27.11.07

Qual é mesmo o titulo?


Outro dia li uma frase da incrível Drew Barrymore (qualquer pessoa que aos nove anos leva uma vida de Vera Fischer e sobrevive para contar é, no mínimo, incrível) dizendo que ela é muito esquecida. Que perde cartões de crédito, esquece de abastecer, tranca a chave dentro do carro etc. Passei a gostar ainda mais dela. Sou uma dessas pessoas que também esquecem tudo. Vivo sempre meio desligada e corro pra lá e pra cá tentando tapar os buracos. É a roupa da natação de um dos meninos que não foi, é a rematrícula no violino, é o ingrediente da aula culinária que eu achei que era pra quinta e era pra quarta...enfim, tem sempre um rabicho esquecido me mantendo craque em malabarismo e adaptações.

E não adiantam agendas e planilhas. Eu esqueço de anotar e olhar. Tenho uma amiga querida que tem uma planilha com todas as atividades do filho marcadas, do início ao final do mês. Tudo o que ela precisa de lembrar ao alcance dos olhos. Jesus, que inveja!!!

Tudo isso pra explicar a encrenca que me meti na semana passada, ridícula pra quem não me conhece. Absolutamente cotidiana pra quem é de casa. Meu filho coloca aparelho com meu irmão, ortodontista, que vive em São Paulo. O aparelho anterior nós perdemos, porque demorei muito pra levá-lo ao retorno e a boca dele mudou. Fizemos outro e prometemos retornar em 15 dias. Quase dois meses depois (ou até mais que isso), na quarta-feira passada, rumei para São Paulo, com o meu mais velho e o caçula. Fomos de ônibus, para evitar o trânsito de Sampa. A clínica do meu irmão é bem próxima do metrô. Assim que chegamos, o pequeno me avisa que havia feito cocô na calça. Levei-o ao banheiro e fui conferir: tinha cocô do tornozelo ao pescoço – sem exagero. Uma obra prima. Agora o detalhe crucial: é óbvio que eu esqueci de levar uma troca de roupa para o garoto. Estava só com a roupa do corpo e um monte de cocô. O menino quase morreu de vergonha ao saber que teria que sair do banheiro pelado. Totalmente pelado. Só consegui salvar a sandália. Descolei uma toalhinha de mão para amarrar na cintura dele e, mais tarde, um jaleco - de adulto. Já era noite, estávamos exaustos, loja aberta só em shopping e como eu iria encarar um shopping sem carro e com uma criança nua? A solução foi pedir ao mais velho que emprestasse a camiseta dele ao irmão. Como ela era comprida, virou um vestidinho e tampou o popô. Eu dei minha camiseta ao mais velho e vesti o jaleco, tipo “mamãe é médica”. Pegamos o metrô e na rodoviária comprei uma fralda para ele. Voltamos assim para São José. De jaleco, camiseta e fralda.

Vou concluir antes que eu comece a fazer outra coisa e esqueça de atualizar o Ombudsmãe. Beijos.

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