31.3.09

A ilusão da reciclagem.


Sempre fui fã ardorosa da reciclagem. Aqui em casa separar o lixo útil é um hábito incorporado no nosso dia-a-dia. Mas esta semana, alguns fatos me fizeram rever completamente esta postura.

Explico. Aqui, em São José dos Campos, há um sistema municipal de coleta de lixo reciclável. Esta coleta funciona bem. O caminhão da prefeitura passa 3 vezes por semana na minha porta e recolhe tudo o que separamos. Neste quesito, sem dúvida, estamos à frente de muitas de cidades brasileiras. Infelizmente.

O problema vem depois. Esta semana, conversei com duas pessoas que visitaram o local onde é feita a separação do lixo útil e ambas me deram a mesma informação: é alta a quantidade de material reciclável que é descartada na separação e vai parar no aterro comum. Há vários motivos - a população ainda não sabe separar o lixo, o caminhão compactador danifica o lixo útil e acaba dificultando a separação, embalagens muito sujas, as luvas grossas dos selecionadores impede que pequenos pedaços de plástico, vidro ou papel sejam recolhidos, a reciclagem de alguns materiais é cara e não há comprador no mercado, a técnica usada na separação é muito empírica etc. De novo, os motivos são vários. E o resultado é o mesmo. Parte do material que separamos na boa fé, acaba no lixão.

Isso em uma cidade onde há um programa oficial de reciclagem do lixo. Imagine nas outras!

Já com os catadores e cooperativas, o problema é que eles recolhem o que dá lucro. E ultimamente houve uma baixa muito grande no preço do material reciclável que os fez ficarem ainda mais criteriosos. Dizem que é a crise. (O governo dá dinheiro pra banco, pra indústria automobilistica, deveria também intervir no preço do material reciclável para evitar catrástrofes ambientais e desemprego das milhares de famílias que vivem dele.)

A verdade é que a ficha precisa cair. Reciclagem é paliativo. Não dá para colocarmos o lixo útil na rua achando que o problema está resolvido e que estamos fazendo nossa parte. Pensar assim, é tapar o sol com a peneira. É permitir que governo e indústria continuem com a mesma postura irresponsável de sempre. Ninguém assume o lixo. A verdade é que se coloca umas lixeirinhas coloridas por aí, dá uma recolhida por ali, divulga-se uns dados que nos colocam no primeiro mundo da reciclagem e todo mundo se acalma. O consumo continua o mesmo, as atitudes mudam pouco e os aterros permanecem à beira da exaustão.

E o que é pior, a cada dia, surgem substitutos plásticos para produtos consagrados (e ecologicamente muito mais saudáveis), como os copos de requeijão, os vidros de maionese (agora só na pet) e rolhas de cortiça. "Ah, mas é tudo reciclável". Sim, mas quem garante que o destino será realmente a reciclagem?

Devemos então parar de separar o lixo? Não! A reciclagem é maravilhosa quando feita pra valer. Mas sabemos que nisto não se pode confiar, então temos que REDUZIR.

E como é que se reduz a quantidade de lixo produzida? Mudando hábitos. Consumindo menos. Boicotando produtos nem aí ambientalmente. Fazendo mais coisas em casa. Elegendo governantes definitivamente comprometidos com a causa ambiental. Ensinando nossos filhos a viver com menos.

Daqui para frente, publicarei alguns textos com dicas domésticas para reduzir a produção de lixo. Todos estão convidados a contribuir. Enviem suas dicas, seus textos, seus sites interessantes. Vamos arregaçar as mangas e mostrar para o governo, indústria e comércio que temos a força (E temos. Não subestime o poder de um resultado negativo de pesquisa!)

Quem quiser nos servir sempre, vai ter que fazer muito mais do que apenas servir bem.

26.3.09

Coitado do coelhinho da Páscoa.


Hoje, ao abrir meu navegador aparece um banner de um fabricante anunciando ovo de páscoa "com pouco açúcar, colágeno e fibras". Tentei ignorar, como faço com 99.9% da propaganda que surge na tela do meu micro, mas dessa vez não deu. Fiquei imaginando a quem interessaria um ovo marombado desses. E me deu muita pena do coelhinho da Páscoa.

Antes, era simples. Ele fazia deliciosos ovos, embalava com papéis metálicos e coloridos, pendurava no supermercado e pronto. Todo mundo comprava. E se esbaldava.

Não sei de onde veio a idéia de "diversificar" a produção, (provavelmente, o coelho contratou algum marketeiro) mas de uns anos para cá, além dos ovos básicos (difíceis de encontrar) ele começou a fabricar as versões diet, light, branca, crocante, recheada com guloseimas açucaradas e cheias de gordura trans, brinquedinhos e outras tranqueiras. E o que é pior, pagando royalties para as Meninas Superpoderosas, os Padrinhos Mágicos e a Liga da Justiça.

O negócio foi ficando complicado, principalmente para nós, consumidores. Mas achei que o estrago na fábrica do coelho parara aí. Agora ele vem com mais essa (o marketeiro tem que mostrar serviço): ovo de Páscoa funcional.

Com todo respeito, Sr. Coelho, mas dessa vez, o senhor pisou na bola. Ninguém quer ficar linda ou viver até os 130 anos, comendo ovo de Páscoa! Quando eu quiser comer coisas que fazem bem para o meu corpo eu vou à feira. Ovo de Páscoa é indulgência. Felicidade. Prazer. E essas coisas não têm nada a ver com adicionar fibra, colágeno, vitamina ou enfiar uma miniatura de personal trainer como brinde. Fabrique um delicioso ovo, com o mais puro chocolate, que derreta na boca e seja inesquecível até a Páscoa do ano que vem e o senhor terá feito um excelente trabalho.

E mande embora o marketeiro. Ele se esforça demais.

24.3.09

"Por favor, mãe..."


Uma grande amiga me ligou:

"Oi, quer adotar um cachorro?"

"Ah, não sei. Quer dizer...quero, mas só se for filhotinho, macho e de pelo curto."

"Olha, é fêmea, mas é filhote e tem pelo curto. Na verdade é um casal. Se você ficar com a fêmea, eu adoto o macho. Com a fêmea eu não fico."

"Mas é filhote e tem pelo curto?"

"Sim."

"Ok, eu fico com ela."

Quando a Babi chegou a única coisa que batia com a descrição era o sexo. Tinha pelo longo, era adulta e estava prenha. Uma semana depois, além da Babi eu tinha 5 cadelinhas recém nascidas para dar destino. Mas, nos apaixonamos e vivemos 10 felizes anos, juntas. E eu continuei amiga da minha grande amiga.

Quando a Babi morreu, meu caçula começou a pedir que adotássemos um gato. Dizem que a humanidade está dividida entre as pessoas que gostam de gato e as que preferem cachorros. Eu, definitivamente, estou do lado dos cães. Mas, mãe é mãe e seis meses depois de insistentes pedidos, vamos ao abrigo escolher um gatinho.

Dessa vez estava esperta e decidida. Tinha que ser fêmea, filhote, pelo curto e não podia em hipótese alguma ser preta. Detesto gato preto. Toc, toc, toc.

No abrigo, a moça me apresenta uma gaiola com mais de 20 pequenos gatinhos. Cinza, caramelo, marronzinhos. As coisas mais fofas do planeta. Digo ao meu filho que escolha uma feminha. E a moça engasga.

"Ele não vai poder escolher um desses."

"Como assim?"

"Esses gatinhos são muito novinhos. A nossa veterinária não os libera tão novos, ainda mais para crianças pequenas."

"Ah, mas queremos um bebê."

"Olha, temos gatos maiores que darão ótimos animais de estimação."

"Não queremos um gato maior. Queremos um filhotinho."

"De qualquer forma, vamos lá no fundo para vocês verem."

Ela nos leva a uma parede repleta de gaiolas, com gatos adolescentes e adultos. Meu filho se encanta com um deles. Já está bem crescido, é macho e preto.

"Escuta, não queremos esse gato. Queremos uma fêmea, bebê e não preta."

Meu filho fala pela primeira vez: "Mas mãe, eu gosto desse."

"E ele já está castrado" completa a mocinha, fazendo um clique no meu lado calculista.

Pondero aqui, pondero ali e lá estou eu assinando os papéis para levar o recém nomeado Tóbi para casa. Macho, grande e preto.

Tudo certo. Tóbi no colo do meu filho, banhado, unhas cortadas, coleirinha e eis que a mocinha me chama de lado.

"Olha, a doutora me chamou e disse que este gato está doente. A senhora terá que dar remédio alguns dias para ele."

Pela primeira vez, faço algo que minha mãe era mestra em fazer e me matava de vergonha. Olho para a mocinha e fico vesga. Espantada, ela capta o recado.

"São só quinze dias de remédio..."

"Quinze dias?! E eu lá sei dar remédio para gato!"

"É superfácil, a senhora não terá problemas. Segure-o pelo pescoço, como a mamãe gata faria. Abra a boca...cuidado para ele não mordê-la, injete com a seringa, mas devagar, senão ele vomita tudo de volta."

"Facílimo, hein, flor. Era realmente tudo o que eu buscava quando resolvi adotar um bichinho."

Mas o meu filho estava em êxtase com o Tóbi no colo. Pego a receita e saio rosnando, com meu filho e o gato - macho, preto, grande e doente. Exatamente o que eu procurava.

Quer saber? Bichos são como filhos. Eles é que nos escolhem.

23.3.09

Selinhos, mas não os da Hebe.

Vou descobrindo aos poucos as delícias da blogosfera. Uma delas são os selos. Um blog passa para o outro, como um pratinho de biscoito numa roda de amigos. Da Vanessa, do Fio de Ariadne, recebi dois. Primeiro veio este:


Que devo publicar junto com uma lista de 7 coisas que eu gosto:

1. George Clooney (vinho - tá melhorando com o tempo).
2. Brad Pitt (com Angelina fica ainda melhor)
3. Benício Del Toro (adorável vira-lata)
4. Gael Garcia Bernal (sem palavras)
5. Javier Bardem (queria ter feito uma ponta no Vicky Cristina Barcelona)
6. Ronaldo (fazendo gols no Corinthians é melhor ainda)
7. David Beckham (sem a mala da mulher dele, please!)

Indico este selo para o Publiloucos, do Alex Gonçalves, o Olho de Camaleão, da Elis, o LogoBR, do Daniel Campos, Silkelita, da Sil, o Come-se, da Neide Rigo, o Pipocando , da Renata Matteoni e o Sarau Para Todos, que é um blog coletivo.

O segundo selo veio no final de semana, também da Vanessa, e alumiou uma segundona braba. Ele está orgulhosamente publicado na barra da esquerda.

Um beijo a todos e uma ótima semana.

20.3.09

Sobre mães e bruxas.


Quando fiz 14 anos, fui matriculada no Anglo, para fazer o colegial. Minha única exigência foi: lentes de contato. Ia entrar oficialmente no maravilhoso mundo da adolescência e me recusava a ir de óculos.

Minha mãe entendeu e logo eu estava usando um par de lentes rígidas, de acrílico, daquelas que, quando entrava poeira, era só tirar, lamber e colocar de novo no olho. Eca!

Primeiro dia de aula, lá vou eu toda orgulhosa com minhas lentes, ainda em adaptação. Tudo para mim era novidade e eu estava bem intimidada. Última aula, entra um cisco nos meus olhos. Esfrego e uma das lentes cai no chão! Pânico total e absoluto. Tive vergonha de interromper a aula e pedir ajuda. Toca o sinal, aquele bando de adolescentes caminha por onde minha lente possívelmente estava. Desisto de encontrá-la. Vou para casa arrasada, pensando na grana desperdiçada, na bronca e, pior, no dia seguinte ter que ir para a escola de óculos. Meus óculos eram medonhos.

Chego em casa chorando e explico o que houve para minha mãe. A reação dela foi a mais inesperada:

"Vamos lá encontrá-la."

"Mãe, sem chance. A esta hora, já limparam a sala".

"Tenho certeza que nós vamos achá-la".

Partimos eu e ela para o Anglo. Chegando lá, ela chama as faxineiras e explica o problema. Elas levam os sacos de lixo para minha sala e começamos a vasculhá-los. Era óbvio que seria impossível encontrar um círculo de acrílico minúsculo no meio de toda aquela sujeira, mas a confiança de minha mãe era absoluta. E não é que depois de muito vasculhar, alguém grita: "Achei!".

No meio do pó de giz, encontramos a lente.

Até hoje não consigo acreditar nessa história. E ela aconteceu comigo. Exatamente da forma como conto. Quando penso nela, acho que é uma daquelas mágicas que só as mães têm o poder de fazer. E me dá uma saudade imensa da minha bruxa querida. Que já se foi, mas deixou nas crias o poder de beijar qualquer ferida pra dor passar. E de nunca aceitar um "não" sem antes tentar o que for possível para transformá-lo em "sim".

17.3.09

Hoje é dia de feira.



Quando eu era pequena, adorava ir à feira com meus avós. Uma das minhas principais lembranças era a forma íntima e carinhosa com que eles se relacionavam com os feirantes. Eram muito queridos por todos e com isso, conseguiam crédito e a melhor mercadoria. Me lembro que o verdureiro escondia a alface debaixo da barraca para que minha avó pudesse escolher as mais bonitas. E no final eu sempre tomava garapa (caldo de cana em ribeirãopretês), servida em cones de papel, e um pastelzinho.

Fui crescendo e, aos poucos, me afastando da feira. Entraram em cena os supermercados, os sacolões e outras formas mais "modernas" de comprar frutas e hortaliças, nem sempre tão fresquinhas.

Voltei a frequentar a feira há alguns anos. Sou fã incondicional. Adoro o clima de informalidade, a alegria e o colorido das barracas. Além da mercadoria ser melhor e ter sempre mais opções de escolha, lá eu desconto cheque, compro no fiado, sou chamada pelo nome e sempre recebida com festa.

Mas, de longe, o que mais gosto na feira, é da conversa dos feirantes. Tem causos divertidíssimos como este que escutei ontem e que jamais, em hipótese alguma, teria sido contado em um supermercado:

Uma freguesa perguntou ao dono da barraca de legumes onde estava a esposa dele.

Ele respondeu sem a menor cerimônia e com um delicioso sotaque do interior da Bahia: "Ontem à noite eu tive um sonho daqueles horríveis. Tinha um sujeito agarrado no meu saco. Ele puxava com tudo e nada fazia o cara me soltar. Eu fiquei desesperado e meti-lhe uma mordida para ver se ele me largava. Acordei com o grito assustado da minha mulher. Não é que, dormindo, eu preguei os dentes nas costas da coitada?! Ficou até a marca. O susto foi tão grande que ela teve uma crise de pressão alta e está internada. Quando acabar a feira eu vou buscá-la no hospital."

As pessoas me perguntam onde acho minhas histórias. A verdade verdadeira é que as histórias é que me acham.

Nossa enorme insignificância.

Recebi este vídeo da Adriana. Com narração do Carl Sagan, retrata a Terra vista do espaço, mas não é aquela visão lindíssima e grandiosa à qual estamos acostumados. O vídeo mostra a Terra vista de longe, muito longe, um pálido ponto azul. Uma poeira no universo. Um quase nada. E ao refletir sobre nossa imensa pequenez, Carl Sagan faz uma declaração de amor emocionante ao planeta e aos seres humanos.

Um verdadeiro chamado para cuidarmos melhor do nosso pequeno, porém generoso lar.

14.3.09

Pequenos heróis da resistência.


Conversando com amigas, constatei algo engraçado e comum a muitas de nós, mães "neuras e naturebas com muito orgulho": temos filhos que dão nó em pingo d'água para conseguir comer uma porcaria. Meu caçula, por exemplo, chegou em casa outro dia contando que tinha virado amigo de um colega que ele nunca foi com a cara. "Ele é superlegal, mãe. Ele leva biscoito Traquinas de lanche todo dia!". Este mesmo filho tinha o hábito de sempre visitar a vizinha. Eu achava uma graça o interesse dele pela velhinha solitária. Achava até que ele estava substituindo a figura das avós, falecidas. "Mãe, eu amo esta vizinha!" Até que descobri que ela mantinha uma caixa de bombons sempre cheia, reservada para ele sobre a mesa.

O outro, menos interesseiro, descobriu o paraíso: o potão onde os alunos compartilham o lanche que não vão comer. Ele sempre dá uma olhada para ver se não descola uma bolacha recheada ou um Todinho. Mas a glória mesmo é o dia que sobra um bolinho Ana Maria.

Soube de um garotinho que os pais nunca adoçavam o suco, nem mesmo o de maracujá. Um dia ele provou o suco do colega. Deliciosamente açucarado. Desde então o pequeno virou um atacador ninja do suco alheio.

Já a filha de uma amiga, é fina. Vai se aproximando no papo, na ginga e entre um lero e outro, fisga um nuggets ou um biscoitinho do colega incauto.

E assim, eles vão se virando. E sobrevivendo. Ao mundo, aos amigos, mas principalmente, à nós, mães.

12.3.09

Para discutir sustentabilidade com crianças

Este comercial argentino é um bom gancho para uma conversa sobre atitudes individuais de sustentabilidade com crianças. Ele mostra de forma bem concreta que todos somos responsáveis pelo meio ambiente e que precisamos rever nossos hábitos, mesmo os mais inocentes, se quisermos viver em um planeta saudável para todos os seres vivos.

11.3.09

Dona da Verdade



Após repetidas queixas da filha, a mãe decide falar com a professora. A conversa não seria fácil. A professora era nova na escola e defenderia com unhas e dentes seu ponto de vista e seu novo emprego.

A mãe estava disposta a ser amigável mas, se necessário, endureceria. Educação é algo muito sério e é preciso ficar atento. Na manhã anterior ao encontro, reviu mentalmente seus argumentos. Simulou diálogos e respostas para as mais diversas reações e justificativas vindas do outro lado. Chegou à escola armada para derrubar toda e qualquer argumentação da professora, da coordenadora ou do porteiro. Era a "dura de matar" em carne, osso e pele de mãe.

Entra na sala e é recebida por uma pessoa distante da descrição feita pela filha. A "inimiga" é pequena, sorridente, simpática até. Mesmo assim, a mãe mantém uma reserva intimidante. Se for necessário ir pra briga, melhor não ficar de gracinhas. De repente, a professora começa a falar e a mãe se vê diante da única possibilidade para a qual não havia se preparado.

A mulher era fanha.

Por dentro, cai na risada. Não da fanhice da professora, mas de si própria. Em questão de segundos, toda sua argumentação, seu preparo e sua frieza de geladeira de cerveja desaparecem diante de um "d" com som de "t".

Desarmada, permite que a conversa aconteça de forma simpática e amistosa. Escuta a professora, fala o que acha, dá suas sugestões e fecha um acordo de cooperação. Sai da sala satisfeita e decidida a, dali para frente, pegar mais leve. Com a filha, com a escola e com a vida.

9.3.09

Freecycle - uma idéia simples e sustentável


O Freecycle é uma rede de relacionamento entre pessoas interessadas em doar objetos que não usam mais e pessoas interessadas em recebê-los. Funciona simples assim: alguém que queira doar algo manda uma mensagem dizendo: "Estou doando um fogão 4 bocas". Quem quiser o fogão entra em contato com o doador, retira e uma coisa a menos vai para o lixão. Pode-se também publicar mensagens procurando coisas, como latas de nescau para artesanato, determinado livro ou uma cadeirinha de automóvel para criança.

O objetivo é ajudar a galera a se livrar da tralha (que todos temos e entulha nossa casa), evitar o consumismo através da reutilização de objetos, evitar que coisas boas parem no lixão e praticar a solidariedade.

Existem grupos do Freecycle em várias cidades brasileiras. Cadastre-se no da sua (ou crie um grupo nela). E bota a tralha pra circular!

www.freecycle.org/

6.3.09

Alimentos melhores para nossos filhos já!


O proteste criou uma petição que será encaminhada ao Governo, pressionando a aprovação de um projeto de lei que regulamenta a fabricação de produtos alimentícios para crianças. Clique aqui para ler o projeto e assinar a petição. É super rápido!

A briga vai ser boa, mas se bastante gente assinar, quem sabe a gente consegue melhorar um pouco o que entra na boquinha de milhões de brasileiros (principalmente os mais carentes, que hoje são grandes consumidores de comida barata industrializada).

O que a nova lei deve exigir:

- Produtos destinados ao público infantil não podem conter gordura trans.
- Limitação de açúcar e gordura presente nos alimentos.
- Corantes artificiais não devem ser utilizados.
- Proibição de conservantes como o benzoato de sódio.

Assine a petição

5.3.09

Mais sobre mães "radicais" e gelatinas



O comentário da Renata Matteoni no texto anterior me fez pensar em algo que é comum a todas nós mães "neuras e naturebas com muito orgulho": qual a linha que divide o saudável do radical?

Falo por mim, pois essa é uma dúvida que vira e mexe me assombra. Tenho uma tendência a ser controladora em excesso e imagino como deve ser chato você crescer com alguém o controlando o tempo todo. Imagine ter um fiscal (como eu muitas vezes me sinto) diariamente olhando seu prato e conferindo o que você come e quanto você come. Ou o quanto de tv que você assiste. Ou o tempo que fica no videogame. Fora o banho, escovação de dentes, protetor solar, tarefa e tudo o mais que temos que controlar. No fim, para virar uma Hugo Chavez (um misto de democracia com ditadura) falta pouco.

A verdade é que muitas vezes exageramos porque vivemos na defensiva. O mundo glorifica muito mais o trash que o saudável. Me lembro que uma vez deixei meu filho, ainda bem pequeno, com minha mãe em outra cidade e, na volta, tias e primas contavam com orgulho que ele havia provado Coca-Cola e adorado! Na hora me pareceu que as pessoas encaravam essa violação de regras como uma vitória: "Viu, como ele gosta!". Estavam tentando me provar alguma coisa.

Desde então, quase 10 anos se passaram, outros 2 filhos vieram e eu amoleci bem mais. Ainda controlo as coisas, é minha natureza, mas assumo que meu terceiro filho, com 5 anos, assiste muito mais tv que o primeiro, come muito mais tranqueira e já joga videogame. Era ceder ou viver sendo a eterna chata mandona. Para contrapôr, fizemos negociações. Tem horário de jogar videogame. Horário de ligar a tv. E tranqueira quase sempre eles só comem fora de casa.

Mas a luta é diária. Como disse, a sociedade conspira contra. Soube de uma mãe que evitava que a filhota de 2 anos comesse doces. Pois todos os dias, o porteiro dava balas para a menina sem que a mãe soubesse. E todos no prédio sabiam e achavam engraçado! Essa é uma sabotagem declarada. Mais comum são as que vêm sem nenhuma má intenção, como as festinhas em buffet regadas a açúcar. Precisava daquela overdose?

O bom é que agora, com a internet, podemos nos unir, trocar experiências e fortalecer nossos pontos de vista. Mais e mais mães estão melhorando a dieta dos filhos. Não me sinto mais tão radical e nadando contra a correnteza. Imagino como deve ter sido difícil para os pais naturebas de uma amiga, criar a filha no início dos anos 80. Para se ter uma idéia, eles eram do tipo que moravam em sítio, cultivavam maconha orgânica e mandavam pão preto caseiro com tofu na lancheira da menina. Hoje ela ri, mas na época se sentia uma filhote de ET.

Eu não moro em sítio, não planto maconha, não canto Hare Krishna olhando para o sol e esta semana meus filhos me pediram para mandar tofu de lanche para eles. É ou não é a glória?

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Ainda sobre gelatinas, recebi 2 receitas naturais. A da Renata Matteoni com Agar-Agar e a da Pat Feldman. Falta a receita da deliciosa geléia de mocotó da Dri, feita pela vovó no Mato Grosso e enviada com todo carinho para o Paulão, que cresce forte como um tourinho cevado a mocotó. Beijos!

4.3.09

A gelatina na berlinda


Atenção mamães neuras e naturebas com muito orgulho: o Proteste analisou 11 marcas de gelatina e os resultados, assim como no teste dos cereais matinais, desapontam. Muito corante, açúcar, adoçantes e química. Resumindo, aquela sobremesinha leve e tranqüila, não é tão leve nem tranqüila assim. Uma das constatações é que os fabricantes estão adicionando adoçantes artificiais na linha infantil e não avisam claramente no rótulo.

Eu mesma já caí no conto do adoçante artificial. Comprei gelatina Frutop achando que era uma gelatina infantil comum. Na embalagem, um selinho indica "Nova fórmula. Mais sabor, menos açúcar. Doçura equilibrada". O que eu entendi? Que tinha menos açúcar na fórmula, o que é ótimo. Em casa, fui ler os ingredientes e constatei o tal "equilíbrio" era obtido através de uma adição de aspartame, sacarina, ciclamato e acessulfame (sabe lá o que é isso)! Fiquei muito aborrecida pois, como consumidora, aprendi que produtos que contém adoçantes artificiais indicam isso claramente na embalagem através do rótulo "diet" ou "light". "Doçura equilibrada" é uma novidade.

Hoje leio todos os ingredientes antes de comprar e descobri que outros fabricantes de gelatina estão fazendo o mesmo e ninguém tá deixando claro no rótulo. Os supermercados também ignoram o fato e vendem tais gelatinas no setor de produtos convencionais e não na gôndola de produtos light e diet.

Uma novidade no setor é a "Minha Gelatina", da Oetker. Sinceramente, não sei se o produto é tudo o que o fabricante diz (ultimamente, só confio no que sai da minha cozinha), mas PARECE - de novo - PARECE que é uma gelatina mais saudável, com corantes naturais, polpa de frutas e nada de adoçantes artificiais. Se quiser saber mais clique aqui.

Para ler a matéria do Proteste sobre gelatinas clique aqui ou leia matéria no site da revista Crescer.

2.3.09

Bolsa de Mãe


O que mãe carrega na bolsa daria, por si só, assunto para um blog. Tenho uma amiga que não sai de casa sem bandaid, termômetro e tylenol. Outra carrega sempre o cartão de uma psicóloga infantil para distribuir entre mães amigas e conhecidas. Tem mãe que não sai sem uma caixinha de giz de cera, outras, sem uma caixinha de anti-depressivo. Cada uma tem suas necessidades e manias.

Minha bolsa é do tipo bagunceira hardcore. Além de tudo o que precisa ser levado (e que vira e mexe eu esqueço), tem carrinhos e hominhos que um filho sempre me pede para guardar e que acabam ficando lá alguns meses, esquecidos. Tem também embalagens vazias, que eu carrego comigo sempre que não encontro a lixeira. Há papéis dos mais variados tipos e formatos. E agora, uma sacola fininha de algodão que mantenho na bolsa para evitar pegar sacolinhas plásticas quando vou às compras.

Foi por causa dela, a sacolinha de algodão, que paguei o mais recente mico. Fui ao mercadão fazer umas comprinhas com minha irmã. Na loja de queijos, enquanto escolhia a mercadoria, enfiei mecanicamente a mão na bolsa, tirei a sacolinha de pano e entreguei, sem olhar, para minha irmã.

Após alguns instantes, minha irmã pergunta: "Tá, pra que isso?"

Eu respondo, ainda de costas para ela: "Para colocar as compras, ué?! A gente não usa sacolinha plástica".

"Você quer que eu carregue as compras aqui?"

Achei melhor verificar e quase morri de vergonha ao vê-la segurando uma cueca.

O tato havia me enganado. Ao invés da sacolinha, eu tirei da bolsa a cueca de um dos meus meninos, que estava lá para uma eventual troca de roupa.

Definitivamente, não é fácil ser verde.