25.3.08

Boas vibrações para mães sozinhas.

Sempre admiro mulheres que criam filhotes sozinhas. Admiro e oro por elas porque, se a dois a missão já é quase impossível, imagine sozinha, sem ninguém pra dividir as tarefas cotidianas, as carências, as demandas constantes. Tenho algumas pessoas muito próximas e queridas que embarcaram nesta aventura. De vez em quando trocamos lágrimas e risadas. O filho de uma delas enxugava o pipi com papel higiênico depois que fazia xixi, pois a mãe achava que era assim que os homens faziam e foi assim que ela o ensinou. O pai dele, que mora longe, um dia descobriu e ficou chocado. Acabou dando uma aula de como “chacoalhar o dito cujo” para o menino. O filho de outra, num churrasco em família, saiu desfilando com o vestido da prima, feliz da vida sem nenhum bloqueio paterno, para indignação do avô e dos tios que, chocados, perguntavam como a mãe permitia.

Mas engraçado mesmo foi o dia em que o filho de uma amiga ultraquerida encontrou um pequeno vibrador na cabeceira da cama dela. “Mãe, o que é isso?”. Ela rápida: “é um aparelho de massagem,” Ele adorou: “Pode ser meu também?” Ela querendo encerrar: “Pode, mas não pode sair do meu quarto, ok?”

A partir daí, de vez em quando, o menino se entretia com o brinquedinho. Brincava um pouco, punha na gaveta e esquecia. Até o dia em que o ex-marido veio visitá-los. Quando minha amiga chega, encontra os dois na cama dela, com o menino inocentemente massageando a cabeça, o rosto e o pescoço do pai com o vibrador. Ao vê-la, o pai cai na gargalhada: “Muito bom esse massageador, não”. Passado o constrangimento absoluto, choramos de tanto rir.

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14.3.08

Mãe Rally Adventures X-Games Extreme



@#$%@$%%$#@@$$%%^^^&&%#$#@@@. Não é defeito. É palavrão.

Alguém tem noção da responsabilidade que é filho dos outros? Essa semana ela, a reponsabilidade, caiu como uma bigorna de desenho animado, bem no alto da minha cabeça. E abalou as estruturas deste meu jeito desligado de ser. (Não entendeu...leia o texto "Qual é mesmo o título?")

O filho de uma amiga, de 7 anos, veio brincar em casa. Eu e a mãe dele temos um combinado de eu sempre levá-lo pra casa no final do dia, quando vou pra faculdade. Eles moram em um condomínio fechado. Um grande e pesado portão de correr fecha a casa. Ajudei o garoto a abrir o portão, coloquei-o lá dentro, fechei o portão e fui pra faculdade. Eram cerca de 18h30.

Às 20h00 meu marido me liga. A mãe do menino queria saber onde ele estava.

“Como assim, onde ele está? Está em casa. Eu mesma deixei-o lá. Sentinela, pede pra ela me ligar”

Ela não ligou e imaginei que estava tudo bem. Alarme falso.

9h00 encerro a aula. Ligo pra saber o que houve e quem atende é o assustado irmão de 10 anos. A mãe tinha saído e o irmão continuava desaparecido.

Voei pra lá. Pego o menino e saio com ele de carro, batendo nas portas de todos os amigos que o irmão poderia estar. Em cada casa, pais fazem cara de “que pepinão, hein?!” e os filhos se oferecem pra ajudar na busca. Lindos e solidários (com que idade a gente perde este ímpeto, hein?). Entram no carro e vamos pra próxima casa.

Cinco casas depois e o meu Dobló parece perua escolar clandestina, cheia de meninos falando alto e gritando “Cadu!” pela janela. Atrás de mim, mais uns 3 ou 4 de bicicleta e skate.

21h30 e nada do menino. Minhas pernas começam a bambear, Encontro o guarda do condomínio. “Eu vi um menino com esta descrição subindo a rua tal, mas faz tempo”. Corremos pra lá. Nada. Reencontro o guarda. “Senhora, o menino que eu vi, estava de roupa preta...igual à deste menino que está no carro e tinha um cabelo compridinho, igual ao dele também. Pera aí, acho que foi você que eu vi.”

Começo a rosnar. Pego minha turma e dou tchau pro Guarda Belo. Vou pra portaria. “Por aqui não passa ninguém, senhora. E se precisar a gente aciona o 190. Pode ter sido sequestro.”

Oito meninos no banco de trás começam a gritar em pânico: “O Cadu foi sequestrado! O Cadu foi sequestrado”

“Calma, galera. Não aconteceu nada. Obrigada senhor, guarda. Se precisar eu aviso. Está tudo bem, viu pessoal. Nós vamos encontrá-lo. Pelo menos uma coisa a gente tem certeza, do condomínio ele não saiu.”

“Pode ter saído sim, tia. Tem um guarda que deixa todo mundo sair na boa.”

“É mas hoje não era o turno dele, né pessoal. Vamos voltar pra casa que ele pode ter chegado.”

Paro o carro e diante da casa se forma um pequeno comício infantil. Todos entram pra vasculhar o lugar e ver se o desaparecido não estava dormindo num canto qualquer.

21h50. Escuto o portão abrir. Corro. É ele. Abraço, beijo, sacudo. Saio na rua e vejo a vizinha, que me explica que o menino estava sozinho, ficou com medo e ela o mandou entrar. Ela completa indignada: “Imagina, uma mulher deixou ele aí e foi embora”.

Eu: “Mas a mulher sou eu!” Saio de fininho e com o rabo no meio das pernas.

A criançada se despede feliz. Missão cumprida. Agradeço a solidariedade da turminha. Eles dizem pro menino se preparar pro castigo e partem.

Entramos na casa e esperamos a mãe, que chega uns 15 minutos depois. Ela explica: “Eu cheguei 18h40. Vi as coisas dele aqui, ouvi a voz dele na rua. Pensei...ele está por aqui. Pedi ao irmão que o encontrasse e mandasse entrar e fui pra minha reunião. Nunca imaginei que ia acontecer tudo isso! Só me apavorei quando vi seu carro parado na porta a esta hora da noite.. Jesus, que susto!”

Oba! Encontrei uma ainda mais desencanada do que eu. Entre um e outro suspiro de alívio, acabamos dando muita risada de tudo. Mas aprendi. Filho dos outros, só devolvo com protocolo assinado e carimbado pelo chefe do setor. As pernas estão bambas até hoje.

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Escola pública x privada - IV

O blog "O Futuro do Presente" entrou na discussão por uma educação pública e privada de qualidade e convida todos a discutirem o tema. Se você se interessou, leia, tecle, apoie. Falando de Educação Escolar

A gente tem que começar de alguma forma. Já vimos que simplesmente matricular nossos filhos nas particulares está longe de solucionar o problema. Talvez trocando idéias, a gente encontre novos caminhos.

11.3.08

Escola pública x privada - III



Uma amigona, educadora e advogada, me ligou pra comentar meu último texto. Disse que a idéia de processar o estado para reaver o dinheiro mal aplicado na educação é fantástica e que, no mínimo, geraria uma discussão das mais saudáveis. Daí me pergunta: "mas o processo seria contra quem? Prefeitura, Estado ou União? Porque a educação passa por muitas instâncias. Teríamos que escolher uma." Me senti o Didi: "Cuma?...A...acho que tem que processar o Brasil". Mas que Brasil seria este? Se coloco a prefeitura no pau, o estado se safa com sua incompetência educacional múltipla. Se processo o estado, como ficam as escolas municipais? E se vamos pro governo federal, ele vai jogar a culpa nos municípios. Conclusão: o que safa a safadeza é a falta de um rosto. Quem leu o texto da Cristiane Fetter sobre a educação nos EUA vê que lá é muito mais fácil responsabilizar alguém. http://ofuturodopresente.blogspot.com/2007/07/educao-como-que-parte-1.html
http://ofuturodopresente.blogspot.com/2007/07/educao-como-que-parte-2.html

A Telma colocou um comentário muito bom: que filho de político tinha que frequentar a escola pública. Vou além. Político não é o gestor da máquina pública? Pois então tem que usá-la. Todo político deveria se candidatar sabendo que, se eleito, ele e sua família teriam que usar a saúde pública, o transporte público, a educação pública e etc como parte do seu novo emprego. Não concorda? Não se candidate. Ou fica parecendo o dono de restaurante que come no restaurante do lado. É porque alguma coisa tá errada na cozinha dele, certo? Como podem os próprios gestores do setor público, que ganham muitíssimo bem por isso, só usarem o setor privado?! É uma aberração! Uma falta de respeito com quem paga o salário deles.

É disso que o Brasil precisa. De donos de restaurante dispostos a comer da própria comida. Depois da diarréia coletiva, tenho certeza que o cardápio melhoraria para todos.

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3.3.08

Escola particular x pública - II


A Telma, pra variar, arrasou nos comentários e nos índices enviados (vejam os comentários do texto anterior). Aliviaram um pouco meu lado "pensativo auto-culpante". Os índices são mesmo assustadores e por si só justificam um levante popular. Metade do Brasil chorou quando o Corinthians foi rebaixado pra segunda divisão. A escola pública é cronicamente rebaixada e não brota uma lágrima no rosto de ninguém.

E o comentário da Cristiane me lembrou da nossa amiga Regina, que mora na California e está penando com o filho matriculado em uma escola pública tida como uma das melhores dos EUA. Pelo que ela conta, uma máquina de moldar estudantes bem comportadinhos, conformados e que vão bem nos testes nacionais. Me lembrei também da Isabella, que tem filhos na escola pública belga e vira e mexe vai lá quebrar o pau com os arbitrarismos.

Mas mesmo isoladas, vejo que há boas experiências no ensino público brasileiro e gostaria de fazer parte delas. Uma boa idéia seria uma ONG que instrumentasse os pais e educadores de escolas públicas com apoio técnico e jurídico pra colocar o Estado no pau e obrigá-lo a melhorar escola por escola. Porque, que eu saiba, a lei existe. Falta boa vontade em implementá-la.

Li em algum lugar que nos EUA, principalmente em Nova Iorque, os pais que estão colocando os filhos em escola particular estão processando o Estado pra receber o dinheiro que seria investido na educação pública dos seus filhos. O raciocínio é ótimo: se o Estado é incompetente para gerir o ensino público, me dá o dinheiro que eu aplico onde está funcionando. Sou cidadão, pago impostos, meu filho tem direito. Só não uso por pura incompetência dos governantes.

Que tal lançarmos a moda por aqui?