29.3.07

Projetos - Agua, de novo?


Água, de novo?


Hoje em dia, a maioria das escolas caminha para a educação por projetos. Nada contra. Muito pelo contrário. A dinâmica dos projetos é muito mais rica e significante que o aprendizado decorado e massificante no formato “lousa-livro-prova”. O problema aparece quando observamos a forma como os projetos são escolhidos e montados. De uma escola para outra, os temas variam muito pouco. A impressão que temos é que há um “banco de projetos” pobre e repetitivo de onde os professores tiram suas propostas. É sempre água, solo, “o que é o que é”, reciclagem de lixo, “minha história – minha vida” e outros do gênero. Temas excelentes, mas quando usados à exaustão acabam tornando-se cansativos e repetitivos. A massificação dos temas de projetos afasta-os da proposta inicial que é proporcionar ensino temático personalizado aos interesses e necessidades dos alunos de cada turma. Os defensores do “banco de projetos” podem dizer que, apesar dos temas serem quase sempre os mesmos, a própria dinâmica dos trabalhos os tornam únicos. Concordo, mas poderia ser bem mais do que isso, não?

Vejamos o caso de um garotinho que já estudou em 3 escolas. Nestas mudanças, fez e refez o projeto “Água” 3 vezes! Duas vezes os projetos “Reciclagem de lixo” e “sistema solar”. Já virou PhD na sua vida, pois a remontará pela terceira vez no projeto “Minha história”. E ontem, ele chegou da escola com a seguinte frase: “Vou estudar o Portinari outra vez!” De novo, cada escola tem sua abordagem, sua forma de trabalhar, mas falta criatividade na escolha dos temas e isso é mais do que evidente.

A solução para o problema? Professores, abandonem este “banco de projetos” repetitivo e inibidor ao qual recorrem. Entendo que é muito mais fácil se trabalhar com um projeto já montado, mas, aqui entre nós, é tão empobrecedor! Sem contar que a verticalização da escolha do tema, isto é, a imposição do tema vinda do professor ou coordenador, contraria todos os princípios de autonomia, criatividade e pró-atividade que vocês tentam nos vender nas reuniões de pais. Comecem dando mais ouvidos a sua turma. As crianças são os seres mais criativos e interessantes que existem. Ouçam suas histórias de super-heróis, seu fascínio por gigantes e monstros marinhos, seu interesse por viagens intergalácticas, sua curiosidade sobre o funcionamento das coisas, seu instinto natural por misturar e fazer “experiências” com líquidos e alimentos.

O universo infantil nos apresenta uma quantidade ilimitada de temas a serem trabalhados. Temas inéditos, curiosos, divertidos e criativos. Que tal uma fábrica de sorvetes ou de produtos de beleza, como sabonetes e shampoos? As crianças podem pesquisar cores, sabores e consistências variadas, escrever receitas, montar o cardápio (ou catálogo), calcular preços e quantidades, pesquisar os cheiros e sabores mais procurados, criar rótulos, embalagens e anúncios, fazer divertidas sessões de degustação e depois vender o resultado final em uma mini sorveteria ou mini lojinha montada por eles mesmos. O dinheiro arrecadado pode ser revertido para eles mesmos ou para um projeto social. Vejam quantos eixos a serem trabalhados! E ainda estimularíamos o empreendedorismo e a solidariedade de forma saudável e divertida.

Há ainda a produção de vídeos (algo hoje viável com pouquíssimos recursos), a montagem de programinhas de rádio (imaginem a riqueza de repertórios a serem pesquisados!), os gibis, as feirinhas, os jogos simbólicos fora da sala de aula, os castelos, a caçada aos ossos de dinossauros. Os temas não faltam. O que falta é imaginação.