27.12.08

Férias


O Ombudsmãe é uma proposta de uma mãe que fez (e faz) muitas mudanças para conseguir um pouco mais de qualidade de vida. Mudou de emprego, de carreira, de cidade, de casa, de escolas, de supermercado, de cardápio, de atitude. Nesse vendaval todo, só sobraram o marido, os filhos, os parentes e amigos.

E para estar mais perto e curtir estas pessoas, meus verdadeiros tesouros e dos quais jamais abrirei mão, entro de férias, tanto na vida real como internetal.

Um grande verão a todos os que acessarem o Ombudsmãe nesse período de recesso. Com muito calor do sol e humano. Em fevereiro estarei de volta.

20.12.08

Vamos salvar o Natal.


Fui convidada pela Silvia Schiros a participar de um post coletivo do Faça a Sua parte promovendo o renascimento do Natal e sugerindo dicas de presentes ecológicos. Quem frequenta a blogsfera se surpreende com a quantidade de pessoas discutindo o Natal. Uma data tão significativa, que se transformou no grande mico do ano.

Acordei na madruga dando o "download" numa idéia. Acho que foge um pouco da proposta do Faça de sugerir presentes ecológicos, mas repensa o Natal. Portanto, ei-la!

A primeira coisa seria minimizar o Papai Noel da Coca-Cola. Esse velhinho obeso, gastador, que nos estimula a comprar, comprar e comprar e que está, desde o final de novembro, molhado de suor, em TODOS os shoppings centers. Desculpe, bom velhinho, mas você ficou over. Não tem mais nada a ver com os tempos que vivemos. Acabou a magia.

O que vai salvar o Natal, é voltarmos ao principal sentido da festa no mundo ocidental: celebrarmos o nascimento do Cristo. Não o Jesus religioso, que morreu pelos pecadores e que faria você parar de ler este texto bem aqui. Não é desse Jesus que falo. Temos que resgatar o Jesus revolucionário. O ecologista. O maluco beleza que, há 2000 anos, abalou as estruturas da Roma perdulária e cheia de vícios, com suas idéias de vida simples. De amor ao próximo. De comunhão com a natureza.

Temos que resgatar o barbudo que disse que somos todos uma só família. Todos habitantes do mesmo planeta Terra. Eu, você que está me lendo, o feirante, o doutor, o agricultor, o catador de papel. E que as diferenças impostas pela sociedade são cruéis e fonte da maioria dos nossos problemas.

Temos que resgatar o homem que, ao ver que a comida não dava para todos, dividiu-a. E, ao invés de uns poucos comerem muito, todos comeram um pouco. O homem magro, de modos frugais, que se satisfazia com frutas, grãos, mel, peixe (talvez) e um vinhozinho de vez em quando, porque ninguém é de ferro. E não com leitões, cabritos, tenders, chesters, lombos, picanhas - geralmente, todos juntos na mesma ceia.

Temos que reviver as idéias do sujeito que introduziu o conceito de vida simples no ocidente. E praticou-a todos os dias em que viveu. Aquele homem que vivia apenas com o necessário, pois acreditava que os únicos bens que devemos acumular, são os valores que levamos dentro de nós. Que expulsou os mercadores do templo, pois uma coisa são valores da alma. Outra são os do dinheiro. E feliz é quem consegue diferenciá-los.

Renascer a alegria de um homem que vivia rodeado de amigos, que amava os animais, que viajava, que era carinhoso e benevolente com todos. Principalmente, com aqueles que erravam (isso me dá um alento, que nem te conto!).

Neste Natal, tenho pensado muito nisso. Pensando no aniversariante que, quando estudado livre das amarras e preconceitos da religião, revela-se um grande visionário. Um líder transformador, que parecia antever a encrenca que 2000 anos depois nos enfiaríamos. Em tempos de simplicidade voluntária e consumo consciente, não vejo ninguém melhor para seguirmos.

Que este ano, a gente consiga plantar a sementinha de um Natal verdadeiramente Cristão. Um Natal "menos" em tudo o que é material. E "mais" em alegria, risadas, comunhão com aqueles que amamos, divisão e confraternização. Um Natal com menos sobras. Nas lixeiras, na geladeira e nas parcelas do cartão de crédito. Essa é a minha sugestão. Um Feliz Natal para você e para todos nós!

18.12.08

Preciso rever meu Natal quando...


...começo a achar que a vida eterna, prometida pelo Cristo, é o tempo que vou levar para pagar as compras de Natal.

...torço por uma reforma que elimine dezembro do calendário.

...os amigos secretos viram inimigos declarados depois de abrirem os presentes.

...dou vinho para o vigia da rua, esquecendo que ele é crente.

...o entregador da Veja, que nunca me viu, me acorda domingo às 7 da manhã para pegar a caixinha.

...meu filho comenta que a árvore do vizinho dá de 10 a zero na nossa.

...meu filho comenta que com estas luzinhas mixurucas nós nunca vamos ganhar o concurso de decoração natalina do condomínio.

...o assunto na hora da ceia é se Chester é uma ave natural ou se deram hormônio para o bichinho.

...a bebida fica a cargo do cunhado e ele traz um vinho garrafa azul horroroso que veio na cesta da firma.

...começo a achar que quando Jesus falou em sofrimento, ele se referia a encontrar uma vaga para estacionar.

...meu filho pergunta se, ao invés de cartinha, pode colocar sua lista de presentes no Orkut do Papai Noel.

...a empregada faz um vale para pagar a prestação da tv de plasma (que eu não tenho).

...a fantasia do Papai Noel fica apertada no meu irmão. No meu cunhado. E no meu marido.

...meu filho pergunta quem está tomando conta da fábrica de brinquedos agora que o Papai Noel está trabalhando no shopping center.

...me lembro que o motivo de toda esta loucura é celebrar o nascimento do Homem que, há 2000 anos, introduziu o conceito de vida simples no ocidente.

...meu filho me pergunta como Papai Noel não morreu congelado na manjedoura e se Belém é a capital do Polo Norte.

...esqueço da lembrancinha do porteiro e ele esquece o restante do ano de colocar o jornal na minha porta.

...o colega que levou máquina fotográfica na festa de final de ano da firma é demitido por justa causa.

...o presente mais barato da lista do meu filho, só poderá ser comprado se eu entrar na lista dos socorridos pelo Federal Bank.

...me ligam para dar boas festas: a sacoleira de Ibitinga, a de Monte Sião, a de Assunción e a de Miami.

...meu marido ameaça entrar com um pedido de impeachment se aparecer mais um cheque-pré no canhoto do cheque.

...depois de peregrinar por lojas, shoppings, calçadões e supermercados, fico na dúvida se estamos comemorando o nascimento ou o calvário do Senhor.

...meu filho pergunta porque o Papai Noel é branco em um Shopping, e negro em outro.

...desejo ser abduzida por uma nave espacial que só me devolva à Terra em janeiro.

12.12.08

Não é fácil ser verde.


1. Ela vai ao banheiro. Enquanto resolve seus assuntos internos, decide se livrar do chiclete. Lembra-se de enrolá-lo num pedaço de papel higiênico, para não grudar na lixeira. É uma mulher educada. Lembra-se de outra coisa...(mulher no banheiro pensa em tudo)...o pedaço de papel que enrolou o chiclete pode ser usado para se limpar. Assim economiza papel. É uma ação pequena, mas é de papelzinho em papelzinho que se salva uma árvore. Termina seus afazeres e volta ao trabalho. Poucos minutos depois sente que algo a incomoda nas partes íntimas. Muda de posição, mas não melhora. Resolve voltar ao banheiro e descobre que o chiclete estava todo grudado na periquita. O calor do corpo tinha ajudado a formar uma bolota melequenta, toda grudenta, que não saiu com nada. Tirou o que deu naquelas condições. O restante, aguentou bravamente, se sacudindo de vez em quando, até chegar em casa. Lá precisou de gelo, tesoura, espelho e muita paciência para conseguir se livrar (não 100%) do danado. Moral da história, quem quer salvar as árvores e preservar as periquitas, cospe o chiclete.

2. A outra encara um lojão do centro da cidade para comprar mosquiteiros. Os pernilongos estavam tirando seu sono, mais do que a crise. Paga e pede para a mocinha não colocar na sacola plástica. É uma consumidora tentando ser consciente. Evita venenos contra insetos e sacolas plásticas. A mocinha continua a enfiar os mosquiteiros na sacola sem escutá-la. A consumidora insiste "não-que-ro-sa-co-li-nha". A vendedora responde sem olhá-la "sem sacola a senhora não sai da loja." "Mas eu tenho a nota!" "Mas o fiscal não vai deixar sair sem a sacola." A consumidora insiste, não quer a sacola e pronto. Vem a supervisora que a olha com cara de "me aparece cada uma por aqui". Vem o colaborador Anderson que colabora e decide acompanhá-la até a calçada. "Precisa disso? Eu paguei e tenho nota!". "É que o fiscal vai encrencar". Resignada, ela aceita sair escoltada da loja. Seu crime foi recusar a sacolinha. Tempos difíceis estes que vivemos.

3. Consumidora consciente recém convertida, esta outra se extasiou com os coletores menstruais. Descobriu-os em um blog verde, achou-os tudo de bom. Práticos, confortáveis e ecológicos. Um descartável a menos no planeta e na sua vida. Pesquisando na net achou uma farmácia nos EUA que vendia com desconto e entregava no Brasil. Não precisava de mais nada para ser feliz. Fez o pedido e contou os dias para a entrega. Os americanos são suuuuuper eficientes: em menos de 10 dias, recebia seu tão esperado coletor menstrual. Não via a hora de usá-lo. Tinha certeza que se adaptaria e que dali para a frente seria uma nova mulher. Mais consciente, mais atual, mais poptchura (pelo menos da cintura para dentro). Agora a contagem regressiva era para a menstruação. Tinha pelo menos 15 dias de espera pela frente. Enquanto isso, mostrava para as amigas, vizinhas e ginecologista. O dia foi chegando. A ansiedade era tamanha que nem TPM teve neste mês. 5, 4, 3, 2, 1, é hoje, talvez amanhã, ué não veio ainda, esquisito. No quinto dia desconfiou. Foi a uma farmácia e fez o teste. Positivo. Estava grávida. Teria que esperar pelo menos mais 9 meses para usar seu coletor. Hoje pesquisa fraldas reutilizáveis. E a Dona Vida chora de rir.

2.12.08

Se vira na pipoca


Combinar pipoca com cinema sempre foi um clássico. Mas, desde que os americanos nos ensinaram que o lucro das salas de exibição está na bomboniere e não na venda de ingressos, tem sido cada vez mais difícil fazer esta combinação. Afinal, quem tem dinheiro para pagar entre 6 e 15 reais por uma embalagem gigante de pipoca, toda lambuzada com manteiga falsa? Ou 5 reais num copo de Coca? Muita gente, se observarmos o número de pessoas que entram na sala com bandeja cheia.

Mas, se você, assim como eu se recusa a pagar tanto por pipoca, saiba que não estamos sozinhos.

Andei conversando com algumas mães, para saber suas posturas diante do abuso das bombonieres e fiquei surpresa com o que aprendi.

Lição nº 1: mãe dá nó em pingo d'água quando se trata de proporcionar algo a suas crias e ao mesmo tempo economizar uns cobrinhos.

Lição nº 2: as soluções para driblar a bomboniere vão desde as mais práticas às mais engraçadas. Confira.

A Mãe Pingo no i
Esta não compra na bomboniere e pronto. Ensina aos filhos que cinema é para ver o filme e que é melhor comerem uma banana em casa antes de sair, pois ficarão apenas 2 horas sem comer. Esta mãe lembra a todos de beber água e fazer xixi antes de entrar na sala.

Mãe piquenique

Passa antes no supermercado ou nas Lojas Americanas (que normalmente ficam no mesmo shopping que o cinema) e se abastece de porcarias. Balas, minhocas de gelatina, biscoitos, água e refris, comprados a preço normal. Enfia tudo na mochila e passa impávida pela catraca do cinema. Lá dentro distribui para a criançada.

Mãe economista de Harvard

Descobriu que no Cinemark tem uma pipoca vendida a 12 reais que dá direito a refil. É grande o suficiente para 3 crianças. Compra uma destas, sempre sem manteiga (porque engorda demais e o caçula vomita), dá para a garotada dividir e - agora vem o truque - quando o saco esvazia, ela o guarda na bolsa sem pedir o obesildo refil. Na próxima ida ao cinema, saca o saquinho vazio da bolsa, pede o refil e...tará!...tem pipoca para mais 3 crianças sem ter que pagar de novo. Fazendo as contas: cada pipoca acaba custando 6 reais e dá para 3 pessoas. Razoável.

Mãe subversiva

Estoura pipoca em casa. Na panela, que é para ficar barato mesmo. Embala em um ou mais sacos e enfia na mochila. Passa a catraca do cinema com ares de "pipoqueira vingadora da bomboniere abusiva". No escurinho da sala, abre vitoriosa a mochila e distribui os saquinhos para a garotada. Depois limpa os dedinhos melecados com guardanapos que ela surrupiou do McDonalds e guardou na bolsa.