá de madeira e fibras naturais - opte por pêlo, piaçava, palha, juta ou as opções ecológicas de pet reciclada. Funcionam bem, promovem cooperativas e pequenos produtores.

Bucha só vegetal. Se interessar, leia texto já publicado.

Coadores de café - ainda uso o coador de papel (tsc, tsc), mas reativei a cafeteira italiana que estava esquecida. E vou ver se me adapto com o coador de pano. Existe a opção de nylon, mas fico na dúvida sobre os resíduos e é mais um trem de plástico na cozinha - o que estou tentando evitar.

Tábua de carne - só de madeira, por favor. Não suporto essas tábuas de plástico que dizem que são mais saudáveis. A humanidade usa tábua de madeira há 5 mil anos e agora inventam essa?! Sempre desconfiei...mas para quem quer saber mais, a Tramontina está divulgando uma pesquisa da Universidade de Wisconsin que afirma que a tábua de madeira não permite que as bactérias sobrevivam. Tirando o fato que eles querem vender tábuas e ciente do fato que você não precisa de comprar a tábua da Tramontina (qualquer tábua de madeira dura serve), vá de madeira e esqueça o Dr. Bactéria. No programa "Good for You" da TV Australiana, a tábua de carne também foi redimida. Cheers!

Guardanapos e panos de pia - No dia-a-dia, só de pano.

Por hoje é só! Mandem suas dicas, críticas e soluções. Vamos fazendo nosso tricôzinho e aprendendo uns com os outros.

4.4.09

Pro fim de semana nascer feliz.



Prometi publicar ontem o texto sobre cozinha e área de serviço verde. Mas mãe blogueira sofre intempérios. Meu mais velho ficou muito doente e passei o dia indo a médico, laboratório, fazendo raio x. No final do dia, cadê a energia pra escrever?

Mas reservei um episódio bem divertido para aliviar o final de semana. E como diz grande Scarlet O'hara: Amanhã, será um novo dia!

Lá vai:

Ontem a noite coloquei meu filho doente para dormir ao meu lado. Desse jeito poderia monitorar sua febre e respiração mais facilmente durante a noite. Na madrugada, coloco a mão na sua testa e está sem febre! E a respiração ótima! Aliviada, virei para o lado e dormi tranquila. Acordei mais algumas vezes e ele continuava sem febre e respirando bem.

Quase de manhã, acordo e levo um susto. O filho que estava dormindo ao meu lado, não era o doente! Hahahahah. Na madruga, o caçula se enfiou entre nós e foi a "febre" dele que passei a noite controlando!

Beijos e segunda-feira será um novo dia!

2.4.09

Reduzindo, um princípio de conversa.



No texto anterior, prometi publicar dicas de redução de lixo. E, inevitavelmente, de reuso, como comentou o Jorge. Não são dicas para eco-experientes. Eu ainda não cheguei lá. Estes textos interessam a pessoas que, assim como eu, despertaram para o consumo consciente há pouco tempo. E que ainda estão tentando, experimentando, descobrindo. Ninguém muda da noite para o dia depois de uma vida de práticas eco-desastrosas. Cada um tem seu momento e seu jeito de fazer as coisas.

Mas leia avisado: uma vez "desperto", você não volta atrás. Parece papo de crente, mas de repente, você começa a ter um prazer estranho em transformar vidros de azeite em vasos de flores, usar cascas de ovo como adubo, lavar saquinhos plásticos para reutilizá-los e sair do supermercado com o carrinho muito mais vazio. É uma praga, das boas.

Vamos começar a conversa na cozinha.

Comida fresca sempre que possível: a Sílvia Schiros deu a dica master plus - feira, ou seja, comida fresca. O princípio básico da redução de lixo na cozinha é evitar comida pronta, superembalada e processada. Fuja dos congelados, dos bolos prontos, dos sucos de caixinha e garrafinha, dos caldos e sopas instantâneas, dos molhos enlatados, dos temperos prontos, dos cereais matinais, etc, etc, etc. De quebra, você ganha uma vida mais saudável, simples, barata e prazerosa.

O argumento principal de quem opta por alimentos industrializados é a falta de tempo, mas hoje em dia, há uma abundância de receitas e informações para você preparar uma refeição rápida, prática e variada, gastando pouquíssimo tempo. E com isso, reduzindo plásticos, envoltórios, latas, pets e isopores.

Há também alguns truques. Para fazer pães e massas (torta, esfiha, nhoque), eu uso uma máquina de fazer pão. É ridículo de simples: você enfia os ingredientes lá dentro e sai com a massa pronta ou com o pão assado. Sem conservantes, aglutinantes, afofantes e embalajantes. Claro que o ideal seria meter a mão na massa, mas nunca consegui fazer nada além de uns pãezinhos doídos de duro e decidi parar de sofrer (e fazer os outros aqui em casa sofrerem.)

Mas, mesmo com a comida fresca precisamos ficar espertos. Segundo o Akatu, 1/3 dos alimentos que compramos, vai para o lixo. Isso quer dizer que a cada mil reais, 300 vão pro caminhão da prefeitura! Absurdo, não? Tenho tentado minimizar este problema comprando menos e cozinhando em menores quantidades (quando meu lado italiano permite).

Procuro também olhar o que tem, antes de decidir o que fazer. Portanto, nada de sair correndo para comprar um ingrediente que acabou. Se não tem feijão, eu vejo se há grão de bico, lentilha ou ervilha e só quando estes forem consumidos é que compro novos grãos. Dessa forma, nada perde a validade e o cardápio fica mais variado. Jogo de cintura e criatividade. É o se vira nos 30, na cozinha.

Outra forma de diminuir este um terço de comida no lixo é manter a geladeira esbelta. Geladeira lotada é certeza de que muita coisa vai parar na lixeira. Porque não resfria direito e porque não conseguimos ter controle do que tem lá dentro. Evita também aquele susto de encontrar um ser vivo dentro de um "tapuér" que você nem lembrava que existia.

Outra dica preciosa veio da Adriana. A mãe dela congela sobras de frutas e legumes para depois fazer suco ou caldos. Já testei com manga e deu um suco maravilhoso. Tomates cortados que sobram na salada depois de congelados viram molho. Ou podem ser refogados com outro legume. Da Nigella Lawson, que tem um programa de culinária no GNT para pessoas atarefadas e descoladas, veio a dica mais engraçada: ela congela o vinho que sobra nos copos e depois usa para temperar carne. Não consegui ainda testar essa dica, porque vinho, aqui em casa, nunca sobra.

Por hoje é só. Amanhã publicarei um texto com dicas sobre os utensílios e ferramentas da cozinha e área de serviço. Agora vai ser pá, pum. Chega de blá, blá, blá. Tentarei reduzir até nas palavras.

Beijos!